LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL

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Nesta página estão reunidos alguns comentários, entrevistas, currículo, resumos e críticas de obras, bem como dados acadêmicos do escritor gaúcho LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL.


ENTREVISTA DE LUIZ ANTONIO COM JOSÉ PINHEIRO TORRES

José Pinheiro Torres - Começando pelo princípio: como foi sua formação?
Luiz Antonio de Assis Brasil - Pensando em formação escolar, esta foi de excelente qualidade. Estudei com os jesuítas, que possuem um colégio centenário em Porto Alegre. Os padres da Companhia estimulavam os estudos clássicos, a filosofia e a língua portuguesa. Já na adolescência eu lia Cervantes, Chateaubriand e Milton no original - e isso não é vantagem alguma, porque todos os colegas faziam o mesmo. Creio que esse foi o grande impulso para a literatura, embora em casa o ambiente não fosse estranho às letras. Tive a oportunidade, também, de estudar música: aprendi violoncelo e fui músico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Todo esse conjunto de fatores, creio, já preparava o futuro romancista. Esquecia de dizer: tomei aulas de aquarela, mas não passei das garrafas e das maçãs.

JPT - Falando sobre a Orquestra Sinfônica: como foi a experiência?
LAAB - Foram quinze anos dedicados à Orquestra da minha cidade; uma experiência importante, por vários motivos. Em primeiro lugar, pela consciência de que, em uma orquestra, o músico é um executante no sentido próprio do termo. A emoção e a paixão são do maestro e do compositor. Em segundo lugar, enquanto experiência social, esta é riquíssima. Vive-se, na orquestra, um ambiente bastante neurótico, porque se trata de um pequeno grupo no qual há muita competição em torno dos postos. Postos melhores significam salários maiores, e a partir desse fato se estabelece uma pesada hierarquia dentro da orquestra. E eu vivi esse clima durante a ditadura militar, quando havia enorme verticalização do poder. As coisas eram bem mais graves do que se pensa.

JPT - E isso deu livro?
LAAB - Deu: "O homem amoroso", uma novelinha.

JPT- O senhor então abandonou a música?
LAAB - Jamais. Posso não praticar meu instrumento, mas hoje sou mais músico do que antes: não tenho mais, sobre mim, a tirania das notas musicais.

JPT- Quais as leituras ou autores que mais o influenciaram?
LAAB - O primeiro romance que li por inteiro foi A relíquia, de Eça de Queirós. Só descansei quando não havia mais nada para ler desse autor. Depois, foi a vez de Flaubert, naturalmente com Mme. Bovary. E depois vieram Machado de Assis e Erico Verissimo. Em seguida, Balzac, Stendhal e Zola. Dentre os modernos e contemporâneos, estão Thomas Mann, Faulkner, Hemingway, Gide, Julien Green, Cortázar, Carpentier, García Márquez, Vargas Llosa, Saramago, Günter Grass, Pascal Quignard. Antes que essa relação se transforme numa lista telefônica, resta-me dizer que li e leio muito, e de modo assistemático, guiando-me pelo instinto ou pela sugestão de pessoas a quem respeito. Não me considero particularmente influenciado por nenhum destes, mas por todos em geral; se fosse imprescindível responder à pergunta, diria que Eça ainda está no cimo desse panteão particular: com ele aprendi, ou penso ter aprendido, como se estrutura um romance e como se desenvolve uma personagem.

JPT- O que pensa da literatura chamada pós-moderna?
LAAB - Não acho nada, pois se trata de um momento estético e, como tal deve ser entendido. Particularmente, minha sensibilidade não chega a perceber como, em certo viés da pós-modernide, se construa um romance sem conflitos, conflitos sem personagens, personagens sem drama. Mas o futuro é que poderá estabelecer um juízo mais razoável.

JPT- Quando começou a escrever "profissionalmente"?
LAAB - Em 1974 tive uma doença gravíssima, que implicou e internamento hospital, cirurgia, risco de vida, etc. Na convalescença comecei a escrever aquilo que seria meu primeiro livro, Um quarto de légua em quadro. Não tinha idéia do que se tratava. Minha intenção original era escrever uma obra histórica sobre o povoamento açoriano no Rio Grande do Sul. Pois virou romance, e desde aí não parei mais.

JPT- Por que Açores?
LAAB - Explico: sou descendente de açorianos por parte de pai e de mãe. Assim, o que era um interesse genealógico acabou em interesse pelos Açores, minha segunda pátria, e onde tenho excelentes e fraternais amigos. Já dei aulas de Literatura Brasileira na Universidade dos Açores e lá fiz uma investigação de pós-doutorado.

JPT- A propósito: e a carreira acadêmica?
LAAB - Encontrei-me no trabalho universitário. Tenho, ali, a possibilidade de conviver, de maneira mais palpável, com a literatura e seus autores. Não poderia fazer outra coisa. À parte disso, minha Universidade me propicia ministrar a Oficina de Criação Literária, que teve início em 1985 e que segue até hoje. Orgulho-me de meus ex-alunos, que por ali passaram, e que hoje são escritores reconhecidos pela crítica e pelo público.

JPT- Mas voltando para sua produção: como é seu método de trabalho?
LAAB - Como sou - bom ou mau - romancista, sinto necessidade de um planejamento prévio da obra. Sem planejamento não poderia escrever.

JPT- Isso não tolhe a imaginação?
LAAB - Não, pois o verdadeiro momento de criar á quando se tem a idéia. Depois, é trabalhar a idéia, de modo que se apresente lógica, pois no romance vige o princípio de causa e efeito. O que importa, entretanto, é o resultado final, isto é, se o livro é bom ou ruim. O modo como o romance foi escrito é algo que pertence ao domínio privado do autor.

JPT- O senhor reescreve muitas vezes?
LAAB - No passado, sim; hoje, com o uso permanente do computador, posso refazer à medida em que escrevo; mas a intervalos imprimo uma versão, para testemunho e registro.

JPT- Acha importante a técnica?
LAAB - Técnica literária - eis um sintagma diabolizado em certos meios cultos: é como se a literatura derivasse apenas da inspiração (sabe-se lá o que é isso), ou que a técnica fosse algo menor, própria dos obreiros manuais, dos carpinteiros e alfaiates. A verdade é outra: qualquer arte possui sua técnica. Tinham razão os arquitetos das catedrais góticas: ars sine scientia nihil est. Entendo a técnica literária como a soma das condições necessárias à escrita. É o senso de medida na frase, sua musicalidade, a perfeita construção do diálogo, a eficiência descritiva e narrativa e, em especial, a idéia de proporção da peça inteira, de modo que suas partes dialoguem com a necessária harmonia compositiva. Técnica também é não atrapalhar-se com as palavras; ao contrário, é fazer com que trabalhem a nosso favor. Técnica é entender o axioma: o que se corta, ganha-se - os leitores, aliviados, agradecerão essa higiênica providência. Técnica é saber que não se escreve para desabafar, mas para construir uma realidade estética autônoma, a ser fruída pelos leitores. Dominar a técnica é escrever de tal maneira que o leitor queira saber o que virá no capítulo seguinte. É, por isso, dizer algo novo a cada frase.

JPT- Então a técnica pode ser aprendida?
LAAB - A técnica literária - assim com a técnica da pintura, da arquitetura, da música, etc., - pode ser conquistada num curso à semelhança dos laboratórios do texto (no Brasil, "oficinas"). Os laboratórios são uma experiência consagrada no mundo inteiro, e vêm obtendo crescente aceitação desde que foram criados nos Estado Unidos, a partir da década de 40 do século passado. Grande escritores saíram dali, e agora lembro Raymond Carver. O curioso, nesse sarau polêmico, é que não se discute a utilidade, por exemplo, de uma academia de dança. Pensado na raiz desses preconceitos e equívocos, percebe-se, subjacente, uma atitude algo elitista, algo reacionária, algo romântica, algo ingênua, que leva alguns autores a acreditarem apenas no talento, algo problemático, por dividir as pessoas entre talentosas e não-talentosas, partição inaceitável num mundo que se esforça para, sem discriminações, assimilar e a integrar as diferenças e as minorias. A propósito, há um interessante livro de Beth Joselow, chamado, muito significativamente, de Writing without the muse. (1995). Evoco, para ilustrar, a célebre crítica que Machado de Assis escreveu a O primo Basílio, na revista O Cruzeiro, em 16 de abril de 1878. Ali, pela primeira vez, foi dita em português, a expressão "oficina literária". A certo instante do texto - na verdade, uma desanda geral no colega português - diz Machado: "[Eça de Queirós] transpôs ainda há pouco as portas da oficina literária..." Por evidente não está a referir-se a esse fenômeno atual, mas alerta para a existência de uma técnica e para a necessidade de um aprendizado dessa técnica. E nem Machado furtou-se a isso.

JPT- Quais suas relações com a crítica?
LAAB - Temos de distinguir: de um lado há a verdadeira crítica, que é uma peça de reflexão embasada num referencial estético-teórico, a qual analisa a obra mediante critérios ponderáveis e universalmente reconhecíveis; de outro lado, há a opinião, fruto muitas vezes da efemeridade do gosto, quando não de sentimentos derivados do compadrio ou, ao contrário, do preconceito. Recomendo ao escritor que leia a ambas; quanto à primeira, aprenderá bastante sobre a arte literária, o que poderá ajudá-lo a escrever melhor; quanto à segunda, acho-a ainda mais interessante, pois aprenderá, e muito, sobre a natureza humana - que é, afinal, a matéria-prima da Literatura.

JPT- Dentre sua obra, a algum romance de que o senhor goste mais? LAAB - Isso é o mesmo que perguntar a um pai de qual filho gosta mais; mas para não fugir à pergunta: As virtudes da casa é o romance que melhores lembranças me traz da época de sua escrita. Não sei se é o melhor, literariamente falando, mas é certo pertence ao inventário das minhas obras inesquecíveis.

JPT- Passando ao cinema. O senhor tem várias obras que passaram ao cinema ou estão em fase de passar. Como o senhor vê esse fato?
LAAB - Com muita naturalidade. Se há algum mérito nisso, ele se restringe à circunstância de eu manter-me fiel a uma idéia: toda a narrativa deve possuir episódios, coisas acontecendo. Isso é cinema. Todo o romance deve despertar no leitor aquela pergunta sôfrega: "E agora? O que vai acontecer?". E é isso que se espera de um filme. Não me considero um purista quanto à fidelidade do filme ao livro. São duas modalidades diversas de narrativa. Se o romance pode ter maior liberdade em explorar as personagens e suas tramas, abrindo espaços para a reflexão, já o cinema deve ficar no "osso da história", pois é preciso compactar em hora e meia todo um universo narrativo. Sempre dei ilimitado poder aos adaptadores ou diretores dos filmes baseados em meus livros. Tal como no romance, importa é que seja um bom filme.

JPT- Alguns críticos acham que o senhor pratica o romance histórico. Concorda com isso?
LAAB - O romance histórico tradicional, ao estilo de Scott e Herculano, não se pratica mais; pelo menos, se pratica pouco - e de má qualidade. No denominado "novo romance histórico" - que Linda Hutcheon chama de "metaficção historiográfica" -, a história é sempre pretexto, e é deformada, reinterpretada, discutida e, até, criada. Imagino ter feito, e com certa freqüência, essa segunda modalidade, com recurso à paródia, ao pastiche e, uma ou duas vezes, ao plágio burlesco. Penso, contudo, que é um capítulo encerrado em meu trabalho. Hoje me preocupa, mais que tudo, a ficção. Mesmo que os plots estejam situados num tempo pretérito, isso é apenas uma opção do escritor: o passado me dá maior liberdade criadora, e as emoções e paixões me parecem mais autênticas.

JPT- Valesca de Assis, sua esposa, também é escritora, e premiada, com três romances publicados. Há interação em família?
LAAB - No plano afetivo e emocional, a mais completa interação; no plano literário costumamos a separar as coisas. Contudo, jamais publico algo sem que a Valesca tenha lido previamente. Suas observações são valiosíssimas e, às vezes, decisivas. Se consegui algo em minha trajetória de escritor, devo a esta mulher brilhante a ao mesmo tempo modesta, que me dá um sentido à vida e ao que escrevo. Creio que isso diz tudo.

(Texto publicado em http://www.paginadogaucho.com.br/laab/bio.htm)


A TEIA SILENCIOSA DO ROMANCE

Patrono da 43ª Feira do Livro, Assis Brasil
revela como escreve os seus livros


O escritor LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL, 52 anos, patrono da 43ª Feira do Livro de Porto Alegre, é metódico até no sono. Dorme regularmente cinco horas por dia. Às 4h já circula pelo amplo apartamento da Avenida Lavras, no bairro Petrópolis, entre livros e troféus de caça. Compartilha com a maioria de seus colegas de ofício, e com os romancistas em particular, a preferência pelo trabalho matutino. Sua mulher, Valesca, vai encontrá-lo horas depois sentado em frente ao microcomputador, empenhado numa luta particular e silenciosa para pôr em prática a divisa que tomou emprestada aos romanos: nulum die sine linea - nenhum dia sem (escrever) uma linha.

Sua atividade literária obedece a uma disciplina semelhante à do repouso. Ao contrário do que seus 13 romances publicados possam sugerir, Assis Brasil não é adepto das jornadas extenuantes de trabalho. Escreve, no máximo, por três horas diárias. Quando esse intervalo de tempo é ultrapassado, ele sabe que não ficará satisfeito com o resultado. "Preciso encontrar pessoas, sair", explica. O sono breve e o hábito de escrever de madrugada proporcionam ao artista um dia relativamente longo. "É um privilégio", admite.

Ao desligar o computador, Assis Brasil mostra outra habilidade: a de se desdobrar em múltiplos afazeres. Ele pode se dirigir ao Instituto de Lingüística e Literatura da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde é professor. É capaz de se deslocar à Casa de Cultura Mário Quintana para uma reunião do Conselho Estadual de Cultura, do qual é membro titular. É possível vê-lo caminhar pelas ruas de Petrópolis, como em outros tempos fazia Érico Veríssimo. Em todas essas atividades, será o mesmo homem sereno que encara pela manhã a tela branca do computador.

Sua rotina, porém, pode sofrer um abalo repentino. É o momento em que o escritor começa a dar forma a um novo livro. "Tudo parte de uma idéia grandiosa, transcendental, nova e transformadora", descreve. "Todo livro nasce como se fosse minha obra definitiva." Aos poucos o escritor começa a impor limites a seu sonho. "Sou obrigado a fixar tempo, espaço, estrutura, personagens." Em seguida, faz um resumo do futuro romance, com cerca de 15 páginas, onde procura estabelecer a coerência narrativa, a divisão em capítulos e até mesmo o número de páginas de sua obra. Gosta também de produzir linhas de tempo e quadros para orientar o seu trabalho.

O próximo passo é escrever. Ele costuma comparar sua técnica à dos diretores de cinema, que não precisam filmar de acordo com a tecnologia interna de suas obras. "Escrevo a cena que me dá mais gosto no momento", afirma. No caso dos romances históricos, a passagem que o estimula é, invariavelmente, a que acabou de estudar.

Obras com planejamento detalhado

Luiz Antonio de Assis Brasil garante não ter inclinação para a pesquisa exaustiva. "Eu quero fazer ficção, e não História ou Sociologia", explica. O planejamento detalhado coloca-o a salvo dos bloqueios que acomentem outros escritores. "O momento da criação é aquele no qual eu concebo o romance. O resto é trabalho", define. Seus únicos livros produzidos sem roteiro preliminar - "de uma maneira anárquica" - foram as obras de estréia Um Quarto de Légua em Quadro (1976) e A Prole do Corvo (1978). Esses são, coincidentemente, os livros de que menos gosta.

"Não considero Um Quarto de Lágua em Quadro propriamente literatura", afirma. O romance havia sido imaginado como um livro de história sobre a colonização açoriana, foi publicado quase por acaso e sua acolhida surpreendeu a todos, a começar pelo autor. "Se é verdade que eu planejei muito meus romances, é também verdade que planejei pouco minha carreira", reflete.

O gosto pelo ensino e a intimidade com a técnica de escrever conduziram Assis Brasil à tarefa de formação de escritores. "Ser professor, revelar coisas desconhecidas aos outros, é para mim uma vocação, e não um emprego", diz. Ele mantém uma oficina literária no Curso de Pós-graduação do Instituto de Lingüística e Literatura da PUCRS.

Seu trabalho junto aos alunos se baseia na convicção de que há soluções técnicas que podem ser transmitidas de um escritor para outro. "Eu tive que aprender por mim mesmo, por exemplo, que o diálogo deve se resumir ao essencial numa narrativa", afirma. Os novos talentos da literatura virão, em sua opinião, das oficinas literárias. "Essa tendência já existe na Europa e nos Estados Unidos", revela.

(Artigo publicado na REVISTA ZH, 2º Caderno, Porto Alegre, 02-11-1997, pag. 4)


AFINIDADES LITERÁRIAS

ENTREVISTA

REVISTA ZH- Qual é o seu livro inesquecível?
LAAB - Os Maias, de Eça de Queirós.

R ZH- Quais os versos que o senhor nunca conseguiu esquecer?
LAAB - "Tenho idéias e razões / Conheço a cor dos argumentos / Mas não chego aos corações" (Fernando Pessoa)

R ZH - Qual o seu herói de ficçãp preferido?
LAAB - Artur Corvelo, de A Capital, romance de Eça de Queirós.

R ZH - Qual sua heroína preferida?
LAAB - Jane Eyre, do romance homônimo de Charlotte Brontë.

R ZH - Quais as palavras ou a frase que o senhor mais repete?
LAAB - Um romance não se escreve com idéias, e sim com palavras.

R ZH - Qual a qualidade que mais o impressionou em um personagem?
LAAB - A dignidade de Ana Terra

R ZH - Qual o defeito que mais lhe marcou em um personagem?
LAAB - As dúvidas de Bentinho.

R ZH - A vida de qual autor o senhor gostaria de imitar?
LAAB - Johann Wolfgang Goethe.

R ZH - A morte de qual personagem o senhor gostaria de ter?
LAAB - Dom Quixote.

R ZH - Qual a sua maior obssessão de leitor?
LAAB - Descobrir os meandros da criação do texto que estou lendo.

R ZH - Qual é o seu lema como escritor?
LAAB - O provérbio latino Nulum die sine linea - nenhum dia sem escrever uma linha.

R ZH - Qual é o seu lema como leitor?
LAAB - O bom romance é aquele cujo final não importa.

R ZH - Com qual personagem de livro o senhor mais se identifica?
LAAB - Carlos de Maia, de Os Maias.

(Entrevista à Revista ZH, 2º Caderno, Porto Alegre, 02-11-1997, pag. 5)


CONSELHOS PARA OS NOVOS

PRECIOSOS CONSELHOS DE LUIZ ANTONIO PARA NOVOS ESCRITORES

1 - Ouvir os outros antes de publicar.
2 - Ler de tudo, e não apenas o gênero que pratica.
3 - Possuir um conhecimento relativamente sólido de todas as áreas do saber humano.
4 - Preocupar-se com a qualidade do texto, e não apenas com a história que conta.
5 - Ser solidário com os colegas de escrita. Ler o que lhe é proposto.
6 - Escrever sempre, todos os dias.

(Publicado na Revista ZH, Porto Alegre, 02-11-1997, pag. 5)


A OBRA DE LUIZ ANTONIO E A CRÍTICA

UM QUARTO DE LÉGUA EM QUADRO
Movimento, 1976 - em 6ª edição

Situado no período de 1752-1753, primórdios do povoamento açoriano do Rio Grande do Sul, esse romance, escrito em forma de diário pelo médico Gaspar de Fróis, discute as raízes e a gênese do nosso povo. Em Um quarto de légua em quadro, o drama pessoal de Gaspar se funde ao drama coletivo; sem o desejar, o médico torna-se cúmplice e partícipe de fatos que nunca desejou houvessem acontecido. Obra de estréia, esse romance viria estabelecer o caminho estético do autor.

UM LIBERAL À DERIVA
Flávio Aguiar*
Jornal Movimento, São Paulo.

Um quarto de légua em quadro é a história de um suicídio brando, de uma desistência. Gaspar de Fróis, médico com alma de artista, vem da Ilha Terceira do Arquipélago dos Açores para o Brasil em meados do século XVIII, participar da "grande empresa" da colonização. Portugal celebrava o Tratado de Madri coma Espanha (1750), pelo qual entregava a esta a Colônia do Sacramento, junto ao Rio da Prata, e recebia em troca o próspero Território das Missões, rico em gado, ervais e terras férteis. Para consolidar a manobra, estendia a colonização em direção ao Sul: estenderam-se em linha, Desterro (hoje Florianópolis, Laguna, Porto do Rio Grande, e já varando a Lagoa dos Patos, para adentrar o então chamado Continente, Porto dos Casais (hoje Porto Alegre). Nesta trilha, cujo objetivo era penetrar a terra até as distantes e legendárias Missões, vem Gaspar de Fróis, para se desencantar com o tal projeto e consigo mesmo, por se ver conivente com o qualifica de "atrocidades cometidas contra os colonos.

O romance é seu diário, escrito até o ponto em que desaparece do mapa, tomando destino ignorado. Seus cadernos são, a seguir, editados por contemporâneos seus. Como encarar o gesto do médico de sensibilidade fina e fidalga - como ele mesmo quer ter? Como uma desistência passível de críticas? Mas no terreno do literário - do romanesco, no caso particular - nem tudo pode ser tomado rigorosamente ao pé da letra, nem os julgamentos morais podem ser exclusividade no comando do juízo crítico. Gaspar de Fróis se afasta da sua história para nos deixar, em contrapartida, uma vigorosa denúncia da reificação humana. Esse gesto de distanciamento é acentuado pela grafia do livro. O diário do médico é escrito em grafia moderna, enquanto as notas dos contemporâneos que lhe são apensas vêm em grafia daquela época, dos mil setecentos e tantos. O contraste acentua o jogo do discurso literário ao longo do tempo histórico: qualquer analogia com o presente fica por conta do leitos, mas não é mera coincidência.

O que se pode dizer é que o ato de narrar serve de catarse para um drama sem resposta: o da consciência individual, aguda mais impotente enquanto individual, diante da tragédia coletiva. Gaspar de Fróis revela mais de um parentesco com o pensamento liberal - não no terreno econômico propriamente, que o médico não chega a discutir - mas sim no fato de se aferrar, como única coisa segura e certa no oceano de contradições, em seus princípios pessoais, em sua crença implícita num Estado coerente que organizasse, quem sabe, um dia, aquela confusão em que se metera. Essa crença vai sendo golpeada sem dó nem piedade; seu diário é o diário de um dilaceramento; o narrador se divide em dois, um que procura pensar a ordem na confusão e outro que manifesta continuamente debaixo do primeiro, a desordem diabólica de tudo.

O primeiro é o fidalgo que olha com repugnância o quadro das misérias alheias e se escandaliza com elas, manifestando suas preocupações diante das autoridades constituídas. O segundo revela sempre capítulos insuspeitos dessa tragédia toda, manifestando não mais a fidalga repugnância, mas sim o declarado horror diante de fatos como a descoberta que os fogos fátuos que corriam à noite em volta de uma certa casa de fazendo das redondezas eram provenientes da putrefação de vinte e três índios ali massacrados. O escritor não reclama diante das autoridades constituídas: ali mesmo vomita o café da manhã. Essa cisão entre o narrador e a narração - quando não manifesta fragmentação - não confundir com a fragmentação do discurso literário em flashes, instantâneos, ou seja lá o que for - aponta para uma profunda crise de e no romance brasileiro. Uma das pontas dessa crise se mostra neste Um quarto de légua em quadro: a crise da consciência liberal diante de uma progressiva deformação da realidade.

Os invasores internos

O epicentro deste drama, no caso do romance que ora se trata, está na história da formação da propriedade da terra no Sul do País. É uma história de ocupação de terras, e de uma ocupação conflituada. Os conflitos medram não apenas contra os inimigos externos - o espanhol, índios em bando ou organizados nas Missões. Eles medram internamente (e isso é que balança mais o coreto da consciência de Gaspar de Fróis) entre os destinados à pequena e à grande propriedade.

A ocupação das terras abria frente para dois tipos de proprietário. Primeiro o grande, em geral um militar português, transformado em estancieiro, dono de terras, escravos, gado e comandante de homens meio peões, meio soldados. Segundo o pequeno proprietário - que vinha dos Açores em busca do seu prometido um quarto de légua em quadro e da sua sobrevivência. Era menos poderoso do que o primeiro, mas igualmente necessário à ocupação da terra. Entre esses dois fogos a Coroa de Portugal tratava de executar a demarcação - vale dizer, fixar as fronteiras com a Espanha e expulsar os índios do território missioneiro.no jogo de empurra-empurra entre aqueles dois tipos de proprietários, dava para adivinhar quem ficava com as piores terras, levando chumbo se invadia a vastidão alheia. Esse processo, e seu papel nele, é que leva o Doutor Gaspar ao desespero (1).

Os conflitos internos do médico-narrador possuem duas frentes básicas: sua relação com o poder e a sua impossibilidade de uma relação amorosa conseqüente (primeiro) e de qualquer relação amorosa (depois). A convivência com o poder se dá em dois pontos: na análise a um tempo apaixonada e desapiedada que Gaspar de Fróis faz de Gomes Freire de Andrade, personagem histórico, comandante da demarcação, a mais alta autoridade portuguesa naquelas paragens ermas e geladas dos confins de um país que ainda não havia. Veja-se o diálogo: ...Mas não foi só isso, general. Me amargurava vendo os colonos padecendo. - E daí: Que poderia o senhor fazer? Deixe esses assuntos para nós, administradores. Tudo obedece a uma larga idealização, que, com o tempo, dará os frutos desejáveis. Uma ou outra morte ocasional não modificará os planos. É como uma grande obra, em cujo cimento deve entrar um pouco de sangue, para ser mais sólida. - Intrigante homem. Contraditório, humano, desumano, tal como provavelmente deve ser um homem.

Segundo, na constante dismistificação que faz no discurso deste mesmo poder - seja através do recolhimento das palavras submissas ou candentes dos colonos, seja na descrição de fatos paralelos, como a mascarada que os soldados portugueses organizam quando de um dos encontros entre Gomes Freire e os demarcadores espanhóis, que termina valendo como uma verdadeira outra face daquele poder, as caras esfarinhadas sustentavam olhos exageradamente pronunciados, saindo das órbitas, os dentes faltando (...).

Mas como o médico Gaspar de Fróis participa do poder, ainda que suas condições concretas de trabalho sejam intoleráveis para a razão. De que lhe serve a formação intelectual? Ele mesmo dá a pista, durante aquela mascarada: Quem me assegura que, se não tiver o poder de controlar-me que me foi ensinado, não estaria também participando daquela fantasmagoria, encenando alguém que não sou, apenas para ter, por uns momentos, a ilusão de não estar com os pés na terra?

Gaspar aprende a se controlar na vida real e extravasar no papel. Introjeta a seu modo e elaborado em contradições de ordem psicológica o conflito que presencia e de que é, no mínimo, espectador privilegiado, senão um dos principais atores. O médico fica sem condições de expressá-lo por inteiro, mesmo que seja em palavras, pois sua linguagem se distancia da ação. Ele o corrói por dentro e acaba por tornar-lhe impossível qualquer vida sentimental. O sentimento adquire as cores do poder - portanto, para esse eu dividido, de coisa culposa e culpável. Assim se esvai a única oportunidade amorosa que tem, o desejo de e por Dona Maria das Graças, a mulher do tenente Covas, da Guarnição do Porto do Rio Grande, e que depois de se entregar a ele por uma noite quer conversar sobre os motivos que o levaram a isso. Resposta do médico fidalgo, cortando o diálogo: Ora, conversar! Se quisesse ir para a cama, que viesse. Entrei no presídio a galope solto. Rilhando os dentes.

Um quarto de légua em quadro é um romance de estréia - de merecida estréia. Basicamente porque nos fala daquela outra História, sempre escondida por trás dos panegíricos e apologias dos manuais oficiosos. E o faz com sobriedade e ironia, qualidades em geral raras numa estréia.

Nota:
(1) Convém ressaltar o valor de reconstituição história que tem o livro, buscando compilar não apenas a grandiloqüência, mas o quotidiano da vida passada. Por exemplo: estamos acostumados a uma visão hollywoodiana do tempo das caravelas, onde estas mais se parecem a apartamentos de Beverly Hills do que aos reais navios d´el Rei. Estes eram sujos, pequenos, perigosos, verdadeiros focos de doenças, de cubículos e porões infectos que às vezes faziam de hospital (!). Era freqüente a falta de água; uma chuvarada poderia ser uma bênção para a sede ou uma desgraça para o navio. Um camarote - coisas reservadas para os altos dignitários - era um cubículo de pouco mais de metro quadrado. No convés às vezes era necessário dormir junto da futura alimentação - galinhas, porcos. E ressalte-se que o horror dos porões só atingiu seu pleno desenvolvimento durante o tráfico negreiro. Consulta obrigatória para quem quiser saber o que era uma viagem dessas: Viagem às missões, do Pe. Antônio Sepp, editado pela Universidade de São Paulo e Livraria Martins Editora.

Data: 14 de fevereiro de 1977, p. 16.

* Flávio Aguiar é ensaísta, crítico e professor da Universidade de São Paulo.


A PROLE DO CORVO
Movimento, 1978 - em 6ª edição

Painel do que foi o último ano da Guerra dos Farrapos, pondo a nu fatos não revelados, e recriando um universo caótico, de guerra, de paz e de ódio, num romance em que a grande personagem é a intolerância humana. Em A prole do corvo, as personagens centrais resultam num elenco representativo de seu tempo: Chicão Paiva - o estancieiro de Santa Flora - o soldado Cássio, Laurita e a personagem-eixo, Filhinho. O pano de fundo e, conseqüentemente, a atmosfera em que se desencadeia a ação, é a Guerra dos Farrapos (1835-1845), sobre a qual o autor lança uma luz, reveladora de traços obscurecidos de suas mais importantes personagens.

Perpassa, por todo o romance, a dor, o desencanto e a amargura daqueles que ingenuamente não se engajaram no movimento revolucionário e que desconhecem os esquemas de interesses econômicos que sustentam todas as guerras, tanto as de hoje como as de ontem.

A PROLE DO CORVO DE ASSIS BRASIL
Tarso Fernando Genro*
Correio do Povo
, Porto Alegre.

O novo livro de Assis Brasil (A prole do corvo - Porto Alegre: Movimento, 1978) aponta-o com um regionalista de fôlego e justifica-o como escritor. À semelhança do Um quarto de légua em quadro, Luiz Antonio de Assis Brasil trabalha sobre o movimento histórico real, através de suas situações típicas. Se no Um quarto de légua em quadro o conjunto ficcional existia sobre situações particulares de grupos humanos, e o personagem principal, Dr. Gaspar, tinha atrás de si uma imensa aquarela quase épica, nesse romance os personagens são mais intensos do que as situações históricas típicas, assimilando-as, e tornando o livro, por isso, menos história e mais romance.

A síntese que encerra os personagens é apurada socialmente, isto é, o livro tem critérios de classe como nenhum outro da nossa literatura regional. A formação do latifúndio é vista muito mais em suas entranhas do que em seus gestos retóricos, e a guerra, no caso a Revolução farroupilha, se relativamente clara para as elites conflituadas - que cedo ou tarde se ajustam na Santa Paz de Ponche Verde - é um desígnio insondável para o ser miserável e explorado que as mistificações folclóricas não cansam de enevoar, como o alegre e irresponsável gaúcho.

Existe um enorme repositório de tradição para servir de matéria-prima a uma literatura regional verdadeiramente criadora. Esta veia já foi tomada por Simões Lopes Neto, Ciro Martins e outros, tão, ou menos importantes. Se Simões Lopes Neto coligiu toda a linguagem gauchesca de Ciro abriu uma outra perspectiva de classe, com o gaúcho a pé, não é possível negar que falta um acabamento da literatura regional rio-grandense. Falta uma postura sólida para informar uma verdadeira visão crítica do latifúndio que (na sua fase face positiva) já foi relatada por Erico nos primeiros volumes de O tempo e o vento. Lá está o depoimento da formação latifundiária como primeiro e historicamente necessário período dentro de uma formação social em movimento.

Luiz Antonio de Assis Brasil, ao que parece, tem todas as condições para iniciar a revisão. Não se entende a guerra, se briga nela (p. 122) é a trágica conclusão de um soldado, dita ao filho do latifundiário (cedida às forças revolucionárias de Bento Gonçalves, em troca da não-desapropriação de seus cavalos). Nessa postura, que derruba as ilusões dos liberais de hoje, que costumam construir a história sobre convenientes mitos morais, está expressa a visão do mundo do escritor: aprofundar-se no processo real, com arte, para extrair dele um pedaço reconstituído do mundo dos homens. Mas de homens que pertencem a classes sociais e que fazem as suas perplexidades e os seus terrores como dominados ou como dominadores.

Não é preciso dizer que nenhuma compreensão das delicadas divergências formais entre os adeptos do Império e os defensores da República do Piratini tinham, de ambos os lados, os verdadeiros guerreiros. Obscurecida toda racionalidade, no calor da luta, esta se dá, ao nível da equívoca compreensão das massas, entre os bons e maus. E os maus são sempre eles, os malditos, os que estupraram e mataram como simples bandidos sem lei e sem pátria. Mas, no fim, restam os ódios aparentemente inexplicáveis que vão adquirir mesmo força independente na história; ódios que vão ser sempre explorados miticamente - coragem, bravura, rigidez nas divergências entre as oligarquias que seguirão ao longo de um século e que se seguem sob novas formas.

O tecido delicado das relações familiares de onde é extraído Filhinho, personagem mais importante do romance, não é negligenciado. O quadro psicológico do latifúndio em decadência, acossado por outro latifúndio maior ainda (cujo tom principal é dado, no fundo, pelo velho fazendeiro cansado e alienado na sua condição na sua condição de opressor) não é um quadro naturalista. Brotam as neuroses e nas relações incestuosas entre Filhinho e sua irmã, ao mesmo a tempo a glória dos dominadores e as perversões de uma humanidade bloqueada pelo espaço social que a história lhe reservou.

A guerra é o elemento purificador de relações não estáveis, não só de relações de propriedade como também relações entre as pessoas. E quando se diz purificador não se usa essa expressão com qualquer conotação teológica e sim no sentido de que ela apressa as formações sociais em direção a sua forma histórica acabada. Na loucura de uma velha, porém, eis a desalienação que se gesta num lento processo tecido na bárbara existência: (p. 182) Dizem que a guerra acabou, moço. Sabe me dizer? Todos me deixaram aqui, disseram que eu não podia caminhar até a vila. Eu conheço mais do que todos as guerras! Nesses dois peitos já sugaram muitos que morreram varados de lança. Mas chorar é coisa que não faço, nem alegrar é coisa que me alegro, porque isso que parece o fim pode ser o começo de outra guerra. Pelo sim, pelo não, fico quieta no meu canto.

Mas é preciso exigir muito mais dessa nova perspectiva, mormente quando ela se abre num belo livro que é uma grande promessa de um jovem escritor. De um escritor que, na sua clareza textual e na sua honestidade estética sequer faz mínimas concessões fetichistas aos voyeurs da literatura modernosa. Trata o incesto - por exemplo - dentro do quadro social em que ele se insere - com uma dignidade só encontrada na literatura burguesa em sua fase ascencional e revolucionária. Exigir mais para impregnar a constituição da nova literatura de uma nova época, também, com uma linguagem definida por Mann, em Tonio Krüger, ou por Konrad, em Lord Jim. As bases estão aí, de Simões Lopes a Ciro Martins (que Estrada nova já registra para sempre). E também não é exigir demais de Luiz Antonio de Assis Brasil, pois o principal sintoma está evidente: Um quarto de légua em quadro é um excelente romance, e A prole do corvo é ainda melhor.

Em 3 de junho de 1978
Caderno de Sábado, p. 11

*Tarso Genro é político, advogado, poeta, ensaísta e crítico literário. Foi prefeito de Porto Alegre por duas administrações do Partido dos Trabalhadores (PT).


BACIA DAS ALMAS
L&PM, 1981 - Mercado Aberto, 1992 - em 4ª edição

Bacia das almas abrange o séc. 20, cobrindo um período que se estende até os últimos anos da década de 30. A ação transcorre na fazenda Santa Flora e em Aguaclara, sede do município do qual a figura central do relato, o Coronel Trajano, é prefeito. Ainda que por meio da corrupção e violência, Trajano desfruta do mando político. Já seu filho Gonçalo, seguidor de Plínio Salgado, fracassa em todas as iniciativas, não lhe bastando o dinheiro e a força para se assegurar do comando. É esta desigualdade que configura a versão da História sulina que subjaz no romance: a geração positivista, que foi responsável pelo exercício da autoridade e do arbítrio no Estado desde sua fundação, produz uma descendência política simultaneamente incapaz e doentia.

DE PRIMEIRA ÁGUA
Geraldo Galvão Ferraz*
Leia Livros, São Paulo.

Num país em que triste e ironicamente elege-se um anacrônico fazedor de sonetos para ser o intelectual do ano, raras são as ocasiões de colocar algum lastro no prato positivo da balança cultural e, sobretudo, da literária. Uma das oportunidades mais gratas destes últimos anos tem sido a emergência de um consistente elenco de livros e autores vindos do Rio Grande do Sul.

Cyro Martins, Josué Guimarães, Moacyr Scliar, Sérgio Caparelli, Tânia Faillace, enter outros, têm atingido um invejável nível qualitativo em sua ficção. Roberto Bittencourt Martins com seu Ibiamoré, o trem fantasma, invadiu a primeira linha do romance brasileiro (confiram, o livro é da L&PM e está distribuído em todo o País) com uma explosão de talento para imaginar e contar estórias. Luiz Antonio de Assis Brasil é um caso semelhante.

Bacia das almas, sem qualquer dúvida, é o melhor e mais bem realizado dos romances com que ele vem traçando uma saga familiar que se confunde com a trajetória histórica do próprio Rio Grande do Sul. Um quarto de légua em quadro e A prole do corvo, revelaram um escritor promissor, embora desigual; Bacia das almas já traz um autor extremamente consciente, que não se perde com a multiplicidade de fios narrativos e que consegue escapar da tradicional incompetência do escritor brasileiro em fazer as personagens falarem como gente de verdade.

A cenário principal do livro é a cidadezinha de Aguaclara, onde fica a estância Santa Flora, onde pontifica o coronel Trajano Henrique de Paiva, um misto curioso de ditador latino-americano e de déspota esclarecido à maneira, digamos, do Príncipe Fabrizio, de O Leopardo. Trajano é prefeito e estancieiro, senhor absoluto, mandante autoritário em assuntos públicos ou familiares. É uma personagem de exceção numa paisagem sonolenta e age de acordo. Como, também de acordo, o autor explora suas variadas facetas. O livro gira em torno de sua energia e seus ímpetos. O contraste com seus filhos é flagrante, e Trajano sabe disso. Trata mal o desorientado Gonçalo, que se torna, à falta de outra rebeldia, integralista fanático. É enfrentado por Luís que, casado contra sua vontade com a filha de um imigrante, tem de pagar o pesado tributo da impotência sempre que se aproxima do domínio de Trajano. O terceiro filho escapa para o deboche homossexual. Incapaz de entender as mulheres, Trajano tenta submetê-las: a amante, Cheta, pelo poder; a mulher, pelos laços do casamento; a filha Márcia, transformando-a numa réplica glacial da esposa, após a morte desta; a filha, Laura, pelo estupro.

Usando repetidos flashbacks e uma alternância vertiginosa de focos narrativos (o que dá um ritmo agilíssimo ao livros), Assis Brasil passa em revista o período de meados do século XIX (a infância de Trajano) até o advento do Estado Novo getulista (marcado pela morte do Coronel). Quando Trajano fica doente, o romance vai ganhando um tom cada vez mais surreal, e o autor usa um recurso de que é mestre - o humor. Talvez se esse fosse todo o clima do livro, Bacia das almas poderia ser uma espécie de contrapartida sulina de Galvez, o Imperador do Acre. Mas, assim como é, embora sem atingir a qualidade do livro de Márcio Souza, constitui-se em ficção de primeira água, com virtudes mais do que suficientes para permitir que se espere com grandes esperanças o próximo livro de Luiz Antonio de Assis Brasil.

Maio de 1982, p. 6

* Geraldo Galvão Ferraz é jornalista, tradutor e crítico literário.


MANHÃ TRANSFIGURADA
L&PM, 1982 - Mercado Aberto, 1992 - em 9ª edição

Temos aqui uma novela cujo eixo dramático é um triângulo amoroso surgido à sombra das torres da igreja de Viamão, a qual se torna palco de uma história trágica. Preso um sistema de valores ao qual aderiu pelos votos perpétuos, Ramiro é o pároco que, dividido entre a carne e o espírito, não consegue viabilizar para si a saída encontrada por seu sacristão, Bernardo, um homem da terra, cujo espectro de opções exclui o sentido da culpa. No terceiro vértice está Camila, a mulher que, presa em sua casa por uma ordem judicial, ocorrida na seqüência de um processo de anulação de casamento, não entende seu próprio corpo e suas emoções.

O TEMA EM SUA MATURIDADE
Antônio Hohlfeldt*
Correio do Povo,
Porto Alegre.

Não é de agora que Luiz Antonio de Assis Brasil se oc upa com amores desditosos, apaixonados e fatais. Já em Um quarto de légua em quadro, seu romance de estréia, o amor do Doutor Gaspar de Fróis era um sentimento fatal, regido pelo destino, e ele, como a mulher, simples marionetes. Posteriormente, A prole do corvo, bem como Bacia das almas, tinham, em última análise, como tema mais constante, essa mesma situação. Quem sabe o fatalismo herdado de seis maiores açorianos e que o autor concretiza em tais situações-limite. Mas é em Manhã transfigurada, que já chega a sua segunda edição, que Assis Brasil atinge, literariamente, o maior despojamento, a maior concentração, a tensão perfeita num equilíbrio constante que jamais até então realizou.

A narrativa é breve, pois se organiza em onze relativamente curtos capítulos, pouco além de cem páginas no total. Ela se distribui quase que matematicamente, cinco capítulos alternando a relação entre Camila e Bernardo, Ramiro e Camila e Bernardo, Ramiro e Camila; é o primeiro deles que dá, em última análise, a perspectiva geral da narrativa, reiterada sutilmente aqui e ali, e que é a da escrava Laurinda. Nessa organização verifica-se haver uma narrativa eminentemente feminista e, mais do que isso, fascinada com esse ponto de vista.

Dois subtemas marcam todo o texto: de um lado, a força do destino que a todos conduz. Esse tema também não é novo em Assis Brasil, e já começa reforçado na epígrafe da obra. Mas há uma grande diferença pela qual Laurinda, Camila, Bernardo e Ramiro o visualizam. Os dois homens, na verdade, enfrentam-no a descoberto, sem o menor preparo, em oposição às mulheres, que possuem uma intuitiva visão de como dominá-lo. Das duas, porém, passa-se de um maior controle por parte de Laurinda, nos primeiros capítulos, à sabedoria decisiva de Camila. No entanto, o destino acaba por impor-se a ela própria, no desfecho trágico que surpreende o leitor. Neste sentido, a perspectiva da tragédia grega é retomada com absoluta fidelidade pelo romancista, na medida em que Camila, pensando ter dominado o destino, comete sua des-medida, sendo por isso castigada. Seu castigo, porém, atinge a todos que lhe estão mais próximos. Laurinda, contudo, no parágrafo inicial do texto, recupera o domínio da situação e assim, na mesma forma que é sob a perspectiva da negra escrava que a narrativa se abre, assim também se fecha: para o povo da Vila de Viamão, a morte de Camila devolve-lhe a virtude que a denúncia do marido havia conspurcado.

Com Manhã transfigurada, Assis Brasil marca um importante ponto, não apenas em sua carreira literária, como faz avançar a literatura sul-rio-grandense em um dos temas mais reiterados. Já é lugar-comum dizer-se que até mesmo aqueles romancistas que mais pretenderam falar da épica gauchesca, terminaram por prestar homenagem ao silencioso significado da mulher em nossas inóspitas paisagens coloniais. Assis Brasil, porém, faz mais do que isso. A imagem da impotência do Sargento Miguel, marido de Camila, é mais do que metáfora: é a figura da própria impotência de uma classe acostumada a mandar, mas não a encontrar-se com seus iguais. Ou seja: é apenas sob a perspectiva da escravidão - impingida na época às mulheres - que Miguel pode ser afirmar. Na medida em que descobre, porém, a anterior liberdade de Camila, que deixara sua virgindade com um peão qualquer, a quem nem sabia mesmo o nome, sente-se o proprietário traído pela propriedade. Nada lhe resta senão denunciar a burla. Abre, simultaneamente, o caminho da real liberdade para a mulher que, afrontada, assume essa liberdade com todos seus riscos, permitindo que a narrativa, dessa forma, se dê num constante paroxismo, equilibrado entre seu próprio sentimento de vingança e a sedução, consciente ou não, de que realiza, primeiro de Bernardo, e depois de Ramiro.

