MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS
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Márcio aos 21 anos de idade (10-01-1938).
"Existem homens que lutaram um dia e são bons. Existem outros que lutam um ano e são melhores. Existem aqueles que lutam muito mais e são muito bons. Porém existem aqueles que lutam toda a vida; esses são imprescindíveis".
(Bertold Brecht)
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Márcio aos 89 anos de idade (07-01-2006),
com sua filha Marília Cechella (a webmaster desta homepage) e e sua neta Bianca Santos Cechella.
MÁRCIO casou com PERCÍLIA (Mosa) LAUTERT DE SOUZA, que, após o casamento, passou a assinar-se PERCÍLIA SOUZA SANTOS.Seus filhos:
Marília Souza Santos (Cechella, após o casamento), médica e professora da Universidade Federal de Santa Maria-RS, casada com o médico neuropediatra Cláudio Cechella, residentes em Santa Maria/RS. Marília é a criadora e administradora deste site sobre a genealogia da Família Souza Brasil e da página sobre Alegrete.
Márcio Souza Santos, Engenheiro-mecânico, falecido tragicamente em acidente de carro, aos 36 anos de idade, juntamente com sua esposa, Jocelene Pahim, administradora de empresas.
Seus netos:
Bianca Santos Cechella, psicóloga, que uniu-se ao médico Isidoro Lima Garcia Neto, residentes em Santa Maria/RS.
Bruno Santos Cechella, analista de Sistemas, solteiro e residente no Rio de Janeiro/RJ.
Pablo Pahim Santos, advogado, solteiro e residente em Porto Alegre/RS.
Fernanda Pahim Santos, farmacêutica-bioquímica, solteira e residente em São Paulo/RS.
Abaixo, transcreve-se um texto do escritor e poeta Hélio Ricciardi (com o pseudônimo de Heitor Santos Filho) sobre a abnegação e dedicação de MÁRCIO às causas sociais.
MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS, ESSA ESTRANHA CRIATURA.
HEYTOR SANTOS FILHO (pseudônimo do escritor Hélio Ricciardi)
Quando dizem que o mundo cada vez mais se transforma numa selva, sou o primeiro a concordar, não só por ser um dos tantos que nela habita, como por ser eu um caçador inveterado de estranhas criaturas.
Poderei parecer também uma dessas estranhas criaturas que vive nessa selva de tantas lágrimas e de tão poucas alegrias.
Vou à caça. Preparo a armadilha: É uma folha de papel formato ofício. Das teclas da máquina de escrever componho suas grades para prender, nessa jaula improvisada, uma dessas poucas criaturas em extinção. É difícil reconhecê-las, pois se disfarçam de gente como a gente. São dotadas de um grande amor, pelo puro amor de nada. São essas criaturas, que trabalham sem serem subvencionadas pelo povo, governo ou por Deus Nosso Senhor. Gente que não defende coloração de camiseta alguma. Não são como os políticos, militares, sacerdotes que agem por dever do ofício.
Mas nem tudo está perdido nessa selva porque ainda consigo caçar um Romário Araújo de Oliveira, um MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS que lutam sem paga alguma. Sem a ganância daqueles que trabalham para acumular dividendos na Carteira de Poupança Celestial. Ou sem a preocupação de dar com a mão direita para que a esquerda não veja. Dão simplesmente. Nada de emprestar a Deus porque dão aos pobres. Nada de dar para receber em dobro. Essa de não poder ser herói, porque não há um repórter do lado.
MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS vem de longe e sem bandeira alguma.
O amor não tem bandeiras e nem fronteiras. É a luta para o bem do seu semelhante. Foi uma luta para tirar a Santa Casa de Caridade do caos. Sofreu muito. Tememos por sua saúde, quando ela foi intimada pagar uma vultosa indenização trabalhista, como se fosse sua dívida pessoal. Passou a ser a sua, porque era do hospital. Foram dias difíceis para Márcio. A tragédia alheia era a sua. Fazia correr listas de apoio. Fazia rifas. Batia de porta em porta. Fazia plantões em supermercados. Parecia camelô. Pedia dividendos dos acionistas da CRT (Cia.Telefônica do RGS). E enfim, o hospital restabeleceu- se de sua enfermidade, graças a dedicação do "doutor" MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS.Numa manhã fria, abro a janela da minha casa. Na calçada oposta está o MÁRCIO carregando tijolos que saíram de uma demolição. Era para o asilo dos velhinhos. Outro dia vejo-o na rua Gaspar Martins pedindo garrafas, vazias - na busca de fundos para a SANA (Sociedade de Amparo aos Necessitados de Alegrete).
