PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL,
O GENEARCA


Vista aérea do Monte Brasil, origem do nome famíliar, e
da cidade de Angra do Heroísmo na Ilha Terceira.


Sobrenomes nesta página: ANES, ASSIS BRASIL, ÁLVARES, AZEVEDO, BRASIL, BAENA, BELFAGUER, BUENO, CABRAL, CARUSO, CHAVES, CHICHORRO, COSTA, CORTE-REAL, CUNHA, DINIS, EANES, ECHIGUES, EGICA, FAGUNDES, FERNANDES, GARCIA, GÓES, GOMES, LEITE, MACHADO, MAIA, MONIZ, NASCENTES, NUNES, PEREIRA, PIRES, RIBEIRO, ROIZ, SCHRÖDER, SILVEIRA, SOARES, SOEIRA, SOUSA, SOUZA, SUEIRO, THEODO, THEODOSIO, TOURO, TRASTAMIRES, VASCONCELOS, VAZ, VELHO.



POVOAMENTO DE SÃO JORGE

A data mais segura do descobrimento dos Açores é o ano de 1427. O seu reconhecimento, contudo, ocorreu de 1432 a 1439, data esta de início do seu povoamento. O primeiro documento que fala sobre o povoamento da ilha de São Jorge é um trecho do testamento do INFANTE DOM HENRIQUE, falecido em 1460, que diz: "...ordenei e estabeleci a igreja de S. Jorge na ilha de S. Jorge". Os primeiros povoadores, provavelmente, entraram na ilha na década de 1460 a 1470. JOÃO VAZ DA COSTA CORTE-REAL, seu donatário a partir de 1483, esforçou-se pela sua colonização. JOÃO era também donatário de Angra, na ilha Terceira. Oficialmente foram criadas três vilas em São Jorge: Velas em 1500, Topo em 1510 e Calheta em 1534.

Dentre os primeiro povoadores de São Jorge destaca-se FERNÃO LUÍS DE SOUSA, natural de Santarém, Portugal, e sua mulher MARGARIDA, que se fixaram na vila de Calheta e deram origem ao tronco famíliar SOUSA da ilha de São Jorge.

Antes de tratar na descendência de Fernão Luís e Margarida, apresentaremos um estudo sobre o nome familiar SOUSA, uma vez que a família ASSIS BRASIL, descende desse casal português.


A ORIGEM DO NOME DE FAMÍLIA SOUSA EM PORTUGAL


Brasão de armas dos Sousas,
ancestrais da família Assis Brasil

Resumo
O sobrenome Sousa, ou Souza, pertencente a uma das mais antigas e nobres famílias portuguesas, é classificado como sendo de origem habitacional. Este termo se refere aos sobrenomes dos quais a origem se encontra no lugar de residência do progenitor da família, seja uma cidade, vila ou um lugar identificado por uma característica topográfica.

No que diz respeito ao sobrenome Souza, este é variante de Sousa, o qual se originou durante o reinado dos Godos. Um cavaleiro de nome GOMES ECHIGUES, que viveu durante o século XI, foi governador do distrito de Entre Douro e Minho e possuiu o título de SENHOR DE FELGUEIRAS, domínio que adquiriu em 1040. Um de seus filhos, EGAS GOMES DE SOUSA, Senhor de Sousa, Novelas e Felgueiras, foi o primeiro a usar o sobrenome, o que indica que ele residia ou possuía terras no lugar de nome Sousa. Embora Souza e Sousa sejam escritos de forma diferente, considera-se que são apenas grafias distintas para o mesmo nome de família.

A origem da palavra Sousa ou Souza
SOUSA, ou SOUZA, é um sobrenome de origem geográfica, originário de um rio e de uma povoação de Portugal. A sua origem, segundo CORTESÃO, com dúvidas, vem da baixa latinidade SOUSA, SAUCIA ou SOCIA. SOUSA, forma documentada no ano de 924, SOUZA, com a letra z e SOCIA, documentado em 1088. Segundo LEITE DE VASCONCELOS, a palavra veio do latim SAZA ou SAXA, que significa seixos (ou rocha), o que traz dificuldades fonéticas. Outros derivam de SALSA, donde vem Souza e Sousa, o que não apresenta dificuldade fonética. CORTESÃO faz diferença entre Sousa, nome do rio, e Souza, nome da povoação, derivando aquele de SAZA e este de SOCIA. É também o nome de uma espécie de pombo bravo que, no século XI, foi registrado como SAUSA.