Não é exatamente nova a temática assim desenvolvida. Podemos lembrar os textos de Soror Teresa, os livros de Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, para citarmos apenas os clássicos. O próprio José Régio desenvolve profundamente, em sua poesia, o tema que, em última análise, constitui importante subtema deste romance, que é a oposição entre Deus o diabo, a Virgem Maria (pureza) e Camila (o pecado), a oposição entre a vida (tanto a física quanto a espiritual) e a morte.

O tema em si é fascinante. Maios do que isso, porém, o escritor, dono do material, é capaz de reproduzi-lo sob linhas diversas, ampliando sua própria vida: assim, toda a narrativa multiplica-se no mínimo sob dois prismas, ora o de Camila, ora o de Bernardo ou Ramiro, quando não passa pelo agudo crivo de Laurinda. O que temos, pois, não é uma narrativa clássica, no sentido da certeza das coisas narradas, mas um texto eminentemente contemporâneo pela dubiedade e pela ambigüidade. Mais do que isso: combinando sabiamente o aspecto do destino, o narrador é capaz de criar e manter uma tensão permanente, na medida em que antecipa as ações, criando um clima de agouro e morte que se completa no contraste entre os fatos que compõem o desfecho da narrativa e o próprio título da obra. A manhã transfigurada a que se refere o título, mantém a ambigüidade, sobretudo após a leitura, pelo simples fato de ratificar o sentimento de vitória do Destino.

Maduro o suficiente para aprofundar um dos grandes desafios, que é a do artista capaz de expressar sentimentos contraditórios e mesmo opostos de várias personagens a uma só vez, Luiz Antonio de Assis Brasil ainda se dá ao luxo de, para tanto, de valer-se de uma conquista importante da linguagem cinematográfica, que é a simultaneidade de enfoques do mesmo fato. Emerge assim, por trás de paisagem constantemente nebulenta dos dias de chuva que caracterizam toda a fugidia ação romanesca, uma imagem fresca e luminosa do fazer literário que, talvez por isso mesmo, justifique ainda mais o título escolhido.

C.P, 27 de abril de 1983, p. 15.

* Antônio Holfeldt é escritor, político, jornalista, crítico literário e teatral, Doutor em Letras e professor universitário.


CAMILA
Cecília Zokner
Literatura do Continente, O Estado do Paraná,
Paraná.

Num pequeno espaço do Continente, aprisionado na praça, na igreja, no casarão da vila, irrompem as paixões. A que se origina da posse, a que se nutre da privação, a que se alimenta de si mesma. Bernardo, Ramiro. Presos à mulher que se entrega ou se oferece, tolhidos pela pobreza ou pelos votos formulados, são figuras à mercê do desejo feminino.

Presa pela lei dos homens na grande casa, Camila pode estender o seu olhar até as torres da igreja, até as árvores da praça. As paredes que a rodeiam e prendem não amuralham, no entanto, seus sentimentos e seus ímpetos. Querendo encontrar a si mesma, tomou posse do corpo e da alma de Bernardo. Seduziu aquele que viera para seduzi-la com artes que somente o instinto conduziu e, sobre ele, reinou soberana, reduzindo à nada o desprezo com que ele poderia magoá-la. Tendo-se encontrado, conhecendo-se inteira, perfeita, vibrátil, perde pelo amante o interesse, condenando-o, assim, a um vazio enlouquecido.

Volta-se, então, para Ramiro, inatingível porque submisso às leis do celibato eclesiástico. Percebe-lhe as dúvidas e quer vencê-las. Caminha para ele, ignorando, como já o fizera antes, toda e qualquer lei. E, na manhã nascida de um céu escuro e nevoento, numa vila do extremo sul do Brasil, para iluminar o ato final de uma história que se teatraliza num ambiente sagrado, palco de uma tragédia sem espectadores, se inscreve a manhã transfigurada.

Para ela avançam, sem o saber, Camila e o padre Ramiro.

Vestida de branco, coroada de flores, o rosto radiante, antecipando a entrega, Camila ousa entrar na igreja e se aproximar do altar. Verdes os paramentos, Ramiro chega para oficiar a missa. Petrificado pela surpresa, não pode impedir o punhal de Bernardo que faz Camila gritar e, lentamente, cair, afundando-se no rodado do vestido que a recebe como um cálice.

Rosto de donzela, ao atravessar a praça e entrar na igreja, já era senhora de prazeres e de dores. Ousada fora, na adolescência, entregando-se, sob o teto do pai, a um peão da estância. E, outra vez, ao seduzir o escrivão/sacristão eclesiástico que lhe fora entregar o pedido de anulação de casamento feito pelo marido que não a aceitara já mulher. Ansiou ir além e pensou o amor como o lera em versos e como o pressentira. Materializou-o no Padre Ramiro quando este, para dar-lhe consolo espiritual pelo cativeiro imposto, fora lhe bater à porta.

Do sacristão e do padre e de Camila é que se ocupará o narrador para dizer dessa manhã em que, mais uma vez ousando doidamente, Camila sai em busca do que deseja, o amor do padre Ramiro. Minuciosamente acompanha - gestos, palavras, pensamentos - a submissão a que se entregam: ciúme, dever, paixão. E o sentir e o sofrer de cada um deles não se escondem ao dono do relato que ora se fixa em Camila, ora em Bernardo, ora em Ramiro para revelar os sentimentos que se instalam, se insinuam nos corações masculinos e os anseios que florescem no corpo de Camila.

A vila apenas nominada - e suas ruas de casario baixo de porta e janela e sua praça - a alcova, a igreja deserta. Cenários que se perdem diante da expressão desse imperfeito triângulo amoroso em que domina a mulher. Os homens temem. Um, ao querer dela a posse; o outro, ao querer dela fugir. Camila, mulher no tempo dos preconceitos e leis dos homens, apenas quis viver.

A vida dos personagens inesquecíveis lhe concedeu Luiz Antonio de Assis Brasil ao publicar, em 1983, pela L&PM de Porto Alegre, Manhã transfigurada, um dos mais belos romances da ficção brasileira.

Data: 26 de maio de 1991.


TRANSGRESSÕES
Cecília Zokner
Literatura do Continente, O Estado do Paraná,
Paraná.

Um rosto bonito, visto agora de perfil por Laurinda. Parecido com um camafeu de tão branco e bem recortado, um pescoço fino amparando um queixo levemente adiantado em relação a toda a fisionomia, não de feitio a empobrecer a figura, pois ainda lhe dá um ar mais nobre, o que é complementado pela testa larga ampla, pelo nariz fino e os beiços arredondados.

Tem as faces coradas, recende a alfazema ou a benjoim Os olhos claros de pestanas longas, dentes brancos, lábios carnudos, voz cristalina. Camila, luminosa figura feminina nascida da pena de um gaúcho, Luiz Antonio de Assis Brasil.

Autor de uma trilogia, Um quarto de légua em quadro, A prole do corvo e Bacia das almas, inscrita nos campos do Rio Grande do Sul e de mais três romances, As virtudes da casa, O homem amoroso e Cães de província, ao publicar, em 1983, Manhã transfigurada, assina a sua melhor obra, uma das mais perfeitas da Literatura brasileira contemporânea.

Sua personagem forma com Luísa de O primo Basílio e com Emma de Madame Bovary a galeria das adúlteras. Como a personagem de Eça de Queirós, que cheia de medos e de remorsos morre de uma febre cerebral e como a de Gustave Flaubert que, acurralada pelas dívidas e pelo abandono dos amantes, se suicida, Camila paga, também, muito caro, a sua transgressão. Com um preço, porém, estipulado a sua revelia.

O não deixar-se morrer e o não se dar a morte, assim como o se nortear, somente, pelo seu sentir, a afastam dos caminhos de Luísa e de Emma. Ambas pertencem a um universo social definido - a pequena burguesia urbana e rural - cujas leis elas transgridem daí advindo a punição. Camila, na mais absoluta indiferença pelos valores que sustentam o mundo a que pertence, volta-se, exclusivamente para si mesma. É regida por princípios apenas esboçados - um amor filial que se põe à prova; algo de uma ambição que é, sobretudo, ingênua; uma idéia vaga do papel que deve representar como mulher casada - e que perdem o sentido diante dos conflitos que nela se instala. Repudiada pelo marido ao confessar uma experiência amorosa anterior ao casamento, mais do que a sua cólera ou o possível desprezo e a vergonha certa dos pais, o que a aterroriza é a dúvida sobre a própria feminilidade. Então, sim, é como se tudo desaparecesse para somente ela existir, feita de ânsias e urgências.

Na pequena cidade, presa entre quatro paredes, dona absoluta dos jogos de sedução, torna-se senhora daquele que lhe fora impor ordens e punições. E dele faz uso. Não é conquistada, mas conquista. Uma inusitada inversão de papéis que, não apenas a isenta de ser vítima do amor, como faz dela uma das grandes amorosas da Literatura brasileira.

O vazio amoroso que lhe impõe o marido a conduz à plena expressão que ela se concede a si mesma para desabrochar, plena de feminilidade, nos braços do amante. Uma bela história de amor onde a mulher é (quase ) soberana. Nas entrelinhas, o ritual religioso, os preconceitos, as discutíveis leis que sempre imperam para os mais fracos.

Data: 09 de junho de 1991.


SOMBRA LUMINOSA
Cecília Zokner
Literatura do Continente, O Estado do Paraná,
Paraná.

No extremo sul do Brasil, deixando ver, de suas janelas a igreja e suas torres, o casarão se ergue em frente à praça. Nele, encerrada, Dona Camila aguarda a anulação de seu casamento, solicitada pelo marido. É muito jovem, muito bela e na mesma noite de núpcias confessara ter sido amada antes.

Sem direito de sair à rua, espera a decisão canônica na grande casa rica. A seu lado apenas Laurinda que a cuidou desde menina.

Laurinda, gorda, cara lustrosa, dentes alvos. Escrava. Imagem perfeita da dedicação, gira em torno de sua senhora servindo-a com todos os cuidados. Assumindo ou submetendo-se a uma função materna que, livre da rigidez da moral estabelecida, se desdobra: ela é ama, confidente, mucama, conselheira, alcoviteira.

É por ela que a senhora chama - para vesti-la, para penteá-la, para ouvi-la e dirimir suas dúvidas, para julgar de seus méritos feminis, para costurar-lhe o vestido que deseja. É ela quem está presente na hora do choro e do riso. Para alegrar ou consolar, para cuidar e proteger a senhora, segue-lhe os passos ou os precede querendo evitar a tragédia.

Personagem cuja função romanesca direciona a narrativa de Manhã transfigurada (Mercado Aberto, 1991). Suas são as palavras que conduzem os atos de Camila no leito conjugal e fazem dela uma mulher condenável aos olhos do marido. Também suas as que a afastam da prostração a que o castigo vergonhoso a condenara. Obra sua, o vestido que deseja Camila para o que imagina ser a sua entrega maior.

No entanto, é como se Laurinda na dona apenas se refletisse. O coração lhe pesa quando a sente triste. Seus olhos se umedecem de alegria quando a vê alegre. E se preocupa e se acalma e se assusta e se amedronta diante de seus desvarios amorosos porque negra e escrava era uma pessoa só do dia, só entendendo as coisas claras e solares.

E, nada mais claro para ela do que a sua condição de serva, pessoa que não pode nem pensar, e sim ser dócil aos comandos.

E prestimosa e cumpridora e dedicada e boa e sempre risonha, Laurinda se encerra na perfeição luminosa que desdiz este ter nascido para sombra de mulher branca.

Sombra que a impede de mostrar-se inteira: quem realmente é, a quem se entregara por amor, quando pudera ser feliz nesse mundo/prisão que a proibiu de viver para si mesma.

E faz dela, silhueta que se recorta da escravidão (assim o quis seu criador Luiz Antonio de Assis Brasil?), um inacabado, um magnífico e inesquecível personagem feminino.

Data: 02 de fevereiro de 1992.


AS VIRTUDES DA CASA
Mercado Aberto, 1985 - em 5ª edição

Romance psicológico, As virtudes da casa é um estudo da alma rio-grandense dos primórdios do século 19. A trama recria a peça dramática de Ésquilo, o Agamêmnon, em pleno pampa rio-grandense do Sul. No papel-título do original grego, está o Coronel Baltazar Antão Rodrigues de Serpa, estancieiro e comandante militar, o qual vai à guerra contra Artigas; como Cliptemnestra está Micaela, sua esposa fiel até então, cuja vida se transtorna com o surgimento do estrangeiro (Egisto), na pele do naturalista francês Félicien de Clavière. Os filhos de Baltazar Antão e Micaela são Jacinto (Orestes) e Isabel (Electra). Com os atores a postos, desenvolve-se a tragédia.

A grande questão que se coloca é, ao mesmo tempo, simples e complexa: em que medida é possível condenar as ações daqueles que, vivendo no microcosmo de uma estância gaúcha, nada mais fazem do que viver suas existências em toda sua genuinidade?

A CONFIRMAÇÃO DE UM GRANDE ESCRITOR
Sergio Faraco*
Suplemento Minas,
Porto Alegre.

Depois de sua Trilogia dos mitos (Um quarto de légua em quadro, A prole do corvo, Bacia das almas) e Manhã transfigurada, bibliografia respeitável que já lhe garantia destacado lugar no moderno romance brasileiro, o gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil (Porto Alegre, 1945) convoca seus leitores para outra aventura nos domínios da ficção, com As virtudes da casa, volume de quase quatrocentas páginas. Mas vá o leitor debruçar-se no livralhão: dificilmente o larga, e se o faz, mantém o coração em suspenso, mal podendo esperar a hora de novamente abeberar-se nesse caudaloso manancial de emoções.

Em As virtudes da casa, Mercado Aberto, 1985, Porto Alegre, Luiz Antonio de Assis Brasil narra as vicissitudes da família de Baltazar Antão, Coronel de Auxiliares e titular da Estância da Fonte. Vai em meio a guerra contra os castelhanos de Artigas, e o Coronel, veterano de outras correrias a serviço do rei, não consegue e nem quer ignorar o entrevero. Arregimenta seus homens e parte para a guerra, unindo suas forças às do General Lecor.

Para a família de Baltazar Antão, Micaela, sua mulher, Jacinto e Isabel, seus filhos, também para a criadagem e a negrada, a ausência do Coronel é um transe insuportável, porque já experimentado noutras épocas. Um fato novo, porém, vem alterar essa atmosfera de respeitosa saudade. Estava prevista a chegada à estância de um naturalista francês, recomendado pelo Capitão-General do Continente de São Pedro, e a ordem do Coronel era recebê-lo com a principesca marca da hospitalidade sulina. Tendo partido o dono da casa, chega o estrangeiro, que é relativamente jovem, atraente, além de culto e possuidor de hábitos requintados. É uma nova ordem cultural que se instala na Estância da Fonte, sedutora e quase irresistível para os que vivem os costumes feudais do Continente, fechados, repressivos. A presença do francês, então, deflagra violentos processos de mudança nas relações interpessoais, fazendo aflorar todos os componentes das paixões desenfreadas, como a audácia e o medo, a credulidade e a suspeita, o desejo e a culpa, o langor e a sensualidade - o fogo da vida, que antes era mortiço como as lanternas de Isabel, e agora fulgura como as lamparinas de Micaela.

Para Jacinto e Isabel - Édipo e Eletra perdidos nos esconsos continentinos, atraídos pelo visitante e ao mesmo tempo cativos da velha ordem de cultura -, o francês é quase um Diabo; para Micaela, quase um deus, impressão nebulosa que ela vai expressar claramente num momento de desespero. No auge dos conflitos, quando se mostram as profundas brenhas da alma humana, toma corpo um ritmo narrativo onde as emoções vão porejando folha a folha, até o desfecho que se torna inevitável e que quer preservar, com alto custo e ainda que só na aparência, as virtudes da casa. Em última instância, sobrepondo-se às individualidades, o que está em jogo é a auto-suficiência do feudo, a resistência de uma casta social prestes a desaparecer e que se agarra com unhas e dentes (a energia do desespero, diz Plekhanov) às suas tipicidades mais agregadoras. Nesse particular, agiganta-se o perfil revolucionário de uma admirável mulher, disposta a tudo sacrificar em nome da sua descoberta da vida.

Aspecto que merece registro é a estrutura perfeita que articulou Assis Brasil, dividindo o romance em quatro novelas, cada uma das três correspondendo à visão que tem dos fatos um dado personagem, e adotando na última um procedimento diverso para precipitar o ajuste de contas. Essa estrutura aproxima As virtudes da casa da concepção que Lawrence Durrell deu ao Quarteto de Alexandria, com a diferença de que no livro de Assis Brasil há um encadeamento tal que o leitor, ao findar uma novela, já está envolvido pelos sucessos da seguinte.

Cabe destacar também que tais temas e estruturas se desdobram em linguagem tão elaborada quanto é natural e adequado o seu resultado, transportando o leitor, sem que o sinta e mesmo que lhe faltassem outras referências temporais, à quadra exata em que se passa o romance.

As virtudes da casa é livro que não se pode deixar de conferir, sob pena de faltar-se com a melhor literatura brasileira. É daquelas obras cuja leitura acrescenta uma porção de vida às nossas vidas e que nos torna mais possuidores de dons humanos, mais perto da compreensão da alma e de sua trajetória nos caminhos contingentes da História. Não é a revelação de um escritor, este já está pronto e é reconhecido, mas a confirmação de que Luiz Antonio de Assis Brasil é uma das mais altas vozes do romance americano. Não lhe falta nada. Ou por outra: falta apenas que a castelhanada o descubra. um inacabado, um magnífico e inesquecível personagem feminino.

22 de junho de 1985, p. 10


O OLHAR DE ISABEL
Cecília Zokner
Literatura do Continente, O Estado do Paraná,
Paraná.

"O autor escreve brilhantemente, tanto no que se refere à elegância da frase quanto nas notações narrativas e no desenho dos caracteres; soube estruturar solidamente a intriga no desenvolvimento dos episódios e no harmonioso equilíbrio dos focos narrativos; inseriu o drama psicológico num largo contexto de história e paisagem, costumes e tipos de civilização". Assim é definido por Wilson Martins As virtudes da casa, um dos mais belos romances da literatura brasileira.

Publicado no ano de 1985, em Porto Alegre, é o quinto livro de Luiz Antonio de Assis Brasil que nele reafirma a maestria de romancista já revelada em Manhã transfigurada e que emerge, fascinante, em cada seqüência de As virtudes da casa.

Os seis primeiros capítulos tecem o encontro de Isabel com Félicien, naturalista francês chegado ao extremo sul do país em busca de borboletas e plantas.

Filha do dono da fazenda que hospeda o forasteiro, obediente ao pai que partira para a guerra - "Para o francês, o melhor" - ela se esmera como anfitriã.

E o bastante foi o anúncio de sua chegada para se deixar envolver por emoções novas. No serão habitual em que borda as peças de seu enxoval, não se concentra nos pontos, o pensamento querendo se libertar das imagens repetidas a cada noite: o noivo, o casamento, a vida que levaria. Interrompe o bordado e seu olhar se desprende da agulha, da linha, do risco. Quando segue as tábuas do chão até encontrar o relógio e subir por ele até o vidro e se ver refletida mal sabe que estava a romper com o ritual da casa.

Assim como nessa noite que precede a chegada do forasteiro infringe algo ao interromper o bordado e se contemplar com ousadia, aos poucos, irá erguendo, cada vez mais o olhar.

No encontro com Félicien não ousa fitar-lhe o rosto e apenas pousa os olhos na lapela da casaca, nos botões. Somente tem a coragem de erguer os olhos quando pensa que o pai poderia se agastar se não tratasse bem de seu hóspede.

Devagar, fita a lapela, a gravata, a camisa e, só então, o rosto. Muito rápido, o suficiente para perceber os olhos azuis no rosto cor de ouro, cor de mel e, os torna a voltar para o chão. E, logo, é vencida pela tentação de encarar outra vez o visitante e poder olhar o nariz, os bigodes, a boca.

E, escutando as descrições e as razões vai perdendo o medo de olhar para o seu rosto embora evite buscar-lhe os olhos. Depois os passeios, as confidências, os gestos contidos aproximando-a do forasteiro numa sucessão emocionada de riscos que a impede de toda reflexão. Mas a repentina advertência - da mãe, do irmão, da escrava? - faz com que retorne à razão e ser ela mesma, submissa ao ritual da casa. "Pois quem era para dar-se ao desfrute de estar assim pretendendo magoar a todos na estância com seus desatinos?" As certezas estavam ali: Tomás, seu casamento se aproximando, o enxoval não terminado, a volta do pai quando a guerra acabasse. Félicien foi só uma sombra pecaminosa, de passagem, como uma provação que Deus Nosso Senhor tivesse mandado para testá-la. "De repente, o orgulho de que não se deixara sucumbir, a virgindade preservada". O orgulho de se saber forte como o pai e o irmão esperavam que fosse, como ela mesma o queria.

Mas, ao olhar para os campos, eles se mostraram definhando, cor de cinza, sem serventia, Isabel se deu conta que o que assim via era sua própria imagem.

Um caminho que se inicia e que termina alimentado pelo olhar feminino. Ousado, submetido, alertado, ele conduz e vai retratando esse universo de verdades e de preconceitos e determina-lhe a conduta.

Mais do que um recurso de estilo criado para a construção do personagem e revelar emoções, esse olhar de Isabel expressa o seu súbito despertar para a vida e é testemunha de grilhões feitos da vontade patriarcal, das crenças, das verdades de cada um dos habitantes da casa.

E no romance há mesclas, há combinações em harmonia perfeita que, mostrando almas, paisagens, rituais é um dizer extremamente belo.

22 de fevereiro de 1994.


O HOMEM AMOROSO
Mercado Aberto 1986 - em 3ª edição

Abre-se o pano, o Maestro surge dos bastidores, coloca-se ante a platéia, curva-se aos aplausos e, voltando-se para os músicos, faz um momento de concentração e baixa a batuta.

A platéia, feliz, relaxa: daí por diante, tudo é fruição e fantasia. O público muitas vezes desconhece, porém, que uma orquestra sinfônica compõe-se de pessoas que também sofrem e têm seus conflitos, dos quais o maior talvez seja conciliar sua vocação com as circunstâncias especialíssimas em que a música sinfônica é realizada num país ainda às voltas coma a miséria e incompreensões de toda ordem. Cada concerto levado a termo é uma verdadeira façanha.

O autor pertenceu à orquestra Sinfônica de Porto Alegre no período que coincidiu com o do milagre brasileiro e do neo-ufanismo, mas também de uma extrema verticalização do poder, a qual se refletia inclusive nas relações entre a Administração da orquestra e seus músicos.

Para o autor, esta é uma obra de ficção, e como tal quer que ela seja entendida - ainda que esteja carregada de vivências, e entre estas a crise pessoal do protagonista ao atingir a emblemática idade de 40 anos.

Nota: Em 09 de junho de 2003, Luiz Antonio esteve em Paris para o lançamento de "L´Homme Amoureux", tradução francesa de O homem amoroso, cuja capa apresentamos ao lado.

TENSÃO EQUILIBRADA NA PAUTA E NA LIGUAGEM: A REBELDIA DE UM MÚSICO
Aloísio G. Branco*
O Globo.
, Rio de Janeiro.

Livro de ficção, mas insinuantemente confessional, com toques autobiográficos, O homem amoroso mostra um artista perito na construção serena do texto: cada frase, cada palavra parece estar no luar exato, insubstituível, como cada nota se mostra na pauta com precisão matemática, em obras musicais competentemente elaboradas. Aliás, a música perpassa toda esta novela. O narrador-protagonista é (como o autor) músico profissional e a história se revela, com pormenores mais ou menos requintados, o dia-a-dia e os bastidores de uma orquestra sinfônica, ressaltando-se a figura do maestro - patética, nítida, veraz. Dado à contemplação, esse músico, o violoncelista Luciano, expressa sensibilidade ampla, um tanto refratária à disciplina dos ensaios instrumentais, principalmente se ensaios coletivos. Sua rebeldia mental não se afina com certa placidez aparentemente encontradiça na classe a que pertence. Procura racionalizar seus sentimentos difusos, tanto em relação à vida quanto, de modo especial, em relação à mulher cientista e à filha, ainda muito jovem, ambas subitamente apartadas, mas logo a seguir de novo interessadas no destino do protagonista.

A ação - se se pode falar em ação - se passa numa semana, de segunda-feira a sábado, e se reporta a uma crise conjugal cheia de reticências e com desfecho que não chega a ser surpreendente.

O homem amoroso constitui tão belo achado como título que a partir dele próprio - o título - a novela pode se mostra algo frustrante. Atingida a maturidade, cabe ao homem dito amoroso revoltar-se contra essa condição ou contra essa etiqueta? O homem amoroso, ou o que se entende como tal, é sujeito passivo, suscetível de amargar injustas rejeições, joguete verbal de voluntarismos alheios?

Seja como for, não é pequeno o saldo positivo desse livrinho de 118 páginas. Mais do que as interrogações subjacentes ou a fabulação, sobressai no entanto a linguagem apresentada por Luiz Antonio de Assis Brasil. Um escritor com firme consciência, aqui não correspondente a prudência nem a falta de ousadia. Significa a contenção: uma tensão em constante equilíbrio como se estivesse atuando nas cordas retesadas de um plangente violoncelo.

Segundo Caderno, 18 de maio de 1986

* Aloísio G. Branco é crítico literário


UM MERGULHO
Sérgius Gonzaga*
, Porto Alegre

Talvez nenhuma outra obra de Assis Brasil tenha sido tão pessoal. Pela primeira vez o escritor mexe com seus fantasmas e o resultado traduz em densidade e pungência a exposição da interioridade. Novela intimista em sua dicção, mas sem jamais perder as referências do mundo objetivo, O homem amoroso acrescenta à carreira do autor um traço de modernidade temática e psicológica, que os romances anteriores - presos à reconstrução histórica - obviamente não possuíam.

Assis Brasil desce aos infernos do grande drama existencial dos tempos contemporâneos: a fugacidade amorosa que, unida à alienação de um trabalho artístico degradado pelo autoritarismo e por sua utilização burguesa, carrega o personagem para a exasperação. Porém se trata de uma exasperação contida: a linguagem neutra, lenta, quase monocórdica, intensifica o desespero aos olhos do leitor.

Luciano, o personagem-narrador, violoncelista da Orquestra Sinfônica, vaga pelo outono (ou será inverno?) de Porto Alegre. O outono chegou também a sua vida. Um casamento medíocre, a carreira medíocre, os afetos e as mais nobres inspirações abastardados na infelicidade miúda do cotidiano. Tudo isso é muito banal, mas com essa matéria prosaica construiu-se um texto a partir de agora fundamental na prosa urbana porto-alegrense. Tanto por sua escritura áspera e fria, quanto pelo registro das contradições de uma orquestra no período ditatorial e, sobremodo, por incorporar em seu eixo semântico os motivos do amor e do desamor, da solidão e da incomunicabilidade entre seres na grande cidade e, por fim, a luta para alcançar a felicidade pessoal.

Junho de 1986, p. 23

*Sérgius Gonzaga é escritor, crítico literário, editor e professor universitário.


CÃES DA PROVÍNCIA
Mercado Aberto, 1987 - em 8ª edição

Em pleno século 19, a genialidade de um dramaturgo perturba a ordem da mediocridade provinciana, com rasgos da mais delicada lucidez. Desafiando os limites entre a ficção e o documento, Luiz Antonio de Assis Brasil revive, em Cães de Província, a alma dessa personagem antológica que foi Qorpo-Santo.

Esta não é uma biografia de José Joaquim de Campos Leão, auto-denominado Qorpo-Santo (1829-1883). Como o próprio autor ressalta, trata-se do imaginário dessa personagem contraditória da literatura dramática brasileira, e que foi considerado por alguns críticos como precursor do teatro do absurdo. Vítima de um processo de interdição por loucura, foi um homem cuja superioridade intelectual não foi entendida por seus contemporâneos. Qorpo-Santo ultrapassou os limites de seu tempo, criando um universo ficcional que recém agora está sendo valorizado pelo público e pela Academia.

Ao mesmo tempo em que trata deste genial criador, Assis Brasil desvela um mundo que, sob a aparência de um burgo tranqüilo, encerrava as mais fantásticas histórias de crimes, adultérios, incestos e crueldades. existências em toda sua genuinidade?

QORPO SANTO E A PROVÍNCIA
Deonísio da Silva*
Primeira Edição
, Curitiba..

Porto Alegre, Século XIX. Um escritor genial incomoda a província gaúcha com sua genialidade, suas frases criativas, sua figura insólita e costumes destoantes no cotidiano. É dado por louco. Preso. Enfiado em um hospício. Analisado por doutores analfabetos que procuram nele as provas de sua insanidade. Laudos divergentes se contrapõem, pois um dos médicos não se arrisca a atestar que o escritor é louco. Como provar que é normal? O escritor sabe que provar que é louco é mais fácil, e que os médicos não terão dificuldade. Ele não visita os parentes, critica todo o mundo em suas peças, não tem piedade da oligarquia inepta em que reside a hipocrisia geral da sociedade rio-grandense. Tampouco se conforma aos rígidos cânones epocais. É um torto na vida.

Na Porto Alegre do século XIX um pacato e normal açougueiro convida as pessoas a visitarem os fundos de sua loja de carnes. Lá, carneia os visitantes, faz lingüiças e revende todos eles aos habitantes, em forma de carne moída e ensacada em tripas, cujo sabor é louvado. Nenhum deles é tido por louco. Nem os que comem, nem os que morrem. E muito menos o que mata. Mas Qorpo Santo é louco. Baseado na vida de Qorpo Santo, o romancista Luiz Antonio de Assis Brasil fez uma ficção de alta qualidade. Enfim, onde termina a mentira começa o sonho; e onde este acaba, começa a mentira, como diz o narrador. É um dos melhores romances deste ano, ainda que o ano não tenha acabado.

O percurso deste escritor, gaúcho de Porto Alegre, onde nasceu em 1945, revela um projeto literário sério e competente. Em meados dos anos 70, quando explodiam contistas do Oiapoque a Ijuí, Assis Brasil estreou com um romance cuja forte temática telúrica chamou a atenção pela singularidade do tema e da abordagem. Era Um quarto de légua em quadro, que trata das vicissitudes da ocupação territorial do Rio Grande do Sul pelos portugueses. Seguiu-se A prole do corvo, que deu outra versão à Guerra dos Farrapos, ocorrida no período que vai de 1835 a 1845, quando o Rio Grande do Sul estava independente do resto do Brasil (Santa Catarina também estava, mas lá ainda não surgiu um Assis Brasil para tratar do tema em ficção; a República Juliana, cuja capital era Laguna, durou pouco mais do que cem dias, mas feitos épicos presidiram sua proclamação, entre os quais está a travessia que Garibaldi fez por terra, de navio!).

O ponto alto da ficção de Luiz Antonio de Assis Brasil tinha sido, até agora, As virtudes da casa, mas Cães da Província o supera em muitos aspectos, sobretudo numa frase mais inventiva, um modo de narrar mais ousado. É saudável a busca de várias heresias narrativas, que rompem com certa ortodoxia ficcional à que ele parecera muito apegado antes, mais preocupado em preencher uma fôrma européia - certo modelo de romance - com a matéria destes trópicos. Agora já não há mais resquício daquele escritor ainda contido de A prole do corvo. Cresce um romancista dos melhores da nossa geração. PS: o romance foi apresentado como tese de doutoramento na PUC/RS.

Janeiro de 1988, p. 5

* Deonísio da Silva é escritor, crítico literário, Doutor em Letras e professor universitário.


O IONESCO DOS PAMPAS, PERIGOSAMENTE LÚCIDO
Marisa Lajolo*
Jornal da Tarde
, São Paulo

Em meados do século XIX, uma personagem incomum assombrava a pacata vida de Porto Alegre, dando pasto à boataria local. Cochichava-se que ele era louco, que ele era insano. E quase todos o temiam, julgando-o perigosíssimo. Tratava-se de José Joaquim de Campos Leão, figura insólita para a época. Tão insólita quanto a grafia do cognome que tomou para si: Qorpo Santo, onomástico exemplar para quem, entre outras excentricidades, pregava uma grafia fonética, defendia o divórcio e denunciava a hipocrisia da burguesia provinciana.

Vivendo entre 1829 e 1883, Qorpo Santo, mais do que incompreendido, foi estigmatizado pro seus contemporâneos, ficando sua obra teatral inédita ou desconhecida. Sua redescoberta e revalorização teve um marco decisivo em 1966, quando, cem anos depois de escritas, três peças suas foram encenadas em Porto Alegre: Mateus e Mateusa, Eu sou vida, não sou morte e As relações naturais. Aceleram-se, a partir daí, as baterias que revisitam Qorpo Santo, com destaque para o livro Os homens precários, com que, em 1975, Flávio Aguiar esmiúça, com amor e competência, a obra deste Ionesco dos pampas, tópico a partir de então obrigatório para os que vasculham os avessos da história da cultura brasileira.

Pois foi esta fascinante figura de Qorpo Santo que Luiz Antonio de Assis Brasil reconstituiu no romance Cães da Província, lançamento recente da Mercado Aberto.

O romance é magnífico.

Aplaina, na mestria com que é narrado, o garimpo da pesquisa que reconstrói, entrelaçando notícias de jornal e fantasias, inventando onde é preciso, fundindo Qorpo Santo na multidão de pessoas e eventos de seu tempo, numa geografia escrupulosamente retraçada e num ambiente que exala veracidade. Aliás, veracidade e verossimilhança, fruto exclusivo da competência com que o autor estrutura o resultado de sua pesquisa, é o que conta em projetos como esse.

A Porto Alegre de Qorpo Santo, que Assis Brasil reconstrói é de carne e osso. Os teatros, os armazéns, as novenas, os mexericos, o decoro, o senso público das autoridades são andaimes para contextualizar a loucura de Qorpo Santo que, imerso nesse tempo e nesse espaço tão concreto, se redimensiona. Cães da Província é um romance que não se deixa largar.

Põe em cena misteriosos desaparecimentos, levanta suspeitas sinistras quanto ao açougue da rua do Arvoredo, detém-se na ambigüidade de Lucrécia, mulher do bem posto Eusébio, e faz os leitores, meio de esguelha, acompanharem os surtos e delírios de Qorpo Santo. Tudo isso num texto coeso e rigoroso, preciso no controle do narrador que orquestra, com distanciamento solidário, o envolvimento dos leitores. Que, repito, não largam o romance e (o que é muito bom...) nem precisam saber nada de Qorpo Santo para fruírem a história.

A excelência literária do texto, em outras circunstâncias, dispensaria que se mencionasse que ele foi originalmente apresentado como tese de doutoramento à PUC do Rio Grande do Sul. Mas talvez valha a pena mencionar essa gênese, em primeiro lugar porque a aceitação de textos de criação como teses acadêmicas é um precedente auspicioso no caso de romancistas do quilate de Assis Brasil. Em segundo lugar, é preciso assinalar que a aproximação entre escritores e os centros de reflexão sobre o fazer literário é mutuamente enriquecedora. Se franqueia à Universidade os bastidores da criação literária, na convivência com pesquisadores, críticos e professores, o artista aprende que eles não mordem, nem sequer rosnam. E que, aliás, estão todos - escritores, professores, pesquisadores e críticos - no mesmo barco e que, se remarem juntos, talvez cheguem a algum porto seguro.

19 de janeiro de 1988, p. 8.

* Marisa Lajolo é escritora, crítica literária, pesquisadora e professora da UNICAMP.


VIDEIRAS DE CRISTAL (A Paixão de Jacobina)
Mercado Aberto, 1990 - em 7ª edição

Ambientado na colônia germânica de Padre Eterno, aos pés do morro do Ferrabrás e nos anos de 1872 a 1874, Videiras de cristal reconstitui um episódio fascinante da história de nosso país: liderada por uma frágil mulher, Jacobina Maurer, uma legião de colonos alemães revolta-se contra as instituições da época, enfrentando o próprio exército imperial. Personagem de lenda e verdade, Jacobina tinha sua imagem confundida com o próprio Cristo, fazendo previsões do fim do mundo e confortando os deserdados com promessas do paraíso celeste.

Os muckers (santarrões, hipócritas, em alemão) viveram lances de epopéia e paixão; seus perseguidores desde logo descobriram que teriam à frente um inimigo que não apenas conhecia muito bem o terreno, mas era imbuído de um ideal messiânico que ultrapaasava a compreensão dos estreitos limites de seu tempo. Até hoje o episódio dos muckers desperta interesse e constrangimento, pois os descendentes de seus protagonistas ainda vivem na região conflagrada, onde o assunto é tratado com a máxima reserva. Videiras de cristal foi, em 2002, objeto de adaptação cinematográfica por parte do diretor Fábio Barreto, com o título A paixão de Jacobina.

EM SINTONIA COM A HISTÓRIA
Paulo Bentancur*
Jornal do Brasil
, Rio de Janeiro

A História pede romances, parece nos dizer, o tempo todo, Luiz Antonio de Assis Brasil. No posfácio a Videiras de cristal, ele afirma não ter pretendido fazer um romance histórico e menos ainda, uma história romanceada. Mas dos oito livros que publicou até agora, só um escapa a esse selo pelo jeito incômodo do autor. Videiras de cristal, tão em sintonia com a História ao ponto de confundir-se com a reportagem, impõe-se sobretudo como peça de ficção, em favor da quel o escritor se mostra disposto a sacrificar o possível limite ou a direção dos fatos.

O pesadelo da História, de onde Joyce nos adverte ser útil tentar escapar e para onde Rubem Fonseca em Agosto, se encaminha, depois de uma obra consagrada que no entanto até então simulara evitá-lo, é o tenebroso lugar em que Assis Brasil se movimenta. Ou melhor, se agita. Neste espaço aparentemente cindido pelo tempo junta-se o passado a que o narrador se dirige e o presente de onde esse mesmo narrador inicia e conclui seu relato. Não há medo nessa reconstituição, e os séculos se movimentam na direção certa: na do homem de hoje que, vivo, precisa servir-se deles.

Gaúcho, era natural que o prolífico romancista (tanto Videiras de cristal quanto o anterior, As virtudes da casa, atestam a fecundidade dramática) se voltasse para uma espécie de revisão histórica do Rio Grande do Sul (embora em uma deles, Manhã transfigurada, a intenção se resuma a um sensualismo religioso barrocos). Ele o fez em sete livros. Trabalhando personalidades e movimentos que marcaram, ou simplesmente reconstruindo ambientes e situações muitas vezes criadas pelo ficcionista, que, sem o registro da crônica oficial, definem a trajetória e o caráter de uma terra e de um povo.

Nessas condições, é previsível que a Literatura perca para a História e vice-versa. A legitimidade documental se impondo ainda quando a narração já perde a força ou a ficção em doses mal calculadas traindo a fonte de que se nutre. Claro que o desejo do autor, expresso, é a confluência de ambas as matrizes: aventura verbal e registro factual. E este terceiro resultado, detectável em raros trabalhos, como o de Vargas Llosa de A guerra do fim do mundo, é a marca predominante em Videiras de cristal.

O livro possui um subtítulo essencial para leitores familiarizados com o tema: O romance dos muckers. Para os não-informados, mucker, em alemão, significa hipócrita, fingido, ou melhor, santarrão. Uma legião de alemães reuniu-se em torno de uma mulher, Jacobina Maurer, elegendo-a profetisa, espécie de Cristo de saias, fanatizados pela auto-proclamação da frágil e mediúnica personagem. O fato deu-se na colônia germânica do Padre Eterno, sob o morro do Ferrabrás, perto do município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O período que o romancista cobre é de apenas três anos, 1872 a 1894, tempo da ascensão e queda do Reich religioso da família Maurer, movimento à margem das tradicionais fés católica e luterana.

"As almas dos fiéis se assemelham a videiras de cristal: fecundas nos verões luminosos, mas frágeis e quebradiças quando cobertas pela geada do inverno". É a forma que o autor encontra para sintetizar a dupla face dos crentes, daí o título do romance, cuja síntese, além da alusão histórica ao episódio dos muckers, seria a condição e os conflitos da religiosidade. Nesse contexto encontramos uma Igreja dilacerada que busca apoio de um Império igualmente dilacerado (com a sombra da República crescendo). D. Pedro II entra em cena, mas Assis Brasil não cai na caricatura. Sua opção é bem outra: Jacobina, por exemplo, surge mais sugerida do que pintada com as fortes tintas do adultério e da devassidão com que a História ficou seu retrato.

É exatamente na contramão desse fixar que o romancista transita. Sua liberdade com protagonistas e acontecimentos não fere necessariamente a cena e os atores. Primeiro, porque é a sua versão, só que precariamente elaborada. Retocando-a e retomando-a, dá-nos o prazer estético e organiza melhor os fatos. A epopéia real ocorrida aos pés do fantasmagórico ferrabrás ressuscita inteira no livro de Assis Brasil. No princípio era só um curandeiro, o marido de Jacobina. Aos poucos a mulher, que tinha estranhos ataques, não diagnosticados pelos médicos, usurpou-lhe o papel de milagreiro. Os clientes do agora superado Wunderdocktor viraram fiéis, multiplicaram-se e cresceram em fervor, até mesmo tirando os filhos da escola dominical. Jacobina parecia não ter corpo para seus seguidores, era somente espírito, até o instante em que trocou o marido por um chefe de família que largou tudo para servi-la. Diante de evidências, muitos se decepcionaram, incapazes de viver com um santo que fosse humano. Outros, cegos, só enxergavam os discursos de sua enviada, não suas ações.

De qualquer forma, quem reage primeiro são os padres, naturalmente, preocupados com a perda alarmante de fiéis. Progressivamente, a colônia toda revolta-se, escandalizada em seus costumes com a maneira nada ortodoxa dos cultos promovidos por Jacobina. Surgem rixas, a polícia começa a ser envolvida a contragosto. Aparecem os primeiros rompimentos familiares.

Dissidência religiosa não é caso para ficar restrito à esfera policial. A questão, fatalmente, atravessa a política. Aumenta a violência. Em um ano o quadro é de uma verdadeira insurreição, o Presidente da província convoca um herói da Guerra do Paraguai para atacar os fiéis, residentes na casa da profetisa e num tempo construído ao lado.

Muita selvageria, candentes questões teológicas, disputa política acirrada, é de perguntar por que o sexo, tão presente na vida humana, resulte como grande ausente em um romance que inclusive chega a provocá-lo. Em Videiras de cristal nota-se uma certa iniciativa por parte das mulheres na questão afetiva. Aos homens, como Jacó-Mula, um dos personagens principais, cabe uma função lateral, o que historicamente não está certo. A costumeira agressividade masculina comparece, é verdade, através de um estupro, o que contribui ainda mais para essa importante ausência; homens tão apaixonados em estratégia de combate, em suas crenças, em seu trabalho, ao não se pronunciarem sobre o amor revelam uma falta - deles ou do autor? Claro, Assis Brasil pode simplesmente ter escolhido um caminho mais ameno, ou mais específico. As situações políticas, religiosas e culturais são tão marcadas que talvez o sexo tenha parecido uma dose excessiva, capaz de desandar o romance pelo gigantismo. Mas faz falta.

Os ímpios, como os fiéis de Jacobina chamavam aos que não haviam aderido à seita, tanto exigem das autoridades, que uma verdadeira guerra, até então impensada, se precipita. Enquanto no templo há pouco erguido uma avó distrai crianças em histórias, homens e mulheres combatem o cerco de um exército múltiplo: colonos vingadores e militares. Nesse momento o romancista sustenta-se basicamente das descrições. E daí? Poucas vezes em nossa literatura se viu batalha tão minuciosa e habilmente descrita. A guerra não termina aí. Haverá uma segunda batalha, menos atroz que esta a primeira, onde o realismo não poupa o leitor do que os homens são - foram - capazes de fazer. O romance, nesses últimos momentos, tem o ritmo de um livro policial, onde todo um universo que o autor armou durante quinhentas páginas vai pouco a pouco se desinflando, perdendo peças, no inexorável caminho da extinção.

Será? Hoje não se fala dos muckers senão como referência a um terrível episódio do passado. Mas, conforme o romancista, após as duas grandes batalhas, novos fatos foram surgindo, com o passar do tempo mais espaçados e manos significativos.

Data: 12 de janeiro de 1991
Idéias, p. 8-9

* Paulo Bentancur é escritor e jornalista.