MÁRCIO é a Previdência Social a domicílio. Mas ele também se preocupa com a memória da cidade. Me presenteia, xeroqueado, um raro relatório da Santa Casa de Caridade do ano de 1.925, quando o Dr. Antonio Saint Pastous de Freitas era Provedor, tendo por intendente Oswaldo Aranha. Ali está toda a família alegretense registrada, se fazendo presente com doações para o hospital da sua cidade. Ainda não precisavam 'de Márcios'.
O nome MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS diz muita coisa. MÁRCIO é nome de bravo. Tem um coração do tamanho do BRASIL e nos SANTOS o amor de todos os santos.
Tenho esperanças que um dia o mundo deixe de ser selva e que eu não precise caçar criaturas estranhas para pô-las numa folha de papel como um ROMÁRIO ARAÚJO OLIVEIRA, ou um MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS.
Abaixo, transcreve-se um trecho de outra crônica do escritor Hélio Ricciardi, em que o autor comenta sobre a generosidade e a imensa capacidade de doação ao próximo de MÁRCIO, em texto publicado no jornal Gazeta de Alegrete em 22-07-1989.
Das Doações
HEYTOR SANTOS FILHO (pseudônimo do escritor Hélio Ricciardi)
(...)
"Humanos e santos são aqueles que dão e se doam publicamente, como uma madre Thereza de Calcutá, como foi aqui um ROMÁRIO ARAÚJO OLIVEIRA que jamais cuidaram em dar para que a esquerda não visse a direita. Bem-aventurados são os que dão publicamente.Me sinto mal, me vejo pequeno quando vejo um MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS servindo os necessitados publicamente. Os velhinhos carentes correm à ele. E MÁRCIO corre mais ainda. Quer dar a eles abrigo e comida. Então, vai para a rua principal, pedir doações de garrafas. Ou está a juntar tijolos de um prédio em demolição. Está de público de peito aberto.
Não se esconde como eu e tantos, quando dão, para que não venham bater em nossas portas. MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS tem um coração do tamanho do Brasil e o amor dos santos."
MÁRCIO e seu bisavô JOÃO: as visitas do bisneto.
Deve-se a MÁRCIO o início das pesquisas sobre JOÃO DE SOUSA BRASIL e seus descendentes. MÁRCIO sempre manifestou um enorme interesse por conhecer suas origens, além de possuir um exacerbado sentimento de preservação da história de seus antepassados. Assim, ao longo dos anos, esteve a vasculhar informações sobre a sua família BRASIL e a procurar e guardar fotografias de seus bisavós, avós, tios, primos e primas. Seu acervo fotográfico e documental está sendo inteiramente aproveitado na construção destas páginas.
A par disso, MÁRCIO foi sempre um assíduo e interessado leitor sobre os fatos históricos do seu Alegrete (e do Rio Grande do Sul em geral) e possui uma privilegiada memória remota, que o transforma em um verdadeiro arquivo vivo. Conversar sobre o passado com MÁRCIO sempre foi, e ainda é, como dar um passeio no tempo, tal a riqueza de informações e detalhes com que ele brinda o interlocutor. Ele sabe muito sobre o passado da sua aldeia. De tudo e de todos, parentes ou não. Ele segue à risca a sentença do russo Tolstói: "Canta e conhece a tua aldeia que conhecerás o mundo."
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Foi MÁRCIO quem descobriu que seu bisavô JOÃO de SOUSA BRASIL vivera em Rosário do Sul-RS e que lá tivera uma relevante atuação como cidadão na comunidade rosariense, a ponto de merecer uma significativa homenagem do município: a principal avenida da cidade recebeu o nome de JOÃO BRASIL.
Na foto à esquerda, Márcio na Rua JOÃO BRASIL, no centro de Rosário do Sul-RS (out/2005).