(Antenor Nascentes, II, 286)

DOM SUEIRO DE BALFAGUER, o genearca da família Sousa
Souza, ou Sousa, é uma das mais antigas e ilustres famílias de Portugal. FELGUEIRAS GAYO, em seu Nobiliário das Famílias de Portugal (Tomo XXIX), usando o Nobiliário do Cazal do Paço, principia esta antiquíssima família em DOM SUEIRO BELFAGUER, antigo cavaleiro godo, que floresceu nos primeiros anos do século VIII, ou pelos anos de 800. Foi filho, segundo melhores opiniões, de DON FAYÃO THEODO ou THEODOSIO, que foi bisneto em varonia de FLAVIO EGICA, rei da Espanha, e de sua esposa SONA SOEIRA, filha de D. SOEIRO, príncipe Godo. Informa ser a mais antiga família que se encontra na Espanha portuguesa, e por automazia, a mais antiga portuguesa.

Solares da família
O primeiro solar que teve esta família foi na Comarca de Vila Real entre o Rio Tua e Tamega, em a terra chamada Panoyas, nome que lhe ficou de uma cidade assim chamada pelos romanos, situada junto ao lugar de Val de Nogueiras, em cujas ruínas se encontram descrições com letras romanas.

O segundo solar desta família, de onde se tirou o sobrenome, fica no Entre Douro e Minho, no contorno do Concelho de Rio Tamaga, denominado a terra de Souza, regada do Rio Souza que, nascendo por cima do mosteiro beneditino de Pombeiro, recebe outras águas e corre até se encorporar com o rio Douro, muito abaixo de ambos os rios, sendo o Tamega o último que recebe duas léguas antes da cidade do Porto.

O início do sobrenome Sousa
O sobrenome Sousa não teve princípios senão muito depois do princípio desta família em DOM SUEIRO BALFAGUER, conforme vimos acima, que deixou numerosa e ilustre descendência do seu casamento com D. MUNIA (ou MENAYA) RIBEIRO, descendente dos condes de Coimbra e, por varonia, descendente de SIZEBUTO, filho de WITISSA, penúltimo rei godo. SUEIRA e MINIA foram quarto avós de DOM GOMES ECHIGUES, que floresceu pelos anos de 1030. Homem de muito valor, combateu em Santarém onde, com sua lança, deteve o rei de Castela D. SANCHO e o venceu. DOM GOMES foi governador de toda a comarca de Entre Douro e Minho, por nomeação do rei D. FERNANDO, pelos anos de 1050. Comprou o lugar de Felgueiras, junto a Pombeiro, a Payo Moniz, pelo preço de dois bons cavalos, no mês de abril de 1039, e fundou o mosteiro de Pombeiro, de religiosos beneditinos, pelos anos de 1040. Próximo das terras de Pombeiro, estava o solar de Souza. DOM GOMES achava-se em Guimarães pelos anos de 1052 e deixou numerosa descendência do seu casamento com D. GONTRODE MONIZ, filha de DOM MUNIO FERNANDES DE TOURO, filho do rei D. FERNANDO DE CASTELA. Por este casamento, a família Souza entrou para o sangue real de Navarra, de quem descendem os reis de Castela e Portugal.

O Marco Patronímico Original da família Souza
Entre os filhos deste último nobre cavaleiro, registra-se DOM EGAS GOMES DE SOUZA, que foi o primeiro que usou este apelido Souza, na forma de nome de família, por ser nascido, criado e, depois, senhor das terras de Souza, também chamado Solar de Souza. Foi, ainda, senhor de Novella e Felgueiras e governador de toda a comarca de Entre Douro e Minho. Sendo Capitão-General, venceu em batalha, com muito valor, ao rei de Tunes, junto a Beja, o que lhe valeu o acrescento aos Bastões de Aragão, antiga composição de suas Armas, as quatro luas crescentes que o rei de Tunes trazia nas suas bandeiras. Considera-se que o brasão de armas abaixo reproduzido é o original da família Sousa.


Brasão de Armas antigo da família Sousa

DOM EGAS deixou numerosa descendência, por onde passa a corre o sobrenome Souza, por seu casamento com Dona FLAMULA (ou GONTINHA) GÓES, filha de DOM GONÇALO TRASTAMIRES DA MAIA e de DONA MÉCIA ROIZ. De D. EGAS descendem todas os Souzas de Portugal e Brasil, salvo aquelas famílias que, em algum tempo, adotaram este sobrenome por apadrinhagem ou por outro motivo.