JACOBINA E O IMPERADOR
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná
, Paraná

De pequena, era doentia nos seus desmaios que, segundo explicação do médico, ficaram sem tratamento, pois "os sintomas eram confusos, e não se sabia bem onde terminava a doença e começava a mentira e vice-versa". Menina que se deixava impressionar e não aprendia a escrever, tampouco a ler. No livro de Luiz Antonio de Assis Brasil, Videiras de cristal (Porto Alegre, Mercado Aberto, 1990), ela apenas se esboça em breves seqüências a dizer de um gesto ou de suas palavras que somente revelam o que um observador pode constatar: Jacobina, figura principal de um episódio da História do Rio Grande do Sul, ocorrido no fim do século XIX, que teve por palco um núcleo de colonização alemã a nordeste de São Leopoldo e que, ainda hoje, é quase desconhecido. Tendo aprendido com um meio-pastor vidente a ler na Bíblia e a interpretá-la, começou a pregação religiosa entre os doentes que vinham à procura de seu marido, um homem para quem as plantas não possuíam segredo e às quais ele dava razão para existir: "Uma simples erva que medrava inútil sob a sombra de uma pedra ou no oco apodrecido de uma árvore, se tornava [pela sua arte], a última esperança de um moribundo". Uma vez perguntou à mulher por que, nem sempre o uso das plantas surtiam o efeito esperado. Jacobina, cada vez mais enfronhada nas páginas da Bíblia, respondeu: "Farão efeito se você quiser me ouvir. O Espírito Natural pode te orientar. Ele fala pela minha boca". A partir de então, João Jorge Maurer prescrevia receitas que não mais eram dele, mas, como acreditava, no Espírito Natural que se manifestava por intermédio de Jacobina. Mesclando a cura de doenças, a caridade e promessas messiânicas, ela congregou a seu redor uma população carente e sofredora que, em suas palavras, encontrava lenitivo para seus males e esperança de uma vida melhor. Dizendo-se transmissora das palavras de Deus, pregou primeiro a paz e o amor. Mas, suas verdades se opunham àquelas pregadas por homens de "coração duro" cujas "palavras vêm cobertas com a lama das mentiras". E logo apareceram os que a negavam e também os que se sentiam no dever de impedir que falasse. Intolerância que irá se expressar na violência exercida sobre os seus seguidores e que fará com que Jacobina se transforme: "Até agora eles só conheciam o coração de uma pomba, vão conhecer a malícia de uma serpente." E intransigências e fanatismos, levando a confrontos, fazem que dela e dos muckers, como eram chamados seus seguidores, emanem as destruições e as mortes. Iguais às destruições e às mortes de que eram vítimas. Sentindo-se acuada, à mercê dos "ímpios" que a negavam e a queriam destruir e das autoridades, pretendendo manter uma ordem ilusória, ela, ainda que duvidando da eficácia desse pedido - "o imperador vive em seu palácio e nunca nos ouvirá" -, permitiu enviar à capital do Reino emissários para solicitar ajuda. Redigem o pedido em alemão - a única língua que ela e alguns deles falavam - para ser traduzida e entregue em português, dizendo das agruras sofridas. Inútil precaução. O Imperador, ouvindo seu ministro, diz aos três colonos, depois de lhes ter apertado a mão, que "o papel tomará seu rumo". Diante da tentativa, por parte de um deles, de insistir, o ministro se interpõe, argumentando que logo teriam notícias, que "Sua Majestade iria tomar interesse pelo caso". Inconformados, se retiraram. O Imperador, vendo-os partir, observa que usavam "paletós malcortados, sapatos de tacões comidos, bainhas esfiapadas". Já no landau que o conduzia para seu régio almoço, dizia para Gaston d'Orléans, seu augusto genro: "Os alemães são pitorescos, aqui no Brasil. Você sabia Gaston [...] que o meu maior sonho seria trazer Wagner para reger no nosso teatro? É uma idéia que não me sai da cabeça. Dizem que ele está precisando de dinheiro". Desencorajado pelo genro, ainda insistiu: "Mas você já pensou Gaston, o Lohengrin aqui pelo próprio autor? O Monarca submergia em recordações. Começou a assobiar baixinho uma ária do amante desventurado, enquanto fechava a cortina do landau, deixando lá fora a poeira, o mormaço, o Brasil".

No Sul, plantações eram devastadas, propriedades destruídas e homens perdiam a vida nas ações comandadas pelas boas consciências e pelo ódio.

Data: 16 de novembro de 2002
Literatura do Continente, O Estado do Paraná

* Cecília Zokner é professora universitária e ensaísta.


PERVERSAS FAMÍLIAS
Mercado Aberto, 1992 - em 5ª edição

Centrando sua atenção sobre um castelo medieval construído pelo Doutor Olímpio, misto de político e patriarca familiar em pleno pampa gaúcho, Assis Brasil apresenta-nos um domínio de lenda e realidade, explorando as conflituadas relações familiares e as cavilações políticas que se desenrolaram ao abrigo das grossas paredes de pedra. Neste romance são representados cenários de luxo e requinte aristocráticos, os quais fazem reviver uma condessa austríaca, uma filha daltônica, os saraus musicais da nobreza de Pelotas, a propaganda republicana, o Rio de Janeiro da belle époque, a Exposição Universal de Paris em 1889 - tudo permeado de intrigas pelo poder.

UM CASTELO NO PAMPA, OU QUEM SABE, NO INFERNO
Tabajara Ruas*
Zero Hora
, Porto Alegre

Advirto que não será fácil entrar nesse castelo, primeiro porque fala sobre nós, meridionais, e segundo porque o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil persevera em transportar seus leitores para sítios incômodos. Ninguém diria, vendo-o tão afável. Ninguém diria vendo-o tão professor cercado por discípulos, tão intelectual cercado de suscetibilidades, tão ao alcance da mão. Mas não está ao alcance da mão. Não quando liga o computador e acaricia as teclas, olhar vago. Quando se transforma. Quando vira esse escritor estranho que olha seu redor com o propósito de entender, que é o jeito mais agudo de tudo ver, o jeito mais dolorido, o olhar de quem sabe "tudo o que flameja sobre a noite/foi do coração alimentado", ou que sabe o necessário para entender que-quer-que-seja é entender a si mesmo, e daí sabermos que somos produtos do nosso cenário, e nosso cenário é nossa cultura.

Gigantesco painel das origens da burguesia gaúcha e de seus hábitos sociais e culturais, tratado político e antropológico concebido com desafio estético, o primeiro volume da trilogia Um castelo no pampa, com o título explícito de Perversas famílias, é uma obra que não merece o desdém da interpretação nem a busca de paralelos ou explicações. Elas são tão óbvias e cansativas. Perversas famílias é a invenção de um demiurgo, a alucinação de um mágico, a dor de um artista interrogando seus fantasmas. Esse artista muniu-se de erudição rebuscada e disciplinada de monge para exercitar vários jogos simultâneos, alguns graciosos, alguns desafiadores. O gracioso é ele enganar a tantos fingindo um estilo e fazendo outro, sugerindo o passado e criando o novo, nos dando o gosto e o sabor de uma época antiga e fazendo uma literatura para o futuro. O desafiador é quando, disfarçado em ironia sussurrada, ele abre as pesadas portas do castelo e nos deixa diante das carnes pálidas de nossas vergonhas. Rasgando, às vezes com faca cega, as entranhas de nossas origens para investigar as causas dessa nossa tão baixa auto-estima, dessa ainda hoje rasteira submissão cultural a mitos distantes.

Diz Astor, o bêbado, para Páris, a respeito do ilustrado senhor do castelo: "Tudo aqui é estrangeiro, menino. Desde o lustre que está sobre sua cabeça até o tapete aos seus pés. O meu finado irmão era um portento comprador, e odiava o Brasil. Ministro, Embaixador, Presidente do Estado, mas um renegado da pátria. Por debaixo de sua casemira inglesa, suas gravatas francesas de grisperle, tinha também um corpo de estrangeiro. Uma vez ele me disse: `Sabe, Astor, do país possuo apenas a merda dos intestinos´". Quase cem anos depois a frase vale: mudou apenas a direção e o idioma dos nossos deslumbramentos.

Perversas famílias é um livro para ser discutido, aberta e francamente e, para isso foi escrito. É um livro que busca desvendar nossa identidade, e investe com dura ironia. É um livro que não se paralisa num esquema, como superficialmente pode parecer, mas organiza-se como o vôo de uma borboleta presa nas paredes de um quarto vazio. É um livro para ser contestado (se houver coragem e inteligência para tanto) desde o título até a descrença nas entrelinhas. É um livro para ser visto como uma homenagem à literatura, monumento feito de retalhos da nossa memória cultural, nossa força e nossa fraqueza.

Romance da perversidade, e narrado com um maldoso sorriso imperceptível, esparrama-se num universo viscoso de vícios, anomalias, segredos, paixões, impulsos - painel completo, assustador e transparente de nós mesmos, construído com doce persuasão. E mesmo assim terá o rechaço dos atingidos pela síndrome do ilustrado senhor do castelo e revelada por Astor. O tempo passa e continuamos submissos. Mas o livro de Luiz Antonio de Assis Brasil não é uma casa de bonecas. Não é uma fazenda em Minesotta. É um castelo no pampa. E nele somos introduzidos, não para ouvir baladas country de algum caipira letrado, mas para descobrir, como Páris, o mais assustador dos segredos: quem somos, de onde viemos.

Esse universo em meio às dores do crescimento foi concebido pelo autor como o mais inventivo de seus romances. Cada página é um susto na imaginação. As palavras sabem a coisa nova. Perversas famílias deverá suscitar as especulações mais diversas, sobre a origem dos personagens ou a propriedade dos pontos de vista, mas o prazer será usufruído por quem se deixar levar sem resistência pela mão do romancista. Luiz Antonio de Assis Brasil está soberano, senhor de seu castelo de palavras. Os pequenos episódios, as viradas da narrativa, os minúsculos enquadramentos, as vôos líricos, as citações, a dramaticidade crescente e as sempre inesperadas soluções mostram um artista dominando sua arte e mergulhando fundo na busca da originalidade. Tudo o autor consegue. Todas as armadilhas são desmanchadas. O romance flui como um rio caudaloso observado pelo autor sentado á margem, com seu cachimbo e o sorriso enigmático.

Fechamos a última página e consideramos longamente o privilégio - e a consolação - de poder esperar a continuação dessas terríveis revelações, o privilégio de convivermos com a plenitude criadora de um artista superior. Emergindo desses momentos amargos da nacionalidade como um facho de luz, o talento de Luiz Antonio de Assis Brasil é uma iluminação na nossa consciência e no nosso orgulho. Esse pensamento feliz nos leva a recordar a monumental entrega anterior de Luiz Antonio de Assis Brasil, o épico Videiras de cristal, publicado há exatamente dois anos, e misteriosamente ignorado pela crítica.

Com exceção óbvia do Rio Grande e de uma resenha publicada no Jornal do Brasil, mas feita aqui, nenhum dos pomposos cadernos de cultura dos jornalões e revistas do Centro do País deu uma linha sobre o livro. Inveja? Rancor? Provincianismo? Ou apenas a banal incompetência? Não importa. Esperamos que Perversas famílias, primeiro volume da trilogia anunciada, receba a acolhida a que tem direito, não pelo autor, cuja glória é o poder da criação, mas pela literatura brasileira e seus leitores.

Data: 19 de dezembro de 1992

Segundo Caderno, p. 5

*Tabajara Ruas é romancista, roteirista e cineasta.


MESTRE DO ROMANCE
Wilson Martins*
Jornal do Brasil
, Rio de Janeiro

Luiz Antonio de Assis Brasil é um mestre do romance histórico - mas, para s ê-lo, era preciso que fosse, antes de mais nada, um grande romancista. Ele tornou mais difícil a arte do romance entre nós - e a arte da leitura, porque, para saber lê-lo, é preciso dispor da correspondente complexidade intelectual que, em primeiro lugar, lhe permitiu escrevê-los, desde Um quarto de légua em quadro (1976), a Videiras de cristal (3ª ed. 1990), passando por duas tentativas de novelas psicológica (O homem amoroso e Manhã transfigurada - em que foi apenas um bom ficcionista - e também por essas indiscutíveis obras-primas que se chamam Cães da Província, As virtudes da casa e Bacia das almas, tudo culminando no grande painel de Um castelo no pampa (Perversas famílias, Pedra da memória e Os senhores do século. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992/1994.

É escritor para quem a literatura existe, exigindo leitores para os quais a literatura exista, quero dizer, o vasto mundo ao mesmo tempo nebuloso e nítido criado pela tradição que se constituiu através das obras de literatura que testemunham inquietação espiritual em que a realidade só adquire sentido quando transposta, por paradoxo, para os domínios da imaginação. No caso do romance, o segredo da grande literatura está em encarar a realidade como ficção, e a ficção como realidade - acrescendo-se, no romance histórico, a necessidade de atribuir ficcionalidade às pessoas da vida real, e realidade (mais do que "realismo") aos personagens fictícios. É o que Assis Brasil sabe fazer com a mão de mestre, embora muitas vezes as mãos dos mestres apareçam na parede de seu gabinete de trabalho como sinais ominosos num festim de Baltasar literário.

Ele não resiste à "citação" literal, como a qualificar o protagonista como o "príncipe da grã-ventura", ou dar a outro o nome do Gonçalo Mendes Ramires: "não estou mentindo, este era mesmo o nome dele" - o que deveria sugerir um nome diferente. Às vezes, ele acrescenta alguma coisa: se Machado de Assis, no esplendor de sua ambigüidades narrativas escreveu "Missa do Galo", Assis Brasil dele se apropria na cena de turvas conotações entre Páris e Beatriz - mas, sendo impermeável à ambigüidade, resolve "completá-lo" muitos capítulos e um volume depois com a efetiva união amorosa entre os dois figurantes. Há numerosas alusões literárias que o leitor, digamos, comum, certamente perderá. Assim, quando Antonello Corsi chega faminto ao Castelo, fugindo da polícia, não come um tigre - o que seria apenas um acalcanhado lugar-comum - mas como um "triste tigre".

São pequenas notações exemplificativas de técnicas narrativas num romancista que resolveu com extraordinária habilidade problemas muito mais temerosos, entre outros a complexa estrutura cronológica. É nisso, antes de mais nada, qu esse reconhece o grande romancista - e em que poderá reconhecer-se o leitor privilegiado que estiver à sua altura. Se, nos livros anteriores, ele optou pela cronologia linear e sucessiva - que é a mais espontânea e também a mais banal no romance histórico -, em Um castelo no pampa impunha-se a cronologia psicológica (se essa for a palavra exata) para transmitir a idéia do turbilhão e desordem que é a vida. O Castelo, em sua imobilidade extratemporal, forma contraste, seja com os coronéis das estâncias imemoriais, primitivos da vida política e social do Rio Grande do Sul nos anos tumultuosos em que conviveram, com J.F. de Assis Brasil, Borges de Medeiros ou Getúlio Vargas, seja com a idéia de uma civilização desconhecida naquelas paragens rústicas (metaforizada nas louças finas, nas toalhas e cristais, nos vinhos aristocráticos, nas maneiras de mesa e nos tapetes, para nada dizer dos 25 mil livros de uma biblioteca que sugeria universos diferentes, diferentes idades mentais, inclusive na nota irônica dos textos fesceninos encadernados como severas obras de literatura.

Tudo bem considerado, uma biblioteca no pampa era coisa ainda mais estranha do que um castelo no pampa... Olímpio foi, ao mesmo tempo, um personagem paradigmático das coxilhas gaúchas e um corpo estranho no seu organismo político e social. Os filhos, na excentricidade de casa um (entre eles o anti-gaúcho por excelência que era o homossexual) marcaram fisicamente a passagem de um estágio de civilização para outro, enquanto o próprio Olímpio não conseguiu transpor o limiar que as separava. Faltava-lhe a "autenticidade" impenetrável a anacrônica de um Borges de Medeiros, igualmente sensível, por exemplo, em Zeca Neto e Honório Lemes na reunião do Castelo, soberba "cena de romance" em que a arte do romancista se manifesta de forma incomparável: "Logo após, os dois comandantes entram na Biblioteca: Honório Lemes veste-se à gaúcha, de bombachas, botas de fole e um grande lenço vermelho ao pescoço (...). Zeca Neto estaria de terno completo, não fossem o mesmo lenço vermelho e as botas de couro marrom (...)" Foi isso em 1923. O romance termina reconduzindo-nos à cena inicial, com a morte de Olímpio em 1938. É o momento em Câncio Barbosa, sem saber o que estava ocorrendo no castelo, entrega aos impressores a biografia em que vinha trabalhando ao longo da vida. Encerrava-se, com isso, o seu próprio destino: "Não, não escreverá mais nada até o final de sua vida. Seria uma deselegância, uma verdadeira traição à memória de Olímpio. E será seu gesto leal, com o qual ele, Câncio, buscará a eternidade."

Data: 8 de abril de 1995

Local: página 4 (Suplemento Idéias)

* Wilson Martins, é Doutor em Letras, ex-professor universitário nos Estados Unidos, ensaísta e crítico literário.


DESTINO DE MULHER
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Perversas famílias, lançado em 1992, é o primeiro romance de uma anunciada trilogia - Um castelo no pampa - cujo autor, o gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, entre o ano de 1976 e o ano passado, já publicou: A prole do corvo, Bacia das almas, Manhã transfigurada, As virtudes da casa, O homem amoroso, Cães da Província e Videiras de cristal.

Apresentado pela Editora Mercado Aberto de Porto Alegre como um romance que "resgata um outro Rio Grande e um outro Brasil", suas quatrocentas páginas tem por eixo narrativo uma abastada família do extremo sul do país. Revelando seus dramas, situando-a em exatos momentos econômicos e políticos do Rio Grande do Sul, Luiz Antonio de Assis Brasil, entrelaçando ficção e realidade, alcança a síntese sedutora que permite descobrir aspectos de um abrangente itinerário nacional através de uma sugestiva fabulação. Conduzindo uma narrativa de múltiplas vozes - como já o fizeram tantos autores do Continente - que se situam no tempo e no espaço em níveis distintos, o romancista instaura nela uma expressiva vivacidade que, no entanto, sabiamente se ameniza quando se detém em Plácida. Como Camila de Manhã transfigurada, ou como Micaela de As virtudes da casa, Plácida é a remarcável criação de um inusual universo feminino.

Em idas eras, numa cidade provinciana, mulher rica e de frágil, saúde, ela aceita esse mundo ao qual pertence, o suficiente para se casar com aquele que a pretende, para ignorar o sítio onde passa a morar, "o estabelecimento charqueador", maculado por ossadas e odores fétidos, para ceder à vontade do marido e aceitar viver numa longínqua estância.

E, refugiada na música, na leitura dos românticos franceses, nos bordados, nas lembranças da adolescência, nos seus deveres feminis, deixa-se viver. Rodeada de luxo e de atenções, ela vive, como se a vida mal a tocasse e sem entender que a moléstia que a persegue nada mais é do que a linguagem que outrora fora abafada na sua sincera espontaneidade pelas pesadas normas sociais. As mesmas que mais tarde a devem prender, intocada, nos seus trajes de viuvez e que, então, ela irá infringir para obedecer a seu corpo que as carências fazem desfalecer em crises de dispnéia. Infração, cujo ônus será em demasia: não se vê a salvo das sufocações; não é invadida pela felicidade; o que recebe das noites amorosas não anulam seus anseios. As teias em que se enredou, em que foi enredada, foram implacáveis. Num caixão de ouro Plácida desce à terra, porque, transgressora, na terra não mais havia lugar para ela. Na galeria feminina do romancista gaúcho, também é imagem poderosa. Mas infeliz e vencida.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 17Jan1993


PEQUENAS - GRANDES VIDAS
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

"Morreu trinta anos depois, sem filhos e sem homem (...)". Zulmira Pacheco, a cozinheira. No romance Pedra da memória, um capítulo lhe é dedicado.

Viera para um cabaré-restaurante do porto de Rio Grande e lá exercia a mais antiga das profissões. Por não aceitar excentricidades de um comandante holandês foi, de comum acordo com o patrão, para a cozinha fritar peixe. O começo de um aperfeiçoamento que a levou, primeiro para a cozinha do melhor hotel da cidade e daí para o Castelo da Condessa. O Castelo que dá título à trilogia de Luiz Antonio de Assis Brasil, Um castelo no pampa, da qual a Mercado Aberto de Porto Alegre já publicou, em 1992, Perversas famílias e, neste ano, Pedra da memória, título originado em Vitorino Nemésio e Carlos Drummond de Andrade, cujos versos são citados em epígrafe.

Na primeira página é narrada a vinda do Doutor Olímpio a um Rio de Janeiro recém republicano. Nas demais, a sua trajetória política no Rio Grande do Sul, dividido entre republicanos e federalistas. Interrompem, muitas vezes, o narrador, as memórias de Proteu, a voz de Astor que se dirige a dois interlocutores para contar-lhes suas múltiplas aventuras e, também, a de Páris no registro de momentos de sua vida.

Entremeadas a essas narrativas, as que tratam do que o Editor chama de "pequenas-grandes vidas dos serviçais do Castelo": a da copeira, a do jardineiro, a da governanta, a da cozinheira.

Pequenas vidas somente justificadas por viverem a serviço das outras, "as grandes", assim tidas porque amparadas em imensas fortunas latifundiárias. Daí o constar nesses esboços de biografia, essencialmente, o aprendizado útil que, partindo de circunstâncias eventuais, vai se concretizando.

Atingem apreciáveis qualidades. A copeira até a dizer "Mesdames et messieurs, le diner est servi"; o jardineiro a adaptar tulipas ao clima do país; a cozinheira aprendendo por si mesma "a fazer massa folhada, essa coisa temerária e improvável, apenas acessível a quem atinge os píncaros da ciência culinária". Aptos, portanto, a repetirem os rituais europeus, introduzidos pela Condessa austríaca nesse pedaço do país onde veio parar.

No ritmo do romance, são capítulos que se constituem em pausas entre esses episódios que, sem obedecer ordens cronológicas, os narradores vão acrescentando cada um a seu modo e que, embora na aparência independentes uns dos outros, refazem, no mundo ficcional, uma interpretação da História do Rio Grande do Sul.

Pedra da memória é, assim, um interrogar-se sobre o passado rio-grandense, um questionar-se sobre a elite que o conduziu, um permitir-se notar essas vidas menores de imprescindível presença; também, uma procura estrutural na multifacetada voz que, em meandros, conduz a narrativa.

Luiz Antonio de Assis Brasil inscreve este seu romance num Rio Grande do Sul que ainda se apresenta tão instigador como já o fora há décadas passadas para um Erico Verissimo de O tempo e o vento, ou para um Cyro Martins de Porteira fechada, reconhecidos antecessores, se assim considerada for, a homenagem que, em meio à narrativa, lhes é prestada.

E, tanto na sua obra de ficcionista como na Literatura do Rio Grande do Sul Pedra da memória é o continuar de uma trajetória.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná.16jan1994


O DOUTOR E O CORONEL
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Talvez ou, quem sabe, certamente, outras palavras e intenções possam ser lidas nas últimas linhas de Pedra da memória: "...na cozinha, a governanta dá ordens para a próxima refeição: além das gaúchas costelas de ovelha, ela manda incluir, por determinação do Doutor, vários pratos da culinária do Brasil. De agora em diante farão parte de todas as mesas, banquetes, jantares do Castelo no Pampa".

Republicano, ao voltar da Europa para um Brasil que se tornara republica às pressas, se vê marginalizado pelo Poder: "O amigo deve voltar para o Rio Grande. Lá é o seu chão.

A Republica precisará muito de seu formidável talento...", ordena um dos recentes ministros. E, volta o Doutor Olímpio para recusar o governo do município que os novos administradores lhe oferecem sabendo, porém que seu destino é outro, maior, um destino nacional. No romance da trilogia Um castelo no pampa de Luiz Antonio de Assis Brasil (Mercado Aberto de Porto Alegre), esse destino não se concretiza.

Tampouco no Rio Grande ele encontra o seu lugar, opondo-se à política dos dirigentes e justifica-se, argumentando que ajuda o país ao introduzir práticas modernas de criação de gado nas suas terras. E, é em nome do progresso que irá deitar abaixo a velha casa da fazenda para construir o castelo, um estranho enclave que procura a civilização para abrigar uma verdadeira condessa austríaca. Charlotte von Spiegel-Herb chega ao Porto de Rio Grande e após uma viagem de trem, finalmente à fazenda onde a esperam, além das homenagens com as cores da Áustria, uma fileira de empregadas com impecáveis uniformes brancos e ramos de rosas.

Mas a sua convicta certeza, ao se sentar à mesa para jantar de que "a arte da civilização prova-se no campo", choca-se com a insolência da cozinheira que, explorando sua ignorância em coisas da terra, serve-lhe durante três dias, espinhaço duro de ovelha com pirão.

E foi, então, substituída por Zulmira Pacheco que se iniciara nas lides da cozinha num obscuro cabaré-restaurante de Rio Grande e foi se aperfeiçoando até chegar à cozinheira do melhor hotel da cidade. Hospedava estancieiros e políticos, exportadores de "charque, sebo e crina" e comandantes de navios estrangeiros. O salão de refeições tinha espelho no teto e lustres de cristal. E Zulmira, na cozinha toda branca, passou a reinar no preparo dos peixes e frutos do mar, aprendendo novas receitas ora com os fregueses, ora inventando receitas próprias, aprendendo em livros ingleses e franceses que alguém lia para ela e até, pagando a cozinheira mais velha para aprender a fazer massas.

No Castelo, onde chegou numa tarde de calor, se enterneceu ao ver a cozinha de azulejos portugueses e durante trinta anos nela pontificou "tão sábia que a lenda da Condessa por vezes confundia-se com a lenda de sua mesa".

Os ensopados de ovelha que eram servidos ao Doutor haviam ficado para trás. Na mesa do Castelo passam a se mostrar guardanapos de linho, os pratos de porcelana, os cálices, os finger bowls. E o Doutor Olimpio e sua mulher jantavam, vestidos a rigor, na grande mesa. Quando o coronel Nicácio Fagundes, com seus homens e seu estado maior solicita pouso é recebido por um Doutor Olímpio de fraque, cartola e luvas que não se amedronta com os quase dois metros de altura do outro vestido com poncho de lã e que reluta em se acomodar na biblioteca onde os tapetes e as porcelanas pertencem a outro universo. E quando o faz, suas botas embarradas "esmagam os delicados motivos persas" e suas mãos se pousam no croché branquíssimo que protege os braços das poltronas.

Na mesa de jantar, o Coronel recomenda a seus homens "cuidado com a louça" e elogia "Muito bonito isso tudo". Mas, quando chega a carne, eles dispensam os talheres e com as mãos a levam aos dentes. A condessa os imita e com a ponta dos dedos leva um fiapo de carne à boca, vencida pelos costumes da terra. "São selvagens mas pitorescos" lhe dissera o marido ao convidá-la para os conhecer. Foi o melhor que soube dizer sobre o Coronel que, pouco antes, recusando um vinho do Porto que lhe era oferecido pelo anfitrião, explicava: "Não posso beber quando meus homens estão lá fora passando frio."

O Doutor talvez não tenha compreendido a frase embora ao passear a cavalo, pelas suas propriedades, com a mulher, sempre se vestisse como os gaúchos. Embora tomasse mate e reafirmasse sempre o seu amor pelo Rio Grande.

Mas, com certeza, um Rio Grande feito a sua medida e para lhe pertencer.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná.4 set 1994


MENINA NINI
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Nos seis capítulos que constroem o que Luiz Antonio de Assis Brasil chama "o romance", entremeados pelo monólogo que Páris continua sua história, iniciada em Perversas famílias (1992) e Pedra da memória (1994) os dois primeiros volumes da trilogia Um castelo no pampa, o Doutor Olímpio caminha para o declínio. Parlamentara, discutira, negociara, tergiversara, buscando conduzir a história do país. Universo masculino feito de ambições, jogo de poder e de palavras no qual a mulher permanece alheia. Assim, ou ela se enclausura nos seus princípios e infelicidades ou se deixa prender no exercício da religião. Se desabrocha é porque assim lhe é permitido: "Ah... tudo é bem organizado, neste mundo: um homem admirável tem mulheres espantosas. Ele dá a elas a possibilidade de desenvolverem até o mais alto grau todas as potencialidades nobres de seu sexo, as quais perante um bronco qualquer ficariam esquecidas", conclui o Doutor Olímpio, talvez com sabedoria nesse espaço e nesse momento em que vive.

Menina Nini, filha de conde, submetida ao casamento, como todas. E como todas ficou até o instante em que entendeu, muito além da patriarcal ordem estabelecida, que a vida poderia oferecer muito mais. Foi quando "teve uma iluminação tão repentina e forte que a estonteou por sua verdade: um dia aquele homem seria seu".

Assim como soube que, mais dia, menos dia, seria pedida em casamento e que aceitaria o pedido, mais tarde compreendeu que o homem que desejava era outro. E se dispôs a uma espera alimentada de pequenos nadas enquanto ela, filha de uma devota e de um nobre, conhecedora de todos os rituais de sua classe, foi se preparando para ser, apenas, feliz. Nesse lavrar de seu destino, a ignorar sempre os outros mundos que lhe estavam próximos, lento e espontâneo se faz um esplêndido tipo feminino, fremente de vida. E, assim, irrompe entre as páginas de Os senhores do século para dar vida a essas outras que mornas e descoloridas dão conta de conchavos e de homens dominados pela retórica e pela ânsia de domínio.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 12nov 1995


OS PARDAIS (I)
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

A República havia apenas se instalado e o Dr. Olímpio, Embaixador do Brasil em Viena, sob a neve de um mês de março, diz de suas intenções de levar pardais para o Rio Grande do Sul: "Os pardais vienenses dão um chique à paisagem, um requinte...". E sob o som da Valsa dos Patinadores, toma chá e degusta uma fatia da torta Sacher num ritual diferente daquele que sempre havia sido o seu lá nas suas terras do sul do país o que parecia imperdoável para Silva Jardim.

Também personagem de Luiz Antonio de Assis Brasil, neste Pedra da memória (Mercado Aberto, 1994), ele observa, impiedoso: "E agora você bebe chá e come torta... Você, um gaúcho macho". O Dr. Olímpio considera que o amigo está um tanto quanto "amargo" mas, certamente, isto de "carimbar passaportes e freqüentar bailes", o entedia. E, saber que no Brasil, se luta pelos "despojos da República" o faz decidir-se a voltar.

Enquanto sua mulher dá ordens para que sejam engradados os móveis e empacotada a baixela, a louça e a roupa de cama, ele manda fazer uma gaiola de dois metros por dois, cúbica, para conter uma centena de pardais. Com o imprevisto de ter um dono, eles fazem a longa viagem por terra e por mar até a liberdade dos campos que irão invadir e povoar, sem contudo, modificar-lhes os contornos em revoadas pelos campos, em ninhos pelas praças.

O narrador de Pedra da memória diz que alegravam as cidades "com seu canto altamente europeu". Presença que seu personagem quer transplantar para que aqueles índios "habitantes dos pampas se tornem mais civilizados".

Porque, na confeitaria iluminada, onde se misturam os sons da música de Strauss e o tilintar das porcelanas, ele pode se permitir divagações: "quando comparo isto com a selvageria dos nossos hábitos, com a ausência dos pardais, com os nossos barbudos revolucionários gaúchos, com as degolas, com os combates nas coxilhas empapadas de sangue..."

Mas os pequenos pássaros migrados não foram para os da terra, tão inocentes e eles não souberam ver neles as propaladas qualidades. Assim, houve quem tentasse matá-los a tiros de chumbo, alegando que destruíam as colheitas e houve quem dissesse serem uma praga, "a praga dos pardais".

Mas, dono de muitas terras e de todos esses direitos e poderes que a riqueza outorga, o Dr. Olímpio podia, também atribuir-se razões: "Um dia me agradecerão de joelhos, ao comparar os pardais com essas rudes aves do pampa...".

Foi cognominado, ele um republicano, o Rei dos pardais.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 24dez1995


AS TRANSGRESSORAS - PLÁCIDA
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Um castelo no pampa, de Luiz Antonio de Assis Brasil, é um romance constituído de três volumes: Perversas famílias, (1992), Pedra da memória, (1994) e Os senhores do século (1995) publicados pela Mercado Aberto de Porto Alegre. Uma longa narrativa a qual se acrescentam outras tantas que, abarcando quatro gerações, avança pelo tempo e se constitui um mundo cheio de vozes.

Em Perversas famílias, a história de Plácida é contada pela voz de um narrador onisciente. Pálida, a cabeça pequena, "magra como um galgo", "dedos agudos de marfim opaco", aparece no romance já adulta, recém-vinda da Suíça onde estivera onze anos, estudando. Dona de vários caixotes de livros e vítima constante de ataques de dispnéia, casa com João Felício Borges da Fonseca e Menezes, rico solteirão. "Jovem como uma parreira na primavera" tem um primeiro filho e o segundo três anos depois quando enviuva. Rica, vive para esse filho menor que o mais velho já se fora estudar em São Paulo, para suas leituras de Byron, Musset, Lamartine e para seu piano. Guarda uma terna lembrança do marido e outra, dolorosa, nunca abandonada, do infeliz amor, apenas percebido, nos seus anos adolescentes na Europa. No rosto, "eternamente essa sombra de melancolia, esse mundo incompreensível de escassos risos e sonhos mal disfarçados".

É quando entra na sua casa como preceptor, recomendado pelo Bispo amigo da família, Félix del Arroyo. Então, esse narrador que tudo sabe e de Plácida só dizia o que era possível ver e escutar, passa a ser mais próximo, a se comprometer com ela num relato feito na segunda pessoa.

São cinco capítulos, entremeados aos demais que dizem de sua renascente feminilidade e o que desse renascer se segue.

No primeiro deles, é o dia de seu aniversário, Plácida ainda se veste de luto e com os cabelos presos e o coração perdido entre "exaltação e angústia", ela espera Félix del Arroyo.

Porque é, ainda, o tempo da espera, de um sorriso, de subentendidos e insignificâncias que, no capítulo seguinte, tecerão uma "teia finíssima onde o essencial é o olhar e o gesto". Logo, o luto se esmaece em cinza, em branco e as emoções se fortalecem cada vez mais irreprimíveis, levando ao bilhete, escrito em francês, que abre a porta da alcova. Sobrevém a transgressão ("não te comandas mais"), depois o fastio ("vês que [Félix] é um objetivo indigno de tantos poemas acumulados em teu sangue durante anos de dolência e leituras"), o desalento ("emergias em um estado de prostração comparável ao limbo, onde tudo se dissolvia num viver sem dores nem pesares"), a morte ("a tampa te reduz à porta, à carreta fúnebre de cavalos negros empenachados, em direção ao cemitério, nada mais sentes, nada mais te comove").

E os gestos de Plácida são descritos, adivinhados os seus significados e conhecidos seus pensamentos e seus atos mais recônditos. Tudo o que faz é registrado: se lê, toca piano, olha para a praça ou para os objetos que a rodeiam, os passos que dá pela sala de visitas. Também as razões que a fazem agir e que estão na origem de seus sentimentos e de seu drama como prisioneira das convenções. Para fugir delas, se deixa morrer na ignomínia ao dar à luz a um filho espúrio que a sua viuvez tornava pecaminoso.

E o pronome tu estabelece uma intimidade com ela que, por vezes, parece se constituir um alter ego, mostrando-a profundamente humana nas suas misérias e nas suas grandezas de mulher que desejou apenas viver.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná.9jun1996.


AS TRANSGRESSORAS - URÂNIA
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Atravessava a praça para se recolher, após a festa, acompanhada pelo anfitrião. Falaram sobre o destino que conduzia os heróis e disse: "veja Doutor, que meu nome é como se fosse uma predestinação. Jamais gostei do apelido que me deram". Ele concordou, dizendo que a chamaria, daí em diante pelo seu nome real, e romântico é esse nome de sua casa, Eterno Amor. E ela disse que "já isso me agrada muito, e até mandei pintá-lo de cor de rosa".

Seu nome nesse momento não é pronunciado e ao chegar a sua casa ela o convidou para entrar. Um breve espaço em branco nas páginas do livro sugere o tempo transcorrido. O relato é retomado e dá conta que os sinos soavam as cinco horas. Foi a hora em que ele se retirou.

Ela acabara de escolher o seu destino. Era jovem, rica, viúva, respeitada e havia escolhido ser amante do homem que sempre quisera.

A travessia da praça entre um palacete e outro fora o abandono da vida de antes. Já não seria mais a menina Nini, mas Urânia. E por ela é conquistado o Doutor nessa quinta vez em que se encontraram. Na primeira vez ele lhe ofereceu o lenço para enxugar o choro pelo seu pai que apenas morrera. Na segunda, o dia de seu casamento, a presenteara com o broche de safiras. Depois, quando o marido estava na guerra, ele foi se despedir, de partida para a embaixada de Viena. Ao voltar, uma breve troca de palavras diante de sua casa e em companhia da mulher. E, por último, esse jantar em que convidada, ainda Nini, pode olhar para ele e deixá-lo surpreso por estar usando o pregador de safira.

A pedido da mulher, o Doutor atravessou a praça para levá-la para casa e lá ficou, enredado nesse desejo para o qual estava predestinado.

Nos romances de Luiz Antonio de Assis Brasil, Perversas famílias, Pedra da memória e Os senhores do século que formam a série Um castelo no pampa (Mercado Aberto, Porto Alegre), a figura do Doutor e de Urânia estão a cargo de um narrador onisciente. Nesse episódio amoroso é como se apenas a figura feminina interessasse pois do Doutor só se conhecem as palavras e os gestos. O que pensa de Urânia, o que sente por ela mal é sugerido por esse brinde que lhe faz de longe no dia do casamento, pelas palavras que diz ao se despedir, lamentando a partida depois de olhar detidamente seu rosto, por esse binóculo que assenta, cada noite, nas janelas de seu palacete.

De Urânia é dito o que pensa e o que sente nesse desabrochar da certeza que, inevitavelmente, um dia, o Doutor será seu. Ao longo da série, breves, alguns momentos felizes dessa relação que não mais se desfaz. Já velho e doente ele a manda chamar e Urânia enfrenta a viagem de trem, a caminhada sob a chuva e o vento, a entrada na casa, que lhe estaria proibida, para estar com ele. A mulher legítima fechara as demais portas da casa, apagara as luzes e se recolhera na capela com a criadagem para rezar.

O que se disseram nessa noite um ao outro não faz parte do relato. Tampouco, o que Urânia deve ter passado como amante de um homem casado cuja posição política, econômica e social atraía todas as atenções.

Morre sozinha na sua casa e é enterrada à noite, discretamente diz a carta que anuncia a sua morte ao Doutor e que acrescenta: "... a cidade custará a notar, creio eu, porque ela nunca saía do Eterno Amor."

Dias depois, diante de seu túmulo, o Doutor dirá que ela foi "única". Sem dúvida, admiravelmente à margem dessa sociedade classista e conservadora do início do século na qual viveu isolada ao escolher o amor e por ele se esconder em vida.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 16jun1996.


AS TRANSGRESSORAS - SELENE
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Tem o nome da lua porque assim o quis a amante do pai antes mesmo de ter sido gerada. Mal nasceu, prematura, "num ritual de parteiras, febre e luzes", é levada pelo médico "abafada em panos" para longe da mãe. Aos cinco anos brinca de bonecas no seu quarto cor de rosa. Mais tarde empurra um aro na Praça da Matriz quando Francisca Almada que será sua ama, ao saber-lhe o nome, Selene, lamenta que chamem assim a uma criança e, então, acha até natural que tendo tal nome, não distinga as cores.

São rápidas referências sobre ela esparsas no monólogo de seu filho e de seu irmão ou no texto onisciente que relata a vida do pai ou da ama. O que ela sente e como se orientou o seu destino aparece nos três monólogos de Perversas famílias (da série Um castelo no pampa de Luiz Antonio de Assis Brasil, Mercado Aberto, Porto Alegre, constituída, ainda de Pedra da memória e Os senhores do século) cujos títulos sintetizam as emoções e as razões que lhe nortearam as escolhas.

No primeiro, "Mare Serenitatis", recém chegada do internato, Selene, no seu quarto de "cores abstratas" para seu olhar de "confuso daltonismo", relata o encontro com Hermes e os preparativos para o baile que tanto deseja ir. É um dizer pueril como as roupas que veste - saia xadrez, blusa escura, casaquinho tricotado por ela mesma e soquetes - e triste diante da indiferença da mãe: "Quando, quando, mamãe, você me enxergará?".

Queixa que se reforça no segundo monólogo, "Mare Humorum": ela "esqueceu-se de mim naquela escola de austeros códigos de honra e castidade e Pecado". E até o ponto de atribuir-lhe a responsabilidade de seus atos: "Quem mandou minha mãe consentir no baile entregando-me de mão beijada a um homem tão jovem..." Mas não ignora que foram as curiosidades de seus "humores", a vertigem da champanha e a aceitação em se deixar seduzir que a levaram à noite de amor com o moço que apenas conhecera. Logo depois do "Mare Humorum", um minúsculo sub-título, "Mare Crisium" dá conta da passagem do tempo - "já um ano passou" - e da impossibilidade que tem de se fazer entender pelos pais nesse desejo de querer casar com "o que fabrica cofres".

No diálogo com o pai, em que ele, ignorando-lhe as palavras num discurso inoportuno e exasperante onde o interlocutor, para ele, não tem a menor importância, Selene, no desespero de atrair-lhe a atenção, começa a se despir. O que o pai só irá perceber quando, nua, ela lhe estende os braços. Indignado, a esbofeteia e a expulsa do recinto e de sua vida.

Infantil e insegura ela se mostra, ainda, no terceiro monólogo onde conta a visita que recebe, em sua casa, do pai de quem tanto almeja o perdão e o nascimento do filho. São as narrativas que pertencem ao capítulo introduzido pela expressão "Mare Fecunditatis" ao qual se acrescentam dois breves textos: "Oceanus Procellarum" e "Lacus Somnii".

Em "Oceanus Procellarum", relata a chegada do pai no quarto de hospital apenas para determinar o nome do neto: "Páris, o que morreu em Tróia com uma flecha no peito". O glacial desprezo que demonstra por todos e pela filha, certamente irá culminar na "misteriosa doença" que a acomete depois do parto: a loucura. Assim, no texto "Lacus Somnii", acreditando-se no Rio de Janeiro, fala na visita da tia - "há quanto tempo" - sem se dar conta que vive num país onde cai neve e entre freiras. Uma, lhe permite ver a Lua pela janela e recomenda que reze para Nossa Senhora de Lourdes.

E o seu tempo de rebeldia há muito já passara quando a tia intercede por ela, vivendo entre estranhos e do outro lado do mar, junto ao pai, já velho. A resposta que recebe é terrível: "Ficará para outra vida. Não tenho idade nem coragem para enfrentar mais nada".

Reafirma a espantosa condenação de ostracismo que Selene, louca, não pode mensurar. Como jovem não mensurara que se casar só no civil e com alguém por ela escolhido era passível de um castigo tão grande. A vontade do pai-juiz que não podia ou não devia ser discutida nesse começo de século de vozes masculinas imperou, impedindo-a de ser mulher, de ser mãe, de viver. Então Selene se refugiou na loucura.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 23jun1996.


O MENINO PÁRIS
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Introduzido por um longo título, o monólogo de Páris. Adulto, contrastando com suas atitudes perversas e de perplexidade infantil.

Menino expulso do colégio, ele chega na fazenda do avô, neto espúrio e visto pela primeira vez. Não sabe quem é, nem quem são os seus pais e tenta descobrir o mistério que lhe envolve as origens.

Um narrador onisciente relata essa chegada e seu olhar de espanto diante da vida que transcorre na casa que mal sabe também ser sua. Depois, são os capítulos que na primeira pessoa, relatam o que ele pensa ou faz. Também um certo aprendizado diante do que vê e do que percebe e que lhe transmite uma visão sórdida da família e dos ambientes que irá descobrindo. Relatos onde o anedótico apresenta muitas faces e do qual faz parte o folhetinesco, o drama, o tragicômico, o jocoso, o fantástico, o lírico.

É a busca de uma verdade escamoteada em nome das convenções que ele procura decifrar "nos entremeios das conversas"; é o olhar dominado pela imaginação, criando esdrúxulas situações; é a morte deixando vazios; é o conhecimento intempestivo e prematuro dos jogos sexuais; é o faceto exame dos animais no quartel; é esse aparecer dos mortos a conversar com os que ainda fazem parte dos vivos; e é esse sentir de menino criado sem pai nem mãe.

Ao todo, em Perversas famílias, primeiro volume da série Um castelo no pampa de Luiz Antonio de Assis Brasil (Mercado Aberto, Porto Alegre) são sete monólogos intercalados aos demais capítulos feitos de outros monólogos e de narrativas em segunda e em terceira pessoa.

