General JOSÉ de ABREU
BARÃO do CERRO LARGO






JOSÉ DE ABREU nasceu em Povo Novo (município de Rio Grande-RS), em 1770 ou 1771 e era filho de JOÃO de ABREU, natural de Guimarães-Portugal e de Ana Maria (uma índia ao que tudo indica), nascida no Rio Grande de São Pedro.

Assim consta na biografia feita pelo Barão do Rio Branco, mas na Genealogia das Famílias feita pelos Mórmons, consta que João de Abreu casou com Maria de Souza, natural da Ilha Terceira/Açores-Portugal e que José de Abreu teria nascido em Maldonado-Uruguai, à época bispado de Buenos Aires.

Esses pontos polêmicos e outros sobre JOSÉ de ABREU (como a grafia do seu título - Cerro Largo ou Serro Largo) podem ser lidos em:
http://www.descendentes.josedeabreu.nom.br/josedeabreu.htm

Aos 14 anos, em 1784, ofereceu-se como voluntário ao Imperial Exército do Brasil e passou a fazer parte da Cavalaria do Real Exército de Sua Majestade.

Mal. José de Abreu

Foi herói nacional das Guerras da Cisplatina, considerado um homem de extrema valentia e vencedor de inúmeras batalhas, conquistando e anexando às terras brasileiras a Província conhecida como da Cisplatina (hoje Uruguai). Ainda durante o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, combateu os castelhanos, libertando São Borja em 1814.

Foi Governador de Armas do Rio Grande do Sul e Marechal-de-campo. Em razão do seu excepcional valor militar e dedicação, D. Pedro I, por decreto Imperial de 12.10.1825, agraciou-o com o título de Barão de Cerro Largo.

A ele foram destinadas extensas sesmarias em Alegrete e na província da Cisplatina (abaixo da região da atual cidade de Livramento-RS). Quando a Capela do Inhanduí foi incendiada e destruída entre 1816/1817 (depois conhecida como Capela Queimada), José de Abreu destinou parte de suas terras para a nova aldeia (povoado de Guasso-Passo) e é considerado, por muitos historiadores, como o doador das terras da atual cidade de Alegrete, situada à margem esquerda do Rio Ibirapuitã. Nesta região, JOSÉ de ABREU dedicou-se e constituiu sua família.

Casou com MARIA FELICIANA DA SILVA, nascida em Porto Alegre, filha de Antonio da Silva e Maria da Conceição, naturais de Santa Catarina, com quem teve cinco filhos homens. Como exceção do primeiro (José de Abreu) que faleceu ainda criança, os demais quatro seguiram a carreira militar (Tenente Cel. Cláudio José de Abreu - Cel. Ignácio da Silva e Abreu - Capitão Cândido José de Abreu - Capitão Manoel José de Abreu).

Faleceu em 20.02.1827, na histórica batalha do Passo do Rosário (também conhecida como batalha de Ituzaingó), famoso episódio nas lutas da época e considerada a maior batalha campal ocorrida em solo brasileiro. Sua morte ocorreu tragicamente, quando comandava 560 homens. Por um equívoco, foi considerado como inimigo pelas tropas que provocava defender e morreu pelas balas de seus próprios compatriotas, ao tentar conter seus soldados quando eles recuaram e correram para salvar-se, no momento que uma coluna da Cavalaria de orientais avançou de surpresa. Uma triste ironia do destino, para um homem que liderava seus comandados com bravura e coragem inigualáveis.

Palavras de Simões Neto em seu conto O Anjo da Vitória:
"Esse, era um tal general Abreu... um tal general José de Abreu, valente como as armas, guapo como um leão… que a gauchada daquele tempo — e que era torenada macota! — batizou e chamava de — Anjo da Vitória! Esse, o cavalo dele não dava de rédea para trás, não! Esse, quando havia fome, apertava o cinto, com os outros e ria-se! Esse, dormia como quero-quero, farejava como cervo e rastreava como índio...; esse, quando carregava, era como um ventarrão, abrindo claros num matagal."