Também foi MÁRCIO quem encontrou uma importante fonte de referência sobre o bisavô JOÃO na Biblioteca Pública da cidade: o livro "Rosário Centenário: 1876/1976", editado pela Prefeitura Municipal, com dados históricos sobre a contribuição do Major JOÃO BRASIL na transformação do Povoado de Rosário para Vila, em 1876, quando esta desmembrou-se politicamente de Alegrete e São Gabriel.
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Na década de 70, MÁRCIO conseguiu localizar o túmulo de seu bisavô JOÃO, no Cemitério Municipal de Rosário do Sul-RS. Desde então, de tempos em tempos, quando viajava de Alegrete à Santa Maria de carro, ao passar por Rosário do Sul, MÁRCIO costumava fazer uma pausa em sua viagem para uma visita ao jazigo de seu bisavô. Lá ficava em silêncio por algum tempo, e depois seguia a viagem. Era a sua forma de reverenciá-lo.
Nota da webmaster: Em nosso meio, não temos conhecimento de alguma outra pessoa, além de MÁRCIO, que tenha a habitualidade de visitar o túmulo de seu bisavô - sem sequer o ter conhecido em vida. Este fato bem atesta o caráter de MÁRCIO, cujo respeito à figura de seus antepassados é excepcional e, por isso, motivo de admiração.
Na foto à direita, Márcio junto ao jazigo de seu bisavô JOÃO de SOUSA BRASIL, em Rosário do Sul-RS. Os restos mortais de MARIA FRANCISCA DE PAULA (esposa de JOÃO) também estão nesse jazigo.
Na tarde de 31-10-2005, depois de mais de quatro anos sem conseguir revisitar o jazigo de seu bisavô, MÁRCIO retornou ao Cemitério de Rosário do Sul para mais uma visita e um ato de reverência a seu bisavô JOÃO de SOUSA BRASIL, mas agora voltou em companhia de sua filha MARÍLIA - trineta de JOÃO. Esta visita - uma verdadeira cadeia entre o passado distante, o passado recente e o presente - veio dar veracidade às palavras de Almeida Prado, escritas na abertura da homepage: "... sobrevivemos prolongados um pouco nos outros, perpetuação da vida através da morte, na infindável cadeia dos tempos".
CRONOLOGIA
1917: nascimento
Márcio é o primogênito do casal FERNANDA DA SILVA BRASIL e CUSTÓDIO JOSÉ DOS SANTOS e nasceu em Alegrete, em 03-03-1917. Seu nascimento ocorreu inesperadamente durante um passeio que seus pais foram fazer na chamada Granja Masgrau, nos arredores da cidade de Alegrete e sua mãe entrou em trabalho de parto.A Granja Masgrau era um local aprazível na periferia de Alegrete, onde havia casas de veraneio para alugar. Seus pais e seus avós maternos, Francisco e Mariana Brasil, foram passar uns dias nesse local, mas durante o passeio sua mãe Fernanda entrou em trabalho de parto e Márcio acabou nascendo naquela Granja. O parto foi iniciado por uma parteira da família ("Siá" Percília), mas por dificuldades durante o nascimento de Márcio, dois médicos foram chamados às pressas (Dr. Marengo e Dr. Pitela) para dar assistência à Fernanda. O parto foi bastante difícil, necessitando o uso de fórceps para extrair a criança ("Já iniciei a vida lutando", costuma dizer Márcio).
1929: trabalho já na infância
Conheceu o trabalho ainda na infância, pois sendo o mais velho dentre cinco irmãos, assumiu as tarefas de ajudar no sustento da família. Seu pai Custódio era dono de uma barbearia (Salão Brasil) e de uma pequena loja de artigos masculinos, e sua mãe Fernanda, era dona-de-casa.
Aos 12 anos de idade, Márcio começou a trabalhar como balconista na Loja Bonatto, uma loja de tecidos e armarinhos, que ficava próximo à residência da sua família, na rua Marquês de Alegrete. Permaneceu nessa atividade durante cerca de 18 meses (de 1929 a 1930).
1930: primeiros passos profissionais
Em outubro de 1930, passou a ter aulas particulares de Escrituração Mercantil, no escritório da Ferragem do sr. Sumerval de Andrade Neves, pessoa com grande conhecimento na área contábil. Márcio foi um excelente aprendiz de Contabilidade, mostrando muita facilidade de aprendizagem, inteligência e excelente memória, especialmente para números.Cerca de 3-4 meses depois, por indicação do seu próprio professor, sr. Sumerval Neves, Márcio começou a trabalhar como auxiliar de escritório na Barraca de Frutos do País - empresa de compra e venda de produtos como lã, couro, pelegos - de propriedade de Francisco Barros Coelho.