O último, que tem por título "Como um açougueiro entrou na minha consciência" é constituído de episódios tragicômicos cujo relato de criança se aproxima da crítica sarcástica às instituições. E de um extremo lirismo quando expressa a angústia de Páris diante do segredo, verdadeira muralha, que o impede de conhecer a própria história.

Diante do obstinado silêncio da tia Beatriz que dele se ocupa, a agride, grita e foge: "saí correndo porta a fora como se viesse perseguido por um enxame de marimbondos" diz no seu monólogo ao qual se insere, então, um narrador onisciente que toma a palavra "e Páris corria e chegava ao pátio e olhava para os lados, não tinha idéias, tinha, foi ao portão e galgou desesperado o portão de ferro e galgou e atingiu um leão e montado na fera secular", voz substituída pela primeira pessoa do monólogo que, sem transição, retoma o relato: "bradei para todas as esquinas e praças de Pelotas que era um menino e que apenas procurava saber quem eu era e assim aos gritos fui chamando a atenção de todos e veio também Beatriz que coitada dizia o meu nome,". Novamente, se interpõe o narrador onisciente: "e Páris então impôs condições para descer, e Beatriz concordou sim" e outra vez o relato é retomado na primeira pessoa para dizer de seu sofrimento ao se dar conta de que todos, na cidade, já conheciam o que ele tanto queria saber e de seu desejo, súbito, de jamais chegar ao chão porque nunca mais seria o mesmo.

Importante, na construção do personagem cuja trajetória aventureira e rebelde irá continuar em Pedra da memória e em Os senhores do século, volumes que se seguem à Perversas famílias, o episódio que se impõe pelo dinamismo a ele conferido nessa intercalação de narradores e pela quebra da emoção contida na voz do menino quando interrompida pelo contar do narrador onisciente. A esse recurso narrativo (que aparecerá, também, em outro monólogo de Páris que faz parte de Pedra da memória) irão se aliar, muitas vezes, a maestria do dizer, a força de algum personagem, o sábio entrelaçar das histórias. O bastante para fazer de Um castelo no pampa um romance cuja criatividade formal o torna não somente uma deleitosa leitura mas uma obra instigante e sedutora.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 30jun1996.


DOIS MUNDOS
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Houve um momento, na década de 70, em que a busca de um novo instrumento para o estudo do texto literário levou à análise semântica aplicada à descrição da sociedade.

No seu trabalho publicado na revista Littérature (Paris, 1971), "La description littéraire des structures sociales: essai d'une approche sémantique", Ulrich Ricken mostra como o código de classificação social não se reduz às palavras como "pobre", "rico", "burguês" mas é feito, também, de expressões como "bem vestido", "maltrapilho", "faminto", "o que janta bem", etc.

Num conjunto vocabular assim constituído, os termos referentes aos diversos critérios de classificação social formam sub-códigos que, respectivamente, cobrem zonas equivalentes de diferenciação sócio-hierárquicas. No seu romance Perversas famílias (Porto Alegre, Mercado Aberto, 1992), Luiz Antonio de Assis Brasil narra as conflitantes relações de uma abastada família do sul do Brasil. No castelo, um cenário de luxo e de requinte, instauram-se os rituais e entre eles o da mesa. Como era de uso na corte austríaca (se assim for autorizado dizer a partir dos filmes que historiam a vida da Imperatriz Elizabete da Baviera), no castelo do pampa o cardápio mudava de acordo com o idioma permitido nesse dia. Nas terças e sextas feiras, porém, era dada a licença para falar português à mesa e não sendo desdenhada a cultura popular, eram servidos os "gordurosos quartos de ovelha" e o guisado com abóbora, alternando-se com os vol au vent e com os puddings.

Igualmente, só era permitido apresentar-se com um traje adequado e, assim, Páris, o neto recém chegado, primeiro teve que passar pelas mãos do alfaiate para, então, poder jantar com a família.

Recluído no seu quarto, levam-lhe arroz com feijão e um peito de frango numa simplicidade alheia ao que era servido para a família, mas encontrada na fazenda distante onde se comia pirão com um molho graxento ou rabada com batatas. Ou, num hotel de cidade pequena em que o cardápio era composto de carne assada, aipim duro e feijão com charque.

Uma dicotomia que se delineia com clareza: no castelo ou no palacete da cidade servem chocolate, torradas, leite com bolachinha Maria, bolo de milho e arroz doce, docinhos em travessa de porcelana, compotas, fios de ovos, ambrosias, bem casados, refrescos, café, vinho do porto.

Baixelas são usadas e cristais e guardanapos com monogramas presos em argolas de prata, candelabros e um serviço inglês - Wood & Sons Ltd, Burslem - para o cotidiano em que rosas pequenas e margaridas brancas e uma borda fininha e negra marcavam cada peça: a sopeira, as legumeiras, as travessas.

Aos domingos, o almoço era servido numa louça da Companhia das Índias onde borboletas "adejavam, coloridas, num campo rouge de fer sobre dourado" perto do brasão da família a que a louça pertencera antes de ser vendida, num leilão, em Lisboa, para esse brasileiro rico que se rodeava de luxo estrangeiro: do lustre aos tapetes.

Um requinte ou um pseudo requinte que é estendido à mesa. Antes de abandonar São Paulo, onde se formara em Direito, oferece aos colegas um banquete cujo cardápio por ele escolhido era constituído de "hors d'oeuvre", "potages", "poisson", "entrée", "gibier", "glasses", "dessert", "vins, "café", "liqueurs". "Montmorency", "Hungaroises", "Truite aux épinardas", "Suprême de volaille rôtie", "Canard à republicain", "Filets mignons à dorée", "Cochon sauvage à Aurora paulista" eram as iguarias. Na cozinha, no pátio da escola pública, num vagão de trem, come-se mortadela com pão, "mata-fome", galinha com farofa. É o cocheiro, a menina pobre, os que viajam nos vagões comuns do trem. Mundo do latifúndio, das comodidades, da fortuna, convivendo com o outro, do trabalho, da pobreza. A relação das expressões relacionadas com a mesa seria suficiente para delinear as fronteiras existentes entre os dois.

Na verdade, no romance de Luiz Antonio de Assis Brasil não se trata de desigualdades sociais ou de confrontos de classe. Apenas, uma efêmera presença que as expressões "mortadela com pão", "mata-fome", "galinha com farofa" definem, ajudando a compor o quadro desse mundo de opulência e de ostentação.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 22dez1996.


O INTRUSO
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

A Senhora veste de luto, tem os cabelos presos e o "coração perdido entre acentos de exaltação e angústias". Move-se "num cenário antigo": móveis escuros, relógios de pêndulo, bibelôs, quadros pastoris, a cristaleira, o centro de mesa de faiança, onde o ar está impregnado do odor açucarado que exalam os pastéis de santa clara, os quindins e os fios de ovos.

Ao Pleyel, a Senhora, por um momento, suspende as mãos sobre as teclas, surpreendida pela voz do aguateiro que, na praça ensolarada, apregoa o que vende. A criada, dando-se conta de seu enfado, dá ordens ao homem para que se retire dali e, obedecendo à Senhora, lhe atira "uma frágil moeda". O aguateiro se cala e, na praça, continua à espreita de alguém que passe e lhe compre água.

No Solar dos Leões, o piano se cala e se inicia o ritual: a chegada das visitas, a hospitalidade fidalga, os diálogos, a música que a Senhora, outra vez ao piano, faz elevar-se. Certamente, os sons se escapam pela janela aberta, invadindo a praça como se houvesse uma lei que tal liberdade permitisse. Porque hostil é apenas o ruído do exterior, perturbando o mundo fechado do Solar dos Leões, palacete a imperar na praça da cidade mas, dela não suportando presenças.

Romance de paixões condenadas e nefastas, Perversas famílias (Porto Alegre, Mercado Aberto, 1992) se povoa de personagens que mergulham na opulência. Como que apenas casuais, "os outros" que estão a seu serviço, permitindo-lhes a vida de ócio.

Romance onde Luiz Antonio de Assis Brasil cria um mundo de classes estanques. Por vezes, nele se instala uma espécie de interrogação diluída numa cena brevíssima como a dessa tarde de verão em que o "clamor" do aguateiro, para vender sua água, é um intruso que rompe o equilíbrio das mãos sobre o teclado.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 29dez1996


A CONDESSA
Cecília Zokner
Literatura do Continente,
O Estado do Paraná,
Paraná.

Olímpio Borges da Fonseca e Menezes era um republicano ferrenho, más, em pleno campo rio-grandense construiu um castelo medieval, "perigosamente rondando o mau gosto". E casou com uma condessa austríaca.

No que o autor, Luiz Antonio de Assis Brasil chama uma série, Um castelo no pampa, composta de três romances (Perversas famílias, Pedra da memória, e Os senhores do século) é contada a sua história desde o dia em que nasceu até o momento de sua morte. Naturalmente, a ela se agregam muitas outras entre as quais a história da condessa: Charlotte von Spiegel-Herb, órfã, herdeira de propriedades nos arredores de Engelharststeten, perto da Hungria que visita, em Paris, a Exposição Universal.

Olímpio arrebata-se por ela e seu pedido de casamento é aceito com tal rapidez que o faz presumir tratar-se de uma condessa com as finanças arruinadas e na expectativa de um bom casamento. E o casamento se realiza - o noivo era rico pelos dois - e a traz para o Brasil onde sua vida acompanhará a de Olímpio, latifundiário e político e ela será uma presença nos três romances que formam Um castelo no pampa. Presença que se instala a partir de uma banal informação do narrador ou de um personagem (volta sozinha da Europa; não freqüenta a sua casa na cidade; aperta a campainha para chamar a empregada; responde a alguém com uma ou duas palavras, por vezes definitivas; dá alguma ordem ou se presume que a tenha dado). Ou, a partir de um episódio complexo como o da visita da amante a seu marido no castelo ou aquele em que é relatada a sua morte.

Mas, salvo o uso de um ou dois verbos pensou ("que logo teremos o outono"), decidiu (que ficaria no banho até o anoitecer), é um personagem perfeitamente construído do exterior, somente pelo olhar dos demais personagens ou muito breves referências do narrador.

Para Olímpio, quando a conhece em Paris, "sua magreza não é agressiva, antes diáfana". Mais tarde a verá "bela", "aristocrática".

Para os freqüentadores do Clube Comercial de Pelotas, ela é "seca, mais alta do que o marido". O cunhado no teatro a enxerga "tesa, muito branca e magra" e para o filho Proteu a sua gravidez não chega a "dobrar a nobre verticalidade de um ser acostumado às elegâncias do espírito e do corpo". E, assim, a encontra o marido ao voltar de uma de suas ausências: "ereta em sua dignidade, emoldurada pela buganvília". E, assim a vê o neto Páris "vertical", "tesa" e "magra" e assim, "esguia, pálida" a vê Antônia, a copeira.

As mulheres observam-lhe os trajes no dia 1º de janeiro de 1900 quando se exibe em cetim "pesado e azul" e tules e rendas e bordados em ouro e gargantilha de pérolas e diamantes. A mãe de sua futura empregada a presume rica com seu colar de pérolas e para o pequeno cunhado é uma "jovem dama perfumada". Impassível, sarcástica, preconceituosa, ela inquire, determina, ordena, se ocupa de seus bordados, seus pincéis, seus jogos de carta, reza, escuta rádio, coordena a legião de empregadas. Poucas vezes é apanhada em uma emoção. Se indignada, fecha os olhos e comprime os lábios numa cólera surda. Sabe-se de sua "mágoa" pela incapacidade demonstrada pelo jardineiro em dizer, em inglês, após muitos anos de serviço "eu sou Jones, o jardineiro". Mas, se discute com o filho, se lhe escreve uma carta com queixas e reprimendas, se conversa com a cunhada sobre a filha doente, tudo isso ficará ausente da narrativa.

Como também seus afetos. Ignora o cunhado, recebe os norte-americanos à distância e à distância permanece de sua única filha: "quando, quando, mamãe você me enxergará?" indaga Selene numa pergunta não formulada.

Com o passar do tempo, se transformará. Os cabelos embranquecem, as mãos se cobrem de manchas escuras, as articulações enrijecem. Emagrece mais um pouco, passa a ler com óculos. E seu "adorável sotaque" se acentua. Bebe conhaque e fuma cigarrilhas cubanas. Já não corrige as empregadas, não adverte, não aconselha. Fascinada por Hitler, depois da derrota da Alemanha na Segunda Guerra, ela não mais sairá da Biblioteca.

Toda essa gama de informações sobre ela ao longo dos três romances não a deixa, porém, menos distante. Porque personagem talhado a partir de uma focalização externa, dela tudo se presume e muito se ignora. Por algo de sua aparência, eventualmente por seu traje, por um hábito ou gesto ou expressão é que ela é dada a conhecer.

Nas páginas dos três romances, é uma figura esmaecida e guardando o mistério de suas motivações interiores. No entanto, é ricamente plena de significados que ultrapassam as simples funções e os simples perfis romanescos.

Cecilia Zokner. Literatura do Continente. O Estado do Paraná. 12jan1997.


UN CHÂTEAU DANS LA PAMPA [Perversas famílias] - un extrait.
Traduit du portugais par Florence Carboni .

Ainsi que João Felício l'avait imaginé, le chargement du basalte destiné aux fondations du Château éreintait les bœufs; c'était là même, à São Felício, que la pierre noire était polie et transformée en blocs cyclopéens par des tailleurs de pierre qui travaillaient sous la treille de Santa-Fé(1), tout près du chantier, et qui, tapant leur maillet sur le ciseau d'acier, faisaient jaillir des éclats et des étincelles de la roche noire; ensuite, les hommes qui creusaient ouvraient des tranchées rectilignes, très profondes, dans lesquelles ils disparaissaient complètement, seuls leurs chapeaux restant visibles, le maître d'œuvre les incitant à creuser plus, conformément aux indications d'un pieu criblé de mesures; d'un côté, les ouvriers lançaient les gros blocs à l'aide d'un filet de cordes en chanvre tressé, grosses comme le poing, les jetant dans le fossé un peu humide, attendant la venue du maître, omniprésent, qui mesurait le niveau et prescrivait les retouches nécessaires, réalisées grâce à des pierres plus petites, s'assurant qu'elles fussent bien juxtaposées, comme deux lèvres parfaitement unies: c'était un fourmillement d'êtres, qui se révélaient plus ou moins ignorants, plus ou moins rusés, tous avides d'interminables rôtis de mouton, tous joueurs de guitare et d'harmonica, tous installés dans les dépendances de l'estancia avec l'aisance de légitimes propriétaires, supportant sans mot dire les provocations du maître d'œuvre et finissant invariablement la journée en soûleries monumentales à la cachaça(2), qui faisaient naître de l'inquiétude quant à la poursuite des travaux. Des pluies printanières tombaient encore, risquant de faire chômer pendant une semaine ce curieux bataillon, le renvoyant aux histoires racontées autour du feu et à de nouvelles beuveries et aux mélodies accompagnées à la viole. Avec le retour du beau temps, les travaux reprirent avec une ardeur frénétique, comme si le maître d'œuvre avait voulu triompher de la nature. Le Château, ou plutôt ses fondations, prenait enfin forme: une ébauche d'angles droits, très prometteurs, s'unissant à des murs naissants, si épais qu'ils permettraient d'étouffer les délires de Dona Plácida. Les veines de João Felício étaient parcourues d'une voluptueuse extase lorsque le maître d'œuvre déployait le plan du Château, lui montrant où en étaient les fondations: une vaste esplanade, ouverte juste au-dessus de l'ancienne baraque de Bento Maria, démolie à coups de pioche. Le Château serait si grand qu'il pourrait contenir plus de cent personnes; la salle à manger s'étendrait tel un salon royal; les chambres à coucher comporteraient cent lits; mais ce qu'on discernait surtout, c'étaient les deux tours, déjà majestueuses, sous la forme de quadrilatères identiques, placés à chaque angle de la façade. La fantaisie de João Felício complétait ce que les yeux ne pouvaient voir et, pour lui, ces deux tours crevaient déjà les cieux, si limpides en cet instant précis. Il les distinguait, solennelles et romantiques: ce serait le royaume de Dona Plácida et la sépulture des jalousies régressives, plus atroces peut-être que les véritables et actuelles - que, du reste, il ne connaissait pas.

Ce qu'il connaissait, c'était la hâte: il se trouvait jeune, bien que d'une jeunesse dévastée, et peut-être n'était-il pas loin du bonheur tant attendu. Il s'emportait contre le maître d'œuvre, il vomissait des injures chaque fois qu'il croyait entrevoir quelque obstacle: et des obstacles, il y en avait! Les pierres venaient d'un endroit se trouvant à quatre jours de là, aux confins éloignés de sa fabrique de viande séchée, et c'était la raison des exaspérantes interruptions. Il décida d'acheter de nouvelles charrettes et embaucha d'autres hommes; c'est ainsi que sur le chemin qui conduisait à São Felício, on voyait toujours des voitures qui allaient et venaient, dans un affairement qui étourdissait les riverains: en voyant ce va-et-vient, ils se posaient des questions, chacun voulant donner les explications les plus plausibles à une telle nouveauté. " Une histoire de fou ", disaient certains; d'autres, sûrement parce que João Felício représentait encore un voisin qu'il fallait flatter et de qui il convenait d'obtenir des faveurs, rectifiaient en affirmant " peut-être est-il simplement en train de transformer son estancia ". Ce qui est sûr, c'est que les mauvais buveurs et les mauvaises langues jasaient: João Felício construisait une citadelle pour cent hommes armés, dans l'intention de déclarer la guerre au gouvernement provincial - une absurdité telle que les plus sobres les faisaient taire à coups de poing. Des révolutions, ils en avaient vues assez et, heureusement, les dagues du dernier conflit rouillaient aux murs des étables. Ces rumeurs arrivèrent aux oreilles de João Felicio, qui ordonna de placer des gardes sur toutes les routes de l'estancia, faisant lui-même la garde, le pistolet à la ceinture, comme un bandit. Seuls les charretiers et leurs charges pouvaient entrer. Les enfants eux-mêmes, si tapageurs et indiscrets, n'étaient pas admis au-delà des portails. On créait ainsi une légende et il n'était pas rare que, le soir, les voisins distinguent l'ombre de João Felício sur son cheval, longeant les longues clôtures de pierre que démarquaient les limites de sa propriété. Une fois, l'intendant de l'estancia voisine se hasarda à épier, monté sur une branche de figuier; les hommes de João Felício lui ordonnèrent d'en redescendre et, face à son refus, tirèrent des coups de feu en l'air; à un tel acte d'extrême insolence, il fut répondu par de nouveaux coups de feu et João Felício dut écrire une curieuse missive à son voisin - un baron -, afin d'éclaircir les choses. En échange, il reçut une autre lettre dans laquelle le baron l'envoyait au diable, rompant ainsi des relations de voisinage toujours courtoises, bien que distantes.

- Hé bien qu'il en soit ainsi, brailla João Felício. Quel besoin ai-je d'un baron?

Un curé vint le voir; il agitait un mouchoir blanc à une distance prudente, en criant le nom de João Felício. Ils se rencontrèrent au-delà de la palissade, et leur dialogue fut observé de loin: on vit le curé faire demi-tour après avoir étendu sa bénédiction aux travaux qu'il distinguait à peine. Lorsqu'on demanda ce qui s'était produit, le curé répondit seulement :

- Ça ne peut pas continuer comme ça.

Même le contremaître de la fabrique de viande séchée, qui, à intervalles réguliers, venait rendre compte des affaires, même lui était tenu en marge des événements, et, comme il considérait qu'il était plus important de conserver son emploi que de satisfaire une curiosité hors de propos, il se résolut à prendre congé, rentrant à São Gonçalo plein de doutes sur l'équilibre mental de son patron.

Le fait est que personne, excepté le maître d'œuvre et João Felício, ne savait exactement ce qui était en train d'être construit. Leurs entretiens avaient des accents de conspiration et ils ne parlaient qu'au travers de codes scabreux.

João Felício savait cependant que, vu le goût du ragot de ce gens sans feu ni lieu, son secret ne pourrait être longtemps gardé. Il convenait même d'admettre que tout ce délire de construction pouvait fort bien être déjà arrivé aux oreilles de sa femme, et il s'empressait lui-même d'envoyer à Pelotas des rumeurs d'incroyables marquages de bétail, de réparations de palissades, de traitements spéciaux à un verger mystérieux, d'achat de bétail, enfin, tout ce qui aurait pu justifier aux yeux de Dona Plácida un tel remue-ménage.

La nuit, il avait des poussées de fièvre et se réveillait à soubresauts, imaginant que tout avait été découvert et rendu public et, dans ces moments-là, ses doutes prenaient des proportions de catastrophes et une idée diffuse lui venait à l'esprit : il n'arriverait pas à finir le Château. Cette idée lui vint tout d'un coup, un dimanche, alors qu'il venait de sortir de son lit. Les travaux avaient été interrompus pour le jour du Seigneur et il se retrouvait à la merci de lui-même, lié à son vœu fantastique. Pourquoi ne pas le dire à sa femme? À quoi bon ce caprice, si ce n'était l'occulte perversité de pouvoir un jour dire à Dona Placida: " viens, on va à São Felício, je voudrais te montrer quelque chose " et découvrir ensuite, dans la profondeur des yeux de son épouse, un Château beaucoup plus grand et plus beau que les obscènes châteaux du lac de Genève. Oui, mais où était donc la gloire de tout cela? Où en était la grandeur?

Ce dimanche-là, il se leva, essayant de se débarrasser des ombres qui se mêlaient dans son âme. Il alla dans la galerie. C'était un jour de début d'été qui se levait; au sommet des buttes encore sombres de la nuit apparaissait déjà une certaine clarté. Le silence était brutal, l'air lourd de vapeur et de somnolence. Du coté du levant, sans nuages, l'Étoile luisait encore d'un éclat malade de fatigue. Il cria vers l'intérieur de la maison, on lui apporta son maté, il s'assit et resta ainsi jusqu'à ce que le soleil surgisse, teintant de sang ses mains et ses bras, se reflétant dans le métal argenté de sa bomba(3) de maté. C'est vrai, il ne parvenait pas à contenir ses idées: homme pratique jusqu'à cet instant de sa vie, il se voyait coincé dans un projet monstrueux, un péché peut-être, et, pour justifier une telle entreprise, il ne trouvait que des arguments extravagants. Il pensa même à tout arrêter, tout oublier, rentrer à Pelotas, à la fabrique, assumer ses devoir d'homme digne. Il essuya la sueur suspecte qui coulait de son front, jeta un coup d'œil aux travaux - et se rendit à l'évidence: il avait été trop loin pour abandonner. Les murs, peu nombreux, mais inexorables, étaient là et le narguaient. Il fit réveiller le maître d'œuvre et, devant cet homme ensommeillé, il proféra une série de récriminations: les travaux prenaient du retard, l'hiver était proche et rien n'était prêt, qu'il appelle plus d'ouvriers, qu'il trouve dans les environs un endroit où se procurer des pierres pouvant servir, qu'il se matérialise en échafaudages. Il écouta, avec impatience, des explications qu'il ne voulait entendre. C'était trop fort! Il dépensait des centaines de contos et n'avait aucune autorité sur les travaux.

À midi, le maître d'œuvre fut tiré d'affaire grâce à une visite. Les nerfs tendus, ils prirent connaissance de l'arrivée de l'Evêque.

Dom Felício arriva sur son cheval bai, se plaignant de la chaleur et de la faim. Il portait des habits civils, des bombachas(4), des hautes bottes et une sorte de poncho en soie. Il avait été escorté par un des ouvriers de l'estancia et amenait avec lui un jeune garçon, qui mit pied à terre et alla s'occuper des chevaux. Ils s'embrassèrent, João Felício lui trouva bonne mine. Avant de s'informer de la raison de sa visite, il lui demanda comment il était parvenu à arriver jusque-là. En enlevant son poncho, l'Evêque confessa candidement qu'il avait promis un châtiment terrible post mortem à l'homme qui voudrait l'empêcher de rentrer dans la propriété. Ils en rirent et João Felício le fit conduire jusqu'à la chambre d'amis et ordonna qu'on lui prépare une aiguière et un bassin d'eau chaude.

À table, Dom Felício dégusta un délicieux ragoût et but de longues gorgés d'un vin qu'il considéra à peine médiocre. Au moment où furent servis les fruits cuits au sirop, João Felício était en train d'essayer de déchiffrer l'expression impénétrable de l'Evêque, mais ce dernier conservait le même sourire, tout en parlant de choses et d'autres: ses moutons commençaient à engraisser, après les bonnes pluies du printemps; il avait l'intention d'acheter le champ mitoyen, mais les propriétaires refusaient de le vendre; il avait ouvert une sanga(5) qui se bouchait; il avait confirmé à Pelotas...

- Mais, dites-moi..., se hasarda à dire João Felício.

- Oui, je suis bien venu voir cette extravagance, déclara brièvement l'Evêque, en écartant son assiette. Ils entamèrent une conversation tendue: à Pelotas, tout le monde en parlait; sur les rives du São Gonçalo, dans la province, peut-être même à Porto Alegre, on disait que le propriétaire de São Felício avait perdu la raison, qu'il épuisait ses bœufs sans compter, qu'il dépensait des fortunes pour une œuvre gigantesque sans la moindre considération pour sa femme, qu'il avait abandonnée.

- Je ne l'ai pas abandonnée. Elle est chez nous, avec Olímpio.

- Avec un enfant, sans mari. Rentre chez toi, mon garçon. Mais en fin de compte, qu'es-tu en train de construire ici?

João Felício raconta alors chaque chose dans les moindres détails. Il se sentait soulagé en le faisant. Au fur et à mesure qu'il narrait les mois passés, les projets, il pénétrait dans une espèce de limbe, comme si le long récit avait eu le don de rendre les choses plus légères, de les justifier. Lorsqu'il s'arrêta, il s'entendit dire:

- C'est vraiment une insanité. Laisse donc tomber cette idée.

- Je ne peux pas.

Le café fut servi. Ils le burent en silence.

- Je veux voir cet ouvrage, dit l'Evêque.

Ils s'y rendirent à pied, des chapeaux les protégeant du soleil. João Felício fit le tour des lieux, considéra l'avancement des murs, s'assit à un des angles de la future tour de droite.

- J'en suis stupéfait. Je ne pensais pas que tu avais encore besoin de ces démonstrations extérieures de richesse. C'est de l'ostentation qui offense le Seigneur, de la provocation. La maison de Pelotas ne te suffit donc pas?

- Non. Elle ne suffit pas.

Comment expliquer, et de surcroît à un évêque?

- Non. Elle ne suffit pas.

Et João Felício, sans arguments, commença à parler, marchant d'un coté à l'autre, le long du mur, tapant sur chaque pierre avec la jointure des doigts, perdant petit à petit son calme. C'était sa Grande Aventure, celle à laquelle il jugeait avoir droit; c'était un homme d'honneur et il s'était toujours acquitté de ses obligations envers l'Église; il ne supportait pas qu'on l'empêche de poursuivre son œuvre; il allait la terminer, même si ce devait être la dernière chose qu'il ferait dans ce monde - et il commit alors l'erreur fondamentale de sa vie : il voulut démontrer qu'il la finirait, même si ce devait être avec la force de ses bras, et en disant cela, il prit une corde, avec laquelle il fit le tour d'un de ces blocs de basalte et, déjà bouleversé, se jeta dans le trou où les pierres s'accumulaient. Il n'entendait pas les supplications de Dom Felício pour qu'il sorte de là et, du fond, il commença à tirer l'énorme pierre, l'Evêque hurlant que c'était de la démence. João Felício continuait quand même à tirer, l'ombre écrasante de la pierre oscillant au bord du trou, João Felício vociférant que comme ça il finirait le travail, avec la force de ses propres bras, et que personne n'allait l'en empêcher. C'est alors qu'à travers champs, on entendit un lourd fracas, suivi d'un hurlement de douleur. Dom Felício criait, des hommes accoururent, à moitié saouls du déjeuner et donnèrent un coup de main afin que Dom Felício puisse descendre dans le trou pour administrer l'extrême-onction à celui qui gisait écrasé sous la pierre et qui, cependant, ne mourait pas, râlant sans vouloir s'arrêter, allant vers une mort animale, devant l'angoisse des hommes qui criaient la meilleure manière de le tirer de là. Après la rapide extrême-onction que l'Evêque prononça entre la rage et les larmes, croyant à peine qu'une telle chose ait pu arriver vraiment, le maître d'œuvre, qui gardait son calme, ordonna à ses hommes de retirer la pierre. Ce fut ainsi qu'au milieu d'interjections et d'injures on découvrit le corps de João Felício, miraculeusement intact, avec toutefois un effroyable ramollissement d'os brisés. Ce fut ainsi qu'on le déposa dans une charrette dont on enleva le banc à ressorts; sortant du trou, Dom Felício ordonna qu'on parte sans plus attendre pour Pelotas, en prenant soin d'éviter les irrégularités du sol.

Ils entrèrent dans Pelotas comme une procession de Vendredi saint, l'Evêque en tête, sur son cheval bai, suivi de près par la charrette du moribond qui montrait des moments de conscience et gémissait, d'une lamentation à donner des frissons. Il se dirigèrent vers la demeure de João Felício. Dom Felício raconta à Dona Plácida ce qui venait de se passer; Dona Plácida en resta raide, sans moyens; il fallut que la gouvernante s'occupe de faire conduire João Felício jusqu'à son lit. Le médecin arriva, s'occupa des petites blessures apparentes, enveloppa les membres brisés et, se lavant les mains dans le bassin, conclut qu'il était trop tôt pour dire quoi que ce soit quant au futur, mais que, s'il survivait, João Felício demeurerait indubitablement paralysé. Il s'ensuivit des journées de fièvre, la demeure se retrouvant pleine de gens comme lors de funérailles, la légende de João Felício se révélant entre les exclamations suffoquées d'incrédulité. Un château? C'était donc bien un château? Dom Felício appela Dona Plácida et, plus calme, blâma l'extravagance de son mari qui s'était ainsi lancé dans une idée de rêve et qui, non content, avait en plus fait cette folie de vouloir traîner la pierre qui aurait pu devenir sa sépulture.

- Ce fut un châtiment de Dieu, résuma-t-il. On ne construit pas un château.

Lorsque João Felício donna, un après-midi, des signes qu'il survivrait, ouvrant des yeux éteints, reconnaissant les murs de sa chambre, il entendit de Dom Felício qui veillait :

- C'est la volonté de Dieu. Oublie cette idée. Ainsi, le premier geste de résurrection de João Felício fut un faible signe de tête, acquiesçant.

Il ne fut plus jamais le même homme et pas seulement parce qu'il se déplaçait désormais dans un fauteuil, auquel on avait ajouté des roulettes et qui le conduisait à toutes les dépendances de la maison, bien qu'il préférât rester dans le salon, près de la fenêtre; il avait perdu la lumière de la vie, dans une convalescence faite d'amertume. Dans sa première semaine de vigueur relative, la première chose qu'il fit fut d'appeler Camille Arnoux, qui avait déjà fini la maison d'à côté. Il lui vendit la fabrique de viande séchée de São Gonçalo. Il négocia avec un remarquable manque d'enthousiasme, avec une urgence telle qu'elle lui valut du Français un remerciement insipide, presque féminin. Sur les genoux, on lui mit un planche; sur la planche, le registre où João Felício apposa sa signature sans la moindre hésitation, regardant distraitement le geste du notaire qui répandait du sable sur l'encre humide. La vente fut scellée par un morne toast au porto et Camille Arnoux répéta mille fois qu'il ferait poursuivre les travaux de la fabrique avec la même assiduité, il ajouterait seulement certains modernismes - la machine à vapeur, certainement. João Felício l'écouta sans trop d'attention, faisant comprendre à tous, par son mutisme délibéré, qu'ils pouvaient se retirer; il prit congé d'une voix ténue et cet après-midi-là, il demanda à sa femme de s'asseoir au piano, pour " jouer des air bien allègres, de ceux sur lesquels on dansait autrefois ".. Dona Plácida lui obéit, observant sans arrêt son mari, indifférent à ce qu'il entendait, les mains affaissées sur les bras du fauteuil.

Quant au maître d'œuvre, João Felício refusa de le recevoir pendant des semaines; il fallut que le notaire vienne le voir et lui fasse comprendre les complications qui s'annonçaient: les ouvriers demandaient à être payés pour tout le temps qu'ils étaient restés à disposition - en un mot, il fallait régler les comptes et conclure définitivement les travaux. Levant la main droite d'un air ennuyé, João Felício fit comprendre qu'il consentait, mais précisa qu'il ne s'en occuperait pas personnellement: il octroya une procuration au notaire pour qu'en son nom il mette fin à tout. Il signa la procuration et tomba dans une léthargie de quelques mois. Il feuilletait un livre illustré appartenant à Dona Plácida, s'attardant sur les gravures de châteaux - il fallut que l'Evêque, lors d'une de ses visites, le lui ôtât des mains en lui interdisant, en sa qualité d'ami, de le reprendre. Il n'était pas obligé de se mortifier de la sorte; Dieu, c'était sûr, lui avait déjà pardonné son péché d'orgueil, et ce serait un péché plus grave encore que de vouloir rester dans cette pénitence arrogante. À la surprise de tous, João Felício se soumit, restituant le livre, posant la tête sur le dossier du fauteuil, épuisé par des siècles de fatigue.

Seul Olímpio parvenait à le faire parler un peu: João Felício prenait son fils sur ses genoux et lui faisait prononcer les nouveaux mots qu'il avait appris, suivant de près son apprentissage et prenant des notes de tout dans un cahier. Olímpio ne disait plus de gros mots, il les avait remplacés par des vocables plus sociables. Et João Felício lui en enseigna d'autres, qui furent vite appris.

Alors que l'hiver suivant prenait fin, la maison recommençait à avoir des visites, timides d'abord, s'habituant vite à voir dans son salon l'ombre inoffensive et taciturne de João Felício. Le mercredi, on jouait au tric-trac et on fumait, après avoir dégusté des gâteaux et du café. Finalement, Dona Plácida jouait du piano et les visiteurs prenaient congé de João Felício, par um serrement de main rapide et formel, auquel João Felício commença cependant a répondre, à proximité du Nouvel An, avec une chaleur hésitante. À partir de ce moment, on estima qu'il était guéri, tout au moins dans l'esprit.

Mais il ne l'était pas: Dona Plácida s'inquiétait de la manière distraite avec laquelle il portait la cuillère de soupe à sa bouche, en renversant des gouttes sur sa poitrine. Elle faisait en sorte qu'on le conduise dans le petit jardin et là, sous les feuilles tendres de la treille, elle lui lisait des passages choisis de romans, qui se transformèrent vite en livres. De vive voix, elle lui traduisit Le Génie du Christianisme, lui expliquant les passages les plus obscurs. Parfois, pendant la lecture, Olímpio venait se nicher aux pieds de son père et restait là, la tête penchée, attentif au son des mots; il s'endormait ainsi, et la mère et le père l'observaient tendrement et la lecture était interrompue pendant un instant pour reprendre sur un ton plus bas. Après Chateubriand, Dona Plácida voulut lire des poèmes, mais João Felício refusa: il ne les comprenait absolument pas et, qui plus est, les considérait comme une perte de temps - lui qui disposait de tout le temps du monde. Un après-midi, alors que Dona Plácida se hasarda à commencer La Dame aux Camélias, il y eut une agitation insolite devant la maison: les deux lions arrogants, commandés depuis longtemps au Portugal, arrivaient enfin, dans des caisses rembourrées de sciure de bois. João Felício insista pour surveiller personnellement tout le travail d'ouverture des caisses et voulut s'entendre avec le maçon pour la disposition des lions. De son fauteuil à roulettes, il coordonna, avec un sourire incrédule, l'élévation des deux animaux à leurs postes sur des piliers, une ascension laborieuse, réussie grâce aux cordes et aux bras de trois serviteurs, sous le regard de Camille Arnoux et de tout le voisinage. C'étaient deux merveilles de férocité immobile, les griffes dressées en l'air et les gueules grandes ouvertes.

- Ces lions sont mon image, dit João Felício.

Il resta un instant méditatif et se retourna ensuite vers sa femme:

- Maintenant, ce cadeau que j'avais pour toi est vraiment prêt.

Camille Arnoux fit l'éloge de la beauté des lions, les autres en firent autant, et même le président de la Chambre, qui passait para là, vint féliciter les propriéteires de la maison, qu'il baptisa Résidence des Lions. Pour la première fois depuis l'accident, João Felício éprouva quelque chose ressemblant à de la joie.

Et cette nuit-là, également pour la première fois dans de telles circonstances, João Felício s'unit à sa femme - un acte pénible, embarrassant, mais complet.

Le temps passa, les lions acquirent une fine patine de mousse et Olímpio commença à lire et à écrite.

L'Evêque, sentant qu'il n´avait plus la force de commander personnellement tous les travaux de son estancia, acheta une petite maison dans une des rues qui débouchaient sur la place et commença à donner des leçons à l'enfant.

Lorsqu'Olímpio commença à apprendre le latin, João Felício eut la fantaisie de lui montrer les ruines du Château. Il démonta un à un les arguments de sa femme, de Dom Felício et du notaire et, après qu'il eut fait préparer une charrette pour lui et deux autres pour sa suite, tous se mirent en route.

Lorsqu'ils arrivèrent aux limites de son estancia, annoncée par une grille où accoururent le contremaîre et sa famille, João Felício voulut qu'Olímpio vienne s'asseoir près de lui et ils furent ainsi les premiers à distinguer les pierres du Château, desséchées par le soleil et recouvertes de lierre. Ils s'approchèrent et les autres se hâtèrent: il fallait prendre garde à ce qui aurait pu arriver. Mais João Felício montrait de la décision et, lorsqu'ils se trouvèrent près des fondations de la tour droite, il demanda qu'on le fasse descendre de la charrette et, s'appuyant aux bras de deux hommes, il fut conduit jusqu'à la première rangée de pierres, s'y agrippant comme à une balustrade. Il appela sa femme, il appela son fils et mit la main sur l'épaule de ce dernier. Ivre de nostalgie, il dit à Dona Plácida:

- C'était ça que je te préparais. Dieu n'a pas permis que je finisse.

Dona Plácida voulut dire quelque chose d'important, mais la compassion pour cet homme l'accablait. Elle murmura à peine :

- Pour moi, c´est comme si c'était fini... quelle folie.

João Felício se pencha sur Olímpio:

- Un jour, ce sera à toi de le finir.

Olímpio contempla l'immensité des pierres; et la fatigue, le soleil et tout cet apparat l'étourdirent un peu et il voulut s'en aller. Son regard fut attiré par um lézard marron qui, s'enfuyant, alla se cacher dans une fissure. Et la lame d'une sueur subite descendit le long de la colonne vertébrale de l'enfant.

Le soir tombait lorsque João Felício ordonna que tout le monde se rende à l'estancia. Après le dîner, l'Evêque raconta des histoires amusantes sur ses paroissiens et le notaire improvisa la déclamation de quelques vers. Dona Plácida ne dit pas un seul mot, mais à l'aube, dans des draps sentant le renfermé et sur un lit grinçant, elle reçut en elle la semence affaiblie qui, écoulés les mois nécessaires, ferait naître cet enfant à qui Dom Felício, obéissant à un caprice de son esprit classique, donna, sur les fonts baptismaux, le nom d'Arquelau. João Felício n'eut pas la joie de profiter de cette paternité tardive: il mourut en automne, sans avoir jamais soupçonné que les quelques douleurs qu'il avait à l´estomac se transformeraient en um cancer fulminant. Il mourout au lever du soleil et sa dernière sentence fut un grognement que l'Evêque traduisit ainsi :

- Je meurs heureux.

Extrait originalement publié dans la revue Liberté 211, Volume 36/Numéro 1/Février, 1994. Montréal (Québec).

Notes:
(1) Plante grimpante. (N.d.T.)
(2) Eau-de-vie à base de canne à sucre. (N.d.T.)
(3) Récipeint dont se servent les gauchos pour prendre leur maté, qu´ils aspirent à l´aide d´un petit instrument spécialement conçu à cet effet. (N.d.T.)
(4) Pantalons typiques portés par les gauchos. (N.d.T.)
(5) Petit cours d´eau. (N.d.T.)


A CASTLE ON THE PAMPA - Chapter I
Latin American Literature And Arts, vol. 53.
New York (USA)

The great innovation, the great shock, the real delirium: a castle built under the Republic, erected in the very heart of the pampa of Rio Grande do Sul. A castle with battlements and two towers, a castle visible from far away like a medieval shadow whose tenacity crushed the incredulous by taking on a physical shape in its elevated stature. An architectonic prodigy, it was the product of proud Portuguese masonry, carved at the secular feet of Alcobaça and brought over in a bouncing ship carrying a stony ballast of bricks and tiles and raised here in the place marked out by a French artist.

The rest came from here - cubes of basalt and sand-stone, moldings made of ironwood, cremone window and door bolts made of stainless steel and, for the interior rooms, coronilla floors and marquetry of several other kinds of wood. For the delight of the eyes, there were Belgian windows with ardent patterns of entwined Art Nouveau branches; over the windows hung curtains of silk and damask which, contrary to what one might expect, did not "sweetly mitigate the torrid light of summer" but instead submerged the Library - two stories, divided by an iron stairway - in a suffocating darkness more appropriate for the lucubrations of the Doctor than for a careful reading of the 25,000 volumes bound in pale green Morocco and stamped with 12-carat gold letters.

There was a maritime coolness in the generous bath-rooms decorated with scenes of tritons pursuing pulsating nereids with breasts as round as oranges - they were the realm of long bubble baths as well as colossal defecations and intriguing vomits. They were also the boys' redoubt for solitary pleasures, aid and refuge of horrified maidens as they watched their first blood flow. There as well the adults stared at their faces in bronze-framed mirrors which over time lost their capacity to reflect and projected pathetic, yellow leprosy onto horrified faces.

In the kitchen, there were the ineffable aromas of laurel, washcloths, and lard. The cooks, some agile, some clumsy, all women, surrounded the enormous stove with the delicacy of vestals celebrating the horrible rites of stomachs, mixing century-old recipes with new ones brought from Portugal, England, France, and Germany. Because in the Castle, there was no disdain for popular culture: so the greasy legs of lamb and stews with pumpkin alternated with platters of vol-au-vent and puddings of undecipherable taste.

On Tuesdays and Fridays, when Portuguese could be spoken at table, all the food was of domestic origin; on the other days of the week, the luncheon menu corresponded to the authorized language. This caused the Castle to change nationality daily, which slightly disconcerted visitors. The Tower of Babel was in effect on Sundays, that biblical image reinforced by the Latin brought in by the Vicar of Aguaclara, who after saying mass to the contrite family in the chapel, dared to suggest to the doctor that he concede a moment to the language of Cicero, quo usque tandem abuter, Catalina... But not everyone understood him, except, of course, for the Doctor and the Countess. The rest, seated at the enormous table, much larger than the family needed, wisely nodded agreement with everything said.

The discomfort was aggravated by the circumstances: The priest had heard everyone's confession before mass - except, of course, the Doctor's - so he knew all their deep, perverse faults. It was, therefore, appropriate he maintain a discreet distance. The Doctor's brother, the Drunkard or Astor, only confronted the Vicar after his third glass of wine, mumbling out a macarronic Latin: intendus, vigarius, intendus... But not only that: He belched and farted, driving the Doctor wild. With a trembling finger, he would expel him from the table. The Drunkard would then stand up and make a small bow to the Countess, who turned to look at him. Then he would go into exile in his tower, where he continued his celebrations.

At the table, on the floor below, an embarrassed silence ensued, broken only by the Doctor, who went on to consider the vices, not in the sense of Christian morality, but from the perspective of hygiene and the well-being of the Nation. All nodded in agreement, desolate, except for the children (an epithet only applicable to Selene) who were only waiting for lunch to be over so they could rejoin Astor.

There were three children; they differed so widely in age they seemed cousins: Aquiles, the Animal, was the oldest; he broke bones by just looking at them and had just embarked on an interminable - as it would turn out - engineering program in Porto Alegre; Proteu was just emerging from a lost adolescence. He had once spent an entire afternoon watching an eggshell suspended in a spring breeze, for which reason he became famous in the Castle: He wanted to be a doctor specializing in childbirth; Selene had braids, and on those Sundays wore doll-like shoes with tiny black satin ribbons. She had the worn profile of an effigy, but seen from the front - when she smiled, when the light fell on her face from a favorable angle, when people were in a good mood - they said she was a "very beautiful" girl.

"Very well, if we're all finished, let's leave the table," the Doctor would say at the end.

