RAÇA DEVON



A HISTÓRIA

Devon em Pedras Altas O Devon é uma das raças mais antigas do Reino Unido. Sem duvida, é uma raça indígena do sudoeste da Inglaterra. É curioso notar que a primeira referência à mesma a situa em Cornwall e não em Devonshire. Housman sustenta a opinião que a origem da raça na Inglaterra remonta à época das expedições dos Fenícios em busca de estanho na região de Cornwall.

A raça tem mudado consideravelmente nos últimos 100 anos. Entretanto, muitos dos animais registrados são descendentes diretos dos primeiros animais registrados por Davy no primeiro Livro Genealógico, publicado em 1850, e que pertencia a famílias que já criavam Devon há 150 anos, segundo elas mesmas.

No século XVIII, o Devon começou a expandir-se do oeste do Reino Unido. , Garrard, famoso escultor inglês de animais domésticos, descreveu o Devon como a mais perfeita raça na Grã-Bretanha. Foi provavelmente Thomas William Coke, de Holkham Hall, Norfolk, no outro lado da Inglaterra, que mais introduziu o Devon em seu condado. O famoso criador, que teve a idéia de unir as raças Norfolk e Suffolk em uma só raça, o Red Poll, foi influenciado pelo Duque de Bedford a trazer os pequenos e econômicos animais da raça Devon para esses condados.

No século XIX o Devon foi cuidadosamente cruzado com zebus indianos visando a formação de raças adaptadas ao clima tropical. Essas raças são Jamaica Red, Bravon, Makaweli e Santa Gabriela. Esta, por sua vez, está sendo usada para melhorar algumas raças bovinas japonesas.

A respeito de sua origem em Exmoor, o Devon tem provado ser tolerante a climas quentes, sendo hoje criado extensivamente na Austrália, Nova Zelândia, USA, Brasil e Jamaica. Esta habilidade em tolerar bem ao calor tem encorajado alguns pesquisadores a imaginar uma possível relação entre o Devon e o gado indiano levado ao sudoeste da Inglaterra há muito tempo atrás. Outros, porém, relacionam o Devon ao Salers da França.

No início do século XIX, o Devon foi exportado para a Tasmânia e para a Austrália, até que restrições sanitárias colocaram fim as importações. O Devon teve mais de um século para mostrar seu valor em ambientes como Queensland, New South Wales e no seco e quente noroeste do oeste australiano.

No século XIX, em Queensland, o Devon produziu tanta carne por acre quanto o Hereford ou o Shorthorn e também produziu uma boa proporção de carne magra quando cruzado com o Shorthorn. Vacas Devon Alguns dos rebanhos ingleses eram usados para produzir leite, mas as suas antigas características leiteiras foram negligenciadas. Entretanto, o rebanho original que acompanhou a família Pilgrim do porto de Plymonth em Devon no ano de 1623 para provê-los de leite, queijo e manteiga durante sua viagem para a América, continuaram a produzi-los quando eles colonizaram o continente americano. Existe uma raça chamada Milking Devon em Massachusets, que é muito semelhante ao tipo original do gado Devon do século XVII, sendo portanto um valioso banco genético.

Em 1960 a raça foi exportada para o Canadá. Ela vive em altitudes de 1.400 metros na face leste das Montanhas Rochosas com duros invernos e poucos abrigos. O Devon também, vive no Kenya, em uma fazenda a 1.800 metros de altitude, localizada em em uma savana úmida, onde a raça é usada para melhorar o gado nativo.

Lida no campo A raça Devon foi introduzida no Brasil em 1906, por Assis Brasil na região de Pedras Altas-RS, e depois em Alegrete e municípios vizinhos. Em 1914, o Visconde Ribeiro de Magalhães, de Bagé-RS, inscreveu o primeiro lote de reprodutores puros da raça, duas vacas e um touro de procedência inglesa. O primeiro Devon nacional registrado foi "Bagé", de janeiro de 1915, também propriedade do Visconde.