A BATALHA DO PASSO DO ROSÁRIO

Colaboração do historiador Alcy Cheuiche, coordenador do livro Ituzaingô – A saga das Lutas de Fronteira Sul,
Martins Livreiro Editor, Porto Alegre/RS.
Almanaque Gaúcho -jornal Zero Hora (P.Alegre), em 20/02/2009.

No amanhecer do dia 20 de fevereiro de 1827, as tropas argentinas e uruguaias, sob o comando do General Alvear, ocupavam as margens do Rio Santa Maria, chamado pelos guaranis de Ituzaingô (água que cai do barranco), no local onde é hoje a cidade de Rosário do Sul. A apenas duas léguas de distância, junto a atual BR-290, as tropas brasileiras tinham uma visão ampla sobre o teatro de operações.

O comandante-em-chefe, Marquês de Barbacena, sabia que os mil cavalarianos do coronel Bento Gonçalves eram poucos para enfrentar os 3,5 mil do coronel Lavalleja. O plano era deixar que o caudilho uruguaio atacasse imediatamente, mesmo com o sol nos olhos, para ser destroçado a tiros de canhão.

Como o uruguaio tardava, o velho General José de Abreu tomou a frente de 400 campeiros gaúchos e lançou-os contra a cavalaria inimiga. Lavalleja sustentou o impacto, e os sobreviventes daquela loucura tiveram que fugir a toda brida, com os inimigos em seu encalço. Imaginem o drama do comandante da artilharia brasileira. Se mandasse abrir fogo, impediria que Lavalleja rompesse o front de nossa infantaria, mas os canhões atingiriam primeiro os cavalarianos brasileiros. Hesitou apenas por alguns segundos, antes que o troar da metralha ensurdecesse a todos os soldados. Quando a fumaça se dissipou, jaziam mortos pelos campos centenas de cavaleiros, amigos e inimigos. E, entre eles, o general José de Abreu, como narra Simões Lopes Neto no belíssimo conto O Anjo da Vitória.

Graças a Bento Gonçalves, que conseguiu proteger a retirada, a Batalha do Passo do Rosário não foi uma derrota completa para o Brasil. Ambos os exércitos partiram, um para leste e outro para oeste, restando como resultado positivo de tantas mortes a certeza de que os diplomatas deviam encontrar uma maneira de fixar definitivamente as fronteiras do pampa., E isso foi feito com o tratado que oficializou a independência do Uruguai, em 1828, embora essa independência, na realidade, já tivesse começado, desde 1810, com as lutas de Artigas pela liberdade da Banda Oriental do Rio Uruguai.

A Batalha do Passo do Rosário deve, assim, ser considerada como o marco inicial de uma grande amizade entre as três nações. E é por isso que o livro Ituzaingô descreve os acontecimentos sob a visão dos dois lados da fronteira. Uma narrativa sem “mocinhos” nem “bandidos”, apenas fiel à História.



Em 2005, o 4º Regimento de Carros de Combate - Regimento Passo do Rosário - (4º RCC), localizado em Rosário do Sul/RS, realizou uma grande encenação em homenagem aos heróis mortos na batalha, em especial ao Marechal José de Abreu, com a Direção Geral do Tenente-coronel Leonardo Ramalho Rodrigues Alves, a Direção de Núcleo de Cláudio Corrêa, e Produção Executiva do Tenente Hemerson Macalão Ramos.

O vídeo dessa encenação que simula a Batalha do Passo do Rosário (dividido em 3 partes) está disponível no You Tube:
http://br.youtube.com/watch?v=-YDUqK4aAgQ (parte 1).
http://www.youtube.com/watch?v=ZpufVrgCSNA (parte 2).
http://br.youtube.com/watch?v=RqDpRwwqeAo (parte 3).