If the weather was fine, they would sip their coffee on the Esplanade, a quadrangular veranda or terrace connected to the dining room by three doors and from which rolling hills were visible as far as the eye could see. However, that view took in barely 20 percent of the Doctor's land. He deliberately did not plant the Countess's beloved plane trees there, just to make the sight of that magnificent percentage possible. A stage to frame the actions of the Castle - always a cave of resistance to something - and to stupefy the politicians who hastened there to present their credentials and to make consultations. The 20 percent impressed visitors from the capital and, to a lesser degree, the neighboring ranchers, who were also possessors of huge properties, but without the nobility of the Castle. Those poor people had to content themselves with living in the rectangular, extremely long, one-story houses, with pitched roofs that they'd inherited from their ancestors, houses as rough as nature on the pampa and always smelling of mold. On the rainy, cold days of winter they had to content themselves with staring at the rain through the windowpanes with no other amusements, and they envied - ah, if they were only literate! - the Library with its 25,000 volumes.

They would drink their coffee, smoke their cigars, and then the Castle would be completely darkened for the silent siesta. The Vicar, absorbed in his virtue, would amuse himself in the grove of plane trees, enjoying their coolness, reciting the words of the Mantuan poet, sub tegmine fagi. Afterward he would take great pleasure in doing some good, visiting the nearby cottages, consoling the afflicted, and making supportive speeches to widows. When he returned, he would wave to the bright red face of the Drunkard, with a touch of sympathy for that poor devil who would appear at the window of the north tower and return his wave with a hairy and still shaky hand.

Then it would be time for tea, which another brother of the Doctor, who lived on the next estate, invariably attended. Arquelau did not come alone but with his wife, Beatriz, a vain city-dweller of scandalous loquacity and subtle ways of telling truths, or at least her truths: Beatriz, her hair arranged in an impeccable chignon. Arquelau, equally outspoken, woke, one by one, everyone in the house with obscenities shouted at their windows while with a piece of wood he made as if he were playing a marimba on the shutters. Little by little, the faces began appearing, round, puffy with sleep. The servants ran to open the umbrellas set into the floor and slid the rattan chairs into the shade.

The Doctor, his eyes hidden behind the blackest of sunglasses, initiated the conversation, pleasant at first but becoming ever more serious as they approached the subject of politics: Did the Big Positivist Rat intend to hold all Power in the state forever? Arquelau buzzed in a choleric rattle, not content to call the Supreme Legislator Big Rat but adding Dead Meat, Mr. Big Dick, and, begging the Countess's pardon, Cat Shit. Beatriz burst out laughing, the Countess pretended not to understand, and the Vicar turned almost as pale as the small English porcelain cup he held between his fine fingers.

But then everything degenerated with the arrival of Astor, whose breath was enough to put the dogs in a daze. He poured himself into a chair, making the back moan. He too wore dark glasses, and, his thick hand clutching a chambray handkerchief, he wiped the sweat off his head and neck. He had no opinion, they were all a pack of thieves - a comprehensive designation that included the entire political spectrum of the State. That lack of sensitivity irritated the brothers and amused Beatriz. For her part, the Countess ignored him, not only for those things but for owning lands - also nearby - rented to a debauched and vile person, with a vile family and a vile past.

Those Sunday afternoons ended with a presentation, that is, an energetic summons so the children could show the visitors how plump they were, how ruddy, and how they'd grown imperceptible millimeters during the previous week. The Animal, or Aquiles, using his academic status as a pretext, successfully extricated himself from the ceremony and came to sit, putting his feet up, along with the adults. He was just beginning to enter into arguments and had already acquired the airs of a provincial congressman:

"The best thing to do with the Big Rat would be to give him a good whipping."

That made the Drunk laugh and aroused admiration in Arquelau. The Countess's teacup trembled a bit.

As for the Doctor: he became angry at so many vulgarities, alleging that politics wasn't to be conducted that way, but with wisdom and culture. And he launched into an hour-long digression on liberal theories, rendering them harmonious with the exaltation for the Marquess of Pombal, that enlightened spirit who found a way to extricate his country from backwardness and to set it moving on the path toward new times. At that instant, they all fell silent, distracted by the summer flies and the movements of the servants, who were passing around trays with corn cakes and rice pudding. The Vicar, who did not find God in those dissertations, tried to take part from time to time, but by the end he too fell silent, worn out. When the monotonous voice finally faded, the listeners stared at one another, astonished they'd been able to withstand so much. The sun, already setting, turned the Doctor's face to gold. Fifty years old, he was a handsome man, with a handsome head, and handsome and thick graying hair, as well as a semi-Viking mustache. He was the very image of an ancestor, and the many years that separated him from the Countess seemed to be 20, 30, and the recent Argentine exile left him even more ancient.

"Very well," he would say, getting up and thus declaring the family meeting over.

Arquelau and Beatriz said good-by and walked toward the carriage that awaited them, the coachman drowsing under the chinaberry trees. They also carried away the Vicar - after they reached their own ranch, they ordered the coachman to drive the priest to his parish and to the many tasks that kept him busy throughout the week.

Then the tedium began: The Countess went to embroider, the Doctor withdrew to his Library, the children went off to prepare their school lessons, the Drunkard went toward the decanter of sherry, and Aquiles went to satisfy his concupiscence at the lost cottages previously visited by the holy man. The girls who were spiritually consoled in the afternoon now found another kind of consolation, more physical and earthly.

At eight it was time for the rosary in the chapel, for which the serving staff was also convoked, filling it up. The images of the saints - idolatry in the eyes of the Doctor - received flowers and candles. At the end, when the voice of the Countess said the final Amen and prayed for the soul of Franz Joseph I, dead barely four years earlier, everyone was nodding.

The final light to be extinguished was the Doctor's gas lamp. With the taste of mallow tea in his mouth, he strolled toward his room, where he slept, alone, a perfect sleep of six hours.

And through the corridors wandered Sin.

Fonte: New York (USA): Latin American Literature And Arts, vol. 53.


PEDRA DA MEMÓRIA
Segundo volume da série Um castelo no pampa
Mercado Aberto 1993 - em 3ª edição

Com este livro, Luiz Antonio de Assis Brasil dá a continuidade à série Um castelo no pampa; aqui vemos o desenvolvimento da trama iniciada em Perversas famílias, e seguimos a trajetória vertiginosa do Doutor Olímpio, no período que vai da proclamação da República ao final da revolução de 1923. Mas não só: assistimos ao desenrolar das paixões do conflituado Proteu, a busca da felicidade de Páris e as mil peripécias por que passa o bastardo Astor, além de conhecermos as pequenas vidas dos serviçais do Castelo. Utilizando como cenários Lisboa, Londres, Buenos Aires, Viena, Porto Alegre, Pelotas e o pampa, o autor tece uma trama em que cenas de batalhas gaúchas se alternam com momentos pungentes e episódios burlescos.



UM CONTADOR DE HISTÓRIA À MODA GAÚCHA
Regina Dalcastagnè*
Correio Brasiliense
, Brasília.

Há dois anos o gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil reerguia, com suas próprias ferramentas, um castelo que um antepassado seu havia construído em meio ao pampa do século passado. Dentro dele, confinou amarguras, medos e desejos. Para representar o drama, convocou grandes personagens, deu vida e mistério a cada uma delas, fez com que o leitor se apaixonasse pela sua história -aristocrática e sofisticada, ao mesmo tempo em que triste e mesquinha. Perversas famílias foi o que de mais significativo se produziu na literatura brasileira em 1992. Ao terminar o romance, ficava a expectativa, alimentada pela promessa do autor, de que a história do Dr. Olímpio e sua família iria progredir. Agora, finalmente, os temos de volta.

Pedra da memória, segundo volume da trilogia Um castelo no pampa, é um convite à bisbilhotice. Não há como resistir à sensação de querer saber mais sobre os habitantes do castelo quando suas portas se mostram escandalosamente abertas.

Nesse romance que, como o outro, é composto por várias linhas narrativas cronologicamente embaralhadas, vivem, basicamente, as mesmas personagens. Estão ali o jovem, depois o velho republicano gaúcho, sua esposa (um condessa austríaca), seus três filhos, o irmão bastardo e bêbado, e o pequeno neto que vai crescendo - um olhar novo e irrequieto sobre aquilo que se transforma na decadente aristocracia do Rio Grande do Sul. São os mesmos, mas já não são os mesmos. Em Perversas famílias, eles eram circunspectos, infelizes, soberbos e misteriosos. Desfilavam suas emoções com uma grandeza operística. Luiz Antonio de Assis Brasil os amesquinhou neste último romance. Não transformou suas personalidades, nem seu jeito de ver o mundo ou sonhá-lo. Apenas nos fez chegar mais perto deles, de sua vidinha ordinária, seu cotidiano indigesto. Em suma, os fez desgraçadamente humanos, destruindo-lhes a máscara do mistério. Assim Pedra da memória não possui a grandeza do livro que o antecede, mas, de uma nova maneira, é irresistível.

Narrador - Luiz Antonio de Assis Brasil é um narrador como poucos no País. Com perfeito domínio da palavra, não faz estilo, conta histórias. Segue o exemplo de um mestre, o conterrâneo Erico Verissimo, que guardou dentro de sua obra um pouco da história e da alma do povo gaúcho. Assis Brasil desenvolve essa linha com independência e originalidade. Esses volumes iniciais de sua trilogia (que na verdade é um romance em três tomos, uma vez que dificilmente se poderia ler Pedra da memória sem ter lido antes Perversas famílias), o aproximam desde já de nomes como João Ubaldo Ribeiro e Autran Dourado, autores que produziram obras-primas graças à arte do bem narrar e que também encontraram na História do Brasil o alimento para suas tramas. Sem malabarismos estilísticos, o texto do romancista gaúcho tem graça e sabor, equilibra bem a ironia e o referencial histórico, possui elegância, enfim.

Pedra da memória tem os mesmos ingredientes de Perversas famílias, mas numa dosagem diferente - o que dá nova envergadura às personagens. Um dos pontos altos do livro é o momento em que o Dr. Olímpio e a Condessa recebem em seu suntuoso castelo um líder revolucionário e seus homens, todos sujos e maltrapilhos. O contraste entre os móveis e modos luxuosos - e importados - dos proprietários e os gestos grosseiros dos combatentes dá conta de uma diferença ainda maior: ali, frente a frente, se encontravam duas mentalidades opostas. Assis Brasil mostra justamente isso em seus dois romances - a convivência de um rio Grande do Sul sangrento e rude, com o outro, muito fino e sofisticado, onde se discutia arte em francês e se recebia com todas as pompas da aristocracia européia. E mostra, também, o quanto esse Rio Grande dependia do primeiro.

Biografia - entendendo-se essa relação, cresce ainda mais a a personagem Dr. Olímpio - que, se no primeiro livro aparece como um homem constrangido pela sua própria grandeza e no segundo deixa-se entrever como um sujeito mesquinho e oportunista, no cômputo geral surge como um homem dividido, que pauta sua existência por sua biografia futura. Preso desde cedo, e por opção própria à posteridade, só lhe resta arcar com sua escolha e passar o resto da vida pronunciando frases ensaiadas e exibindo gestos grandiloqüentes. Seja diante dos colegas republicanos, seja frente à esposa - que combina tão bem com o castelo - junto aos filhos ao à amante, sua postura é sempre a do grande homem, preocupado com o destino nacional e com o ideal de liberdade.

A contrapartida a esse discurso vai aparecendo aos poucos, nos corredores do castelo, nos quartos, no universo privado que contamina o livro e lhe dá densidade. É ali, nos pequenos dramas individuais, na dor cotidiana, que a vida se esconde, se camufla, até o momento em que o espaço acaba e surge então a tragédia. Fraquezas, vícios, medos, tudo toma proporções gigantescas dentro do grande teatro que é o castelo, e acaba por minar suas estruturas. O observador final desse processo é Páris - neto do Dr. Olímpio e dono de uma linha narrativa própria, na primeira pessoa, feita com um humor cáustico e uma ironia hilariante. Na verdade, é a partir dele, da sua curiosidade de menino e adolescente que a vida vai aflorando, se fazendo de novo em meio às paredes de pedras do castelo. Páris é mesmo símbolo e representação da vida junto àquilo que, como encenação, não passava de uma impostura.

Escola de medicina - Como em Perversas famílias, Pedra da memória mistura a suas personagens, vez ou outra, personalidades políticas do Rio Grande do Sul e do Brasil. Nem sempre a integração desses com o elenco restante do livro se dá de forma totalmente satisfatória. Alguns de seus diálogos são duros, empostados demais, marcando uma diferença significativa entre a ficção e a história. O autor parece mais à vontade quando manipula nomes menores, chefes revolucionários de importância local do que quando põe em cena figurões como Borges de Medeiros, Júlio de Castilhos ou Rui Barbosa. Mas isso não chega a comprometer o prazer da leitura, que se renova a cada página virada.

Além de Páris e do Dr. Olímpio, evidentes protagonistas da trama, Proteu - o filho do Doutor - vive seu momento alto em Pedra da memória. No livro anterior ele aparecia como o menino amargurado e o adulto suicida, uma figura envolvida pela tragédia e pela dor. Aqui, seus dramas se delinearam e oferecem um dos mais belos episódios do romance: sua passagem pela escola de Medicina, com o malogrado affair romântico com uma colega. Se Proteu é só sofrimento e conflitos, Páris é seu contraponto, Possui toda a resolução e humor que faltavam ao tio e, com isso, segue vivendo como uma das mais encantadoras personagens da literatura brasileira.

Data: 4 de maio de 1994
Correio 2, p. 5

* Regina Dalcastagnè é Doutora em Literatura Brasileira e Professora da Universidade de Brasília.


OS SENHORES DO SÉCULO
Terceiro e último volume da série Um castelo no pampa
Mercado Aberto 1994 - em 3ª edição

Este romance acompanha a epopéia pessoal do Doutor Olímpio. Despreparado para o declínio, sua personalidade contraditória é atingida brutalmente pelos inúmeros conflitos que sempre evitou encarar, e procura salvação num projeto espantoso. Vemos também a conclusão da história de Páris, que, no dizer da crítica e professora Regina Dalcastagne (Correio Braziliente) trata-se de "uma das mais encantadoras personagens da literatura brasileira": é ele mesmo quem relata as surpreendentes histórias vividas com seus tios Beatriz e Astor, num jogo entre a fantasia e a realidade. Ao lado desses emerge uma notável figura de mulher, que constrói seu destino com obstinação arrasadora.


NO FIM DA TRILOGIA, UMA CRÔNICA DA DECADÊNCIA
Flávio Loureiro Chaves*
Jornal da Tarde
, São Paulo.

Com a publicação de Os senhores do século, Luiz Antonio de Assis Brasil finaliza a trilogia inaugurada em 1992 sob o título geral de Um castelo no pampa. Os volumes precedentes, Perversas famílias e Pedra da memória, dimensionaram a ação no microcosmo do antigo patriciado do Brasil meridional, fazendo-a remontar à saga dos fundadores.

Alcançando agora um momento decisivo do nosso tempo, este último volume fixa o eixo cronológico na Revolução de 30, quando Getúlio Vargas empolga o governo do País. Projetada neste cenário, é interessante a situação do Doutor Olímpio, protagonista de Os senhores do século. Nas trincheiras provinciais, ele já foi um inimigo declarado do ditador, liderando a oposição ao autoritarismo castilhista. Mas, como logo se vê, o mecanismo político é uma engrenagem complexa. Na mudança dos ventos, as alianças partidárias acabam por colocá-lo lado a lado como o governante na privilegiada posição de Ministro de Estado.

No panorama descortinado por Assis Brasil, prevalece então uma sutil ironia, denunciando a visão crítica. Seja qual for a aparente diferenciação ideológica, aqueles que aí comparecem pretendem ser os senhores do século. A própria História logo irá desmenti-los.

Qualquer um deles poderia assumir a onipotência emblemática traduzida por Olímpio a certa altura do relato. "Aqui sou eu que digo como são os novos tempos". No entanto, o que se lê é a crônica da decadência ou, melhor, da ilusão em que trafegam as personagens, numa cadeia de desastres que vai da desagregação familiar à falência dos ideais. Este é o verdadeiro drama.

Percebe-se assim que o "romance histórico" de Assis Brasil tanto mais se fez romance quanto mais deixou de ser propriamente histórico. Aí permanece ainda uma impressionante minúcia atribuindo veracidade ao relato, tudo minuciosamente conferido na bibliografia sobre a tumultuada formação social do Rio Grande do Sul. Embora fiel à exaustiva pesquisa dos fatos, o narrador sabe entretanto que tudo isso não vai além do contexto. As personagens imaginárias nascem na outra margem e não estão aí como ilustração da História, pois evidenciam justamente sua natureza absurda, indicando já uma "visão do mundo".

Este é o motivo pelo qual Os senhores do século está armado numa seqüência cronológica bastante complexa, admitindo a imbricação entre o passado e o presente, misturando intencionalmente as mazelas de uma e outra geração familiar, como se não houvesse sucessão, mas antes a repetição das ilusões.

Creio que também aí está a origem da preferência do autor pelas personagens femininas, a modo de Beatriz e Nini, certamente privilegiadas pela densidade psicológica que adquirem. Trata-se de um universo essencialmente viril e machista, os homens sempre ocupando o primeiro plano do comando social e político. Mas isso se dá apenas no nível mais aparente; no fundo, só as mulheres hão de intuir a natureza trágica da existência. Elas ocupam, assim, o espaço mais importante da narrativa psicológica que afinal predomina nesse jogo de espelhos proposto por Assis Brasil. Pertencem à linha de Ana Terra e Biobliana, no resgate de uma tradição literária cujos antecedentes são respeitáveis.

Propondo a dialética entre a realidade e a ficção, este livro de Assis Brasil melhor esclarece um território emaranhado da criação. Faz ver que não é histórico o romance que procura catalogar a exatidão dos acontecimentos históricos e sem aquele que, instaurando o universo imaginário, atinge finalmente a contradição da História. Eis aí uma das razões da literatura. Dela o autor não se afastou desde o aparecimento de A prole do corvo, quando iniciou a extensa releitura do Brasil meridional. Os senhores do século é o seu melhor resultado.

Data: 25 de fevereiro de 1995
Caderno de Sábado, p. 6

* Flávio Loureiro Chaves é Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, ensaísta e crítico literário.


CONCERTO CAMPESTRE
L&PM 1997 - em 6ª edição

A Lira Santa Cecília era o maior orgulho do Major da Guarda Nacional Antônio Eleutério de Fontes. Em meados do século 19, nas fronteiras vazias do pampa, um poderoso estancieiro mantinha uma orquestra particular. E entre a criadagem, o vigário, parentes e poucos amigos do vilarejo próximo à estância, ele ouvia, embevecido, os músicos executarem delicadas melodias para o seu deleite. Nesse clima mágico e insólito, o leitor se envolve num trama de suspense, na história do romance maldito entre o Maestro - mestiço e sedutor - e a bela Clara Vitória, única filha do estranho Major.

Nota: Este livro teve uma recém-publicada tradução espanhola com o título de "Concierto campestre", lançada em Madrid em 16 de junho de 2003, com a presença do autor.

CONCERTO CAMPESTRE
Álamo Oliveira*
Revista Atântida,
, Portugal

Concerto Campestre é, numa definição redutora, uma alegoria sobre um tempo (meados do século passado) e um lugar (as fronteiras vazias do pampa) do Rio Grande do Sul e que o autor apresenta em plena decadência moral, social e política. Há os naturais e os intrusos e todos giram à volta do Major António Eleutério de Fontes que, cansado de mandar e ser obedecido, delega na esposa - D. Brígida - a sua prepotência para se dedicar ao mecenato da música. Fá-lo com tanta generosidade que não se conhece nas aldeias e cidades mais próximas quem, possua orquestra própria (a Lira Santa Cecília) de melhor qualidade. Com dois filhos boçais e uma filha bonita (Clara Vitória), o Major transfere para a sua orquestra grande parte do seu afecto e do seu dinheiro, para desespero (silencioso) de D. Brígida, que não se resigna a que se gaste tanto dinheiro com a música, mas que não pode, por dever social, hostilizar publicamente o marido. Assim, tudo parece correr sobre as rodas: há dinheiro, a orquestra já toca afinada e até há um fazendeiro rico e de boa figura para casar com Clara Vitória; e há um padre que tudo abençoa: a música e a felicidade, o amor, o bem-viver, a boa comida. Há um senão: um maestro femeeiro arranjado pelo padre - que o Major instalou no quarto de hóspedes e paredes meias com a filha. O resultado destra vizinhança foi catastrófico. Curiosamente, é o Major quem reage de forma mais violenta: expulsa Clara Vitória grávida, dá cabo da Lira Santa Cecília e ia dando cabo do fazendeiro que julgou ser o responsável pela afronta, para sorte do Maestro, a quem só restou fugir.

O que logo ressalta em Concerto Campestre é o conhecimento da história, na sua multiplicidade de envolvências. E é esse conhecimento que provoca no leitor a certeza que está a (re)viver a verdade de um tempo e de um lugar que, tratada sob a forma da ficção, toca as fronteiras mágicas do fantástico. Daí, o encantamento deste livro, apoiado por uma escrita de grande rigor formal, que respira, alegoricamente, ao ritmo musical, fraseado por andamentos que alternam, por oposição, entre o suave e o forte, entre o trágico e o cómico, entre o sossego lírico e a inquietação dos medos.

Com esse rigor narrativo, Assis Brasil define as personagens do seu romance, através de traços fortes, porventura caricaturais, tornando-as paradigmáticas das diversas classes sociais que povoam o pampa do Rio Grande do Sul de então e que o autor descreve de forma radiográfica. E, assim, ele imbrica as personagens nas sucessivas situações a que estão sujeitas, sem nunca perder a sua colocação no tempo ou no lugar e não deixando que estes se sobreponham ao desenvolvimento dos conflitos. Para tanto utilizou "pinceladas" de envolvência discretas, mas suficientemente definidoras de um surpreendente sentido plástico.

Concerto Campestre é mais um notável romance de Luiz Antonio de Assis Brasil - um romance que merece ser partilhado por grande número de leitores. Na verdade, Assis Brasil é um dos grandes escritores do grande mundo da Língua Portuguesa e, hoje, é difícil entender porque é que as fronteiras continuam a ser as causadoras dos nossos limites.

[Foi respeitada a ortografia corrente em Portugal]

Ponta Delgada, Açores.
Revista da Universidade dos Açores
Segundo Semestre de 1997
Vol. XLIII p. 84-85

* Álamo Oliveira é romancista, contista, ensaísta, poeta e dramaturgo.




FARSA E TRAGÉDIA EM UM CONCERTO CAMPESTRE
Léa Masina*

O que torna Concerto campestre um momento de extraordinária vitalidade, no conjunto notável da ficção de Luiz Antonio de Assis Brasil, é a transfiguração de duas vertentes, ambas presentes desde seus primeiros textos. A primeira é a vertente crítica, que promana do desejo de revisar a História, com notado influxo social. Documentam essa tendência os diários de Gaspar de Fróis, em Um quarto de légua em quadro, a consciência angustiada de Filhinho de Paiva, em A prole do corvo, a geração débil e apática do Coronel Trajano, o patriarca de Bacia das almas. Não obstante, a crítica aos costumes, que leva o romancista a privilegiar vultos insólitos, evolui gradativamente para expressar-se numa crítica visceral. No universo ficcional de Concerto campestre, lê-se que nas sociedades oligárquicas, habitadas por homens divididos em classes, não existe espaço para o amor e a conciliação. E assim, a ironia, de leve esboçada nos primeiros livros, transforma-se em sátira e paródia já nos três romances que compõem a série O castelo no pampa.

Em Concerto campestre, curiosamente, a vertente crítica não se mostra apenas como formulação discursiva, mas como forma de conceber o mundo. Ao invés de seguir apenas a racionalidade mimética da narrativa tradicional, Assis Brasil acolhe, na lógica do texto, mundos simultâneos que alteram as passagens entre o universo mimético e real e a insurgência do sonho, do alegórico e do espectral. A oposição real-imaginário, como captação de matéria ficcional determina, por sua vez, a articulação da novela como forma acabada e redonda, semelhante ao poema, onde cada elemento ocupa um determinado espaço, não podendo ser alterado ou substituído.

Se pela vertente irônica Concerto campestre pune a sociedade e os costumes com a ironia, o pastiche, a paródia, ao mesmo tempo que relata o debater-se inútil das vítimas, fantoches de um mundo decaído, pela segunda vertente, a obra instaura o grotesco como manifestação formal de uma ordem de mundo essencialmente barroca. As antíteses poderosas deslocam-se da forma tradicional e compõem a ordenação do universo novelesco, como se pode ler fartamente através das articulações das personagens e dos demais elementos narrativos. A seleção de episódios, por sua vez, manifestam as oposições desses mundos em que a chuva de sangue é o castigo bíblico: a ordem fora rompida. A fantasmagoria da videira, o caráter sepulcral da tapera onde Clara Vitória será confinada pelo pai, deixam claro tratar-se de texto que trabalha a alegoria barroca.

Mais uma vez, chama a atenção o modo hábil como Assis Brasil apresenta suas personagens, sempre justificadas pela ação que realizam. Não obstante, o narrador experiente dos romances anteriores surpreende o crítico ao deformá-las propositadamente, acentuando-lhes os traços definidores. Essa deformação caricaturesca, própria da sátira, transforma os entes humanos em marionetes rígidas, a moverem-se mecanicamente. A leitura que proponho corresponde, desse modo, ao recorte crítico do grotesco como categoria estética.

Veja-se, porém, que na Estância de Fontes, o jogo das distorções grotescas não é gratuito. Pode-se entendê-lo como montagem parodística e, portanto, como paródia de uma literatura edificante que se mostra, no caso, pervertida. E essa é a sua qualidade. O cômico deformante impõe mais a reflexão do que o riso. E se, no início da narrativa, julga-se perceber no aguçamento caricatural das personagens o zelo de um crítico da sociedade, como ensina Kayser, os acontecimentos irão mostrar que o grotesco, como categoria da estética barroca, reside propriamente na mistura de coisas incompatíveis: de um lado, os dramas mais cruéis da vida; de outro, o riso contrafeito das máscaras.

Em Concerto campestre o autor ultrapassa a crítica à sociedade: farsa e tragédia, máscara e face não se deixam separar. Não obstante, a máscara deixa a face - e isso ocorre quando Clara Vitória e o Maestro encolhem-se diante das circunstâncias, reconhecendo seus limites e sua pequenez. Resistindo ao desespero, separam-se, embora mantendo um amor sem projetos, desejo epifânico de que tudo terminasse bem. A experiência dolorosa do Maestro, no decorrer dos concertos na Estância, fizera-o ver o fosso que separava os dois mundos, o dos pardos e dos pobres e o mundo dos brancos e ricos, cujos códigos ele jamais poderia atingir. Como na commedia del'arte, a fuga dos amantes para além da sociedade, dos amigos, da lei, de tudo converte-se em fuga do mundo. Os pressentimentos, as súbitas consciências da insânia cometida, a relação conflituosa entre o Vigário, Deus e os escravos, que mais sofriam do que pecavam, confirmam a alegoria dos mundos antagônicos.

Entretanto, a confusão entre aparência e realidade decorre também da própria concepção dos sentidos e de seus deslocamentos: se ouvir, isso não é com a orelha, é com a alma, e se ouve-se também com os olhos, como dizia o músico Rossini, certamente um alter-ego do escritor, Concerto campestre tem de ser lido como um poema. A frase melódica, a harmonia formal recobrem, paradoxalmente, o jogo de distorções grotescas nessa comédia moralizante contra a natureza cruel do homem.




SURPRESAS
Cecília Zokner
Literatura do Continente,

O Estado do Paraná, Paraná.

Três rústicas pautas desenhadas sobre um fundo claro. Na do meio, uma clave de sol e uma clave de fá e, entre a primeira e a terceira linha superiores, do lado esquerdo, um amanhecer que vai se tornando dia até se transformar em noite. No centro, um minúsculo umbu. É a discreta e sugestiva capa, autoria de Caulos, de Concerto campestre. Como os outros romances de Luiz Antonio de Assis Brasil, exceção feita de O homem amoroso (1986), a ação se passa em tempos passados, entre a Revolução Farroupilha e a Revolução Federalista. Um período de paz nos campos gaúchos que fez possível a existência dessa orquestra, a Lira Santa Cecília, na fazenda do Major Antônio Eleutério de Fontes. Rico dono de terras e charqueada, ao perceber o imenso prazer que a música lhe proporcionava, decidiu-se a manter os músicos e um maestro. Ouvia-os, embevecido, compartilhando com os seus e os amigos, especialmente convidados para os concertos festivos, sob o umbu.

Mas os sons que o Maestro consegue tirar das inábeis mãos dos músicos e de seus rudes instrumentos que o encantam, também encantam a sua filha Clara Vitória. Ela se deixa prender de paixão pelo homem que é tão diferente daqueles que a rodeiam.

Um amor tão impossível - castas, preconceitos medeiam entre eles - quanto impedi-lo de existir. E a sua história se apresenta cheia de fascínio porque a arte de bem narrar é muito própria de Luiz Antonio de Assis Brasil.

Flui mansa a narrativa de Concerto campestre e, surpreendentes, nela se inserem informações, indicando que muitas outras haviam sido, até então, subtraídas. Anunciam, em fim de capítulo, uma situação de crise que irá determinar a continuação do relato sem que, no entanto, ocorram mudanças no seu ritmo.

O primeiro capítulo dá conta da chegada do Maestro na fazenda e de seus progressos frente à orquestra; brevemente, de suas relações com a família do estancieiro. Nas últimas linhas, informa, e quase nada o fizera prever, da paixão de Clara Vitória por ele. O segundo capítulo retoma o dia em que o Maestro chegou para narrar dos primeiros interesses de Clara Vitória: espiara pela fresta da cortina enquanto ele, sentado, esperava que o fazendeiro lesse a carta que trazia.

Os repetidos encontros e as palavras trocadas e o perceber-lhe os movimentos no quarto ao lado vão arquitetando os sentimentos. Nas últimas linhas do segundo capítulo, a inesperada revelação: o esgueirar-se de Clara Vitória fora de casa para entrar no quarto do Maestro e lá ficar até de madrugada. Então, novamente, a volta da narrativa para um momento anterior e, assim completar o que não fora dito e, outra vez, tratar dos sucessos da orquestra para terminar o terceiro capítulo com uma nova revelação.

São três momentos da narrativa em que, primeiramente, ex-abrupto, é anunciado um fato inesperado, como que um relâmpago em céu tranqüilo, levando a um retorno no tempo e a um relato linear que o irá completar, mostrando o quanto Concerto campestre é um romance de exímia construção. Também feita de alguma graça, de alguma crítica, do sábio dizer dessa música que se eleva nos campos, da sedução do personagem feminino, buscando seu destino para, então, aceitar-lhe os desígnios.

Iniciando-se, como romancista, em 1976, com Um quarto de légua em quadro, nesses vinte e um anos passados, Luiz Antonio de Assis Brasil publicou mais onze romances. Cada um deles, reafirmando qualidades de narrador sempre a se renovarem. Concerto campestre que a L&PM de Porto Alegre acaba de lançar, bem o comprova.

21 de Setembro de 1997.


ANAIS DA PROVÍNCIA-BOI
Mercado Aberto, 1997 - em 2a. edição.

Nas divertidas crônicas aqui reunidas, o autor da série "Um castelo no pampa" ensina que o aspecto burlesco presente em todas as culturas nada mais é que um dos elementos fundadores de sua própria identidade.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  


BREVIÁRIO DAS TERRAS DO BRASIL
L&PM, 1997 - em 1a. reimpressão.

Sul do Brasil, inícios do século 18, próximo à zona conflagrada das reduções jesuíticas, na fronteira entre o Brasil e a as possessões espanholas. Em meio a uma tempestade no rio da Prata, agarrando-se desesperadamente a um Cristo de madeira por ele mesmo esculpido, o índio guarani Francisco Abiaru tenta manter-se à superfície. Quando tudo parece estar perdido, ele é salvo por um navio português. Suas feições de índio, e ainda o Cristo de madeira com olhos amendoados, fazem com que o índio seja acusado de heresia. Ao chegar ao Rio de Janeiro, Francisco Abiaru conhece os labirintos da Inquisição. Neste livro o leitor terá uma visão dos dramas provocados pelo Santo Ofício no Brasil: uma passagem de nossa História que segue na penumbra e que ressurge com toda sua violência e absurda rigidez dogmática.

OVO DA SERPENTE TROPICAL
José Onofre*
Literatura do Continente,
Gazeta Mercantil
, Rio de Janeiro.

Os países, como as pessoas, podem chegar a uma crise de objetivos que os torna incapazes não só de seguir em frente como de perceber o que está ocorrendo. Há muita movimentação e muita energia aplicada nela, mas a situação não muda. Países que se julgam com um destino manifesto, como o Brasil, crentes de um futuro escrito nas estrelas, perdem-se na própria metáfora. Problemas concretos, ao evidenciar as dificuldades na rota para o generoso futuro que espera o País, são consideradas circunstanciais, devendo desaparecer na caminhada. Um ufanismo que atropela qualquer obstáculo, destituído de razão e juízo, é a base dessas certezas. Mas isto não é uma ideologia, é uma bravata. De fato, os brasileiros não conseguem encontrar motivos para se orgulharem de seu País, exceto em seus heróis esportivos. A frivolidade do brasileiro, sua bazófia e triunfalismo, nascem de seu crescente empobrecimento espiritual. O Brasil está com uma cultura pobre e uma arte de má qualidade. As pessoas consomem vulgaridades porque o biscoito fino prometido pelos modernistas, nem para os "happy few", nem para a turma da televisão. E isso é coisa que não se resolve nem com subsídios ou ação governamental. Não há exigência, tudo se nivela; e a qualidade, quando surge, logo desaparece num mar de mediocridade, com a cumplicidade de quem deveria fazer a distinção. Caminhando entre a miséria material e a espiritual, o brasileiro procura bruxas, anjos, duendes ou qualquer outra mágica que o justifique e o reconcilie com a má vida que está levando.

Os artistas nunca aceitaram a idéia de que a função da arte fosse a de reconciliar o homem com seu destino. Sempre consideraram seu trabalho como destinado à libertação do indivíduo de uma prisão cuja barras são a própria religião, o esquema familiar, a desinformação ideológica, o conformismo. A desobediência foi sempre seu principal objetivo. Desobedecer à repressão da família, da religião, do Estado e da própria sociedade, acabando com os mitos que enquadravam os indivíduos de conformidade com o grupo, era despertar o indivíduo de sua alienação. Hoje, a tarefa é a mesma, mas o objetivo mudou. O jugo do brasileiro não é mais à religião, embora ela ainda atue fortemente para impor a sua moral. A família, fragmentada, tem pouco influência. Há o Estado, mais pelo que não faz do que pelo que faz, que parece subjugar todos os governos que o enfrentam, fazendo-os cúmplices a reproduzir e expandir o mesmo Estado que pretendiam reduzir. O Estado brasileiro passou por vária etapas e algumas rupturas, todas assimiladas de forma a que saísse mais forte da crise. Há o que se poderia chamar de "natureza" ou caráter do Estado brasileiro que, sob governo autoritário ou democrático, conservador ou reformista, o torna incapaz de romper com as barreiras da miséria e integrar o País, eliminando as causas e a marginalidade endêmica. Nunca conseguiu. Porque não pode ou porque não quis.

A idéia de que o Estado brasileiro não está programado para atender a essas demanda circula como um fantasma desagradável, que faz seus ruídos sem deixar a menor pista. Foi buscando a origem desta ação deliberada de exclusão que o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil escreveu seu 13º romance, "Breviário das terras do Brasil: uma aventura no tempo da Inquisição". O romance foi originalmente publicado em folhetim no extinto jornal "Diário do Sul", em 1988, tem 29 capítulos e 226 páginas. Assis Brasil prefere ficar em seu território, a arte, para desembarcar no Brasil do século XVIII, em pleno período colonial, num tempo em que a Inquisição mandava mais que o Rei. Seu personagem é o índio guarani da Missões, Francisco Abiaru, escultor em madeira, especializado em imagens sacras. Abiaru e o padre que lhe ensinou o ofício tentam atravessar o Rio de la Plata para vender escultural em Buenos Aires. São apanhados por violenta tempestade, o padre morre afogado; e o índio, e mais uma estátua de Cristo em tamanho natural, são apanhados por um barco português e levados para o Rio de Janeiro, onde o índio é jogado na prisão-hospício. Ao contar a vida de Abiaru, Assis Brasil está remontando aos primeiros momentos da formação do Estado brasileiro, quando a igreja tinha um controle absoluto sobre a vida da Colônia e de qualquer um que ali vivesse.

A brutalidade da prisão do Rio de Janeiro não fica nada a dever aos presídios brasileiros de hoje, tampouco a capacidade de violência dos guardas. Ma o principal problema do índio Abiaru, mais do que o desprezo por sua raça, indiferença por sua arte, a inveja do escultor oficial e o dogmatismo dos padres, que vêem no seu Cristo de olhos amendoados a presença da heresia. Aproveitando o ambiente e a época, Assis Brasil deixa o texto se formar ao gosto da palavra, criando uma retórica leve e rica. Com ela descreve a possível vida nas ruas, onde a população e os animais domésticos abrem caminho pelo barro e pela miséria da cidade, numa promiscuidade antecipadora das favelas. No hospício, onde um mulato homossexual chora por não saber mais se é um preso ou um carcereiro, está o "holandês voador", um maluco que quer o retorno de Maurício de Nassau e constrói o que poderia ter sido o primeiro ultraleve do mundo, para escapar da prisão.

Nesta viagem por um suposto momento de vida no Brasil-Colônia, já está incubado o ovo da serpente de país futuro. E esta serpente do paraíso brasileiro é a combinação de pragmatismo e conformismo, na corrupção e no rancor diante do povo miúdo, na subserviência aos graúdos e na brutalidade com os marginais, tudo encimado pela insensibilidade a qualquer manifestação do espírito qu enão tenha um valor material. O Brasil imaginado não está muito longe do país real, que ainda está precisando entender o que o retém, o paralisa e o impede de seguir seu rumo.

Data: 7 de novembro de 1997.
Cultura, p. 7.

* José Onofre é jornalista.




A INQUISIÇÃO NOS TRÓPICOS
Cecília Zokner
Literatura do Continente,

O Estado do Paraná, Paraná.

Francisco Abiaru, náufrago de uma pirágua, é salvo das águas do Rio da Prata por um navio portuguê s. Içado por uma corda, agarrado ao Cristo de madeira que esculpira nas Missões é, semi-desfalecido, largado no tombadilho do navio.

Aí tem início o caminho de seus dias futuros. Por ser índio missioneiro, por ter o seu Cristo os olhos amendoados é preso e, assim, segue para o Rio de Janeiro onde nos cárceres da Inquisição deverá responder por heresia.

É o que irá contar Luiz Antonio de Assis Brasil no seu Breviário das terras do Brasil: uma aventura nos tempos da Inquisição, publicado pela L& PM de Porto Alegre, no fim do ano passado.

O drama de Francisco Abiaru na prisão, se entrelaça com o do Padre Vasco Antonio da Costa, da Rainha Hécuba, do Mestre Domingos, do holandês voador, com o do Vigário Geral. Todos eles se enleando nas tramas que leis ditadas por vontades esdrúxulas instituíam nesse século XVII ainda sob a Jurisdição da Inquisição. Sobre tudo, o medo reina entre eles e cada um a seu modo ou a ele se submete ou busca uma salvação para fugir das ordens que atravessaram o Atlântico para se instalar no Brasil-colônia.

No romance de Assis Brasil, elas se mostram como que menos cruéis, como que menos severas na convivência com as cores e com as luzes. A figura do índio guarani, os tons exuberantes e os perfumes da natureza tropical diluem os horrores da prisão e dos rituais que aparecem como se mais do que ditos fossem insinuados. Os próprios inquisidores se suavizam, as penas se reduzem e ao holandês voador, como ao índio é oferecida a salvação. Eles se lançam ao espaço numa nave artesanal de fazendas coloridas que se afasta dos seus juízes em graciosas evoluções.

Nesse dia, que seria o dos castigos, a baía da Guanabara refulgia de "águas belíssimas". A vista "alcançando a imensidão do mar e a grandeza do céu, dissolvendo-se toda a paisagem numa largueza onde se desconhecem os limites entre a terra, a água e o ar".

A ficção permitiu o belo e o alentador de uma nave - algo prenhe de loucas esperanças - a voar para o seu destino. Assim finaliza Breviário das terras do Brasil: uma aventura nos tempos da Inquisição. Para trás, no silêncio dos Arquivos, ainda por se conhecer, os duros, os funestos, os sombrios meandros da Inquisição no Brasil.

Data: 10 de maio de 1998.




A ILUSÃO (2)
Cecília Zokner
Literatura do Continente,

O Estado do Paraná, Paraná.

Ficou enfim pronto o aparelho
do holandês voador, é assim e
assim grande e bonito, e
parece que pode voar.

Acusado de heresia por esculpir santos com fisionomia indígena - "fazer santos que contrariam toda fé"- o índio guarani Francisco Abiaru é atirado nas masmorras do Rio de Janeiro e, lá, espera julgamento. Como Petrus Cornelius, o holandês calvinista. Homens importantes mandaram que o deixassem solto no pátio da cadeia. Ele, então, trepa no beiral para chamar a atenção e obter o que deseja: "uns panos, linhas, varas de taquara e um agulhão grosso". Quer construir a sua máquina voadora.

Francisco Abiaru convence o guarda da conveniência de lhe dar o que deseja e pouco a pouco vai obtendo essas fazendas que o holandês "armazena entre seus trapos". E o artefacto vai se fazendo.

Quando chega a Visitação do Santo Ofício está terminado: "um bicho, um desenho imprudente, um delírio". Que seu autor entende e explica na certeza de que voará . E, nas suas certezas, permanece alheio ao poder da ordem que o mantém preso: "poderosa e intrincada Ordem acima de qualquer ordem, odiada e temida, que julga, prende e mata e é dirigida ninguém sabe como e que se dedica a manter a pureza da fé, e que todos na Colônia portuguesa querem mais é destruir, sendo ela entretanto indestrutível como o Demônio, tudo vê, tudo enxerga e que tem Familiares (nome tão enganosamente suave) por todos os lados cuja função é delatar suspeitos e que tem mais poder que o Rei, e a cujo nome todos tremem de pavor e que leva o cálido nome de Santo Ofício ou mais vulgarmente Inquisição".

Por essa ordem será interrogado. O Visitador que viera ao Brasil para "verificar o estado das almas de uma terra assim carente de apoio espiritual" o inquire. E teve que render-se a sua loucura e curvar-se ao seu desejo: "Pois que assim seja. Voarás com tua máquina". Assim aconteceu. Indiferente ao ritual que o julga, e aos outros acusados, Petrus Cornelius pede para armar seu artefacto e pede que o índio guarani o ajude. Juntos são amarrados na máquina voadora e juntos correm até a proeminência da pedra e se lançam no espaço aereo. Partem em "graciosas evoluções", em meio às nuvens.

Desta maneira termina Breviário das terras do Brasil: uma aventura nos tempos da Inquisição, romance de Luiz Antonio de Assis Brasil, publicado, em 1997, pela L&PM de Porto Alegre. Um final auspicioso nesse afastar-se de um tribunal do Santo Ofício, sem mesmo saber da absolvição, em asas coloridas.

Começara com o naufrágio da pequena embarcação, no rio da Prata, em que Francisco Abiaru carregava o Cristo de madeira. Salvo pela galera Nossa Senhora da Glória, a imagem que havia lavrado com as próprias mãos, escandaliza o frade - "magro e de estranha cabeça raspada, cingida por uma breve coroa de cabelos" - ao fixá-la nos seus olhos amendoados. Influenciando o capitão, o faz decidir a levar preso o índio para o Rio de Janeiro e lá, ainda que sem "ordem decretada e sim de boca" o jogam "numa enxovia recoberta de pedra no chão, no teto e nas paredes".

Mas, Francisco Abiaru não está sozinho, pois, recolhidos, também ali estão "gentes de todo feitio, feiticeiros, mulheres de má vida, ladrões, blasfemadores, sodomitas, inventores de máquina, padres amancebados que dizem que o comércio carnal não é pecado, judeus ainda não conversos, muçulmanos que estiram seus tapetes ao solo e oram a Maomé, negros que não abandonam seus deuses da África, hereges de Calvino, João Huss e Lutero e adivinhadores do futuro".

Muitos deles são passíveis, como ele, de comparecer ao Tribunal da Inquisição por verdadeiros ou por falsos crimes. Mas o Visitador chegara brando. No morro da Gávea, onde instalou a sessão final da Mesa do Santo Ofício com a pompa devida - e grande mesa, candelabro, toalha de veludo, cadeiras de braço e altos espaldares, jarros e bacias - absolveu a todos com um grande sinal da cruz.