Quando iniciou essa atividade em fevereiro de 1931, Márcio tinha ~14 anos de idade. Apesar de sua pouca idade, logo se destacou no seu trabalho de escriturário, passando a ser muito respeitado profissionalmente pelo próprio contabilista da firma (Raul Paz Oliveira) e pelo proprietário.
Depois que ganhar a confiança e o respeito de Francisco Barros Coelho, este passou a delegar a Márcio funções também na compra e transporte dos produtos para a Barraca. Márcio visitava os curtumes e estâncias, selecionava e comprava as lãs de ovinos e couros de bovinos, além de providenciar o transporte dos produtos (por caminhão ou carroça, ou por via férrea).
Como deslocava-se muito até as subestações ferroviárias do interior do município de Alegrete e Quaraí, Márcio aprendeu a dirigir e Barros Coelho passou a lhe ceder o seu próprio carro para essas atividades comerciais da empresa.
Márcio trabalhou nessa empresa de Francisco Barros Coelho de 1931 até 1938.
1938: escritório da Usina de Alegrete
Em junho de 1938, Márcio recebeu proposta e aceitou trabalhar como funcionário da Usina de Alegrete, onde permaneceu até 1944. Trabalhava no setor de Contabilidade, chegando depois ao cargo de sub-gerente do escritório da Usina.1944: funcionário público estadual
Em 1944, por indicação do Exator à epoca (sr. Mário Lucena Borges), Márcio ingressou como Agente Fiscal na Exatoria Estadual de Alegrete. Posteriormente, foi promovido a escriturário, permanecendo nesse cargo até março de 1947, quando solicitou transferência para a Exatoria de Caxias do Sul, devido a incompatilidades pessoais com o novo Exator de Alegrete.
1947: Caxias do Sul
De 29-03-1947 até dezembro de 1951, trabalhou na Exatoria Estadual de Caxias do Sul, inicialmente como Agente Fiscal e, depois, acumulou as funções de Tesoureiro e Escrivão.1948: casamento
Casou em 08-05-1948, em Alegrete, com PERCÍLIA LAUTERT DE SOUZA (Mosa), professora primária, nascida em Alegrete, em 25-11-1920 e falecida em Santa Maria-RS, em 21 de junho de 2002, filha de Jovita Souza Lautert e José Manoel (Zéca) de Souza, fazendeiro em Alegrete. Percília passou a assinar-se PERCÍLIA SOUZA SANTOS. Após o casamento, o casal foi residir em Caxias do Sul-RS, cidade onde Márcio já estava trabalhando na Exatoria Estadual desde 1947.1949: nascimento de sua primeira filha
Em 24-10-1949, em Alegrete-RS, nasce sua primogênita: MARÍLIA SOUZA SANTOS.
Marília é médica e professora da Universidade Federal de Santa Maria, casada com o médico Cláudio Cechella, residente em Santa Maria-RS. Após o casamento, ela passou a assinar-se Marília Santos Cechella.1952: retorno à terra natal
Em 1952, pede licença do serviço público estadual em Caxias do Sul (Exatoria) e volta a residir em Alegrete-RS.
Passa a trabalhar na empresa de revenda de veículos (automóveis, caminhões e tratores da linha Ford), na firma Auto Agrícola Alegretense, em sociedade com seu primo em 2º grau Joaquim Francisco Fonseca Milano e um amigo de mocidade, Domingos Thaddeu, além de Nestor de Moura Jardim.Neste mesmo ano, foi aprovado em concurso público para Fiscal Tributário da Secretaria da fazenda do Estado, mas fica em lista de espera aguardando nomeação.
1954:
Em 1954, monta o seu próprio negócio e inicia uma pequena indústria de galvanização (Auto Galvânica Alegretense), na rua Waldemar Masson, em prédio ao lado de sua residência.1955: nascimento de seu segundo filho
Em 17-01-1955, em Alegrete-RS, nasce seu segundo filho: MÁRCIO SOUZA SANTOS.