Em http://www.descendentes.josedeabreu.nom.br/cronologia.htm se poderá ler, detalhadamente, a trajetória militar de sucesso do Gal. JOSÉ DE ABREU. Sobre o trágico episódio de sua morte, em meio ao fogo amigo, consta lá o seguinte trecho:

"1827 - Em 20 de fevereiro, foi ferido e morto por tiros partidos das próprias linhas brasileiras, na confusão que se estabeleceu na célebre Batalha do Passo do Rosário, denominada pelos argentinos de batalha de Ituzaingó, nome do arroio.

Registram ainda, A evidente inferioridade numérica dos brasileiros não lhes diminuiu, entretanto, o entusiasmo e a bravura de que dera provas admiráveis.

Cerro Largo, no comando dos seus voluntários, mantinha-se terrível em contato com o inimigo e, em certo momento, viu-se sozinho no setor onde lutava. Mas, o seu corpo de voluntários era uma barreira que os argentinos visavam e queriam esmagar a qualquer preço.

O Barão, que apenas dispunha de 500 voluntários mal montados, não teve a insana pretensão de resistir aquela massa imponente, que marchava ao seu encontro.

Dispunha-se a recuar, batendo em retirada até procurar a proteção da Divisão do General Calado, quando subitamente aparece uma coluna de 700 homens, que se lançou sobre ele, atacando-o de flanco, enquanto Lavaleja o ameaçava pela frente.

Essa carga repentina e inesperada e o cansaço dos cavalos não deram tempo a que seus soldados, dispersos a maior parte em linhas de atiradores, se formasse com rapidez.

O inimigo apanhou-os em confusão.... todos os esforços que fez o Barão do Cerro Largo para conter os seus soldados foram inúteis. A carga do inimigo seguiu-se o completo destroço dos bravos e infelizes voluntários, que confundidos com os orientais, vieram sobre a 2ª Divisão.

Esta, não podendo distinguir os contrários dos amigos, formou quadrado e rompeu fogo, sobre a massa desordenada, sendo nessa ocasião mortalmente ferido o velho Barão do Cerro Largo... poucos momentos depois expirava o nosso bravo, com a mesma serenidade de ânimo com que tantas vezes se arrojara aos perigos dos combates."

A batalha de Ituzaingó, entretanto, não terminou com a vitória de qualquer dos contendores, porque ambos se retiraram sem chegar ao fim.

O corpo de Cerro Largo foi sepultado no mesmo lugar onde tombara e, depois, transferido para Porto Alegre. No local do combate existe um monumento comemorativo da sua morte.

A vida desse ilustre militar, assim desaparecido sob as balas dos seus próprios compatriotas, deve ser rememorada com as honras a que ele fez jus.

Vida exemplar de cidadão, toda voltada ao serviço da pátria, jamais fugindo ao cumprimento dos seus deveres, mesmo nas horas amargas e mais difíceis."



Por seu grande valor e bravura como militar, JOSÉ DE ABREU - o "Anjo da Vitória" como ficou conhecido por seus feitos memoráveis - foi designado Patrono do 6º Regimento de Cavalaria Blindado de Alegrete.

FONTES:

  • Alamir Guedes de Abreu (http://www.descendentes.josedeabreu.nom.br/index.htm): descendente do José de Abreu (tetraneto) e um estudioso da vida do Mal. JOSÉ de ABREU.
  • Histórico do 6º Regimento de Cavalaria Blindado de Alegrete. (http://www.riograndeemfotos.fot.br/rghisto.html).
  • Riograndenses que fizeram a História (http://www.riograndeemfotos.fot.br:80/p04.html).
  • Leda Maria Lagoa (e-mail): alegretense descendente do Gal. José de Abreu (tetraneta de Cândido José de Abreu, um dos filhos do Gal José de Abreu, nascido em 1803 e falecido em 1871, Capitão do Imperial Exército do Brasil.



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