No dia claro, na "grande pedra plana como um piso de sala, sobranceira à cidade e à baía refulgente de azuis belíssimos", prevalecendo o perdão, para seu projeto louco voou Petrus Cornelius e levou o índio guarani.

05 de julho de 1998.


O PINTOR DE RETRATOS
L&PM, 2001 - em 3ª edição.

O fotógrafo francês Nadar (Félix Tournachon) era uma celebridade. Atravessou o século 19, indo morrer aos noventa anos em 1910. Por suas lentes cruzaram algumas das maiores figuras da época, de Victor Hugo a D. Pedro II. Diziam que ele capturava a alma dos modelos, e nisso era insuperável. Mas o protagonista deste romance é Sandro Lanari, um pintor de retratos nascido na Itália. Sua vida se transforma no dia em que vê, numa vitrine em Paris, a foto - feita por Nadar - da jovem Sarah Bernhardt, a que seria grande diva do teatro internacional. Fascinado pelo retrato, procura Nadar e faz-se fotografar por ele. O resultado desconcertante conduz Lanari a declarar guerra a todos os fotógrafos do mundo. Emigra para o Brasil, onde sobrevive como pintor de retratos até que, por uma circunstância ao mesmo tempo trágica e fortuita, torna-se também ele fotógrafo. Participa, sempre como coadjuvante, de revoluções pelo pampa, vagueia pelo interior do Estado, abandona a pintura, prospera como fotógrafo em Porto Alegre e finalmente retorna à Europa, onde o aguarda seu passado - e Nadar.

É a trajetória de um homem e seus desacertos, e de uma precária ambição. Seu paradigma é o de um grande artista, mas em que se transformou sua vida? Na perfeição do retrato de Sara Bernhardt pode estar a chave de tudo.

O ROMANCE DA FOTOGRAFIA
Carlos Reis*
Jornal de Letras,
Lisboa.

1. Num certo comento d' O Pintor de Retratos, de Luiz António de Assis Brasil, o protagonista Sandro Lanari recebe um envelope, contendo o seu retrato tirado uma semana antes. Olhando para aquela que deveria parecer-lhe a sua imagem, Sandro Lanari conclui: "Não se parecia a nenhum retrato seu. Era alguém ignorado, um Outro, que o fixava com um olhar obtuso, aturdido por uma obstinação equívoca e desagradável" (p. 34). O retrato, convém notar, fora tirado em Paris, pelo fotógrafo Nadar, esse mesmo que fixara também Sarah Bernhardt, Baudelaire e muitos outros. Ainda assim, como que rejeitando a participação na "galeria de tipos humanos" que Nadar lhe anuncia, Sandro Lanari queima o retrato e lança-o ao Sena; logo depois encerra-se o capítulo: "Naquele momento da História, iniciava-se o ódio metafísico de Sandro Lanari a todos os fotógrafos-retratistas: e todos tinham um nome: Nadar" (p. 35).

2. Não se percebe bem (mas provavelmente é essa ambiguidade que importa respeitar) se aquela História maiusculada é apenas a que o romance relata ou se é também em termos muito mais alargados e porventura desmididos para o protagonista Sandro, aquela que aos historiadores interessa. E contudo, se atentarmos no que está em causa, reconheceremos na história contada um episódio fundamental di que foi uma decisiva mutação de procedimentos artísticos, na Segunda metade do século XIX, mutação determinada para consagração da fotografia como técnica e também como arte de representação de pessoas e coisas.

O romance O Pintor de Retratos (edição L&PM, de Porto Alegre) conta a história de um jovem italiano, filho de retratista, que sai de Ancona, sua cidade Natal, para aperfeiçoar, em Paris, "o destino familiar dos retratos". Herdeiro de um legado de seis gerações de artistas, Sandro Lanari empreende uma viagem de busca e de refinamento artístico, que se alarga não só por Paris, mas também pelo longínquo Brasil, no ainda mais longínquo Rio Grande do Sul: é aí que agitadas aventuras e desventuras impõem ao retratista uma mudança de rumo em sua vida, na sua profissões e, mais do que isso, na suas crenças arísticas. E assim, por fim, Sandro Lanari acaba por se fazer fotógrafo. Fotógrafo de retratos, bem entendido.

3. A história d' O Pintor de Retratos transcende, deste modo, os acidentes e incidentes de percurso do jovem pintor, depois feito fotógrafo. A história d' O Pintor de Retratos constitui verdadeiramente um sugestivo motivo de reflexão, em registo de deambulação, pela história da pintura e pela específica questão da representação, num momento crucial: esse momento é aquele em que emerge e se afirma a fotografia, como técnica de fixação da imagem, pondo em causa a nitidez e a precisão da pintura. Mais: esse momento é aquele em que a fotografia, não se limitando a ser uma técnica de representação, quer conquistar uma condição artística autónoma, levando a pintura a procedimentos de deriva artística como os que o impressionismo cultivou.

Aquilo que Sandro Lanari assiste em Paris, sem disso se aperceber nitidamente (até por estar demasiado próximo do que está a acontecer) é a dupla tensão entre tendências distintas: por um lado, a tensão entre a pintura realista de uma realidade impressiva só por si (ou quase) e a pintura das impressões dessa realidade, subjectivamente filtrada por enquadramentos e por luminosidades singulares; por outro lado, a tensão entre a pintura em geral (sobretudo a que já suprerara os propósitos do realismo) e a fotografia de que Nadar é o exproente máximo. Por isso, lê-se em certo momento do romance "Em Paris não era famoso nem Monet, nem Manet, nem Pissarro, nem Degas, nem outros que viriam a habitar os museus do globo. Famoso era Nadar" (p. 20).

É a partir daí que Sandro Lanari desenvolve um trajecto de fuga, iniciado ainda em Itália. Sem as cautelas que a juventude não lhe consente, Sandro enfrenta a fúria de um coronel enciumado e foge. "Uma sina", observa o narrador, "homem feito, e em outras paragens, fugiria de um revólver norte-americano" (p.16).

4. É nessas "outras paragens" que o percurso pessoal e a sina de Sandro Lanari tomam rumos estreitamente cruzados com a vida social e política do Rio Grande do Sul.

Antes de avançar, notarei que Luiz Antonio de Assis Brasil contempla nesse romance temas e acontecimentos que confirmam algumas das dominantes de sua já extensa obra ficcional. Autor de mais de uma dezena de romances, publicados a partir de 1976, Assis Brasil é hoje um dos escritores mais importantes do Rio Grande do Sul, contribuindo para a reputação de singular diferença de que gozam as letras gaúchas, no concerto da literatura brasileira. É preciso dizer que, neste contexto, o Rio Grande do Sul distingue-se precisamente por oferecer uma produção literária indissociável dos valores e da memória histórica de um Estado que não só é o mais meridional do Brasil - com todas as implicações inerentes a um certo imaginário de periferia e de fronteira - como é sobretudo um daqueles (juntamente com a Bahia e com Minas Gerais, por exemplo) em que são mais fortes os traços identitários: no folclore, na indumentária, na gastronomia, nos modos de vida e também na literatura. Em vários romances de Assis Brasil, estão preservados, sem concessões regionalistas, esses traços identitários, de modo particularmente expressivo quando a oscilação entre crónica, ficção e história impõe gestos de afirmação nacionalista que, em certos momentos da história do Brasil, chegaram a tomar a forma de processos separatistas ou, pelo menos, de rebelião anti-centralista.

5. O facto que acaba por mudar a vida de Sandro Lanari, já em Porto Alegre, é a morte de um dos seus retratados, exactamente durante a sessão de pintura: gozando da liberdade de configurar uma imagem que recompõe o modelo ("não sou Nadar, afinal"), reflecte o retratista; p. 76), Lanari assiste à morte do provedor que está a ser retratado, mas não pode fixar essa morte, porque o tempo da pintura não é o tempo do instantâneo. Por isso, o retrato é completado depois da morte do provedor; por isso, ele alimenta a ilusão de uma arte que transcende a inapelável violência da morte.

Depois disso, escasseiam as encomendas, porque a superstição é forte: a pintura de retratos arrasta a ideia da morte, mais ainda quando Sandro é chamado a pintar um morto que odiava a fotografia. E esse é verdade que pelo artifício da pintura o morto parece reviver, também é verdade que ela traz consigo o remorso da mentira artística. "A fotografia", diz o narrador, provavelmente traduzindo o pensar do pintor, "apenas podia captar a hora fugaz antes da putrefacção. Mas de certo modo aquele retrato pintado seria uma fraude" (p. 107).

Curiosamente, Sandro Lanari parece só possuir definitivamente Violeta, a mulher que muito perseguira, quando, um dia, rendido já à fotografia, consegue retratá-la. Com um olhar que permanecerá além da morte, Violeta traz até Sandro o "olhar constrangedor" que vem do passado turbulento em que ambos se haviam conhecido, anetes ainda de a fotografia desbancar a pintura.

Confrontada com a morte, a fotografia triunfa perante a pintura, não porque seja capaz de reproduzir "o interior de pessoa", mas por reter nela o instante único e irrepetível em que a vida e morte confinam. O episódio em que tal se representa vale emblematicamente por todo o romance e sintetiza muito da reflexão meta-estética que nesta narrativa de Assis Brasil se encontra. É na sequência de uma batalha, momento relevante da rebelião gaúcha em que Sandro Lanari acaba por se integrar: Adão Latorre degola um prisioneiro e o fotógrafo fixa, com sua objectiva, o acto bárbaro. E então, "a última imagem, aquele aque o desgraçado levaria para a eternidade dos séculos, foi a de Sandro Lanari, o braço erguido, na atitude de quem deseja impedir algo" p. 135). Foi essa fotografia - significativamente intitulada Foto do Destino - que por muito tempo acompanhou o fotógrafo e permitiu que ele superasse o fantasma de Nadar, fotógrafo de retratos, mas não do instantâneo da vida prestes a extinguir-se. Fora Nadar quem que um dia surpreendera o jovem pintor com uma imagem de Sarah Bernhardt: nela a mítica actriz observava, do interior da fotografia, o pintor assim desafiado. O final do desafio é o triunfo de uma estética em que o retrato (mesmo o retrato fotografado) cede lugar a expressiva tensão entre a vida e a morte, representada num momento único. O triunfo da fotografia feita arte é, à sua maneira, o triunfo da vida sobre a morte.

[Foi respeitada a ortografia corrente em Portugal]

Data: 12 de dezembro de 2001
Página: 19

* Carlos Reis é Doutor em Letras, Professor Catedrático em Coimbra, ensaísta, Presidente da Associação Internacional de Lusitanistas e Diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa.




UM ARTISTA E SEUS LIMITES
Regina Zilberman*
Jornal do Brasil,
Rio de Janeiro

Foi o olhar estrangeiro que produziu as primeiras interpretações que tinham o Brasil como tema. Os habitantes originais da América podem ter elaborado narrações que explicavam a terra onde viviam, mas suas criações foram registradas somente após a desembarque dos europeus no Novo Mundo, o que suscitou diferentes reações, desde o entusiasmo com que Cristóvão Colombo celebrou o encontro dos indígenas até os azedos alertas provenientes dos cronistas portugueses.

Não espanta, pois, que o tema transite de diários de bordo e crônicas de viagem para a ficção, como ocorre em O Pintor de retratos. O novelista, em obras anteriores, como Um quarto de légua em quadro, As virtudes da casa e Videiras de cristal, já havia introduzido personagens originárias da cultura européia. Nesse romance, contudo, o autor inclui nuances que particularizam o foco com que se aprecia a relação entre dois universos diferenciados.

O protagonista Sandro Lanari provém de uma família de retratistas italianos. Seus ancestrais contabilizam algumas glórias passadas, mas não passam de pintores medíocres, que adulam a elite local, formada por comerciantes enriquecidos e religiosos, para garantir o patronato. Com o objetivo de aperfeiçoar sua arte, o rapaz vai a Paris, onde se depara com a ascensão do impressionismo e da fotografia, processos complementares, pois o primeiro rejeita a pintura retratista, porque a segunda pode realizá-la de modo mais eficaz.

Contramão - Sandro Lanari percebe-se colocado na contramão da arte que pretende praticar, sumariada na ação do fotógrafo Nadar, no ápice de seu prestígio. Sandro deixa-se reproduzir por esse profissional, que flagra no moço a personalidade medíocre e retraída. Sem ocupação, o herói migra para o Brasil, trazendo a Porto Alegre a esperança de encontrar um lugar para sua atividade. Surpreende-o, contudo, o fato de que, mesmo nessa cidade, a fotografia suplantar o retrato. Por essas e outras, como o envolvimento amoroso com fina jovem da sociedade local, foge para o interior.

É então que descobre seu verdadeiro ofício - o de fotógrafo. Aliciado à força por tropas do exército castilhista, durante a revolução federalista de 1893, Sandro Lanari registra as façanhas dos soldados até ser obrigado a documentar a degola de um prisioneiro. O resultado espanta o autor da imagem, que conserva a fotografia como comprovação de sua arte. Convencido de seu talento, Sandro Lanari consagra-se profissional requisitado para sempre, constituindo família, engordando e enriquecendo.

Tal como seus predecessores - cronistas, viajantes ou mesmo as personagens anteriores de Assis Brasil - Sandro Lanari é um estrangeiro que acredita na sua superioridade diante de um meio provinciano. Contudo, diferencia-se deles, porque, desde o começo da narrativa, sua posição está comprometida: ele pratica uma arte ultrapassada. Assim, a pose - atitude programada por ele, mas inviável - é substituída pela humilhação, que acompanha sua trajetória, sempre em fuga. O olhar estrangeiro não tem condições de avaliar corretamente o novo espaço que lhe é apresentado.

Representação - Nem por isso o ambiente é menos provinciano, quando a ação se passa no meio urbano, nem menos bárbaro, quando se depara com a guerra no pampa. Lanari, de posse de sua arte, tenta captá-lo, mas sua personalidade fica aquém das virtualidades de representação, mantendo-se na periferia dos acontecimentos, preocupado com o efeito, não com o conteúdo.

É sob esses dois aspectos que o romance enriquece o tema de outros do autor. De um lado, expõe o confronto entre civilização e barbárie, que uma guerra civil exemplifica; de outro, explora e aprofunda a temática do olhar estrangeiro, de um indivíduo que transforma o que vê em imagem. Esta, porém, não dá conta da representação, como que informando que nem a arte tradicional, nem a tecnologicamente mais avançada são capazes de traduzir as contradições de que se alimenta o universo vivenciado por Sandro Lanari.

Assim, à discussão sobre a propensão do olhar de fora, de querer desvendar o mundo brasileiro, O Pintor de retratos acrescenta uma segunda questão: a dos limites da arte. Encarrega-se a essa de representar o que está fora dela, mas ela nem sempre executa a tarefa com eficiência. A obra, centrada na biografia de um artista estrangeiro questiona suas próprias potencialidades, propondo-se como reflexão sobre sua natureza enquanto visão da alteridade. Redimensiona o tema a que se incorpora e desenhando seus limites.

Data: 11 de agosto de 2001
Suplemento Idéias, p. 4

* Regina Zilberman é Doutora de Romanística pela Universidade de Heidelberg.




ROMPENDO FRONTEIRAS
Regina Zilberman*
Porto Alegre

O Pintor de retratos¸ que Luiz Antônio de Assis Brasil lançou no primeiro semestre de 2001, recebeu prêmio na categoria Romance do Ano, prêmio concedido pela Biblioteca Nacional. O mesmo livro constou entre os finalistas do Prêmio Passo Fundo de Literatura, conferido durante a XX Jornada Nacional de Literatura, realizada naquela cidade, e foi matéria de inúmeras resenhas em jornais de todo o país.

Não foi esta a primeira vez em que uma obra de Assis Brasil é premiada: Um quarto de légua em quadro, seu romance de estréia, publicado em 1976, recebeu o Prêmio Ilha de Laytano, e Cães da província, de 1987, o Prêmio Literário Nacional do Instituto Nacional do Livro. O que singulariza a distinção oriunda da Biblioteca Nacional é que ela acompanha o acolhimento nacional de que O Pintor de retratos foi alvo, recepção favorável e unânime em todos os horizontes, o que, até então, o romancista gaúcho não tinha merecido.

Parece ser a fatalidade da literatura produzida no Rio Grande do Sul o pequeno impacto que provoca fora de nosso Estado. De um lado, louva-se a circunstância de ela se difundir fartamente entre nós, porque dispomos de público leitor capaz de sustentar um sistema literário próprio, com escritores suficientemente autônomos para dialogar com a audiência local e responder às necessidades dessa. De outro, lamenta-se que essa auto-suficiência de certo modo iniba a circulação da obra de nossos ficcionistas e poetas para além dos limites regionais.

Sintomáticas dessa oscilação foram as reportagens publicadas na região sudeste durante a realização da última Jornada Nacional de Literatura, em agosto de 2001, em Passo Fundo. Por uma parte, a surpresa: como, no interior de um Estado, digamos, periférico, havia um auditório com aproximadamente dez mil pessoas lendo e aplaudindo escritores do Brasil e do Exterior? De outra parte, a explicação que apequenava, porque reduzia o fato à excepcionalidade do Sul: a literatura aqui dirige-se apenas ao público local, forma-se um leitorado capaz de acolher escritores de dentro e de fora, mas a situação é diferente e rara, deixemos essa questão para lá, excentricidades dos confins do Brasil.

Para mostrar que não é bem assim, cabe romper a fronteira do silêncio, não apenas a cada dois anos, quando se realiza a Jornada Nacional de Literatura, ou por ocasião da Feira do Livro de Porto Alegre - essa também, "diferente" - e conferir visibilidade à produção literária, independentemente dessas circunstâncias periódicas, mas marcadas. O Pintor de retratos foi, assim, o passaporte de Luiz Antônio de Assis Brasil, e é bom que isso tenha acontecido com ele.

O escritor procurou, desde o lançamento do livro, apresentá-lo como um turning point de sua obra, dado o investimento conferido sobretudo ao estilo: é conciso, límpido, simples e escorreito. Como que descobrindo a máxima dos árcades - Inutilia truncat -, Assis Brasil enxuga da narrativa todo o comentário e digressão, apresentando o protagonista, Sandro Lanari, a partir de seus gestos e decisões, sem interferir com juízos e explicações. Não quer dizer que, antes, fosse um escritor barroco, dono de frases obscuras e contorcionismos verbais: seu discurso foi sempre transparente, acessível ao leitor, capacitando-o a acompanhar com paixão e envolvimento a trajetória das personagens.

Eis o que O Pintor de retratos evita: a paixão do leitor, a torcida por essa ou aquela figura, a catarse. O narrador comporta-se friamente, porque acompanha a história do protagonista como se descrevesse um caso, e deixa para o leitor a tarefa de compreender, julgar, tomar posição. O dado novo é este, pois não apenas Assis Brasil não tinha procedido ainda dessa maneira -novidade que o deixa frente a uma encruzilhada: repeti-la e vulgarizá-la, ou ir em busca de caminhos ainda mais renovadores -, como também a literatura brasileira não conhece muitos exemplos desse tipo. Nossa prosa de ficção caracteriza-se predominantemente pelo investimento na paixão, narrando histórias em que se tem de tomar partido, para que o leitor não abandone o percurso da leitura em meio à viagem.

Essa aposta podia ter custado caro ao nosso escritor sul-rio-grandense, não só porque constituía dado novo, mas também por propor uma relação menos calorosa com o leitor. Contudo, não foi o que ocorreu, sendo a premiação, bem como o acolhimento de público e crítica sinais mais do que favoráveis da recepção festiva alcançada pelo Pintor. Que talvez pudesse ser celebrado com versos levemente distorcidos de Mario Quintana - "O pintor canta a si mesmo / porque de si mesmo é diverso."1

1 - QUINTANA, Mario. "O poeta canta a si mesmo". In: QUINTANA, Mario. Esconderijo do tempo. Porto Alegre: L&PM, 1980. p. 117.

Data: maio de 2002.

* Regina Zilberman é Doutora de Romanística pela Universidade de Heidelberg.




O PINTOR DE RETRATOS - un extrait.
Traduit du portugais par
Marie-Hélène Paret Passos

Hormis les villas à deux étages du haut de la rue de l'Église, qui ostentaient une richesse variée, les maisons restantes de Porto Alegre étaient basses et monotones. Elles se coiffaient de tuiles portugaises à canelure, patinées de limon. Possédaient des jardinets et il y avait d'innombrables terrains inoccupés. En encoignure qui avance dans le large fleuve, et vue de la colline de Santa Teresa, la ville se transformait en éventail ouvert et effiloché à plusieurs endroits.

Pour vanter sa personne, et dans l'attente du résultat de l'annonce qu'il avait faite publier dans O Mercantil, Sandro baguenaudait. Il arborait un air dramatique, le col ouvert sur la poitrine, la cravate en futaine toute défaite, la veste verte, le stupéfiant panama et son ruban. On se retournait pour le voir.De coutume les hommes s'habillaient de noir, comme prêts pour un enterrement.

Mouvementée le matin, la ville se dépeuplait à partir de midi. Quelques tombereaux retentissaient sur les dalles de la chaussée, réveillant pour de brèves secondes ceux qui faisaient la sieste. Dépourvu de ces habitudes de la paresse, il montait jusqu'à la place de la Matriz, la plus belle, avec l'ancienne cathédrale,l'ancien palais du Gouverneur et l'ancienne maison de la Justice. Il cherchait l'ombre dans la fraîche humidité des umbus. Au XIXe siècle la place était très arborisée. Et il s'arrêtait, mains derrière le dos, tenant le chapeau, face à ce si beau fleuve. À certaines heures, les eaux se transformaient en une lame incandescante, reflétant la fulgurance du soleil.

À Ancona aussi il contemplait les paysages aquatiques et assez picturaux: là-bas c'était l'Adriatique, peuplé de légendes aux héros échevelés et furibonds, balayé par le colérique grondement des canons, itinéraire de ventrues galères vénitiennes et byzantines depuis des époques sans mémoire, demeure des dieux et décor de batailles décisives pour l'Humanité.

Ici, c'était le Guaíba.

Et lui, Sandro, était un artiste qui portait sur les épaules l'Europe et ses siècles de civilisation.


SINFONIA RURAL DO PASSO CERTO

O contador de histórias Assis Brasil narra uma
trama de amor ao ritmo de música clássica


Em LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL o uso da técnica da literatura encontra seus pontos máximos. Perito no assunto, o romancista gaúcho sabe desenvolver uma narrativa com as pontuações corretas, administrando os picos e os vales da dramaticidade. Especialmente em Concerto Campestre, o autor acrescenta seus conhecimentos de música, adicionando-a como personagem, além de lançar mão da harmonia dos compassos para acentuar os desvarios de uma história de amor.

Os leitores assíduos de Assis Brasil (um exército fiel) sabem que podem contar com ele Possivelmente um dos segredos do sucesso do escritor no Rio Grande do Sul (o exílio interno perdura) seja sua capacidade de andar com o passo certo. Quer dizer, garantir uma caminhada sem tropeços aos companheiros de viagem. Isso não significa que Assis Brasil seja condescendente ou amigo da facilidade. Sua intenção, exitosa, é ser claro.

LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL, que transmite a sabedoria do artífice numa oficina de literatura, tem talento para contador de causos. Concerto Campestre mantém a tradição de suas inspirações. A paisagem é a região rural gaúcha no século passado, terreno que palmilha com segurança (mesmo quando foge do domínio gaúcho, como provou com maestria em Videiras de Cristal). A semente da novela foi extraída do relato verídico ouvido por Assis Brasil da escritora sua amaiga HILDA SIMÕES LOPES.

Uma moça de família tradicional, pilhada em falta grave, é castigada com tremenda severidade pelo pai estancieiro. Os costumes medievais que inspiram a lenda de Rapunzel foram preservados pela elite riograndense. Como houve nesses campos quem erguesse castelos (episódio que estimulou Assis Brasil a emprender uma trilogia), outras loucuras mágicas teriam sido cometidas. O Major ANTONIO ELEUTÉRIO DE FONTES,potentado em terra e charquador, por exemplo, montou uma orquestra.

É expressivo o fato de a personagem de Assis Brasil ostentar a patente de major da Guarda Nacional e não a de coronel . Fontes tem sua influência demarcada pelas coxilhas - longe da verdadeira política, já tramada nos centros urbano do Rio Grande oitocentista. Evidentemente, labora com o regozijo de um reizinho no seu mundo restrito. Temos aí o vilão. Serão oferecidos em seguida a rainha barbada, o sacerdote aliciante, o pretendente plebeu e o príncipe hesitante, entre outros menos votados.

Numa tarde sufocante, acordes sinfônicos são disseminados pelo pampa sob uma chuva de sangue. A imagem impressionante é uma das pinceladas em perspectiva num livro em que os atores parecem se mover sobre uma superfície plana, com espíritos demasiado fugidios. Ainda quando atormentada, essa gente de Concerto Campestre não sente o sangue fervendo sob a pele. Mesmo quando uma tempestade de violência se anima subitamente e produz suas vítimas.

O contador foi um pouico contido na exploração das emoções. Por vezes, tem-se impressão de que Assis Brasil foi temeroso. Teria talvez recuado diante de uma tormenta por medo de ser tentado pelo turbilhão da imagem, pela maldição do estrépito semeado nos romances tributários do cinema. AUGUSTO MEYER, por exemplo era capaz de impactar divagando sobre uma lagoa mansa, lição que o professor Assis Brasil não desconhece.

Os leitores de LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL podem ficar tranqüilos. Não foram traídos. Enfim, Concerto Campestre é uma fábula bem contada, povoada de seres fabulosos. O livro confirma o controle do autor sobre sua criação e desperta inquietações. Nenhuma das dúvidas germinadas, entretanto, tem o poder dos parasitas destruidores. A literatura de Assis Brasil resiste, provando sua saúde inabalável.

(Texto de RICARDO CARLE, publicado no jornal Zero Hora, 2º Caderno, Porto Alegre, 26-08-1997)


SOBRE A OBRA DE LUIZ ANTÔNIO:

REFERÊNCIAS, CITAÇÕES, DISSERTAÇÕES, ARTIGOS ETC.


Referência na Enciclopédia Britânica:

Sua obra Perversas famílias é objeto de referência nos The Book of the Year de 1994 e 1995, da Encyclopaedia Britannica.
Livros que tratam de sua obra:
1. ESQUINSANI, Valdocir. As metamorfoses de um mito: Agamêmnon em As virtudes da casa, de Luiz Antonio de Assis Brasil. Passo Fundo: Editora Universitária, 2000. 2. MENNA BARRETO, Eneida. Demônios e santos no ferrabrás: uma leitura de Videiras de cristal. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2001.
Dissertações de mestrado que tratam de sua obra:
1. A religiosidade em As virtudes da casa, de Luiz Antonio de Assis Brasil. PUCRS, 1990) Maria Luiza Meurer Papaléo.

2. O mito de Agamênon em As virtudes da casa, de Luiz Antonio de Assis Brasil. PUCRS. 1999. Valdocir Antonio Esquinsani.

3. Uma terra, dois olhares: o Rio Grande do Sul na visão de Fróis e Winter. PUCRS, 2000. Isabel Cristina Farias de Lima.

4. O messianismo em A guerra do fim do mundo e Videiras de cristal. PUCRS, 1998. Cláudia Mentz Martins.

5. Videiras de cristal. UFRGS, 1998. Eneida Menna Barreto.

Fortuna Crítica:
Ensaios, citações e referências críticas sobre a obra do escritor (em formato .RTF).
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A VIDA DE LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL

PEQUENA BIOGRAFIA


Nascido em 1945, Luiz Antonio de Assis Brasil é um porto-alegrense que elegeu o Rio Grande do Sul como casa e um quarto de milênio de história como cronologia pessoal. Passou parte da infância em Estrela, com a família, que de lá retornou à capital em 1957. Cinco anos mais tarde, o jovem Luiz Antonio começa a estudar violoncelo.

Em 1963 termina o curso clássico. O ano do golpe militar coincide com sua entrada no exército. Um ano mais tarde Luiz Antonio ingressa no curso de Direito da PUCRS e também passa a fazer parte da OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Forma-se em Direito em 1970 e em 1975 inicia a colaborar na imprensa com artigos históricos e literários.

Estréia com Um quarto de légua em quadro, lançando o romance na 32a Feira do Livro de Porto Alegre, e que lhe deu o Prêmio Ilha de Laytano. Mais um ano e mais um romance, A prole do corvo. Em 1981 é lançado Bacia das almas. No ano seguinte, Manhã transfigurada, e em 1983 o já consagrado Luiz Antonio de Assis Brasil assume a direção do Instituto Estadual do Livro.

Mais tarde vai à Alemanha, como bolsista do Goethe-Institut. Em 1985 lança aquele que, segundo o autor, é seu livro com maior carga emocional, As virtudes da casa. Começa a coordenar a Oficina de Criação Literária do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS. Mais um ano, mais uma obra, e desta vez uma pausa nos grandes romances, nos painéis de revisão histórica ficcionalmente tratada. É O homem amoroso, uma novelinha com forte acento autobiográfico. Cães da província, em 87, retoma o ciclo histórico, adotando Assis Brasil a Qorpo-Santo como personagem e evocando os crimes da Rua do Arvoredo. O romance, aliás, deu o título de Doutor em Letras ao autor e fez jus ao Prêmio Literário Nacional, do Instituto Nacional do Livro. Em 88 Assis Brasil recebe da Câmara Municial de Porto Alegre o Prêmio Erico Verissimo, pelo conjunto de sua obra. Videiras de cristal, que recria a saga dos Muckers, é lançado em 1990. Nova experiência é o romance em três volumes Um castelo no pampa, que se divide (o autor insiste que não é uma trilogia) em Perversas famílias (92 - ganhador do Prêmio Pégaso de Literatura, da Colômbia, Pedra da memória (93) e Os senhores do século (94). Concerto campestre, Breviário das terras do Brasil e Anais da Província-boi saem em 1997, ano em que o romancista é eleito Patrono da 43a Feira do Livro de Porto Alegre.

Em 2001 publica O pintor de retratos, que recebe o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional.

(Em http://www.paginadogaucho.com.br/laab/bio.htm)


CURRICULUM VITAE RESUMIDO


INTRODUÇÃO

  • Luiz Antonio de Assis Brasil nasceu em Porto Alegre no ano de 1945 em Porto Alegre, onde reside
  • Romancista e Doutor em Letras (1987)
  • Pós-doutorado em Literatura Açoriana (1992 - Universidade dos Açores)
  • Visiting scholar na Brown University, Providence (1998)
  • Distinguished Brazilian Writer in Residence. University of California - Berkeley (2000)

    ATIVIDADES ATUAIS

  • Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
  • Ministrante da Oficina de Criação Literária do Curso de Pós-Graduação em
       Letras da Faculdade de Letras da PUCRS, desde 1985. (26 antologias publicadas)
  • Membro dos Conselhos Editoriais da EDIPUCRS, da Universidade de Caxias do Sul
       e da Revista Signo, da Universidade de Santa Cruz do Sul
  • Membro da Câmara de Letras do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall
  • Membro do Conselho Consultivo da Revista de Literatura Brasileira,
       da Universidade de Brasília
  • Membro da Associação Internacional de Lusitanistas
  • Membro Fundador da Associação Cultural Acervo Literário de Erico Verissimo

    PRÊMIOS LITERÁRIOS MAIS RELEVANTES

  • Prêmio Literário Nacional do Instituto Nacional do Livro
        1988, por Cães da Província.
  • Prêmio Literário Erico Verissimo
        1988, pelo conjunto de sua obra, concedido por unanimidade da
       Câmara de Vereadores de Porto Alegre
  • Prêmio Açorianos de Literatura
       1994/1995, o melhor romance e melhor obra do ano, com Pedra da Memória e Senhores do século
  • Prêmio Pégaso de Literatura Latino-americana de Bogotá
       1994, Colômbia: Menção especial do júri, por Pedra da memória em 1994
  • Prêmio Machado de Assis
         2001, Biblioteca Nacional, por O pintor de retratos

    (Pequeno resumo escrito por Paulo Bentacur, Revista VOX número 01, edição de novembro de 2000)


    A OFICINA DA PUCRS


    O trabalho total da "Oficina da PUC", que dirijo desde 1985 e que funciona junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras, é dividido em dois semestres letivos; isso representa trinta encontros de quatro horas de duração cada qual. São aceitos os candidatos que passam por uma seleção que, com as naturais falhas que possam ter as seleções, visa receber pessoas que revelem intimidade com a literatura; oficinas há que aceitam pessoas sem experiência alguma, mas isso decorre de uma outra proposta, e respeitável e útil como tal.

    Uma vez admitidos, os alunos têm contato com a experimentação narrativa - visto que essa oficina destina-se por exclusivo à narração -, à busca da habilidade nos recursos que a ficção oferece; outrossim, realizam-se certos jogos, ao estilo dos praticados pelos poetas surrealistas. Esses jogos, em geral intrigantes, tendem a mostrar ao aluno que ele é capaz de criar. Ademais, estudam-se o tempo da narrativa, o espaço, o diálogo, as estruturas narrativas, etc., e isso acontece não apenas na intenção de conhecer esses elementos - coisa que um curso de letras dá conta -, mas para mostrar o arsenal técnico que um escritor deve possuir.

    No segundo semestre, para além da seqüência dessas atividades, o aluno pratica o conto, buscando adquirir competência no gênero; não porque o conto seja mais fácil do que as outras formas literárias, mas porque sua pequena dimensão permite uma análise mais direta. Neste semestre, fazendo par com a leitura de contos dos grandes autores, são feitos seminários sobre os contos escritos pelos próprios alunos. No debate sereno, mas firme, são examinadas as virtudes do texto e os eventuais problemas. Isso, aliás, é o que fazemos quanto aos livros que lemos: ou conversando com amigos, ou refletindo individualmente. No final, é publicada uma antologia que reúne os contos elaborados durante o período. São, por evidente, contos iniciais - mas alguns perfeitos e acabados - e assim devem ser entendidos. O empenho futuro de cada aluno será o fiel da balança.

    Caso o leitor queira informações sobre as inscrições, poderá ligar para (51) 3320 3676 (Secretaria do Programa).

    (Luiz Antonio de Assis Brasil em http://www.paginadogaucho.com.br/laab/oficina.htm)


    OFICINAS LITERÁRIAS


    Proposta formalmente nova, é compreensível que as oficinas literárias - também chamadas de laboratórios de textos, laboratórios literários, laboratórios de criação textual ou de redação criativa etc. - despertem curiosidade, receios, incompreensões e preconceitos. Tentarei, nas linhas seguintes, dissipar esses equívocos e, num momento posterior, caracterizar as oficinas e apresentar o trabalho que faço nessa área; para tanto, como é óbvio, terei de recorrer à primeira pessoa, pelo que me desculpo. Esclareço, por oportuno, que escrevi este artigo por pedido expresso do operoso e competente editor da VOX.

    Os laboratórios de texto tiveram seu início nos Estados Unidos, na década de 1930-40, mas foi a partir da Segunda Guerra Mundial que encontraram seu pleno florescimento. Assim, e por primeiro, tornou-se notório o Program in Creative Writing iniciado pela Iowa University em 1936, sob a direção de Wilbur Schramm; sucedido em 1941 por Paul Engle, que o regeu por vinte e cinco anos, o projeto ganhou a feição que o notabilizou: até hoje, são convidados escritores de múltiplas nacionalidades, para lá permanecerem por um tempo não inferior a seis meses. Realizam-se workshops dos mais variados gêneros, conferências, seminários e visitas a escolas; ao mesmo tempo, os participantes dispõem de apoio logísticos para trabalharem em paz - e isso quase sempre resulta num livro. Do Brasil, já tivemos participando João Gilberto Noll, Affonso Romano de Sant'Anna e Charles Kiefer, entre outros.

    No presente momento, quase todas as universidades norte-americanas possuem seus creative writing, e aqui citam-se a University Easter Washington, que trabalha com escritores residentes por temporadas; a University of Cincinnati, dirigida por Josip Novakovich; a Siracuse University, com seu Creative Writing de três anos de duração, findo o qual os alunos - vamos chamá-los assim, faute de mieux - submetem ao julgamento um livro, como thesis; a Rutger University; a Arizona University - seu Creative Writing Program completou vinte anos, com cem obras publicadas e vinte prêmios conquistados, entre estes o Pulitzer.

    Temos a referir a espantosa aventura pessoal de John Gardner (1933-1982), poeta, romancista e crítico, autor de The art of fiction, que por vinte anos atuou com writer's workshops. Um de seus alunos mais famosos foi Raymond Carver (1938-1988), autor de Will you please be quiet, please (1976). Cabe aqui aludir ao importante Associated Writing Programs (AWP), da George Mason University que, funcionando desde 1967, possui uma rede de 320 subsidiárias espalhadas em outras universidades e escolas - a de Nova York é a mais disputada. Estruturada sob a forma escolar, congrega escritores e alunos voltados para a criação literária e privilegia todas as formas, inclusive a poesia e o drama. São famosos seus concursos, com prêmios que vão de dois a dez mil dólares, além da publicação da obra.

    Da França vêm os ateliers d'écritures, iniciados nos finais dos anos 60 do século XX com Elisabeth Bing; mais recentemente, encontramos o reputadíssimo trabalho Claudette Oriol-Boyer, da Universidade de Grenoble III, diretora da revista TEM (Texte en main), que se tornou paradigmática para o desenvolvimento de oficinas, em especial aquelas destinadas ao público escolar do ensino médio. Na Espanha encontramos várias oficinas (em espanhol talleres) em funcionamento, destacando-se como bom exemplo, a Factoría de Alquimia Literaria, composta por diferentes talleres focalizados na criação literária e núcleos de informação. Já na América Latina, tem relevância a Universidad de El Paso (México), que criou um curso de Maestria en Creacion Literaria, bilíngüe, o qual mescla conteúdos da Teoria Literária com exercícios de produção de textos. Grupo bastante atuante na cidade do México é El Libro de los Gatos, dedicada a organizar e promover talleres e cursos. São bem reputadas as oficinas cubanas, com sua imensa dispersão envolvendo sindicatos e associações. Já a Casa de la Cultura Ecuatoriana é uma instituição articulada nacionalmente, com sede em Quito e com vinte e dois núcleos regionais, e que promove feiras de livros e talleres literarios. Da Argentina vem uma atividade interessante: trata-se do Taller Interactivo de Excritura - via correio eletrônico -, coordenado por Laura Calvo; originada na Revista de Criação Literária En el camino, está aberta à colaboração aberta ao público, que, remetendo suas produções, recebe avaliação criteriosa. Ainda da Argentina vem o taller de Ángel Leiva e os ministrados pelos conhecidos escritores Mempo Giardinelli [Luna caliente], Ricardo Piglia [O laboratório do escritor] e pelo professor Nicolás Bratosevich. Nosso vizinho Uruguai também promove vários talleres, que patrocinam reuniões e congressos para troca de informações, e registro aqui o labor de Washington Benavides, que é o Coordenador de Talleres do Ministério da Educação. No Paraguai encontramos Augusto Roa Bastos [Yo, el Supremo] como responsável por diversos talleres itinerantes, que ministra desde que voltou para seu país. O escritor Cyro dos Anjos, em 1962, deu início, na Universidade de Brasília, ao ciclo nacional das oficinas literárias, tendo o grande mérito - entre outros - de trazer à pauta a conveniência dessa classe de laboratórios. Entenda-se: como toda tentativa pioneira, encontrou resistências explícitas e veladas e, no caso, e compreensivelmente, entre os escritores. Em 1966 Judith Grossmann criou uma experiência congênere na Universidade Federal da Bahia, também com resultados entusiasmantes. Em 1975 aconteceu no Rio uma oficina importante, que foi regida por Silviano Santiago e Affonso Romano de Sant´Anna. A partir daí, as oficinas brasileiras encontraram grande acolhida, concentrando-se em geral nas instituições acadêmicas e em órgãos públicos; cito a título exemplar, o laboratório da poeta e professora Maria da Graça Cretton, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora da tese de doutorado Oficina literária: o artesanato do texto (1992). Há outras a nomear, e entre elas lembro as coordenadas por Suzana Vargas e Esdras do Nascimento, ambas no Rio de Janeiro. No Recife encontra-se a do excelente romancista Raimundo Carrero. Funcionam, ainda no Brasil, algumas oficinas on-line, como a de João Silvério Trevisan, denominada Oficina virtual de texto, e hospedada no site do SESC de São Paulo.

    No Rio Grande do Sul, antecedida por algumas desbravadoras iniciativas como a de Lígia Averbuck, foi instituída em 1985 a Oficina de Criação Literária que funciona, de modo ininterrupto, no âmbito do Curso de Pós-Graduação em Letras da Faculdade de Letras da PUCRS. Encarregado de implantá-la pela Prof. Dr. Regina Zilberman, Coordenadora do Curso, ministro-a desde aquele ano. Pela Oficina já passaram 450 alunos. No nosso Estado acontecem outros laboratórios das mais variadas orientações e periodicidades; não os numero para evitar omissões.

    Apesar de todo esse inequívoco acúmulo de realizações nacionais e internacionais, temos de convir que meio século de existência é pouco; será preciso que passe uma geração para que as oficinas sejam aceitas de modo natural e integradas sem restrições ao sistema cultural. Dessa forma, os atuais laboratórios pagam o preço da novidade, gerando um sem-número de mal-entendidos.

    Uma idéia recorrente é atribuir às oficinas uma espécie de uniformização dos textos dos alunos. Trata-se, este, de um pensamento simplificador, e todas as simplificações são vistosas. Temos de pensar um dado, contudo: se ninguém - repito: ninguém - apresentou estudo que viesse a comprovar essa alegada uniformização, circunscrevendo-se ao mero palpite, temos a considerar a realidade da série de vinte e seis antologias de alunos da "Oficina da PUCRS", editadas sob a denominação genérica de Contos de oficina: quem tiver o cuidado de lê-las sem prevenção, verá que ali estão presentes todas as temáticas e todos as opções técnicas imagináveis: há humor, há política, há sátira, há conflito íntimo, há conflito social; por outro lado, esses temas expressam-se na utilização dos mais variados narradores e procedimentos formais. Há textos lineares e fragmentados. Há experimentalismos e "bons comportamentos". Há contos curtos e contos longos. Se têm algo em comum, é a correção e a limpeza textual - o que, pelo sabido, ainda é uma virtude. É ler e conferir, já que os livros estão disponíveis para consulta.

    Uma segunda objeção, sedutora pelo charme de seu enunciado, é a de que nem Flaubert nem Eça (nem Dante, nem Cervantes, acrescento eu) freqüentaram oficinas literárias. É rigorosa e solar verdade; a conclusão de que um autor faz-se ex nihilo, porém, é falaz. Tanto Eça quanto Flaubert pensaram sobre suas composições; o autor de Os Maias submetia seus textos a colegas (Ramalho Ortigão foi um deles) e, em função disso, refazia a escrita, acertava a forma e refletia muito sobre o que escrevera. Flaubert possuía suas vítimas preferidas; em 25 de setembro de 1852, mandou uma carta a Louise Colet, na qual revela, a certa altura: "Começo a adiantar um pouco [a escrita de Mme. Bovary]. Esta semana foi a mais tolerável. Pelo menos, entrevejo algo no que faço. No domingo passado Bouilhet [Louis Bouilhet (1821-1869), autor de Château des coeurs] me deu excelentes conselhos depois da leitura dos meus esboços". Por outro lado, o mesmo Flaubert não teve dúvidas em dizer a Eugène Fromentin (1820-1876), em 19 de julho de 1876: "Não condeno senão uma coisa [na obra Les maîtres d´autrefois, de Fromentin]: talvez o tamanho. Seu livro teria ganho em intensidade se tivesse suprimido algumas repetições; a literatura é a arte dos sacrifícios". O jovem Balzac teve a firme influência e a colaboração de Auguste Lepoitevin (1793-1854) o qual, em estudo recente de Graham Robb [Balzac, a biography (1994)] aparece inclusive como parceiro literário nos primeiros romances do autor da Comédie humaine. Aqui ainda evoco as dezenas de cartas de aconselhamento literário que Anton Tchekov escreveu a seu irmão, pretenso escritor, corrigindo-o, sugerindo, quando não insultando-o. A aliança Borges-Bioy Casares é o exemplo mais célebre de mútuo estímulo e troca, o que deu origem àquele ser híbrido e caricatural de Gisèle Freund, Biorges. Antes de encerrar o parágrafo, remeto, a título de curiosidade, à célebre crítica que Machado de Assis escreveu ao O primo Basílio, na Revista O Cruzeiro, de 16 de abril de 1878. Ali, pela primeira vez, foi dita em português, a expressão "oficina literária". A certo instante do texto - na verdade, uma desanda geral - diz Machado: "[Eça de Queirós] transpôs ainda há pouco as portas da oficina literária..." Claro está que não se refere ao fenômeno moderno que nos agora nos ocupa, mas chama a atenção para a existência de uma técnica da literatura e para a necessidade de um aprendizado dessa técnica.