Existem Herdbooks da raça Devon no Reino Unido (1851), Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, USA, Brasil entre outros.

AS CARACTERÍSTICAS

Esta raça antiga e bela mostrou ser um grande negócio, sendo muito bem adaptada a climas quentes. Centrado ao redor de Exmoor, ao norte de Devon, onde o clima é chuvoso e úmido, com invernos frios e rigorosos, este foi o ambiente dominante em que a raça Devon proliferou por muitos séculos.

TOURO DEVON A pele pigmentada de amarelo-alaranjado e a pigmentação escura nos olhos são um muito úteis nos climas tropicais, onde a pigmentação da pele protege o úbere da perigosa radiação solar.

A raça é muito resistente e as fêmeas não apresentam problemas de fertilidade ou parição. Suporta o frio e a umidade, mantendo-se bem em pastagens fracas e fibrosast. Por isso, é muito apreciada pelos pequenos proprietários. O nome da raça indica sua procedência do oeste da Inglaterra, mas a experiência demonstra cabalmente que ela pode se ambientar em outras zonas, tanto no Reino Unido como em outros países.

Durante os muitos anos de experiências nas quais os adeptos de outras raças visavam o aumento do tamanho dos animais, a Devon se manteve como gado de porte médio. Agora, com a maior procura pelos animais de fácil adaptabilidade ao sistema de criação extensivo, a raça começa a se espalhar por todo o Brasil.

TOURO DEVON Ultimamente este gado tem sido muito utilizado para cruzamentos com raças zebuínas, formando a raça sintética BRAVON, ou mesmo com raças européias, apresentando bons resultados em ambos os casos. Isto vem ocorrendo tanto pela grande capacidade de ganho de peso dos touros, mesmo em más condições de pastagens, quanto pela lactação das vacas.

Criado de forma pura ou cruzado com outras raças, o Devon apresenta rápido apronte e excelente rendimento de carne. Sua capacidade de conversão alimentar e de produção de carne de qualidade estão entre as melhores do mundo, sendo suas características mais marcantes a rusticidade, fertilidade, habilidade materna, precocidade e docilidade, condições que transmite com eficiência nos sistemas de cruzamento.

Os reprodutores se destacam pela rusticidade e eficiência. A alta capacidade de serviço aliada ao grande poder de conversão de pastos em carne de qualidade, conferem ao gado Devon grande potencial para cruzamentos em qualquer região do Brasil.

As vacas são rústicas, prolíficas e dotadas de alta capacidade leiteira. Comparada às raças de corte, são tidas como de grande lactação. Em controle ceiteiro, 61 vacas Devon obtiveram a expressiva média de 2.321 kg de leite com 4,16% de gordura, embora o gado Devon não seja explorado para produção leiteira.

TOURO DEVON Há alguns decênios, o gado Devon era muito utilizado por sua capacidade de trabalho e pela sua mansidão. Responde muito bem a uma boa alimentação e é muito utilizado em confinamento para produzir carne de primeira qualidade, bem marmorizada, de fibra fina e sabor especial nas peças menores.

O reprodutor Devon transmite:

  • Fertilidade
  • Capacidade leiteira
  • Habilidade materna
  • Longevidade
  • Habilidade na conversão alimentar
  • Docilidade
  • Rusticidade (adaptação a qualquer clima e qualquer altitude)
  • Conformação de carcaça
  • VACAS DEVON O reprodutor gera um terneiro:
  • Com maior resistência a doenças
  • Pequeno tamanho ao nascer, não oferecendo problemas de parto
  • Dócil
  • Hábil na conversão alimentar (menor quantidade de pasto ou grãos consumidos por kg de carne produzida)
  • A vaquilhona de cruza Devon:
  • É precoce, produz terneiros mais cedo
  • É fértil, o que representa mais terneiros
  • Produz excelentes vacas reprodutoras