Um 12º neto de Dom Egas, MARTIN AFONSO DE SOUSA, foi o comandante da expedição que fundou o primeiro núcleo de colonização no Brasil. MARTIM AFONSO foi o donatário da capitania de São Vicente. Seu primo, TOMÉ DE SOUZA, foi o primeiro governador-geral do Brasil. Ambos são descendentes de MARTIM AFONSO CHICHORRO e de AFONSO DINIS, filhos de el-rei D. AFONSO III, que se casaram com duas netas de MEM GARCIA DE SOUSA, neto do conde D. MENDO, o SOUSÃO, em quem veio ficar esta família. É solar desta família a vila de Arrisana de Sousa, fundada por D. FAYÃO SOARES, tronco deste sobrenome.

( Sanches de Baena, Archivo Heráldico, I, 356)


A ORIGEM DOS NOMES DE FAMÍLIA SOUSA E BRASIL EM SÃO JORGE

O tronco famíliar BRASIL teve sua origem em PERO LUÍS DE SOUSA, nascido em São Tiago da Ribeira Seca, Ilha de São Jorge, cerca de 1470, filho de FERNÃO LUÍS DE SOUSA e MARGARIDA DE SOUSA. PERO LUÍS DE SOUSA, a partir de determinada época, passou a ser conhecido como PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL. Sobre a origem do tronco de família Sousa em São Jorge e sobre o apelido BRASIL, usado por PERO LUÍS, o Pe. MANUEL D'AZEVEDO DA CUNHA JÚNIOR apresenta comentários em seu livro Notas Historicas, edição de 1924, Typographia de O DEVER, Calheta, São Jorge, reeditado pela Universidade doas Açores, Ponta Delgada, 1981, Volume 1, páginas 46 e 47. Ao tratar dos povoadores da ilha e de sua genealogia, ele estuda a genealogia de VICENTE DIAS VIEIRA, que foi escrivão da Provedoria e Resíduos em 1562 e 1563 em Velas, capital de São Jorge:

"VICENTE DIAS VIEIRA ... foi casado com BEATRIZ FAGUNDES ou BEATRIZ GONÇALVES TEIXEIRA, filha de ANDRÉ GONÇALVES TEIXEIRA e de ISABEL PIRES DE SOUSA. ANDRÉ era filho de JERÓNIMO GONÇALVES TEIXEIRA e de LUZIA DIAS DE SOUSA. ISABEL PIRES era filha de PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL e de CATARINA EANES PIRES. PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL, era filho de FERNÃO LUÍS DE SOUSA, de Santarém, e de MARGARIDA DE SOUSA, açoriana ou casada nestas ilhas com aquele (FERNÃO). Estes são o tronco dos SOUSAS desta ilha de São Jorge."

"Acerca de PERO LUÍS DE SOUSA, tem-se laborado, segundo nos parece, num círculo vicioso a respeito de seu apelido DO BRASIL. Dizem uns que o tomou do monte que forma abrigo, por oeste, do porto de Angra (capital da ilha Terceira, denominada Angra do Heroísmo). Outros afirmam que ele mesmo deu o nome ao monte, porque, vindo do Brasil, foi o dono e senhor daqueles terrenos que obteve por compra. Mas consta que PERO LUÍS DE SOUSA vendeu tais domínios a JOÃO VAZ DA COSTA CORTE-REAL, falecido em 1496. E sendo o Brasil descoberto em 1500, quatro anos depois da morte de JOÃO VAZ, como é que PERO LUÍS DE SOUSA foi ao Brasil, angariou fortuna, veio para Angra, comprou o monte, vendeu o monte e lhe deu o nome, tudo isso antes de 1496? É um anacronismo insuportável. Tal nome, BRASIL, parece ser anterior ao reconhecimento destas ilhas pelos portugueses. Porquanto, vê-se nos preciosos mapas publicados no Arquivo dos Açores pelo Exmo. Coronel CHAVES, concordantes com outros mapas primitivos, em que a ilha correspondente à Terceira é cognominada I.ª del Bracil. Foi em vista desses mapas do século XIV, trazidos do estrangeiro pelo Infante D. PEDRO, que o Conde (Infante) DOM HENRIQUE mandou a GONÇALO VELHO CABRAL navegar para o poente, pondo Lisboa em popa das Caravelas."