    Essas trocas de juízos e de conselhos são conhecidas de todos. Qualquer escritor com carreira antiga recebe originais para parecer - às vezes sem os pedir; quando calha, o escritor dá conta de sua leitura e responde, com eventuais sugestões ou críticas. Outrossim, o escritor recebe cartas (ou e-mails) comentando seu livro. Às vezes até ocorre um encontro pessoal. Ora, tudo isso é atividade típica de uma oficina: a diferença é que esta não possui o método das outras, as regulares. Quem trabalha com crítica genética sabe as mil modulações dos textos em sua evolução: as versões preliminares, que redundam na versão definitiva, são um rico material de estudo para comprovarmos o quanto a maioria dos autores depende de avaliações prévias daquilo que escrevem. Relembro aqui, a título de paralelismo, os estúdios dos artistas plásticos antigos e modernos: cercados de alunos, esses profissionais eram e são também mestres, ensinando ao noviço os artifícios de sua arte. Ora, essas atitudes de convívio configuraram laboratórios informais que, entretanto, não impediram o surgimento das academias de artes que vieram, por assim dizer, disciplinar o estudo, no intento de torná-lo mais eficiente. Por que haveria de ser diverso com a literatura que, salvo melhor juízo, é uma arte como as outras?

    Encaminhamo-nos assim, à constatação de que sempre houve oficinas, e eu diria mais: são tão antigas quanto a própria literatura. A oficina regular, no entanto, possui pelo menos quatro ganhos em relação àquelas, assistemáticas: a) o aluno se obriga a uma produção constante; b) as conquistas técnicas são mais rápidas, decorrentes da sistematização; c) enquanto o amigo e leitor/revisor ad hoc pode nos trair, ocultando-nos algo menos bom, os oficineiros e o ministrante comportam-se com liberdade ao avaliar os textos dos alunos e colegas; d) as leituras e análises são organizadas, visando um ganho mais efetivo.

    Preciso é então dizer, como corolário, que as oficinas não se constituem em fábricas de escritores, assim como as diferentes academias de arte - já seculares e incorporadas ao quotidiano - não fabricam pintores, escultores, músicos. São lugares de criação, troca de idéias e aconselhamento. Tal como acontece na vida.

    Ademais, o momento estético em que vivemos já não contempla espaço para o ignorante-iluminado, aquele escritor que desconhece seus métodos de composição e não consegue pensar sobre eles; hoje o escritor é versado não apenas naquilo que se denomina de cultura geral, mas é alguém que sabe discorrer sobre suas obras.

    Se é possível pensarmos a existência de pintores primitivos, não há escritores primitivos. Todos resultam de muito suor, muita leitura, muita informação, cultura e conhecimento técnico. A propósito, um número expressivo dos escritores atuais vêm do meio universitário, e essa é uma tendência universal. O espaço privilegiado de gênese e vivência dessa nova categoria de escritores é a oficina literária, e de forma crescente os escritores provirão de oficinas. Em nosso meio rio-grandense são inúmeros os casos, e o leitor que acompanha a cena dos livros conhece bem esses autores, pois estão aí, premiados, validados pela crítica e esgotando edições de suas obras.

    Pensado na raiz dos preconceitos e equívocos, percebe-se, subjacente, uma atitude algo elitista, algo reacionária, algo romântica - a que se concede o benefício da sinceridade - que leva alguns autores a acreditarem apenas na inspiração - palavra fluida e confusa, de viés esotérico - e no talento, que se nos afigura mais problemático, por dividir as pessoas entre talentosas e não-talentosas, partição inaceitável num mundo que se esforça para, sem discriminações, assimilar e a integrar as diferenças e as minorias. A propósito, há um interessante livro de Beth Joselow, chamado, muito significativamente, de Writing without the muse. (1995).

    Chega-se agora à pergunta: o que se faz, então, numa oficina literária? Para que a resposta seja satisfatória, peço a paciência do leitor para uma sumária explanação do meu plano de estudos - o qual, naturalmente, conheço melhor do que outros.

    O material que utilizo são, na maior parte, de elaboração pessoal, mas sirvo-me, e bastante, dos exemplos norte-americanos e franceses, por serem complementares: se por um lado os autores americanos trazem uma série de exercícios que visam à criação imediata (Muriel Anderson, Harry Golden, John Gardner, Dennis Whitcomb, Robert Meredith, Pauline Bloom, Don James, Susan Thaler, Rust Hills, entre outros), já os franceses (Odile Pimet, Claire Boniface, Andrée Guiguet, Nicole Voltz, Alain Andre, Raymond Queneau, etc.) buscam um aprendizado mais longo e mais profundo - isso não impediu que A. Duchesne e Th. Leguay publicassem em 1990 um livro a que denominaram, de modo ironicamente pragmático e provocador, de Petite fabrique de littérature, já um clássico. Dito isso, podemos tirar algumas conclusões, e para que fiquem bem claras, é preciso lembrá-las:

    Atividade mundialmente consagrada, as oficinas são uma característica do momento literário contemporâneo, que assim se renova e amplia no plano experimental.

    As oficinas sempre existiram, e apenas agora se institucionalizam sob a forma de um curso - passe a palavra - organizado por um escritor que é, ao mesmo tempo, seu professor.

    As oficinas evidenciam, pela produção comprovável de seus alunos, que não são tolhidas as formas individuais de expressão literária; muito ao contrário: a discussão coletiva dos textos propicia diversidades estilísticas e de conteúdo, fazendo com que o aluno se aventure pela inovação estética.

    O fato de freqüentar uma oficina não transforma ninguém em escritor, assim como freqüentar uma escola de dança não transforma ninguém em bailarino.

    É possível realizar uma carreira ou uma brilhante obra literária - e até ganhar o Nobel - sem que se passe por uma oficina, e a história está aí para confirmar de modo esmagador; contudo, numa oficina os caminhos tornam-se mais breves, e a possibilidade de erros de percurso é bem menor.

    Não sendo o fim e nem o começo de nada, as oficinas demonstram ser uma passagem, e de reconhecido proveito. É só perguntar a quem já cruzou por elas.

    (Luiz Antonio de Assis Brasil em http://www.paginadogaucho.com.br/laab/oficina.htm)


    TEMPO DE LETRAS


    O escritor LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL apresenta na UniTV - TV Universidade, canal 15 da Net de Porto Alegre, o programa Tempo de Letras onde realiza entrevistas com escritores renomados. Existente há mais de quatro anos, pode ser acompanhado nos seguintes horários, todas as semanas:

    AO VIVO: Quarta-feira - 22h
    REPRISE: Quinta-feira - 21h
    REPRISE: Sábado - 21h
    REPRISE Reprise: Domingo - 21h

    (Em http://www.paginadogaucho.com.br/laab/destaque.htm)


    OBRAS NO CINEMA


    O talento de Luiz Antonio foi reconhecido por diversos cineastas que adaptaram e estão adaptando obras suas para o cinema. Você pode visitar os sites dos filmes clicando nos cartazes abaixo.






    Videiras de cristal

    Direção de Fábio Barreto
    Roteiro de Ana Miranda.









    Concerto campestre

    Direção de Henrique Freitas Lima
    Roteiro de Tabajara Ruas




    Além dos filmes de sucesso acima, existem três filmes em processo de produção:

    Manhã transfigurada
    A estrear em 2003.

    Um quarto de légua em quadro
    Direção e roteiro de Paulo Nascimento.
    Roteiro ganhador dos recursos do Prêmio RGE Energia.
    Filmagens previstas para março de 2003.

    O pintor de retratos
    Direitos de adaptação cedidos em 2002 a Lauro Escorel.
    Direção de Sérgio Assis Brasil

    (Em http://www.paginadogaucho.com.br/laab/destaque.htm)


    CURRICULUM VITAE DE LUIZ ANTONIO

    Versão completa


    Toda a obra, atividades literárias, acadêmicas, artigos, orientações de tese etc. de Luiz Antonio de Assis Brasil está apresentada a seguir. Você pode aguardar o carregamento do currículo ou optar por interromper o carregamento da página e realizar o download do currículo em arquivo compactado (ZIP). Neste caso clique AQUI.


    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
    Faculdade de Letras,
    Programa de Pós-Graduação em Letras






    CURRICULUM VITAE

    Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva

    Dezembro, 2002







    1 - DADOS PESSOAIS

     

    Nome: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva

    Nome em citações bibliográficas: BRASIL, Luiz Antonio de Assis

    Sexo: masculino

    Filiação: Amilcar de Assis Brasil e Silva e Glacy Pereira de Assis Brasil e Silva

    Nascimento: 21/06/1945, Porto Alegre/RS - Brasil

    Carteira de identidade: 6001929758 / SSP / RS / 29/06/1998

    CPF: 00645656020

     

    Endereço profissional: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

    Faculdade de Letras,

    Programa de Pós-Graduação em Letras

    Av. Ipiranga, 6681

    Partenon

    90619900 Porto Alegre, RS - Brasil - Caixa Postal: 1429

    Telefone: (51) 33203676 Fax: 33203676

    E-mail: laab#pucrs.br

     

     

     

    2 - FORMAÇÃO ACADÊMICA/TITULAÇÃO

     

    1992 - 1992 Pós-doutorado.

    Universidade dos Açores, UA, Portugal.

    Bolsista do(a): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPQ,

    Brasil.

    Áreas do conhecimento: Letras.

    1988 - 1988 Doutorado em Lingüística e Letras.

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUC-RS, Rio Grande do Sul, Brasil.

    Título: Cães da Província. Ano de obtenção: 1988.

    Orientador: Antonio Silvestre Mottin.

    Palavras-chave: Criação Literária; Romance Brasileiro; Romance Histórico; Qorpo-Santo; A insanidade mental como

    tema literário.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Romance Brasileiro; Literatura Sul Rio-grandense.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    1965 - 1970 Graduação em Ciências Jurídicas e Sociais.

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUC-RS, Rio Grande do Sul, Brasil.

     

     

    3 - ATUAÇÃO PROFISSIONAL

     

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC-RS

     

    Vínculo institucional

    1975 - Atual Vínculo: Servidor público ou celetista, Enquadramento funcional: Professor titular,

    Regime: Dedicação exclusiva.

     

    Atividades
    3/1990 - Atual Serviços técnicos especializados, Instituto de Letras e Artes, Curso de

    Pós-Graduação em Letras.

     

    Serviços realizados

    1. Membro do Conselhor Editoral da EDIPUCRS.

     

    3/1975 - Atual Pesquisa e desenvolvimento, Instituto de Letras e Artes, Curso de

    Pós-Graduação em Letras.

     

    Linhas de pesquisa

    1. Teoria da Literatura.

    2. Literaturas de Expressão Portuguesa.

     

    University Of California Berkeley - UC - BERKELEY

     

    Vínculo institucional

    2000 - 2000 Vínculo: Outro, Enquadramento funcional: Distinguished Brazilian Writer en Residence,

    Carga horária: 20.

     

    Outras informações

    O "Distinguished Brazian Writer in Residence" é um programa da UC Berkeley em convênio com

    o Ministério de Relações Exteriores do Brasil, através do qual é enviado, anualmente, um escritor

    brasileiro para que dê aulas, palestras e leituras públicas, referentes a sua obra e à Literatura

    Brasileira.

     

    Universidade Federal do Piauí - UFPI

     

    Vínculo institucional

    1999 - 1999 Vínculo: Professor visitante, Enquadramento funcional: Professor titular, Carga horária:

    16.

     

    Outras informações

    Ministrei a Disciplina"Literatura e História" como parte do convênio entre a PUCRS e a UFPI, que

    instituiu o Curso de Mestrado Interinstitucional.

     

    Brown University - B.U.*

     

    Vínculo institucional

    1998 - 1998 Vínculo: Colaborador, Enquadramento funcional: Palestrante eventual, Carga horária: 20.

     

    Outras informações

    Ministrei conferências sobre minha obra e sobre a Literatura Brasileira a estudantes de

    pós-graduação de Letras.

     

    Universidade dos Açores - UA

     

    Vínculo institucional

    1992 - 1992 Vínculo: Pós-Doutorado, Enquadramento funcional: Professor titular.

     

    Outras informações

    Bolsa CNPq de Pós-Doutoramento. Tema: A Literatura Açoriana Pós-25 de Abril.

     

    1990 - 1990 Vínculo: Professor visitante, Enquadramento funcional: Professor titular, Carga horária: 4.

     

    Outras informações

    Ministrei, na ocasião, a Cadeira de Literatura Brasileira

     

    Atividades

    2/1990 - 4/1990 Ensino, Letras, Nível: Graduação.

    Disciplinas ministradas

    1. Literatura Brasileira.

     

    Associação Gaúcha de Escritores - AGE

     

    Vínculo institucional

    1987 - 1989 Vínculo: Administrativo, Enquadramento funcional: Presidência.

     

    Atividades

    1/1987 - 1/1989 Direção e administração.

     

    Cargos ou funções

    1. Presidente.

     

    Universidade Federal de Sergipe - UFS

     

    Vínculo institucional

    1989 - 1989 Vínculo: Professor visitante, Enquadramento funcional: PROFESSOR CONVIDADO,

    Carga horária: 20.

     

    Outras informações

    Ministrei Oficina de Criação Literária a alunos de letras da UFSE

     

    Atividades

    10/1989 - 10/1989 Outras atividades técnico-científicas, Centro de Educação de Ciências

    Humanas.

     

    Atividades realizadas

    1. Oficina de Criação Literária.

     

    Subsecretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul - SUSEC

     

    Vínculo institucional

    1986 - 1987 Vínculo: Servidor público, Enquadramento funcional: Subsecretário.

     

    Outras informações

    Na altura, a denominada Subsecretaria de Estado da Cultura é a atual Secretaria de Cultura do

    Estado.

     

    Atividades

    3/1986 - 3/1987 Direção e administração, Subsecretaria.

     

    Cargos ou funções

    1. Subsecretário.

     

    Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul - IELRS

     

    Vínculo institucional

    1983 - 1986 Vínculo: Cargo eletivo, Enquadramento funcional: Diretor, Carga horária: 20.

     

    Atividades

    3/1983 - 3/1986 Direção e administração.

     

    Cargos ou funções

    1. Diretor.

     

    Divisão de Cultura do Município de Porto Alegre - DC

     

    Vínculo institucional
    1981 - 1983 Vínculo: Servidor público, Enquadramento funcional: Diretor, Carga horária: 40.

     

    Atividades

    1/1981 - 1/1983 Direção e administração.

     

    Cargos ou funções

    1. Diretor.

     

     

    4 - ÁREAS DE ATUAÇÃO

     

    1 Letras, Teoria Literária.

    2 Outras Literaturas Vernáculas, Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    3 Teoria Literária, Criação Literária.

     

     

    5 - IDIOMAS

     

    Compreende: Alemão (Pouco), Espanhol (Bem), Francês (Bem), Inglês (Bem), Italiano (Razoavelmente).

    Fala: Alemão (Pouco), Espanhol (Bem), Francês (Bem), Inglês (Bem), Italiano (Pouco).

    Lê: Alemão (Pouco), Espanhol (Bem), Francês (Razoavelmente), Inglês (Razoavelmente),

    Italiano (Razoavelmente).

    Escreve: Alemão (Pouco), Espanhol (Bem), Francês (Razoavelmente), Inglês (Razoavelmente),

    Italiano (Razoavelmente).

     

     

    6 - PRÊMIOS E TÍTULOS

     

    2001 Medalha Irmão Afonso, PUCRS.

    1997 Cidadão Estrelense, Câmara de Vereadores de Estrela, RS.

    1997 Patrono da 43ª Feira do Livro de Porto Alegre, Câmara Rio-grandense do Livro.

    1994 Premio Açorianos de Literatura, Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

    1994 Prêmio Pegaso de Literatura, Mobil/Colômbia.

    1994 Destaque do Ano em Cultura, Jornal do Comércio, SA.

    1993 Premio Açorianos de Literatura, Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

    1993 Medalha Cidade de Porto Alegre, Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

    1987 Premio Literário Nacional, Instituto Nacional do Livro.

    1987 Premio Literário Érico Veríssimo, Câmara Municipal de Porto Alegre.

     

     

    7 - PRODUÇÃO CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA E ARTÍSTICA/CULTURAL

     

    7.1 - PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

     

    7.1.1 - Trabalhos completos em eventos

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Discussão da identidade açoriana na obra de Daniel de Sá. In:

    SEXTO CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE LUSITANISTAS, 1999, Rio de Janeiro.

    CD-RM. 1999.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Açoriana; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Classificação do evento: Internacional; Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Análise literária das obras "Ilha grande fehada" e "Crônica do Despovoamento das Ilhas", do escritor dos Açores Daniel de Sá.

    Mostra-se, neste artigo, que ambos textos ficcionais são significativos para a construção de um identidade cultural açoriana.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A figura do herói em O tempo e o vento de Érico Veríssimo e Em

    Mau tempo no canal: um paralelo. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESTUDOS NEMESIANOS,

    1998, Ponta Delgada, Portugal. Nemésio: vinte anos depois. Lisboa, Portugal: COSMOS, 1998. v. 1, p.

    299-305.
    Palavras-chave: Érico Veríssimo; Literatura Açoriana; Literatura Sul Rio-grandense; Mau Tempo No Canal; O Tempo e O Vento;

    Vitorino Nemésio.

    Áreas do conhecimento: Literatura Comparada; Romance Português.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Classificação do evento: Internacional; Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN:

    9727621422.

    Trabalho em que analiso a natureza do herói nas duas obras: enquanto que Vitorino Nemésio trabalha com um herói colectivo,

    isto é, o povo açoriano, Érico Verissimo trata de um herói singular, o Capitão Rodrigo Cambará, de "O tempo e o vento".

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. História e Literatura. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL

    GÊNEROS DE FRONTEIRA, 1996, São Paulo. Anais do Seminário Internacional Gêneros de Fronteira.

    São Paulo: USP, 1997. v. 1, p. 384-387.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Brasileira; Romance Histórico.

    Áreas do conhecimento: Romance Histórico.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Classificação do evento: Internacional; Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Análise literária de romances históricos latino-americanos.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; HILGERT, Tania Maria Kuchemberger Rosing, Tenisa Jose

    Gaston. Política e Literatura Sul Rio Grandenses. In: VI JORNADA NACIONAL DE LITERATURA, ANAIS

    DA VI JORNADA NACIONAL DE LITERATURA. PASSO FUNDO: 1997. v. 1, p. 281-286.

    Palavras-chave: Política e Literatura.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A idéia de permanência na obra de José Martins Garcia. In: XIV

    ENCONTRO DE PROTESSORES BRASILEIROS DE LITERATURA PORTUGUESA, 1994, Porto Alegre.

    Anais da XIV Jornada de Professores Brasileiros de Literatura Portuguesa. Porto Alegre: EDIPUCRS,

    1994. v. 1, p. 238-242.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana; José Martins Garcia.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Classificação do evento: Nacional; Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Analiso a obra de José Martins Garcia, escritor açoriano da geração do Pós-25 de Abril, através da perspectiva da permanência.

     

    7.1.2 - Artigos completos publicados em periódicos

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Céus de Pindorama. Blau, Porto Alegre, v. 32, n. 1, p. 2-3, 2001.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Brasileira; Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Resenha sobre o livro "Céus de Pindorama", de Nilson Luiz May.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Hamlet. Revista de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica de

    Porto Alegre, Porto Alegre, v. VIII, n. 2, p. 337-340, 2001.

    Palavras-chave: Dramaturgia.

    Áreas do conhecimento: Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN: 14134438.

    Análise literária da personagem "Hamlet", do drama do mesmo nome, de Shakespeare.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A América é um grande chocolate. Vértice, Lisboa, v. 96, n. 1, p.

    111-112, 2000.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Portugal/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Análise literária do romance "Já não gosto de chocolates", do escritor português-açoriano Álamo Oliveira. Nessa obra, está

    representada a emigração dos Açores para a Califórnia, na família de José Silva (nos Estados Unidos chamado de Joe Sylvia).

    Destaca-se, na análise, que os emigrantes, não obstante adquirirem o conforto e até a riqueza, perdem, quase sempre, a sua

    identidade.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Açores: temas narrativos. Revista Brasileira de Letras, São Carlos

    SP, v. 1, n. 1, p. 55-62, 2000.
    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Período Pós-25 de Abril.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Série: 1999.

    Artigo em que é recuperada a produção ficcional-narrativa da Literatura Açoriana pós-Revolução dos Cravos.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; BARRETO, Fábio; BARCELLOS, Daisy Macedo de. Debate.

    Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 6, n. 14, p. 261-300, 2000.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN: 01047183.

    O texto relacionado é a transcrição de um debate realizado sob o patrocínio do Programa de Pós-Graduação em Antropologia

    Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; o tema foi o episódio histórico dos Mucker, que já produziu várias

    expressões artísticas, tais como: cinema, literatura, artes plásticas, teatro. O debate reuniu o cineasta Fábio Barreto, a

    antropóloga Daisy Barcellos e Luiz Antonio de Assis Brasil.

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Um contista e seus talentos. Expressão, Santa Maria, v. 4, n. 1, p.

    208-209, 2000.

    Palavras-chave: Análise de autores; Conto.

    Áreas do conhecimento: Conto.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Série: 2; ISSN/ISBN: 15169349.

    Análise Literária do livro de contos "Meu sonho acaba tarde", de Leonardo Brasiliense Junior.

     

    7 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Viajantes pelo Rio Grande do Sul. Ciência e Ambiente, Santa

    Maria, RS, v. 19, p. 53-56, 2000.

    Palavras-chave: Crítica; Crônica; Literatura de Viagem; Historia do Rio Grande do Sul; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Outras Literaturas Vernáculas; Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Artigo em que são recuperados criticamente os textos dos viajantes estrangeiros ao Rio Grande do Sul no século 19, em

    especial Auguste de Saint-Hilaire, Avé Lallemand, Aimé Bonpland, Arsène Isabelle e A. Baguet.

     

    8 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A narrativa açoriana pós-Revolução dos Cravos: uma breve

    notícia. Via Atlântica, São Paulo, v. 3 1999, p. 204-223, 1999.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Período Pós-25 de Abril.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN: 15165159.

    Artigo em que é revista toda a Literatura Açoriana pós-Revolução dos Cravos, dando ênfase à narrativa.

     

    9 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Entrevista. Brasil/Brazil - Revista de Literatura Brasileira/A Journal

    of Brazilian Literature, Porto Alegre, v. 21, p. 111-129, 1999.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Literatura Sul Rio-grandense; Teoria Literária; Romance Histórico; Motivações Literárias.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro; Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN: 0103751X.

    Entrevista em que discorro sobre vida e obra, e em especial as motivações literárias de minha carreira de escritor e professor.

     

    10 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Vamberto Freitas e o sistema literário açoriano. Vértice, Lisboa,

    Portugal, v. 88, n. 1, p. 103-105, 1999.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Inglês; Meio de divulgação: Impresso.

     

    11 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Vamberto Freitas: Mar Cavado - da Literatura Açoriana e de

    outras literaturas. Arquipélago - Línguas e literaturas, Ponta Delgada, Portugal, v. 1, n. 1, p. 458-460,

    1998.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Inglês; Meio de divulgação: Impresso.

     

    12 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A Literatura Sul Rio-grandense como definidora de uma cultura.

    DIFERENTES & PARECIDOS, BUENOS AIRES, v. 2, p. 12-14, 1997.
    Palavras-chave: Literatura Platina; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    13 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; BRASIL, Luiz Antonio de Assis. Eça de Queirós e Érico Veríssimo.

    CADERNOS DO CENTRO DE PESQUISAS LITERÁRIAS DA PUCRS, PORTO ALEGRE, v. 2, n. 3, p.

    72-77, 1997.

    Palavras-chave: Eça de Queirós; Érico Verissimo.

    Áreas do conhecimento: Literatura Comparada.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    14 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. No seio desse amargo mar. VERTICE, LISBOA, v. 76, p. 94-95,

    1997.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    15 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A castle in the pampa. REVIEW: LATIN AMERICAN LITERATURE

    ANS ARTS, NEW YORK, v. 53, p. 13-16, 1996.

    Palavras-chave: Romance; Um Castelo No Pampa.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Estados Unidos/Inglês; Meio de divulgação: Impresso.

    Capítulo de meu romance "Perversas famílias", primeiro volume da trilogia "Um castelo no pampa".

     

    16 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A cidade cercada de pampa. CONTINENTE SUL/SUR, PORTO

    ALEGRE, v. 1, p. 23-26, 1996.

    Palavras-chave: Literatura Argentina; Literatura Rio-grandense do Sul; Literatura Uruguaia.

    Áreas do conhecimento: Letras; Literatura Comparada.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    17 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Burra preta com uma lágrima. LETRAS DE HOJE, PORTO

    ALEGRE, v. 31, n. 1, p. 129-130, 1996.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    18 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Eça de Queirós e O Brasil. LETRAS DE HOJE, PORTO ALEGRE,

    v. 31, n. 1, p. 7-12, 1996.

    Palavras-chave: Eça de Queirós; Influencias Literárias; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Outras Literaturas Vernáculas.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    19 BRASIL, Luiz Antonio de Assis; SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Escritores, ficção e sedução.

    LETRAS, SANTA MARIA, v. 13, p. 127-130, 1996.

    Palavras-chave: Autores; Criação Literária; Metatexto Literário.

    Áreas do conhecimento: Letras; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    20 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O escrever: motivações e funções. REVISTA DE PSIQUIATRIA

    DO RIO GRANDE DO SUL, PORTO ALEGRE, v. 18, n. 18, p. 39-40, 1996.

    Palavras-chave: Criação Literária; Motivações Literárias.

    Áreas do conhecimento: Teoria Literária.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    21 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Marcas de um povoamento. DOCUMENTOS, Santa Cruz do Sul,

    RS, v. 5, p. 155-164, 1995.

    Palavras-chave: Colonizacao Alema No Rgs; Historia do Rio Grande do Sul.

    Áreas do conhecimento: História Regional do Brasil.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.


    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Artigo em que se analisa o povoamento açoriano no Rio Grande do Sul.

     

    22 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A Narrativa Açoriana Pós-25 de Abril. ORGANON, v. 8, n. 21, p.

    71-79, 1994.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Literatura Portuguesa; Período Pós-25 de Abril.

    Áreas do conhecimento: Outras Literaturas Vernáculas.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    23 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; BRASIL, Luiz Antonio de Assis. Aberração. BRASIL/BRAZIL,

    PORTO ALEGRE, v. 11, p. 135-139, 1994.

    Palavras-chave: Bernardo Carvalho; Contos; Critica.

    Áreas do conhecimento: Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    24 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Criação e linguagem literária. REVISTA DE PSIQUIATRIA DO RIO

    GRANDE DO SUL, PORTO ALEGRE, v. 16, n. 1, p. 6-9, 1994.

    Palavras-chave: Criação Literária; Laboratório de Criação; Oficinas Literárias.

    Áreas do conhecimento: Teoria Literária; Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Ensaio em que analiso a gênese da Criação literária.

     

    25 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Un château dans la pampa. Liberté, Montréal, v. 36, n. 1, p.

    118-133, 1994.

    Palavras-chave: Antologia; Autores brasileiros; Romance; Romance Histórico; Romance Brasileiro.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Canadá/Francês; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN: 00242020.

    Capítulo de meu romance "Um castelo no pampa", primeiro volume da trilogia "Um castelo no pampa". Tradução de Florence

    Carboni.

     

    26 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Rio Grande do Sul: caminhos para um paralelo cultural e literário.

    ATLANTIDA, v. 37, p. 125-141, 1992.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Literatura Brasileira; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Literatura Comparada.

    Referências adicionais: Brasil/Inglês; Meio de divulgação: Impresso.

     

    27 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O passado, mas o futuro. Adverso Associação dos Docentes da

    Ufrgs, Porto Alegre, v. 37, p. 125-141, 1991.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Brasileira; Cyro Martins.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Análise da obra do escritor Cyro Martins.

     

    7.1.3 - Livros publicados

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O pintor de retratos. Porto Alegre: L&PM, 2001. v. 1.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8524510861.

    Romance que tem como protagonista Sandro Lanari.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Anais da Província-boi. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO,

    1997. v. 1. 60 p.

    Palavras-chave: Crônica; Crônicas históricas.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Reunião de pequenas crônicas (algumas podem ser consideradas ficções) sobre episódios da História do Rio Grande do Sul.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Breviário das terras do Brasil. PORTO ALEGRE: L&PM, 1997. v.

    1. 180 p.
    Palavras-chave: Romance; Literatura Brasileira; Inquisição no Brasil.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Romance que tem por tema a Inquisição no Brasil do século XVIII.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Concerto campestre. PORTO ALEGRE: L&PM, 1997. v. 1. 120 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Romance que se passa no interior do Rio grande do Sul, tendo como motivo uma orquestra criada por um

    estancieiro-charqueador.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Os senhores do século. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1994. v. 1.

    388 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8528003078.

    Terceiro volume da trilogia "Um castelo no pampa".

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Pedra da memória. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO, 1993.

    v. 1. 489 p.

    Palavras-chave: Narrativa; Romance.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Segundo volume da trilogia "Um castelo no pampa".

     

    7 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Perversas famílias. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO, 1992.

    v. 1. 403 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    primeiro volume da trilogia "Um castelo no pampa".

     

    8 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Videiras de cristal. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO, 1990.

    v. 1. 542 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Romance que tem como tema a rebelião messiânica dos Muckers (1874), ocorrida na colônia alemã do Rio grande do Sul, e

    liderada por Jacobina Maurer.

     

    9 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Cães da Província. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO, 1987.

    v. 1. 252 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Romance que tem como protagonista o dramaturgo gaúcho do século XIX, José Joaquim de Campos Leão, chamado de

    Qorpo-Santo.

     

    10 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O homem amoroso. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO,

    1986. v. 1. 118 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Novela que se passa nos bastidores de uma orquestra sinfônica durante a ditadura militar brasileira.

     

    11 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. As virtudes da casa. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO,

    1985. v. 1. 387 p.


    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Romance psicológico que tem como motivo deflagrador a visita de um francês a uma estância gaúcha nos inícios do século XIX.

     

    12 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Manhã transfigurada. PORTO ALEGRE: L&PM, 1982. v. 1. 124 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Novela psicológica ambientada no RS nos finais do século XVIII.

     

    13 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Bacia das almas. PORTO ALEGRE: L&PM, 1981. v. 1. 266 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Romance.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Romance ambientando na década de 30, no Rio Grande do Sul, e que discute a instituição social do coronelismo.

     

    14 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A prole do corvo. PORTO ALEGRE: MOVIMENTO, 1978. v. 1. 185

    p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Romance que tem por cenário a Revolução Farroupilha, desmitificando os heróis.

     

    15 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Um quarto de légua em quadro. PORTO ALEGRE: MOVIMENTO,

    1976. v. 1. 190 p.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Romance sobre o povoamento açoriano no Sul do Brasil.

     

    7.1.4 - Capítulos de livros publicados

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Aquilo que o Direito diz. In: SYTIA, Celestina Vitória Moares.

    (Org.). O Direito e suas instâncias lingüísticas.. Porto Alegre, 2002, v. 1, p. 15-17.

    Palavras-chave: Análise de autores; Análise de temáticas e procedimentos; Crítica da Cultura.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8575252046.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. As artes da dramaturgia. In: IEL. (Org.). Hotel Rosa-Flor. Porto

    Alegre, 2002, v. 1, p. 5-9.

    Palavras-chave: Análise de autores; Criação Literária; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8570632754.

    Prefácio.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Literatura gaúcha: um exercício de História e Geografia. In:

    BORDINI, Maria da Glória. (Org.). Centro Cultural Érico Veríssimo: memória que gera cultura, cultura que

    gera memória.. Porto Alegre, 2002, v. 1, p. 17-33.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Literatura Rio-grandense do Sul; História literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Artigo referente à história literária do Rio Grande do Sul desde seus primórdios até Érico Veríssimo.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O doente não-imaginário anda a 140 Km por hora. In: IEL. (Org.).

    Autor Presente 30 anor.. Porto Alegre, 2002, v. 1, p. 66-68.

    Palavras-chave: Criação Literária; Crônica; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.


    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8570632827.

    Depoimento sobre o projeto "Autor Presente", promoção do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, que, em 2002,

    completa 30 anos de atividades.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O quotidiano transfigurado. In: TOMÉ, Carlos Manuel da Costa.

    (Org.). A noite dos prodígios. Lisboa, 2002, p. 11-16.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Literatura Portuguesa; Análise de autores; Crônica.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Portugal/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 9726892112.

    Análise da obra "A noite dos prodígios", do escritor açoriano/português Carlos Tomé.

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Um índio conta sua história. In: FONSECA, Roberto. (Org.).

    História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2002, v. 1, p. 5-6.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura e história; Autores brasileiros; Historia do Rio Grande do Sul.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8574971197.

    Prefácio ao livro "História do Rio Grande do Sul", de Roberto Fonseca.

     

    7 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A cidade cercada de pampa. In: SANCHES NETO, Miguel. (Org.).

    Mestre da crítica. Curitiba, 2001, p. 149-156.

    Palavras-chave: Criação Literária; Análise de autores; Estudos interculturais.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISBN: 8574750328.

    Livro em homenagem aos 80 anos de Wilson Maryins.

     

    8 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A voz do pântano. In: CAPARELLI, Sérgio. (Org.). Pata maldita.

    Porto Alegre, 2001, v. 1, p. 9-13.

    Palavras-chave: Autores brasileiros; Literatura Sul Rio-grandense; Novela.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Homepage: www.ad.com.br; Número da revisão: 1; ISBN:

    8588715015.

    Capítulo inicial de obra de ficção escrita por meio digital, agora publicada em impressão gráfica.

     

    9 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Capitão Rodrigo Cambará. In: MOTA, Lourenço Dantas; ABDALA

    JUNIOR, Benjamin. (Org.). Personae. São Paulo, 2001, v. 1, p. 209-236.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Brasileira; Érico Veríssimo; Capitão Rodrigo; O tempo e o vento.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISBN: 8573592249.

    Análise literária do segmento "Um certo capitão Rodrigo", de "O tempo e o vento", de Érico Verissimo.

     

    10 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Contos da maturidade. In: SANTOS, Walmor. (Org.). No sótão

    dormem bonecas. Porto Alegre, 2001, p. 7-10.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISBN: 8587187783.

    Prefácio à coletânea de contos "No sótão dormem bonecas", de Cleci Silveira.

     

    11 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Dos livros e suas viagens. In: BENTANCUR, Paulo. (Org.). Os

    livros impossíveis. Paris, 2001, v. 1, p. 9-10.

    Palavras-chave: Análise de autores; Crítica da Cultura; Estudos interculturais.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Língua Portuguesa; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: França/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 2745420984.

    Análise da obra "Os sonhos impossíveis", de Paulo Bentancur.

     

    12 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Entre Érico Veríssimo e Vitorino Nemésio. In: LETRAS,

    Associação Santamariense de. (Org.). Antologia em prosa e verso VII. Santa Maria, RS, 2001, v. 1, p.

    145-154.


    Palavras-chave: Teoria Literária; Análise de autores; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Língua Portuguesa; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Análise comparatística entre a obra "Mau tempo no canal" de Vitorino Nemésio e "O tempo e o vento" de Érico Veríssimo, sob o

    viés do herói.

     

    13 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Espaço privado e violência. In: ROZANO, Fernando. (Org.).

    Escritos de cinema. Porto Alegre, 2001, p. 190-193.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Análise literária, sob a perspectiva da presença da violência, do romance "O homem amoroso"

     

    14 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Literatura e música: cruzamentos. In: RÖSING, Tania; BECKER,

    Paulo. (Org.). Jornadas Literárias de Passo Fundo: ENSAIOS. Passo Fundo, RS, 2001, v. 1, p. 171-176.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Criação Literária; Música.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Teoria Literária; Música.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISBN: 8575150251.

    O artigo estabelece as relações entre a Literatura e a Música.

     

    15 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O pintor de retratos. In: CORONEL, Luiz. (Org.). De braços

    abertos. Porto Alegre, 2001, p. 69-70.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8525411434.

    "De braços abertos" é uma antologia de textos poéticos e ficcionais de escritores brasileiros do Rio grande do Sul.

     

    16 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O sonho e seus limites. In: SILVA, Márcia Ivana de Lima E. (Org.).

    A gênese de Incidente em Antares. Porto Alegre, 2001, p. 11-13.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Análise de autores; Criação Literária; Érico Veríssimo; Incidente em Antares.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Brasileira; Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8574301701.

    Prefácio à obra "A gênese de Incidente em Antares", de Márcia Ivana de Lima e Silva,m em que a autora analisa a Criação do

    romance citado.

     

    17 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Romance de prazer, conhecimento e transformação. In:

    CARDOSO, Flávio José. (Org.). Salim na claridade. Florianópolis, 2001, v. 1, p. 121-124.

    Palavras-chave: Análise de autores; Autores brasileiros; Crítica literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    resenha crítica da obra de MIGUEL, Salim. Nu na escuridão.

     

    18 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Tão moços: tão antigos. In: DUARTE, Colmar; ALVES, José Édil

    de Lima. (Org.). Califórnia da canção nativa: marco de mudanças na cultura gaúcha. Porto Alegre, 2001,

    p. 42-43.

    Palavras-chave: Análise de autores; Crítica da Cultura; Literatura e música; Califórnia da Canção Nativa.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Poesia; Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8571950245.

    Avaliação do espetáculo anual denominado "Califórnia da Canção Nativa", realizado há 25 anos na cidade de Uruguaiana, Rio

    Grande do Sul, e responsável pelo movimento de renovação na cultura gaúcha.

     

    19 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A crônica: um tempo à reflexão e à crítica. In: GENRO, Adelmo

    Simas. (Org.). Da boca do monte. Santa Maria, 2000, p. 11-12.

    Palavras-chave: Crônica; Análise de autores; Critica; Antologia; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Crônica.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Trata-se de apresentação de uma coletânea de crônicas dos seguintes autores: Adelmo Simas Genro, ANTONIO Cândido Ribeiro,

    Humberto Gabbi Zanatta, Máximo Trevisan, Orlando Fonseca e Vitor Biasoli.

     

    20 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A viagem da Criação: caminhos e descaminhos. In: TIMM, Clara

    Pechanski E Liana. (Org.). Artistas da vida. Porto Alegre, 2000, v. 1, p. 111-127.
    Palavras-chave: Motivações Literárias; Crítica da Cultura; Estudos interculturais; Depoimento.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Análise de Autores; Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    O livro citado é o resultado de um encontro de âmbito nacional (1999), denominado "Artistas da Vida", levado a efeito sob o

    patrocínio da Secretaria da Cultura de Porto Alegre; reuniu especialistas em diversas áreas, tendo como tema central a Criação

    artística.

     

    21 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Diálogo de mitos. In: MAESTRI, Mário. (Org.). As metamorfoses

    de um mito: "Agamêmnon" em "As virtudes da casa", de Luiz Antonio de Assis Brasil. Passo Fundo,

    2000, p. 7-8.

    Palavras-chave: Valdocir Antonio Esquinsani; Autores brasileiros; Luiz Antonio de Assis Brasil; Mito de Agamêmnon; Ésquilo; As

    virtudes da casa.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8586010855.

    O texto é apresentação de um ensaio de autoria de Valdocir Antonio Esquinsani, sobre o romance "As virtudes da casa", de Luiz

    Antonio de Assis Brasil, estabelecendo as semelhanças e diferenças com a tragédia clássica "Agamêmnon", de Ésquilo.

    Anteriormente o ensaio foi dissertação de mestrado apresentado à PUCRS em 2000.

     

    22 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Gil Vicente e Beatriz - um diálogo possível. In: UNIPROM, Editora.

    (Org.). Pampa pernambucano. Porto Alegre, 2000, v. 1, p. 7-8.

    Palavras-chave: Pampa Pernambucano; Gil Vicente; Beatriz Viégas-Faria; Poesia; Artes plásticas; Estudos interculturais.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Poesia.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Série: 1; Número da revisão: 1; ISBN: 8585671300.

    Texto em que o autor analisa o livro "Pampa pernambucano", de autoria do artista plástico (pintor) Gil Vicente, de Recife, e da

    poeta Beatriz Viégas-Faria. Nesta obra, Beatriz Viéga-Faria ilustra alguns quadros (reproduzidos no livro em lâminas coloridas)

    com poemas de sua autoria.

     

    23 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. História e literatura. In: MASINA, Léa; APPEL, Myrna Bier. (Org.).

    A geração de 30 no Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2000, v. 1, p. 257-261.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Análise de autores; Romance Histórico; Análise de temáticas e procedimentos; Literatura

    Brasileira; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8570255721.

    Artigo em que são estudadas as relações entre a História e a Literatura, especialmente na América do Sul.

     

    24 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Nos Açores, o regionalismo versus a consciência insular. In:

    TREVISAN, Máximo José. (Org.). VI Antologia em prosa e verso.. Santa Maria, 2000, v. 1, p. 150-154.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Capítulo em que é analisada a vertente regionalista da literatura açoriana pós 25 de Abril. Comprova-se que a denominada

    "consciência insular", de caráter mais crítico, vem substituindo o regionalismo limitador e centrado a-criticamente na realidade

    folclórica e documental.

     

    25 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O drama humano em sua força. In: MANTELLI, Fernado. (Org.).

    Feliz fim do mundo. Porto Alegre, 2000, v. 1, p. 9-10.

    Palavras-chave: Análise de autores; Autores brasileiros; Contos; Fernando Mantelli; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Poesia.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8528005100.

    Análise crítica, via Prefácio, do livro de contos "Feliz fim do mundo" de Fernando Mantelli, aluno egresso da Oficina de Criação

    Literária da PUC-RS.

     

    26 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O sonho e seus limites. In: SILVA, Márcai Ivana de Lima E. (Org.).

    A gênese de Incidente em Antares. Porto Alegre, 2000, v. 1, p. 11-13.

    Palavras-chave: Érico Veríssimo; Incidente em Antares; Crítica genética.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Teoria Literária; Crítica Genética.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8574301701.

    Apresentação à obra "A gênese de Incidente em Antes", de Márcia Ivana de Lima e Silva. A autora, de posse dos datiloscritos,

    desenhos e rascunhos de Érico Verissimo, estabelece a gênese dessa obra fundamental do universo de Érico.

     

    27 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A ciência e a imaginação. In: HILGERT, José Gaston. (Org.).

    Literatura e história em diálogo: um olhar sobre Canudos. Passo Fundo, 1999, v. 1, p. 7-8.
    Palavras-chave: Análise de temáticas e procedimentos; Literatura e antropologia; Literatura e história; Crítica literária; Canudos.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Romance; Literatura Comparada.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Série: 7; Número da revisão: 1; ISBN: 858610936.

    Prefácio ao livro "Literatura e historia em diálogo: um olhar sobre Canudos" de Ivânia Campigotto Aquino.

     

    28 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A cordial esfinge dos pampas. In: LEGI, Departamento Cultural da

    Assembléia. (Org.). Líderes e vencedores. Porto Alegre, 1999, v. 1, p. 23-28.

    Palavras-chave: Historia do Rio Grande do Sul; Getúlio Vargas; Análise biográfica.

    Áreas do conhecimento: História do Brasil República.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Publicação que, selecionando diversas personalidades do Estado e do País, mostrou-os sob perspectivas diferentes das usuais.

     

    29 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Apresentação. In: SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. (Org.).

    Contos de oficina 22. Porto Alegre, 1999, p. 1-2.

    Palavras-chave: Antologia; Contos; Oficina de Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

     

    30 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Comentários aos mandamentos do perfeito contista. In: FARACO,

    Sergio. (Org.). Horácio Quiroga: decálogo do perfeito contista. São leopoldo, RS, 1999, v. 1, p. 14-81.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Platina; Horácio Quiroga; Contos.

    Áreas do conhecimento: Contos.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8574310220.

    Trata-se de uma série de dez "mandamentos" para o perfeito contista, enunciados por Horário Quiroga (1878-1937), escritor

    uruguaio. O escritor Sergio Faraco solicitou a vários escritores brasileiros que fizesem um breve comentário sobre cada um dos

    "mandamentos". Daí a aparente extensão do meu texto que, na verdade, encontra-se espalhado no decorrer do livro.

     

    31 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Diálogo com personagens: percursos narrativos. In: MARTINS,

    Maria Helena. (Org.). Cyro Martins 90 anos.. Porto Alegre, 1999, v. 1, p. 103-108.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Brasileira; Literatura Sul Rio-grandense; Cyro Martins.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 85-7063-22.

    Trata-se de antologia de vários textos e autores, todos versando sobre o escritor gaúcho Cyro Martins, realizado às expensas do

    Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins, cuja sede é em Porto Alegre.