Márcio era engenheiro-mecânico e residia em Porto Alegre-RS, mas faleceu tragicamente em acidente de carro, aos 36 anos de idade, juntamente com sua esposa, Jocelene Pahim, administradora de empresas.1955: novo rumo profissional
Em junho de 1955, abandona o seu projeto empresarial iniciado no ano anterior (Auto Galvânica Alegretense) e assume o cargo de Fiscal Tributário da Secretaria da Fazenda do R.G.Sul, serviço que exerceu durante 35 anos, até aposentar-se em abril de 1978.No início de sua vida como funcionário público estadual, residiu em Quaraí (1955-1956) e Uruguaiana (1957-1960), mas em janeiro de 1961, a convite, assumiu a Coordenadoria Regional da Fiscalização Tributária da zona da fronteira-oeste e retornou definitivamente à Alegrete - cidade sede da referida Regional.
1978: aposentadoria
Em 02-04-1978, aposentou-se de suas atividades como servidor público na Fazenda Estadual. Seu trabalho foi muito profícuo durante os anos que esteve na ativa, seja como Fiscal Tributário, seja como Coordenador Regional do ICM (Imposto sobre circulação de mercadorias), quando administrou uma equipe de fiscais de 12 municípios, sempre com espírito de liderança e muita admiração de seus subordinados.1979 a 2000: atividades filantrópicas
MÁRCIO sempre foi, desde jovem, uma pessoa muito generosa e com imenso amor ao próximo. Após a sua aposentadoria da Fazenda Estadual em 1978, dedicou-se intensamente às atividades filantrópicas em Alegrete, especialmente a asilos, creches e atendimento de pessoas doentes ou com algum tipo de necessidade. Seu trabalho voluntário teve grande impacto social na cidade e por ser desprovido de qualquer interesse que não fosse apenas o de ajudar o seu próximo, ganhou a admiração de todos os seus conterrâneos.Teve também marcante atuação no cargo de Provedor da Santa Casa de Caridade, onde conseguiu sanar as dívidas do hospital e ainda encerrar sua gestão com dinheiro em caixa. Era do tipo que arregaçava as mangas e ele próprio ia para as ruas pedir doações para salvar as dívidas (garrafas velhas, por exemplo.) ou vender rifas de moto, carro ou outros prêmios. Muitos desses prêmios eram comprados com seu próprio dinheiro, sem que ninguém soubesse disso.
Sua dedicação para o bem do próximo sempre foi magnífica e há muitas histórias sobre gestos extraordinários dele, muitos deles feitos anonimamente. Somente problemas de saúde - seus e de sua esposa - o tiraram dessa luta a partir de 2000, já aos 83 anos de idade, por precisar deslocar-se freqüentemente para Santa Maria-RS em busca de recursos médicos para ambos.
2002 a 2009: o exílio
Em junho de 2002, Márcio fica viúvo aos 85 anos e, a partir daí, passa a alternar temporadas em Santa Maria-RS, na residência de sua filha, e em sua casa em Alegrete.Em 25-05-2005, sofre um infarto, mas se restabelece logo. Entretanto, devido a outras complicações médicas que se sucederam, a partir de julho de 2005 passou a morar definitivamente na casa de sua filha em Santa Maria, voltando à Alegrete apenas para breves visitas. Sempre que visitava o seu Alegrete, recebia manifestações de reconhecimento nas ruas e em todos os lugares por onde circulava. Continuava admirado por todos, dos mais pobres aos mais ricos.
Em 3 de março de 2009, embora já bastante limitado para se locomover, Márcio retorna ao seu Alegrete, para comemorar os seus 92 anos de vida na sua terra natal. Foi a sua última visita ao seu amado Alegrete.
11-06-2009: o falecimento
MÁRCIO permaneceu lúcido até morrer, embora cada vez mais debilitado fisicamente. O seu amor por sua terra e seu interesse pela gente de sua cidade permaneceu até o fim de seus dias. Dedicava-se a revisitar suas raízes por meio da leitura regular dos jornais de Alegrete. Manifestava constantemente saudade de sua terra e muita tristeza por não poder mais realizar, por incapacidade física, o que fazia antes pelos pobres, doentes e necessitados da sua cidade. Tinha a filantropia impregnada na alma.
Na madrugada de 11-06-2009, faleceu em Santa Maria-RS. Seu corpo foi transladado para Alegrete no mesmo dia, onde foi velado e sepultado no jazigo da família.
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