Sobre esse essas cartas náuticas citadas pelo Pe. CUNHA, o jornalista brasileiro EDUARDO BUENO, em seu livro A Viagem do Descobrimento, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 1998, escreve, referindo-se ao avistamento do Monte Pascoal, na Bahia, por PEDRO ÁLVARES CABRAL em 22 de abril de 1500 (p.13):

"Portanto, ao visualizarem aquele morro, que julgaram de início ser parte de uma grande ilha, PEDR'ÁLVARES CABRAL e seus comandados não foram tomados de grande perplexidade. Talvez nem mesmo a soldadesca inculta, pois desde o alvorecer do século IX, a imaginação e a cartografia européia povoavam de ilhas as amplitudes desconhecidas do Atlântico - e a mais famosa delas se chamava Ilha do Brasil. Aquele mar de de árvores verdejantes, que agora balançava à frente das naus, deveria se erguer do solo de uma dessas ilhas tão faladas".

EDUARDO BUENO apresenta ainda, em seu interessante livro (p. 13), uma nota especial sobre a palavra Brasil constante dos mapas medievais:

"A ilha do Brasil, ou ilha de São Brandão, ou ainda Brasil de São Brandão, era uma das inúmeras ilhas que povoavam a imaginação e a cartografia européias da Idade Média, desde o alvorecer do século IX. Também chamada de Hy Brazil, essa ilha mitológica, ressoante de sinos sobre o velho mar, se afastava no horizonte sempre que os marujos se aproximavam dela. Era, portanto, uma ilha movediça, o que explicava o fato de sua localização variava de mapa para mapa. Segundo a lenda, Hy Brazil teria sido descoberta por São Brandão, um monge irlandês que partiu da Irlanda para alto-mar no ano de 565. Como São Brandão nascera em 460, ele teria 105 anos quando iniciou a sua viagem. O nome Brazil provém do celta bress, que deu origem ao verbo inglês to bless (abençoar). Hy Brazil, portanto, significa Terra Abençoada. Desde 1351 até pelo menos 1721 o nome Hy Brazil podia ser visto em mapas e globos europeus, sempre indicando uma ilha localizada no Oceano Atlântico. Até 1624, expedições ainda eram enviadas à sua procura".

Ainda sobre o nome Brasil, MARILÉA M. LEAL CARUSOe RAIMUNDO C. CARUSO, em seu livro Mares, e longínquos povos dos Açores, Editora Insular, Florianópolis, 1996, escrevem (p.21/22):

Cento e cinqüenta anos antes da descoberta do Brasil já havia nos Açores uma ilha com esse nome Brasil. Sua origem é contraditória. Uns dizem que o nome teria vindo da Irlanda, porém a maioria considera que as raízes de "brasil" estariam em certos vocábulos italianos que na idade média designavam a cor vermelha. Prova disso são os verzino, barcino, verzi, berzi, varzino, brazino e até a palavra latina brasile, que se refere àquilo "que tem o aspecto de brasa". O uso, o desgaste, os acréscimos e as nacionalizações teriam progressivamente transformado aquelas palavras em "brasil". "Terras do Brasil" seriam, então, aquelas regiões onde se encontravam certas plantas tintureiras que se usavam para tingir roupas.

Também há informações da existência de outras plantas tintureira no Oriente e de espécis diferentes, que ganharam o nome de "brasil". E só não nomearam nenhuma região porque essas terras já tinham nomes desde há muito tempo. Hoje, em vez de "Ilha do Brasil" temos a Ilha Terceira, porque foi descoberta pelo Infante Dom Henrique depois de Santa Maria e São Miguel, porém o nome persiste para designar um monte, o Monte Brasil, onde em fins do século XVI a Espanha construiu uma fortaleza inexpugnável.

A origem da palavra Brasil, segundo o Novo Dicionário Aurélio, 2ª edição, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1993 (p.283), é: BRASIL, do francês brésil, que é alteração do italiano verzino.

Como curiosidade, citamos uma petição feita em São Jorge, em 1735, por MIGUEL ANTÓNIO DA SILVEIRA num processo judicial de justificação de nobreza. Nesses processos era necessário a apresentação de toda a ascendência do requerente com seus feitos, títulos, religião, provas de pureza de raça, legitimidade de matrimônios etc. MIGUEL ANTÓNIO DA SILVEIRA era descendente de PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL e dele fala em um trecho de sua petição (Notas Históricas, edição de 1981, p. 124):

...Item 20 - Se sabem que a dita INÊS PIRES, quinta Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de PERO LUÍS DE SOUSA e de sua mulher, CATARINA ANES, e que este PERO LUÍS DE SOUSA foi o que principiou as muralhas do Castelo de São João Baptista, no monte Brasil da Ilha Terceira, que é um dos melhores fortes do rei no de Portugal, por cuja razão lhe chamam de PERO DO BRASIL.