     

    32 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O invisível literário, ou um iceberg sem Titanic. In: TREVISAN,

    Máximo José. (Org.). Antologia em prosa e verso. 1999, v. 1, p. 151-154.

    Palavras-chave: Criação Literária; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Texto em que, a partir da conceituação teórica de Ricardo Piglia, estuda-se o subtexto como parte integrante do texto ficcional.

     

    33 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A loucura e o fascínio humano. In: GARUPUVU, Editória da

    Edições. (Org.). Sete estações da loucura. Florianópolis, 1998, v. 1, p. 7-8.

    Palavras-chave: Análise Literária; Autores brasileiros; Contos; A insanidade mental como tema literário.

    Áreas do conhecimento: Conto.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 85-86966-0.

    Trata-se de antologia de diversos autores brasileiros, em forma contística. Fiz a introdução à leitura.

     

    34 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A corrida sem fim. In: MOREIRA, Maria Eunice. (Org.). Oásis.

    Santa Maria, 1997, v. 1, p. 7-8.

    Palavras-chave: Análise Literária; Crítica; Poesia; Literatura Brasileira; Literatura Sul Rio-grandense; Alarico Ribeiro.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Análise de Autores; Poesia.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 8573910038.

    Reedição crítica do livro de poemas "Oásis", do escritor Sul Rio-grandense Alarico Ribeiro, com notas de Maria Eunice Moreira.

     

    35 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Cronista. In: GONÇALVES, Magaly Trindade; AQUINO, Zélia

    Thomaz de; SILVA, Zina Bellodi. (Org.). Antologia Escolar de Literatura Brasileira. São Paulo, SP, 1997,

    v. 1, p. 392-393.
    Palavras-chave: Antologia; Análise Literária; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1; ISBN: 85-85653-3.

    Trata-se, como adianta o nome, de uma coletânea de textos de autores brasileiros, destinada ao público escolar.

     

    36 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Notícias do Sul. In: LOPES, Hilda Simões. (Org.). A SUPERFICIE

    DAS AGUAS. PORTO ALEGRE, 1997, v. 1.

    Palavras-chave: Prefacio; Romance Brasileiro.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

     

    37 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O outro olhar sobre nós. In: BROCHARD, Dorothée de. (Org.).

    VIAGEM AO RIO GRANDE DO SUL. FLORIANOPOLIS, 1997.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura de Viagem.

    Áreas do conhecimento: Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

     

    38 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Uma nova dicção para o antigo falar. In: MEDEIROS, João de.

    (Org.). O DIABO NA GARUPA. PORTO ALEGRE, 1997, v. 1.

    Palavras-chave: Literatura Regional.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Apresentaçãodo livro.

     

    39 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Donnerstag. In: HERMANNS, Ute; SCHARF, Kurt. (Org.).

    Nachdenken über eine Reise ohne Ende. Berlin, 1994, v. 1, p. 80-97.

    Palavras-chave: Antologia; Autores brasileiros.

    Áreas do conhecimento: Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Alemanha/Alemão; Meio de divulgação: Impresso; Série: 1; Número da revisão: 1; ISBN: 3-928551-1.

    Antologia de escritores brasileiros.

     

    40 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Nós, os novos Édipos. In: FARACO, Sergio. (Org.). A CIDADE DE

    PERFIL. PORTO ALEGRE, 1994, v. 1, p. 79-80.

    Palavras-chave: Crônica.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Texto publicado em antologia sobre a cidade de Porto Alegre.

     

    41 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O primeiro Natal no Continente de São Pedro. In: CUNHA,

    Marcelo Carneiro da. (Org.). AMIGOS SECRETOS. PORTO ALEGRE, 1994, p. 39-40.

    Palavras-chave: Crônica.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    42 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O Guaíba, meu país. In: EDITÓRIA. (Org.). SOBRE PORTO

    ALEGRE. PORTO ALEGRE, 1993, p. 62-64.

    Palavras-chave: Crônica.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    43 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Tratado mínimo das grandes familias. In: FISCHER, Sergius

    Gonzaga E Luis Augusto. (Org.). NOS OS GAUCHOS. PORTO ALEGRE, 1992, p. 136-138.

    Palavras-chave: Crítica da Cultura.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

     

    44 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Foi o vinte de setembro o precursor da liberdade. In: KIEFER,

    Charles. (Org.). RODIZIO DE CONTOS. PORTO ALEGRE, 1985, v. 1, p. 90-98.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Conto.


    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Conto publicado na antologia referida.

     

    7.1.5 - Organização de obra publicada

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 28. Porto Alegre: WS Editor, 2002. v. 1,

    174 p.

    Palavras-chave: Antologia; Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Edição, impressão, reprodução e gravação industriais de jornais, revistas, livros, discos, fitas, vídeos e filmes.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Trata-se da 28a. antologia publicada pela Oficina de Criação Literária do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos Oficínicos. Porto Alegre: WS, 2001. v. 1.

    Palavras-chave: Antologia; Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Coletânea número 28 da Série Contos de Oficinas, derivada do trabalho dos alunos de Criação literária do Programa de

    Pós-Graduação em Letras da PUCRS, curso ministrado por Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Entre colchetes fica mais confortável. Porto Alegre: WS

    Editor, 2001. v. 1, 157 p.

    Palavras-chave: Antologia; Contos; Criação Literária; Laboratório de Criação.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Série: 26; Número da revisão: 1.

    26ª Coletânea de egressos da Oficina de Criação Literária do Curso de Pós-Graduação em Letras da Faculdade de Letars da

    PUCRS, ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 24. Porto Alegre: WS Editor, 2000. v. 1,

    253 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 25. Porto Alegre: WS Editor, 2000. v. 1,

    252 p.

    Palavras-chave: Antologia; Autores brasileiros; Contos; Literatura Rio-grandense do Sul; Oficina de Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Conto.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Série: 25; Número da revisão: 1.

    25ª publicação da Série "Contos de oficina", resultado de um ano de trabalho da Oficina de Criação Literária do Curso de

    Pós-Graduação em Letras da PUCRS, ministrada pelo autor desde agosto de 1985.

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 22. Porto Alegre: EDIPUCRS/Livraria

    Editora Acadêmica, 1999. v. 1, 231 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, por mim ministrada desde 1985.

     

    7 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 23. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999. v. 1,

    231 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Sul Rio-grandense.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologioa de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    8 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.), ZILBERMAN, Regina (Org.), MOREIRA, Maria Eunice

    (Org.). Pequeno dicionário da Literatura do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Novo Século, 1999. v. 1,

    199 p.
    Palavras-chave: Dicionário; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Letras.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISBN: 85868800.

    Organizado junto com Regina Zilberman e Maria Eunice Moreira

     

    9 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 20. PORTO ALEGRE: ACADEMICA

    EDIPUCRS, 1998. v. 1, 147 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    10 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 21. PORTO ALEGRE: ACADEMICA

    EDIPUCRS, 1998. v. 1, 281 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    11 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 18. PORTO ALEGRE: ACADEMICA

    EDIPUCRS, 1997. v. 1, 132 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    12 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 19. PORTO ALEGRE: ACADEMICA

    EDIPUCRS, 1997. v. 1, 123 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    13 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 16. PORTO ALEGRE: ACADEMICA-

    EDIPUCRS, 1996. 163 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    14 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 17. PORTO ALEGRE: ACADEMICA

    EDIPUCRS, 1996. v. 1, 215 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    15 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 14. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1995. v. 1, 153 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    16 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 15. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1995. v. 1, 145 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.


    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    17 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 12. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1994. v. 1, 128 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    18 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 13. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1994. v. 1, 151 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    19 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 10. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1993. v. 1, 129 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    20 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 11. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1993. v. 1, 131 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    21 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 8. 2. ed. PORTO ALEGRE: Livraria

    Editora Acadêmica, 1992. v. 1, 136 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 2.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    22 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 9. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1992. v. 1, 127 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    23 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 6. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1991. v. 1, 131 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    24 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 7. 2. ed. PORTO ALEGRE: Livraria

    Editora Acadêmica, 1991. v. 1, 141 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 2.


    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    25 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 4. Porto Alegre: Livraria Editora

    Acadêmica, 1990. v. 1, 192 p.

    Palavras-chave: Antologia; Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária de PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    26 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 5. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1990. v. 1, 127 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    27 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 2. PORTO ALEGRE: ACADEMICA, 1989.

    v. 1, 142 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, qu ecoordeno desde 1985.

     

    28 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina 3. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1989. v. 1, 137 p.

    Palavras-chave: Contos; Criação Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    29 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E (Org.). Contos de oficina. PORTO ALEGRE: Livraria Editora

    Acadêmica, 1988. v. 1, 117 p.

    Palavras-chave: Criação Literária; Contos.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Sul Rio-grandense.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Número da revisão: 1.

    Antologia de alunos da Oficina de Criação Literária da PUCRS, que coordeno desde 1985.

     

    7.1.6 - Textos em jornais de notícias

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A interpretação. Jornal da SIG - Jornal do Núcleo de Estudos

    Sigmund Freud., Porto Alegre, v. 1, p. 2-2, 02 set. 2000.

    Palavras-chave: Análise Literária; Crítica literária; Crítica da Cultura; Estudos interculturais; Estética.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Criação Literária; Literaturas Estrangeiras Modernas.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 02/09/2000.

    Artigo em que se discute a interpretação enquanto instrumento para a compreensão do fenômeno cultural e, por extensão, da

    literatura.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O universo do espelho. Adverso - Jornal da Associação dos

    Docentes da UFRGS, Porto Alegre, v. 64, p. 11-11, Ano indefinido.

    Palavras-chave: Análise Literária; Crítica literária; Literatura Brasileira; Romance Sul Rio-grandense; Waldomiro Manfroi; A

    confissão do espelho.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Análise de Autores; Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Resnha crítica sobre o romance "A condissão do espelho", do escritor Waldomiro Manfroi.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Sobre A ilha em frente: textos do Cerco e da Fuga, de Vamberto

    Freitas. Atlântico Expresso, Ponta Delgada, Portugal, p. 25-25, 01 nov. 1999.

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana; Período Pós-25 de Abril; Vamberto Freitas.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril; Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.


    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 01/11/1999.

    Artigo em que se faz uma resenha crítica sobre o livro "Textos do cerco e da fuga", de Vamberto Freitas. A obra é uma

    coletânea dO artigo que Vamberto Freitas publicou na imprensa portuguesa, todos versando sobre a Literatura Açoriana.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Álamo em textos de veneno e perfume. Diário Insular, Ponta

    Delgada, Portugal, v. 1, p. 8-8, 18 jul. 1997.

    Palavras-chave: Análise Literária; Contos; Literatura Açoriana; Alamo Oliveira.

    Áreas do conhecimento: Contos.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Portugal/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 18/07/1997.

    Análise literária de livro de contos do escritor açoriano Álamo Oliveira.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Sobre O homem suspenso. Correio dos Açores, Ponta Delgada,

    Portugal, v. 1, p. 5-5, 17 abr. 1997.

    Palavras-chave: Análise Literária; Crítica; Literatura Açoriana; João de Melo.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Portugal/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 17/04/1997.

    Análise literária do livro "O homem suspenso", do escritor açoriano João de Melo.

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A capital tem todas as matizes da emoção. Zero Hora, Porto

    Alegre, p. 2-2, Ano indefinido.

    Palavras-chave: Eça de Queirós; Romance; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Breve resenha sobre o romance "A Capital", de Eça de Queirós.

     

    7 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A razão e a emoção. Blau, Porto Alegre, v. 1, p. 10-11, 01 out.

    1995.

    Palavras-chave: Análise Literária; Autores brasileiros.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 01/10/1995.

     

    8 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O equívoco como gênero. O Globo, Rio de Janeiro, p. 9-6, 02 set.

    1994.

    Palavras-chave: Autores brasileiros; Crítica; Historia do Rio Grande do Sul; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Romance Histórico.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 02/09/1994.

    Análise da representação do gaúcho da Literatura Brasileira.

     

    9 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O passo atrás dos lingüistas franceses. Zero Hora, Porto Alegre,

    p. 5-5, 09 jul. 1994.

    Palavras-chave: Crônica; Cultura francesa; Reforma ortográfica.

    Áreas do conhecimento: Literatura Francesa.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 09/07/1994.

    Artigo em que critico a proposta de eliminar os vocábulos estrangeiros da língua francesa.

     

    10 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Açores, uma literatura a considerar. Zero Hora, Porto ALEGRE, p.

    5-5, 20 jun. 1992.

    Palavras-chave: Análise Literária; Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 20/06/1992.

    Panorama da Literatura Açoriana Pós-25 de Abril.

     

    11 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Ensina-se a escrever?. Zero Hora, Porto Alegre, p. 3-3, Ano

    indefinido.

    Palavras-chave: Criação Literária; Oficinas Literárias.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.


    Artigo em que analiso o significado das oficinas de Criação literária.

     

    7.1.7 - Textos em revistas (magazines)

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Oficinas Literárias. VOX, Porto Alegre, v. 7, p. 52-57, 02 maio

    2001.

    Palavras-chave: Oficinas Literárias; Laboratório de Criação; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 02/05/2001.

    O artigo visa transmitir o conceito e a história das oficinas de Criação literária, desde seus primórdios nos Estado Unidos até as

    recentes experiências brasileiras.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. A literatura das diferenças. Revista da FEDERASUL, Porto Alegre,

    RS, v. 4, p. 22-22, Ano indefinido.

    Palavras-chave: Literatura Sul Rio Grandense; Critica; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Letras; Literatura Brasileira; Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Trata-se de um artigo em que é comentado o problema da Literatura Sul Rio-grandense como inserida na produção geral da

    Literatura Brasileira.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Lisboa como estilo. BRAVO!, São Paulo, v. 35, p. 75-80, Ano

    indefinido.

    Palavras-chave: Eça de Queirós; Literatura Portuguesa; Análise de temáticas e procedimentos; Lisboa; Roteiro geográfico de O

    Primo Basílio.

    Áreas do conhecimento: Romance; Eça de Queirós; Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Trata-se de um roteiro pela Lisboa de Eça de Queirós, tomando como motivo o romance "O Primo Basílio"

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. O gosto das palavras. Vértice, Lisboa, Portugal, v. 94, p. 100-101,

    Ano indefinido.

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana; Período Pós-25 de Abril; Crítica; Urbano Bettencourt.

    Áreas do conhecimento: Outras Literaturas Vernáculas; Literatura Açoriana Pós 25 de Abril.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Portugal/Português; Meio de divulgação: Impresso; ISSN/ISBN: 00424447.

    Resenha crítica sobre o livro "O gosto das palavras III", de Urbano Bettencourt, escritor e professor açoriano.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Os Mucker: terror na colônia alemã do Brasil. Tópicos, Bonn, v.

    1-2000, p. 22-23, Ano indefinido.

    Palavras-chave: Historia do Rio Grande do Sul; Colonização Alemã no RS; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: História do Brasil Império; Romance Brasileiro.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Alemanha/Português; Meio de divulgação: Impresso.

    Artigo em que é tratada a Revolta dos Mucker, ocorrida no Morro do Ferrabrás, em plena colônia alemã do Rio Grande do Sul, e

    que faz ligação com romance de minha autoria, denominado "Videiras de crista".

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Cultura na Escola. Educação em Revista, Porto Alegre, v. 17, p.

    5-8, 01 out. 1999.

    Palavras-chave: A cultura na abordagem escolar.

    Áreas do conhecimento: Letras.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Data de publicação: 01/10/1999.

    Entrevista dada a "Educação em Revista", órgão oficial do Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado no Estado do Rio

    Grande do Sul, SINEPE, em que se discute o tema do ensino da Literatura as escolas, dando particular ênfase à inconveniência

    dos concursos literários escolares.

     

    7.2 - PRODUÇÃO TÉCNICA

     

    7.2.1 - Trabalhos técnicos

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Os Farrapos. 2001.

    Palavras-chave: Análise de autores; Crítica da Cultura; Crítica literária; Literatura Brasileira; Literatura e história; Rio Grande do Sul.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Língua Portuguesa; Teoria Literária.


    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; Finalidade: Assessoria lingüística e cultural; Disponibilidade:

    Irrestrita; Duração do evento: 12; Nº de páginas: 192; Cidade: Porto Alegre; Inst. promotora/financiadora: RBS - Jornal Zero Hora.

    A assessoria foi dada a toda elaboração da obra "Os farrapos", de Carlos Urbim; trata-se de um trabalho técnico que consistiu

    em revisar o texto, tanto em seus aspectos lingüísticos como culturais.

     

    7.2.2 - Demais tipos de produção técnica

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Das oficinas de Criação literária à conquista de um espaço

    singular: temáticas e procedimentos narrativos. 1999. (Relatório de pesquisa).

    Palavras-chave: Análise Literária; Criação Literária; Narrativa; Oficina de Criação Literária; Análise de temáticas e procedimentos.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Brasileira; Análise de Autores.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Impresso; ; Disponibilidade: Irrestrita; Projeto de pesquisa: Das

    oficinas de Criação literária à conquista de um espaço singular: temáticas e procedimentos narrativos.; Nº de páginas: 49; Inst.

    promotora/financiadora: CNPq.

    A proposta:

    Análise - a partir dos pressupostos da teoria literária - das obras individuais e coletivas publicadas pelos egressos da Oficina

    de Criação Literária do Curso de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, de modo

    a identificar suas vertentes temáticas e seus procedimentos narrativos, visando estabelecer possíveis confluências conteudísticas

    e referentes aos procedimentos narrativos.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Oficinas de Criação literária: a busca da originalidade. 1997.

    (Relatório de pesquisa).

    Áreas do conhecimento: Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Vários; ; Disponibilidade: Irrestrita; Projeto de pesquisa: Oficinas de

    Criação literária: a busca da originalidade; Nº de páginas: 128; Inst. promotora/financiadora: CNPq.

    A proposta:

    Análise literária - a partir dos princípios da teoria da Criação e da teoria literária - dos textos dos participantes da Oficina de

    Criação Literária do Curso de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul utilizando,

    como corpus, os contos da série Contos de Oficina, volumes de 1 a 15, e que abrangerão o período entre 1988 e 1995.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Oficinas de Criação literária: trajetórias pós-oficina. 1995.

    (Relatório de pesquisa).

    Palavras-chave: Criação Literária; Literatura Brasileira; Autores brasileiros; Oficinas Literárias; Carreira de escritor.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Vários; ; Disponibilidade: Irrestrita; Projeto de pesquisa: Oficinas de

    Criação literária: trajetórias individuais pós-oficina; Nº de páginas: 92; Inst. promotora/financiadora: CNPq.

    A proposta:

    Identificação das causas determinantes dos diversos caminhos individuais seguidos pelos ex-alunos da Oficina de Criação

    Literária do Curso de Pós-Graduação em Letras do Instituto de Letras e Artes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande

    do Sul, utilizando, como amostragem desse universo, depoimentos de ex-discentes que participaram das antologias Contos de

    Oficina, volumes de 1 a 10, publicados entre 1988 e 1993.

     

    7.3 - ORIENTAÇÕES CONCLUÍDAS

     

    7.3.1 - Mestrado

     

    1 ZANCANI, Cristine Lima. A infância premiada. 2002. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) -

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico

    e Tecnológico. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Análise de autores; Contos; Análise de temáticas e procedimentos.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A autora estuda três textos premiados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, verificando qual o critério utilizado para

    tal distinção. Como referencial teórico são usadas as funções de Propp.

     

    2 CUARTAS, Enriqueta Graciela Dorfman de. A representação da personagem adolescente em Moacyr

    Scliar. 2002. 117 f. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do

    Rio Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.


    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Análise de temáticas e procedimentos.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal; Nº de volume: 117.

    Análise de obras infanto-juvenis de Moacyr Scliar.

     

    3 MÜGGE, Ernani. A representação da personagem em Sergio Faraco. 2002. 112 f. Dissertação (Mestrado

    em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de

    Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal; Nº de volume: 112.

    Estudo da representação da personagens de cinco contos de Sergio Faraco, utilizando a teoria de Ricardo Piglia.

     

    4 FIGUEIRA, Vinicius Duarte. O conceito de angústia em Bartleby, de Melville e no Bregrebet Angst de

    Soren Kierkegaard. 2002. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade

    Católica do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

    Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Análise de autores; Literatura e Filosofia.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literaturas Estrangeiras Modernas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    O autor estuda o pelo viés do conceito de angústia, de S. Kierkegaard, a obra "Bartleby, the Scrivener", de Melville.

     

    5 AREND, Adriana. A vida através da vidraça: a crônica de Theodemiro Tostes. 2000. Dissertação

    (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orientador:

    Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Análise Literária; Crônica; Criação Literária; Literatura Sul Rio-grandense.

    Áreas do conhecimento: Letras; Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A dissertação de mestrado analisa o conjunto de crônicas produzidas pelo escritor gaúcho Theodemiro Tostes e publicadas no

    jornal Diário de Notícias de Porto Alegre entre 1925 e 1932, posteriormente reunidas no livro Bazar. T. T., como costumava

    assinar seus textos, foi um dos escritores mais conhecidos de sua época; o sucesso alcançado, porém, não garantiu sua inclusão

    entre os autores mais populares da literatura gaúcha. Realiza-se, na dissertação, um retrospecto da trajetória do escritor,

    reconstituindo sua formação cultural desde as primeiras letras, situando os acontecimentos políticos e culturais de seu tempo,

    fazendo um retrospecto do conjunto de sua obra e um elenco de críticas e de ensaios sobre sua produção. Para a análise dos

    textos é utilizado o referencial teórico sobre a crônica - suas origens e suas fronteiras como gênero literário -, sobre o cotidiano e

    sobre as personagens. O resultado encaminha para a conclusão que Theodemiro Tostes é um cronista que cumpre sua missão

    de apontar a beleza das mínimas coisas, mas que o faz de uma forma avessa, abordando extremos para que o leitor valorize

    sua cotidianidade e sua vida de homem comum.

     

    6 VIANA, Márcia Edlene Mauriz. A vida e seus (in)fiéis espelhos: a representação do real na obra Ulisses

    entre o amor e a morte, de O.G. Rego de Carvalho. 2000. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras)

    - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Literatura Brasileira; Representação literária; O G Rego de Carvalho; Ulisses entre o amor e a

    morte.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Teoria Literária; Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    Estudo da representação do real tal como acontece na obra "Ulisses entre o amor e a morte", de O.G. Rego de Carvalho,

    escritor piauiense.

     

    7 CLARK, Sylvia Teresa Pererira. Aracne tece uma teia de amor e morte: l´Amant, de Marguerite Duras.

    2000. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande

    do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Análise de autores; Marguerite Duras; Literatura Francesa; Erotismo; L´Amant.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Análise de Autores; Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A dissertação trata do erotismo (segundo Bataille), elegendo como corpus o romance L´Amant, de Marguerite Duras.

     

    8 FACCIOLI, Cíntia Moscovich. O eloqüente silêncio: das oficinas de Criação literária à competência para o

    conto. 2000. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio

    Grande do Sul, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Orientador: Luiz

    Antonio de Assis Brasil e Silva.
    Palavras-chave: Contos; Criação Literária; Oficina de Criação Literária; Análise de temáticas e procedimentos; Teoria Literária;

    Análise de autores.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Criação Literária; Análise de Autores.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A dissertação compreende a análise literária de 15 textos levados a seminários e produzidos pelos alunos da Oficina de Criação

    Literária da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ministrada pelo Prof. Dr. Luiz Antonio de Assis Brasil, durante

    o primeiro semestre de 1999. Tenta-se verificar se os alunos possuem ou não aquilo que se convencionou chamar de

    competência para o conto, que corresponde, basicamente, ao resultado da combinação dos elementos que Ricardo Piglia batiza

    de história aparente e história cifrada, espécie de síntese do que afirmavam seus predecessores. Assim, como suporte teórico,

    além das considerações do autor argentino, também foram convocados os preceitos de outros escritores-contistas, que

    refletiram sobre o gênero que praticaram, contando-se com as considerações de Edgar Allan Poe, Anton Tchekhov, Ernest

    Hemingway e Julio Cortázar. Também se faz, a título de ilustração, uma breve histórico dessa modalidade narrativa, ouvindo-se

    as vozes de Juan José Millás, Enrique Anderson Imbert, Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, Paulo Rónai e Nádia Battella

    Gotlib.

    A metodologia empregada para a análise do corpus compreende a descrição da história aparente e da história cifrada conforme

    descritas por Piglia, verificando-se em que medida as duas se articulam e quais as estratégias narrativas utilizadas,

    empregando-se, sempre que oportuno, as postulações dos demais autores. Os resultados obtidos apontam que a grande

    maioria dos oficineiros consegue demonstrar a competência para o conto, fato talvez devido à passagem pela Oficina de Criação

    Literária, embora jamais se descarte o papel da vocação natural.

     

    9 JESUS, Joselita Izabel de. O erotismo em Charneca em Flor, de Florbela Espanca. 2000. Dissertação

    (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul,

    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil

    e Silva.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Literatura Portuguesa; Poesia; Erotismo; Florbela Espanca.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Teoria Literária; Outras Literaturas Vernáculas.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    Estudo da poesia de Florbela Espanca, especialmente em "Charneca em flor", usando, para tanto, o modelo teórico de G.

    Bataille.

     

    10 REGINATTO, Andréa Ad. Uma personagem diferente no pampa: análise literária da personagem

    Brandino em O príncipe da vila, de Cyro Martins. 2000. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) -

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico

    e Tecnológico. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: O Príncipe da Vila; Cyro Martins; Análise Literária; Romance Brasileiro; Romance Sul Rio-grandense;

    Pós-modernidade.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Romance.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A dissertação analisa a personagem Brandino da obra O príncipe da Vila do escritor gaúcho Cyro Martins. A perspectiva adotada

    refere-se à teoria do ex-cêntrico de Linda Hutcheon. Por outro lado, tendo em vista a conduta da personagem, que se diferencia

    do típico-literário estabelecido pela literatura sulina, a dissertação privilegia as reflexões propostas por Lígia Chiappini Moares

    Leite e Maria Eunice Moreira. O trabalho divide-se em três partes e enfoca, no primeiro capítulo, a temática do homem gaúcho,

    representante de uma categoria ufanista e heróica. Assim, seguindo a linha cronológica da história da literatura Sul Rio-grandense,

    há também, neste capítulo, referência ao processo de descaracterização do tipo heróico, aquele que Cyro Martins chamou de

    gaúcho a pé. No segundo capítulo, recupera-se a teoria do ex-cêntrico, de Linda Hutcheon, aplicando-a ao corpus selecionado.

    Isso permite o contraponto do típico, já definido na primeira parte, com a personagem Brandino. Por fim, a terceira e última

    parte do estudo realiza a análise da personagem já referida, tendo em vista, sempre, a sua ex-centricidade de comportamento.

     

    11 GHISLENI, Elemar. A representação do sonho americano na obra Já não gosto de chocolates, de Álamo

    Oliveira. 1999. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio

    Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Representação literária; Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana; Álamo Oliveira; Já não gosto

    de chocolates.

    Áreas do conhecimento: Criação Literária; Literatura Açoriana Pós 25 de Abril; Outras Literaturas Vernáculas.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    Estudo em que o autor procura estabelecer de que modo é representado o desejo -- dos açorianos -- de emigrar para os

    Estados Unidos; a obra tomada como corpus é o romance "Já não gosto de chocolates", do escritor açoriano Álamo Oliveira.

     

    12 PAZOS, Vanda Inês da Silva. Gente feliz com lágrimas, de João de Melo. 1998. Dissertação (Mestrado

    em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Coordenação de

    Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Literatura Açoriana; Período Pós-25 de Abril; João de Melo; Romance Português; Emigração.

    Áreas do conhecimento: Letras; Literatura Açoriana Pós 25 de Abril; Romance Português.


    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A dissertação trata do tema da emigração, fenômeno que caracteriza a sociedade açoriana desde o século XVIII. Em particular,

    analisa uma obra de João de Melo, autor açoriano do pós-25 de abril, em que é retratada, de modo exemplar, a emigração de

    uma família (ou de parte dela) para os Estados Unidos.

     

    13 RIBEIRO, Lucia Helena Marques. A questão da identidade da terra na obra Contrabando Original, de

    Jose Martins Garcia. 1996. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade

    Católica do Rio Grande do Sul, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

    Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: José Martins Garcia; Contrabando Original; Literatura Açoriana; Análise de autores; Romance Português; Análise

    Literária.

    Áreas do conhecimento: Literatura Açoriana Pós 25 de Abril; Romance Português; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A autora, Lúcia Helena Marques Ribeiro, nesta sua dissertação, aborda a questão da permanência na obra "Contrabando

    original", do escritor açoriano José Martins Garcia. Entende-se como "permanência", no contexto, como sendo a sensação, vivid

    pelos ilhéus, de que nos Açores "nada acontece", tudo é igual ao de antes: a sociedade mantém intocados os ritos centenários.

    Refere-se, por suposto, à realidade cultural açoriana anterior ao 25 de Abril, ainda submetida à ditadura salazarista.

    NOTA IMPORTANTE: a dissertação foi publicada: RIBEIRO, Lúcia Helena Marques. A questão da identidade da terra em

    Contrabando Original, de José Martins Garcia. Lisboa: Salamandra (Colecção Garajau), 1998.

     

    14 NOAL, Maria Joselma. A Categoria Tempo Em Los Passos Perdidos, de Alejo Carpentier. 1995.

    Dissertação, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis

    Brasil e Silva.

    Referências adicionais: Brasil; Tipo de orientação: Orientador principal.

     

    15 SITYA, Celestina Vitória Moares. A Contribuição da Análise do Discurso e da Lingüística Textual Para A

    Produção de Discursos Jurídicos. 1992. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia

    Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

     

    7.3.2 - Doutorado

     

    1 RIBEIRO, Lucia Helena Marques. O conceito de açorianidade na literatura açoriana pós-25 de abril.

    2002. Tese (Doutorado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Teoria Literária; Análise de autores; Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    A autora estabelece o conceito de açorianidade a partir do estudo das obras dos autores açorianos pós-25 de abril: José Martins

    Garcia, Álamo Oliveira, Daniel de Sá, João de Melo e Cristóvão de Aguiar.

     

    2 RIBEIRO, Paulo. Que forças derrubaram o ciclista?. 2000. Tese (Doutorado em Lingüística e Letras) -

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Análise de autores; Iberê Camargo; Estética; Expressão pictórica; Contos; O grotesco.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Criação Literária.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

    O trabalho estuda o processo criativo do artista plástico gaúcho Iberê Camargo, relacionando a sua obra literária com a obra

    pictórica. Procura analisar a literatura produzida sob a influência do que o texto denomina de fundamentos e valores de sua

    plástica, verificando como se dá a transposição dos elementos de sua pintura em relação aos escritos. Apresenta um inventário

    de textos que integram a perspectiva transfiguradora e deformadora de seus quadros. Por fim, procura demonstrar a hipótese de

    que a obra de Iberê estabelece uma relação de afinidades entre as duas formas poéticas, e que estas afinidades estão inseridas

    na herança pós-romântica baudelairiana caracterizadora da Modernidade.

     

    3 PERKOSKI, Norberto. A Literatura Erótica e O Sistema Literário Brasileiro. 1996. Tese (Doutorado em

    Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de

    Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Literatura Erótica.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Referências adicionais: Brasil; Tipo de orientação: Orientador principal.

     

    4 PINO, Dino Del. A Espacialidade No Discurso Literário. 1993. Tese, Pontifícia Universidade Católica do

    Rio Grande do Sul. Orientador: Luiz Antonio de Assis Brasil e Silva.
    Referências adicionais: Brasil/Português; Tipo de orientação: Orientador principal.

     

    7.4 - DEMAIS TRABALHOS

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E. Tempo de Letras. 2000. (ENTREVISTAS EM TELEVISAO COM

    ESCRITORES).

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Literatura e Mídia.

    Áreas do conhecimento: Literatura Brasileira.

    Setores de atividade: Produtos e serviços recreativos, culturais, artísticos e desportivos.

    Referências adicionais: Brasil/Português; Meio de divulgação: Digital; Finalidade: Entrevistar escritores; Local do evento: Porto

    Alegre, RS.

    Trata-se de um programa semanal levado a efeito pela UNI-TV, de Porto Alegre, e nele sou entrevistador. A duração de cada

    programa é de meia-hora. Nele, os escritores comentam sobre suas vidas e obras. Iniciado em 1998, hoje o programa Tempo

    de Letras consolidou-se na preferência do público especializado na matéria, obtendo níveis surpreendentes de audiência.

     

     

    8 - DADOS COMPLEMENTARES

     

    8.1 - PARTICIPAÇÃO EM BANCAS EXAMINADORAS

     

    8.1.1 - Dissertações

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; ZANCANI, Cristine Lima. Participação em banca de Cristine Lima

    Zancani. A infância premiada: as obras premiadas pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

    2002. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande

    do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; ROCHA, Marcelo Silva; PINO, Dino Del. Participação em banca d

    Marcelo Silva Rocha. Espaço, tempo e liminaridade em A jangada de pedra, de José Saramago. 2002.

    Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Análise de autores; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Análise literária da obra "A jangada de pedra", de José Saramago.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; SARTORI, Edimara; PARAENSE, Silvia Maria et al. Participação

    em banca de Edimara Sartori. Individualismo, fragmentação, vazio em Bolor, de José Abelaira. 2002.

    Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de Santa Maria.

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Análise de autores; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Análise literária da obra "Bolor", do escritor português Augusto Abelaira.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; FIGUEIRA, Vinícius Duarte; TREVISAN, Armindo et al.

    Participação em banca de Vinícius Duarte Figueira. O conceito de angústia em Bartleby, o Escriturário,

    de Helmann Melville e em Soren Kierkegaard. 2002. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) -

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura e Filosofia.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Análise da novela Bartleby.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; NEJAR, Fabrício Carpi; FISCHER, Luis Augusto et al. Participação

    em banca de Fabrício Carpi Nejar. Teologia do traste: a poesia do excesso de Manoel de Barros. 2002.

    Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Autores brasileiros; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.


    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    6 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; LUCKAKZYK, Cláudia; PINO, Dino Del. Participação em banca de

    Cláudia Luckakzyk. A representação da ideologia no romance Os tambores silenciosos, de Josué

    Guimarães. 2001. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do

    Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    7 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; PASSOS, Marie Helene Paret. Participação em banca de Marie

    Helene Paret Passos. La folie du jour, de Blanchot. 2001. Dissertação (Mestrado em Letras) -

    Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura e Filosofia.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Análise literária da obra La floie du Hour, de Blanchot.

     

    8 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; GHISLENI, Elemar; HOHLFELDT, Antonio et al. Participação em

    banca de Elemar Ghisleni. A representação do sonho americano em Já não gosto de chocolates. 2000.

    Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    A dissertação visa estabelecer as componentes do sonho americano, vivido pelos emigrantes açorianos que vão para os Estados

    Unidos. O corpus é uma obra do Alamo Oliveira.

     

    9 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; VIANNA, Marcis Edlene Mauriz; COSTA, Ligia Militz da.

    Participação em banca de Marcis Edlene Mauriz Vianna. A vida e seus (in)fiéis espelhos: a

    representação do real na obra Ulisses entre o amor e a morte, de O.G.rego de Carvalho. 2000.

    Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    10 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; FACCIOLI, Cintia Moscovich. Participação em banca de Cintia

    Moscovich Faccioli. O eloqüente silêncio: das oficinas de Criação literária à competência para o conto.

    2000. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande

    do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Criação Literária; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    11 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; JESUS, Jozelita Isabel de. Participação em banca de Jozelita

    Isabel de Jesus. O erotismo em Charneca em Flor, de Florbela Espanca. 2000. Dissertação (Mestrado

    em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Portuguesa; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    12 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; CLARK, Sylvia; REMÉDIOS, Maria Luiza et al. Participação em

    banca de Sylvia Clark. O erotismo em L´amant de Marguerite Duras. 2000. Dissertação (Mestrado em

    Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura Francesa.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.


    Análise literária, sob a perspectiva do erotismo (G. Bataille), da obra L´amant, de Marguerite Duras.

     

    13 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; REGINATTO, Andréa Ad. Participação em banca de Andréa Ad

    Reginatto. Uma personagem diferente no pampa: a personagem Brandino, de O príncipe da vila, de Cyro

    Martins. 2000. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio

    Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    14 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; AREND, Adriana; MARTINS, Dileta Silveira. Participação em

    banca de Adriana Arend. A representação do quotidiano em Theodemiro Tostes. 1999. Dissertação

    (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    15 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; AQUINO, Ivânia Campigotto; BECKER, Paulo et al. Participação

    em banca de Ivânia Campigotto Aquino. História e literatura: aproximações discursivas. 1999.

    Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    A dissertação procura estabelecer um paralelo entre História e Ficção.

     

    16 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; PAZOS, Vanda Inês de Azeredo; REMÉDIOS, Maria Luiza.

    Participação em banca de Vanda Inês de Azeredo Pazos. A questão da identidade na obra Gente feliz

    com lágrimas, de João de Melo. 1998. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia

    Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Açoriana; Literatura Portuguesa; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    17 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; APPEL, Marta Lia Genro; GONÇALVES, Robson. Participação em

    banca de Marta Lia Genro Appel. A modernidade em Qorpo-Santo. 1996. Dissertação (Mestrado em

    Letras) - Universidade Federal de Santa Maria.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    18 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; RIBEIRO, Lúcia Helena Marques; REMÉDIOS, Maria Luiza.

    Participação em banca de Lúcia Helena Marques Ribeiro. A representação da terra na obra Contrabando

    original, de José Martins Garcia. 1996. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia

    Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Açoriana; Literatura Portuguesa.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    19 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; NOAL, Joselma Maria. Participação em banca de Joselma Maria

    Noal. A categoria tempo em Los pasos perdidos, de Alejo Carpentier. 1995. Dissertação (Mestrado em

    Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    20 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; SITYA, Celstina Vitória de Moares; COSTA, Jorge Campos da.

    Participação em banca de Celstina Vitória de Moares Sitya. A contribuição da análise do discurso para o

    discurso jurídico. 1992. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica

    do Rio Grande do Sul.
    Palavras-chave: Análise de autores; Análise de temáticas e procedimentos; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    8.1.2 - Teses

     

    1 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; RIBEIRO, Lúcia Helena Marques; ABDALA JÚNIOR, Benjamin et

    al. Participação em banca de Lúcia Helena Marques Ribeiro. O conceito de açorianidade na literatura

    açoriana pós-25 de abril. 2002. Tese (Doutorado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade

    Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana; Análise de autores.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    A tese procura fixar um conceito atualizado para a açorianidade, partindo da análise de autores açorianos pós-25 de Abril.

     

    2 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; RIBEIRO, Paulo; FISCHER, Luis Augusto et al. Participação em

    banca de Paulo Ribeiro. Que forças derrubaram o ciclista? o grotesco na obra de Iberê Camargo. 1999.

    Tese (Doutorado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Análise literária da obra contísca de Iberê Camargo, relacionando-a com a estética do grotesco percebi em sua obra pictórica.

     

    3 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; HALLBERG, Monica; BESSIÈRE, Louis. Participação em banca de

    Monica Hallberg. La répresentation de l´imigrant allemand dans la littérature brésilienne. 1997. Tese

    (Doutorado em Littérature) - Universite de Paris VI (Pierre et Marie Curie).

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: França/Francês.

    A tese visa estudar como se dá a representação da figura do imigrante alemão na literatura brasileira.

     

    4 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; PERKOSKI, Norberto. Participação em banca de Norberto

    Perkoski. A literatura erótca e o sistema literário brasileiro. 1996. Tese (Doutorado em Lingüística e

    Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Literatura e Filosofia.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    5 SILVA, Luiz Antonio de Assis Brasil E; PINO, Dino Del. Participação em banca de Dino del Pino. A

    espacialidade no discurso literário. 1993. Tese (Doutorado em Lingüística e Letras) - Pontifícia

    Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    8.2 - PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS

     

    1 I Congresso Internacional de Estudos Nemesianos. 1999. (Participações em eventos/Congresso).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Portugal/Português.

    Congresso Internacional que reuniu especialistas na obra de Vitorino Nemésio.

     

    2 VI Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. 1998. (Participações em eventos/Congresso).

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.


    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Nesse congresso, apresentei comunicação publicada em CD-Rom, versando sobre a obra de Daniel de Sá.

     

    3 III Seminário Nacional sobre aprendizagem e ensino. 2001. (Participações em eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Criação Literária; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    4 III Seminário Nacional de Língua e Literatura. 1997. (Participações em eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    5 III Seminário Nacional de Língua e Literatura. 1997. (Participações em eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    6 Seminário de Lingüística, Literatura e Pedagogia: Uma associação inadiável. 1997. (Participações em

    eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    7 I Seminário de Estudos Simonianos. 1996. (Participações em eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Evento que estudou a obra de João Simões Lopes Netto.

     

    8 O povoamento açoriano no Rio Grande do Sul. 1995. (Participações em eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura e história; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    9 XIII Seminário Brasileiro de Crítica Literária e XII Seminário de Crítica do Rio Grande do Sul. 1995.

    (Participações em eventos/Seminário).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    10 Jornada Literária de Passo Fundo. 2001. (Participações em eventos/Simpósio).

    Palavras-chave: Literatura Brasileira; Análise de autores.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    11 Jornadas Emigração/Comunidades. 2002. (Participações em eventos/Encontro).

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana; Análise de autores.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Portugal/Português.

    O evento reuniu professores universitários voltados para a Literatura Portuguesa, e em especial a Literatura Portuguesa de

    expressão açoriana.

     

    12 V Encontro de Oficinas Literárias. 2001. (Participações em eventos/Encontro).

    Palavras-chave: Análise de autores; Criação Literária; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.


    O Encontro, que foi coordenado por mim, reuniu especialistas brasileiros em Criação literária.

     

    13 II Encontro de Escritores da Língua Portuguesa. 1999. (Participações em eventos/Encontro).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    14 III Encontro Internacional de Língua e Culturas Lusófonas. 1996. (Participações em eventos/Encontro).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Portuguesa; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Argentina/Português.

     

    15 XVI Encontro de Professores Universitários Brasileiros de Literatura Brasileira. 1996. (Participações em

    eventos/Encontro).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Portuguesa; Literatura Açoriana.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Apresentei comunicado sobre a obra de Alamo Oliveira, autor açoriano.

     

    16 VI Encontro Pedagógico do Programa de Aperfeiçoamento e Formação de Quadros nas Áres de Culturas

    e Literaturas Portuguesa e Luso-Africanas. 1995. (Participações em eventos/Encontro).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    17 Colóquio da Associação Internacional de Lusitanistas. 2001. (Participações em eventos/Outra).

    Palavras-chave: Literatura Portuguesa; Análise de autores; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Colóquio internacional, que reuniu especialistas em literatura brasileira e literatura portuguesa.

     

    18 Texto e Literatura: propostas e Tendências. 2001. (Participações em eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Criação Literária; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    19 Ciclo Eça de Queirós. 1996. (Participações em eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Portuguesa; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    20 Rodas de Leitura. 1996. (Participações em eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Criação Literária; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Rodas de Leitura é um programa permanente do Centro Cultural Banco do Brasil, que realiza painéis com escritores brasileiros,

    a partir da leitura de suas obras.

     

    21 XIX Semana ed Letras e V Seminário Internacional de Língua e Literatura. 1996. (Participações em

    eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    22 VI Ciclo de debates da Revista de Psiquiatria. 1995. (Participações em eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura e Filosofia; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.


    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    23 A Bíblia como literatura. 1994. (Participações em eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura e Filosofia.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

    Participei com conferência sobre a Bíblia como Literatura

     

    24 II Forum de debates dobre teorias da história: um olhar interdisciplinar. 1994. (Participações em

    eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura e história; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    25 XVII Semana de Letras e III Seminário Internacional de Língua e Literatura. 1994. (Participações em

    eventos/Outra).

    Palavras-chave: Análise de autores; Teoria Literária; Literatura Brasileira.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Outras Literaturas Vernáculas; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    8.3 - ORIENTAÇÕES EM ANDAMENTO

     

    8.3.1 - Mestrado

     

    1 MÜGGE, Ernani. A representação das personagens na obra de Sergio Faraco. Início: 2001. Dissertação

    (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Conselho

    Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. (Orientador).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.

     

    2 CUARTAS, Enriqueta Graciela Dorfman de. A representação dos adolescentes em Moacyr Scliar.

    Início: 2001. Dissertação (Mestrado em Lingüística e Letras) - Pontifícia Universidade Católica do Rio

    Grande do Sul. (Orientador).

    Palavras-chave: Análise de autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Áreas do conhecimento: Análise de Autores; Literatura Brasileira; Teoria Literária.

    Setores de atividade: Educação superior.

    Referências adicionais: Brasil/Português.