...
Item 22 - Se sabem ser tão conhecido o nome do dito PERO LUÍS DE SOUSA, assim por sua muita Nobreza e Fidalguia, como pelos muitos serviços que a Sua Majestade, que Deus lhe Guarde, fazia no dito Castelo, que da Corte de Lisboa veio um Conde a visita-lo com muita particular amizade.
...

Nota do webmaster: A construção, na base do Monte Brasil, do castelo de São João Baptista, originalmente chamado de fortaleza ou castelo de São Filipe, foi iniciada em 1582 por decisão do rei Filipe II da Espanha (Filipe I de Portugal). Seu projeto foi feito pelo arquiteto militar português João de Vilhena. Em 1641, ano seguinte à revolução que levou D. JOÃO IV ao trono de Portugal encerrando o domínio espanhol, o nome do castelo foi mudado para São João Baptista. Como Pero Luís de Sousa do Brasil nasceu em 1470, seria impossível que ele tivesse trabalhado no início da construção das muralhas da fortaleza em 1582, como afirma, fantasiosamente, o pretendente ao título de nobreza.


DESCENDÊNCIA DE PERO LUÍS

A apresentação das genealogias das famílias de São Jorge feita pelo Pe. CUNHA é falha e não permite que se obtenha toda a descendência de PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL até nossos dias com exatidão. O próprio Pe. CUNHA, sobre a dificuldade em pesquisar as origens e descendências de uma determinada pessoa, comenta em seu livro Notas Historicas (p.49):

"Os apontados genealógicos de MATEUS MACHADO FAGUNDES DE AZEVEDO são deficientes a respeito do assunto, não havendo, que saibamos, outras quaisquer fontes de investigação para resolver satisfatoriamente este ponto. A falta de registros paroquiais, a confusão que deriva dos homónimos, a pouca clareza das referências escritas, a falta de cronologia e até a duplicidade de cognome usado por alguns lançam notável embaraço no espírito de quem se ocupa de genealogias".

A esse comentário do Pe. CUNHA pode-se acrescer a desuniformidade na colocação de sobrenomes. Muitas vezes os sobrenomes seguiam o sistema espanhol de colocar o sobrenome do pai antes do da mãe. Outras vezes usava-se somente o sobrenome da mãe. Era comum, ainda, dar-se aos filhos sobrenomes de antepassados, completamente diferentes dos sobrenomes dos pais. Muitas vezes determinados sobrenomes não eram transferidos aos filhos. Apesar da formação dos sobrenomes nem sempre seguir uma regra rígida, sabe-se que os sobrenomes SOUSA e BRASIL na ilha de São Jorge têm origem em FERNÃO LUÍS DE SOUSA e seu filho PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL, nascido por volta de 1470, a quem consideramos o nosso genearca, origem da linhagem famíliar surgida em São Jorge e que leva por sobrenome a palavra BRASIL.

No início do século XVI, PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL, casou-se com CATARINA EANES (ou ANES) PIRES, nascida em Santarém, sendo pais de ISABEL PIRES DE SOUSA e de INÊS PIRES. Os primeiros descendentes de PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL com o sobrenome BRASIL foram seus trinetos GASPAR NUNES PEREIRA BRASIL e ANA MACHADO NUNES PEREIRA BRASIL. O Pe. CUNHA não lista nenhum outro descendente imediato de PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL com o sobrenome SOUSA ou BRASIL, embora esses dois sobrenomes, juntos, apareçam posteriormente em grande número em São Jorge.

A documentação existente no trabalho do Pe. CUNHA não permite que se acompanhe toda a descendência de PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL até nossos dias. A pesquisa feita em 1939 por CELSO M. SCHRÖEDER, publicada no Annuario Genealógico de 1940, cita "PEDRO LUIZ DE SOUZA, conhecido como PEDRO LUIZ DO BRASIL", como pai de JOSÉ DE SOUSA BRASIL. Pesquisas atuais mostram que SCHRÖEDER não teve acesso aos dados dos ancestrais de JOSÉ DE SOUSA DA SILVEIRA BRASIL, o nosso primeiro ancestral que se estabeleceu no Brasil. Desta forma, indicou PERO LUÍS DE SOUSA DO BRASIL, o genearca, como seu pai.


A ORIGEM DO NOME DE FAMÍLIA ASSIS, NA FAMÍLIA ASSIS BRASIL

O surgimento do apelido famíliar ASSIS BRASIL, adicionando a palavra ASSIS ao apelido original BRASIL, está bem descrito e comentado, incluindo a etimologia da palavra ASSIS, oriunda do império romano, na página do nosso Marco Patronímico Original, FRANCISCO DE ASSIS DE SOUSA BRASIL.


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